Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 28 2012

 

 

 

Prato de parede decorado sob o vidrado, com cerca de 26 cm. de diâmetro, assinado com as iniciais "R. H. (L.?)", datado "70" (?) e marcado no verso "Olaria Sanches / Sintra".

 

Conforme já foi referido anteriormente, a Olaria Sanches dispunha de instalações em Benfica, nas imediações da Rua dos Soeiros e da Azinhaga do Ramalho, e em Mem Martins, Sintra, em datas que ainda não foi possível precisar. Contudo, presume-se que as instalações de Benfica encerraram após a abertura das de Mem Martins, as quais ainda se encontravam a laborar na década de 1970.

 

Sabe-se que "R. H. (L.?)" esteve activo(a) como modelador(a) e pintor(a) de cerâmica, eventualmente em exclusivo na Olaria Sanches, pelo menos entre 1949 e 1970, pois conhecem-se peças suas – máscaras, jarras, taças e pratos, correspondentes a estas datas, bem como a outras intermédias.

 

 

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Janeiro 27 2012

 

Azulejo moldado com decoração floral e sinuosidades evocativas do estilo Arte Nova na cercadura. No tardoz apresenta a inscrição Sacavem. 

 

Veja-se um motivo igual a este, com uma vidrado verde que dá muita mais profundidade ao relevo, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/10559.html.

 

© MAFLS


Janeiro 25 2012

©CDMJA/MCS

Reprodução de um folheto que pertenceu a Jorge Pereira Simões, funcionário da FLS durante 24 anos, apresentando marcas da FLS.

Este exemplar foi entretanto doado ao CDMJA, aquando da exposição Porta Aberta às Memórias, realizada em 2008 no MCS.

Note-se a incorrecção de algumas datas indicadas, bem como a ausência de algumas marcas, nomeadamente a Gilman Lda.

 

Como se sabe, o sistema de marcação de peças estabelecido pela Vista Alegre permite-nos datar a sua produção de acordo com períodos bem definidos, pois o logótipo da VA é tradicionalmente alterado cada vez que se verifica uma mudança de administração (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/129589.html).

 

Quanto ao sistema de marcação da FLS, generalizou-se a ideia de que a marca Gilman & Cta. se manteve inalterada desde o princípio do século XX até ao princípio da década de 1970, tornando assim quase impossível distinguir, apenas pela consulta da marca, uma peça da década de 1910 de outra peça da década de 1960.

 

Tal método poderia levantar sérias dúvidas a pessoas pouco habituadas a considerar outros factores para a datação de cerâmica que não apenas a marca.

 

Esta é uma questão particularmente importante, se considerarmos que na FLS os motivos Chorão e Estátua, por exemplo, foram produzidos desde o século XIX até praticamente ao encerramento da fábrica.

 

          

G&Cta.1                                                                              G&Cta.2

 

Ora, acontece que a referida marca não se manteve inalterada ao longo de todo aquele período, como se verifica pelas imagens aqui apresentadas.

 

Infelizmente, apesar de se poderem documentar todas as variantes da marca, não é possível estabelecer com segurança um período específico para cada uma delas.

 

No entanto, sem efectuar uma reprodução exaustiva de todas as variantes conhecidas (faltam, por exemplo, marcas com o nome ou número do motivo por cima do círculo, ou as marcas com a abreviatura Dec. aplicadas no motivo Quinta), vejamos quais as diferenças entre elas e os dois grandes períodos a que poderão corresponder.

 

As marcas G&Cta.1 e G&Cta.2 apresentam entre si diferenças a nível do rectângulo da fivela, do número de furos do cinto e do seu remate. São seguramente as mais antigas do grupo aqui apresentado.

 

A marca G&Cta.3 é uma marca de transição para a G&Cta.4, apresentando ainda o formato rectangular da fivela, aqui já simplificada, e o remate do cinto, mas com um sombreado que não surgia nas anteriores.

 

          

G&Cta.3                                                                       G&Cta.4

 

A marca G&Cta.4, bem como a sua variante para exportação G&Cta.4, já com a fivela arredondada, é a mais recente. Conhece-se marca semelhante aplicada num prato estampado com a data de 1934, a data mais recuada em que foi possível documentá-la.

 

Poder-se-ia, assim, concluir que as primeiras duas marcas correspondem aproximadamente ao período de 1900 a 1930 e as duas restantes ao período de 1930 a 1970.

