Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 27 2016

 

Quadradinho em terracota pintada, com cerca de 12,4 x 12,4 cm. e 1,4 cm. de altura de rebordo, produzido na fábrica Cerâmica Macedo, de Barcelos.

 

Ilustrando um movimento da dança popular denominada Rosa Branca, este motivo insere-se numa representação folclórica que, retomando e adaptando as representações de motivos e costumes nacionais e regionais exaltados pelos românticos desde início do século XIX, se iniciou em Portugal na década de 1920 e teve o seu apogeu entre as décadas de 1930 e 1960.

 

Esta representação tem vindo a ser pontualmente referida neste espaço (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/folclore) e também MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2016/07/jarra-e-azulejo-o-vira-marinha-grande-e.html) a abordou recentemente.

 

É, aliás, a propósito daquela recente publicação que aqui se volta ao assunto, para divulgar o nome de mais uma designer que seguiu esta tendência na Cerâmica Macedo, fábrica barcelense que operou entre 1930 e 1949, nas instalações de Areias, e ainda em Campo de S. José, tendo estas últimas encerrado em 1950.  

 

Segundo Adélio Macedo Correia, filho do ceramista João Macedo Correia (1908-1987) e autor do estudo Cerâmica Macedo, Barcelos, depois de encerrar aqueles espaços seu pai manteve ainda um pequeno estúdio, anexo a sua casa, até meados da década de 1970.

 

Ainda de acordo com Adélio Macedo Correia, foi aí, já na década de 1950, que seu pai começou a produzir, entre outras peças, estes quadrinhos, cujos cerca de trinta diferentes motivos se devem a uma estudante de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, conhecida apenas pelo nome de Maria Inês.

 

Voltaremos a abordar a injustamente esquecida produção da Cerâmica Macedo, a qual chegou a estar representada na Exposição do Mundo Português, em 1940, e teve a sua memória recuperada por ocasião da exposição A Cerâmica Portuguesa no Período Art Déco, realizada em 2005, nos EUA, onde se exibiu uma pequena jarra que será aqui posteriormente reproduzida.

 

 

© MAFLS


Agosto 14 2016

 

Paliteiro em faiança, com cerca de 12,4 x 5,2 x 2,2 cm., ostentando nos flancos as inscrições HOTEL do FACHO / FOZ do ARELHO - PORTUGAL e na base a assinatura manuscrita M. Antónia / C. da RAINHA.

 

A assinatura corresponde a Maria Antónia Parâmos (1922-1976), ceramista e pintora caldense que colaborou com a fábrica Secla em 1954 e 1955.

 

Inaugurado em 1910, o centenário Hotel do Facho passou por algumas vicissitudes, mas foi entretando recuperado e encontra-se actualmente a funcionar em pleno (https://fachoguesthouse.wordpress.com/myhome/fachoguesthouse/).

 

 

© MAFLS


Julho 30 2016

 

Conjunto de azulejos decorativos, com cerca de 15,2 cm. de lado, ostentando decoração aplicada a stencil (chapa recortada) e aerógrafo sobre o vidrado.

 

No tardoz ostentantam, em relevo, a inscrição LUFAPO / Coimbra, que, como se sabe, correspondia a uma das marcas do grupo Lusitânia.

 

© MAFLS


Julho 20 2016

 

O Museu de Cerâmica de Sacavém inaugurará uma nova exposição, intitulada Fábrica de Loiça de Sacavém. Para uma história da faiança em Portugal, no próximo sábado, dia 23 de Julho, pelas 18h00.

 

Aqui fica o convite formulado pelo Câmara Municipal de Loures para visitar a exposição e assistir também à apresentação da Bienal de Cerâmica Manuel Joaquim Afonso 2016-2017.

 

© MAFLS

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Julho 17 2016

 

Castiçal em porcelana da Vista Alegre, com bobèches amovíveis, medindo cerca de 18,9 x 25,2 x 5,1 cm.