 

O problema é que a marca G&Cta.1 aparece numa peça da série Bébé (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/19095.html), que apenas começou a ser comercializada a partir de 1945, embora não haja qualquer dúvida que a marca G&Cta.4 estava já generalizada nesse mesmo ano (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/35956.html) e generalizada também já na década de 1930 (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/8186.html)...

 

Apesar de tudo, é possível afirmar com alguma segurança que qualquer peça ostentando as marcas G&Cta.3 e G&Cta.4 não é certamente anterior à década de 1930, e que as marcas G&Cta.1 e G&Cta.2, características do período de 1900 a 1930, apenas foram ocasionalmente aplicadas em peças, com preponderância para aquelas que eram estampadas, produzidas entre 1930 e 1950.

 

G&Cta.4a

 

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Janeiro 23 2012

 

Terrina formato Leiria com o motivo número 10337 aplicado em decalcomania, sob o vidrado, e filetagem a dourado. 

 

Veja-se um conjunto de chávena e pires, formato Coimbra, com o mesmo motivo em: http://mfls.blogs.sapo.pt/131761.html.

 

Veja-se ainda uma outra terrina com o mesmo formato em: http://mfls.blogs.sapo.pt/36477.html.

 

 

© MAFLS


Janeiro 22 2012

 

Grupo escultural em porcelana dourada e pintada à mão, da fábrica Artibus, Aveiro, com cerca de 17,7 cm. de altura.

 

Conforme aqui foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/12467.html), a Artibus produziu cerâmicas de alta qualidade, quer quanto à pintura quer quanto à modelação, sendo esta peça paradigmática dessa sua excelente execução.

 

Como se pode verificar abaixo, o logótipo da empresa pretende sugerir o da VA, através da haste levantada no início do A e da consequente sugestão de um pequeno v a anteceder essa letra, certamente não apenas porque alguns dos seus técnicos eram daí oriundos mas também pelo prestígio associado a essa marca.

 

De acordo com o Diário do Governo, a Artibus foi estabelecida por escritura pública de 11 de Abril de 1947, embora o início da sociedade ficasse registado nesse mesmo documento como tendo ocorrido a 1 de Janeiro desse ano.

 

O seu capital social inicial era de 400.000$00, distribuído pelas seguintes quotas: Hernâni Henriques Salgueiro com 150.000$00; José Maria Vilarinho com 150.000$00; e Carlos Alberto Pinto da Mota com 100.000$00.

 

Este último sócio, Carlos Alberto Pinto da Mota, assumiu o cargo de gerente técnico da fábrica.

 

 

     

Frasco de chá, a que falta a tampa, dourado e pintado à mão. 

Esta figura feminina, evocativa dos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), surgia já numa pequena jarra, datável de 1928-1930, decorada por Guido Andlovitz (1900-1971[algumas fontes referem 1965]) para a empresa Società Ceramica Italiana di Laveno, como se pode verificar na página 37 do livro Artes Decorativas do Século XX: Art Déco (1990), de Carla Cerutti (n. 1955).


 

A 31 de Outubro de 1949 uma nova escritura veio alterar significativamente quer o pacto social quer o capital da sociedade, que foi aumentado para 4.400.000$00 e ficou assim distribuído:

 

José Maria Vilarinho, 2.000.000$00; Adélia Teixeira Vilarinho, 100.000$00; Fernando Arcanjo de Sá Marta, 600.000$00; Carlos Alegre Marta, 400.000$000; Eduardo Arcanjo de Sá Marta, 300.000$00; António de Ataíde Marta, 100.000$00; Manuel Alegre Marta, 200.000$00; Augusto Alegre Marta, 100.000$00; Lucílio Garcia, 100.000$00; António Luís Marta, 200.000$00; Maria Alice de Ataíde Marta Proença, 100.000$00; Mário Ferreira da Costa, 100.000$00; Armando Costa, 25.000$00; José Ferreira Correia, 25.000$00; João Fernandes Torrão, 25.000$00; e António Valente da Silva, 25.000$00.

 

Como se verifica por estes dados, José Maria Vilarinho foi o único elemento que transitou da sociedade anterior, ficando a Artibus, a partir de 1949, a ser controlada pelas famílias Vilarinho e Marta.

 

A saída de Carlos Alberto Pinto da Mota foi suprida com a entrada dos novos sócios António Valente da Silva, Armando Costa, João Fernandes Torrão e José Ferreira Correia, que vieram assegurar competências técnicas nos diversos sectores da fábrica.