 

Esta peça ostenta a marca correspondente ao período de 1947 a 1968.

 

 

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Julho 02 2016

 

Paliteiros em faiança moldada reproduzindo dois chapéus característicos do século XIX.

 

O primeiro exemplar, com cerca de 6,4 x 10,6 x 8,4 cm., foi produzido em pasta branca, ligeiramente amarelada, vidrada e não apresenta qualquer marca.

 

O segundo, com cerca de 6,2 x 8,8 x 7,8 cm., foi produzido em pasta esbranquiçada pintada mas não vidrada e apresenta a marca "JM / 51". A eventual origem das iniciais JM já havia sido discutida anteriormente aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/69408.html.

 

 

Sendo substancialmente mais pesado e apresentando pasta moldada com maior espessura, é possível que o primeiro paliteiro tenha sido produzido nas Caldas da Rainha.

 

Como se sabe, os paliteiros abertos, tal como os conjuntos abertos para sal e pimenta, eram característicos do século XIX, tendo os modelos decorativos com várias perfurações subsistido até ao primeiro quartel do século XX, como se pode comprovar na diversificada produção da Vista Alegre, altura em que começaram a ser substituídos pelos populares modelos triangulares com um único orifício.

 

 

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Junho 19 2016

 

Dípticos azulejares, executados em oficina não identificada, ostentando a assinatura de José de Sousa (datas desconhecidas) e a data de 2005.

 

 

Embora estes não sejam exemplares de produção industrializada e comercialização em larga escala, destinam-se obviamente a apelar a um público, eventualmente turístico, que identificará a tradição azulejar e o peixe como ícones de Portugal.

 

 

© MAFLS

 


Junho 15 2016

   Image © http://www.fazecome.pt/

 

Começam a ser tantos que já se tornam incontornáveis. É verdade. A gastronomia metamorfoseou-se em gastromania. E os sites sobre gastronomia e culinária não cessam de seguir o lugar comum e de brotar como cogumelos. Sites com belíssimas fotografias, sites com fotografias assim-assim, sites com textos irrepreensíveis, sites com textos recheados de... "gralhas", sites com receitas para todos os gostos.

 

Por entre esta floresta, vão surgindo exemplares de loiça antiga, ou exemplares que apresentam antigos motivos decorativos. E entre estes ressalta, pela sua frequência, o inevitável motivo Estátua, uma decoração estampada mais conhecida popularmente como Cavalinho.

 

Hoje, para uma muito querida vegetariana que se encontra longe de Portugal, reproduzem-se dois exemplos desse motivo, produzido por diversas fábricas portuguesas, que surgem disfarçados sob o resultado final das receitas apresentadas aqui: http://www.fazecome.pt/2016/06/legumes-assados-e-um-jantar-informal.html, e aqui: https://minhamarmita.blogspot.pt/2014/09/risotto-de-agriao-e-queijo-de-cabra.html.

 

Vejam-se mais alguns exemplares ostentando as diversas variantes deste motivo, conhecido em Inglês como Grecian Statue, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+est%C3%A1tua.

 

  Image © https://minhamarmita.blogspot.pt/2014/09/risotto-de-agriao-e-queijo-de-cabra.html

 

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Junho 09 2016

 

Azulejo em relevo, com o motivo 17, apresentando mais uma das variantes cromáticas comercializadas pela FLS.

 

Tal como alguns dos exemplares anteriormente apresentados (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/azulejo+motivo+17), também este ostenta a inscrição SACAVEM moldada no tardoz.

 

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Junho 04 2016

 

Par de azulejos em faiança, com cerca de 10,4 x 10,4 cm., produzidos na fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Estes motivos folclóricos estiveram particularmente em voga na produção da fábrica durante a década de 1950, podendo-se encontrar dois outros exemplos aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html.

 

Tal como ali foi referido – "a recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo."

 

"Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas."

 

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