 

Dos trabalhadores da fábrica registe-se ainda o nome de José Augusto Ferreira dos Santos (n. 1930), que aí trabalhou como oleiro, entre 1948 e 1959, antes de se transferir para a fábrica Aleluia onde permaneceu até 1969, tendo exercido nesta última a actividade de pintor de painéis e de modelador (cf. http://www.prof2000.pt/users/secjeste/ZeAugusto/Antospg31.htm e http://www.cm-aveiro.pt/www/cache/imagens/XPQ5FaAXX29248aGdb9zMjjeZKU.pdf).

  

A Artibus ainda existia em 1988, pois nas actas da C. M. de Aveiro de 8 de Agosto desse ano (http://www.cm-aveiro.pt/www/cache/imagens/XPQ5FaAXX20848aGdb9zMjjeZKU.pdf) refere-se que seriam imputados à empresa 50% dos custos globais (estimados em 42.266.600$00) das infraestruturas da área sul do Canal do Cojo, onde se situavam os terrenos da fábrica.

 

O grupo escultural aqui reproduzido ilustrou um dos artigos do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos EUA.

 

 

© MAFLS


Janeiro 21 2012

 

 

 

De acordo com o Diário do Govêrno, por escritura de 17 de Abril de 1929, a FLS passou de "sociedade anonima de responsabilidade limitada" a "sociedade por cotas, de responsabilidade limitada", mantendo o seu capital de 2.000.000$00 assim subscrito:

 

"D. Elvira James Gilman, 679.000$00;

 Raúl Gilman, 180.000$00;

 D. Evelyne Maria Howorth, 618.000$00; 

 Rupert Beswicke Howorth, 1.000$00; e

 Herbert Gilbert, 522.000$00."

 

O artigo 4 dos novos estatutos estabelecia: "A denomição social continua a ser a mesma Fábrica de Louça de Sacavém e seguida da palavra Limitada."

 

O parágrafo 2 do artigo 7 indicava a gerência: "Ficam desde já nomeados gerentes efectivos os sócios Raúl Gilman e Herbert Gilbert, e substitutos João Hermenegildo Nogueira de Araújo, o Dr. Nuno de Moura Teixeira e José de Sousa." 

 

O parágrafo único do artigo 11 admitia ainda a possível entrada de mais membros da família Gilbert na gestão da empresa, pois estabelecia o seguinte: "Fica, desde já, expressamente autorizado o sócio Herbert Gilbert [1878-1962] a ceder uma parte da sua cota a seu filho Leland Herbert Gilbert [1907-1979], ficando, depois da cessão, constituindo [sic] duas cotas distintas".

 

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Janeiro 19 2012

 

Prato formato Espiga com o motivo 1228 estampado sob o vidrado, apresentando a legenda "PESCA MILAGROSA / NAS COSTAS LINDAS DE PORTUGAL".

 

 

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Janeiro 17 2012

© CDMJA/MCS

 

Folha de finais da década de 1950, com desenhos para dois motivos da FLS, que se encontra depositada nos arquivos do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso/Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

A silhueta destas jarras corresponde ao formato 8, que já existia pelo menos desde a década de 1930, e não a qualquer formato Arte Nova desenvolvido na década de 1950.

 

A reprodução desta imagem é uma cortesia do CDMJA/MCS.

 

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Janeiro 15 2012

 

Travessa com o motivo Beira estampado sob o vidrado.

 

Esta peça apresenta três particularidades. Uma, característica do próprio formato, é a decoração relevada na pasta, que não coincide exactamente com os limites do motivo Beira aqui aplicado.

 

Outra, a segunda, encontra–se no monograma EC, aplicado a castanho, que obrigou a um recorte no motivo floral.

 

A terceira tem a ver com o facto de surgir na pasta uma marca circular, aparentemente também Gilman & Cta., facto que não é muito comum neste período.

 

Note-se ainda que os exemplares decorados com motivo Beira anteriormente apresentados ostentam a marca Gilman Lda. (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+beira).

 

Esta travessa não parece corresponder a um modelo destinado a receber terrina, antes parecendo ser um modelo destinado a funcionar como tabuleiro, hipótese que parece ser sublinhada pelo reforço do rebordo inferior.

 

Uma travessa semelhante a esta, com o motivo Beira estampado a verde, foi exibida na exposição 150 Anos – 150 Peças, Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada em 2006 no Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

 

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Janeiro 14 2012

 

Pequenos cinzeiros em porcelana da fábrica Electro-Cerâmica do Candal, Vila Nova de Gaia.

 

Sem mais texto, para não nos distrairmos da pureza das formas e da decoração, estas imagens são dedicadas ao blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.com/) e à sua autora.

 

 

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