Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 18 2017

© Imagem Associação Turismo de Lisboa

 

Após catorze anos de encerramento, e muitos mais de abandono e desoladora degradação, foi hoje reaberto o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

 

Agora sob a gestão da Associação Turismo de Lisboa (https://www.visitlisboa.com/pt-pt) este edifício com quase cem anos, que representou Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, teve uma recuperação integral que inclui o restauro dos magníficos painéis azulejares executados por Jorge Colaço (1868-1942) na Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Vejam-se alguns pormenores dos quatro painéis alegóricos – intitulados A Ala dos Namorados, Cruzeiro do Sul, Ourique e Sagres,  aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+internacional+rio+de+janeiro.

 

© MAFLS


Fevereiro 11 2017

 

Dois cinzeiros em faiança da fábrica Cerâmica da Madalena, Leiria.

 

Fundada em 1945, esta fábrica veio a ter como accionista, já no final da década de 1960, a empresa J. Pimenta, S.A.R.L., cujo logótipo está patente nestas peças.

 

O primeiro cinzeiro alude ainda à célebre publicidade gráfica e televisiva que, no início da década de 1970, apresentava o slogan "Pois, pois... J. Pimenta!", promovendo os empreendimentos do construtor civil João Pimenta (c.1925-2015).

 

Em 1986 a Cerâmica da Madalena, que entretanto já se tinha vindo a especializar na loiça sanitária durante as últimas duas décadas, passou a integrar o grupo espanhol Roca (http://www.pt.roca.com/home/home) e produziu 200.000 peças. No ano seguinte, registava já uma produção de um milhão de peças.

 

 

 

Esta empresa de origem catalã havia-se estabelecido em Portugal em 1972, comercializando produtos de aquecimento e banheiras de ferro fundido.

 

Em 1995 consolidou a sua posição no mercado inaugurando uma unidade de produção de banheiras em aço esmaltado, em Águeda, e no ano seguinte construiu uma segunda unidade em Leiria, que começou por produzir 233.000 peças e em 1998 produzia já 1.800.000 peças.

 

No âmbito desta diversificação na área sanitária, em 1999 a  Roca veio ainda a inaugurar, em Cantanhede, uma unidade de produção de torneiras. 

 

 

© MAFLS


Fevereiro 05 2017

 

Dois ensaios cerâmicos, em pasta vidrada e não vidrada, com técnicas complementares, elaborados cerca de 2006 por Anna Westerlund (n.1978) nas oficinas de cerâmica do Ar.Co.

 

Estas oficinas, fundadas em 1987, em Almada, têm funcionado como um estúdio cerâmico de formação e espaço de acolhimento e intercâmbio de técnicas e experiências para diversos ceramistas nacionais e internacionais.

 

Tendo sido criadas em simultâneo com o Simpósio Internacional de Cerâmica - Alcobaça 1987, estas oficinas assinaram nesse mesmo ano um protocolo de colaboração com a Cerâmica São Bernardo, daquele concelho.

 

 

Desde então, estas oficinas têm desempenhado nesta área específica de formação e experimentalismo cerâmico um papel fundamental, que talvez só tenha paralelo na actividade do Cencal, instituição que tem mantido e divulgado a tradição, o know-how e a inovação cerâmica das Caldas da Rainha.

 

A título de curiosidade, refira-se que a ceramista está casada com o ex-nadador olímpico e actual actor televisivo Pedro Lima (n. 1971).

 

Visite-se o belo site da cerâmica artesanal de Anna Westerlund aqui: http://annawesterlund.com/.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Janeiro 31 2017

 

Bule formato Hotel com a inscrição CHÁ LI-CUNGO aplicada com barbotina em relevo sobre o vidrado.

 

Veja-se um bule do mesmo formato ostentando a mesma legenda, mas aplicada com diferente técnica, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/152569.html.

 

Note-se que este exemplar apresenta uma pasta argilosa com acabamento acastanhado, muito diferente da generalidade da produção da FLS, mas semelhante a outras peças da fábrica relacionadas com esta bebida, característica também comum a alguma da produção cerâmica inglesa especificamente destinada ao chá.

 

 

Como já foi referido anteriormente, este chá era cultivado em Moçambique e, como se pode comprovar pela embalagem aqui reproduzida, comercializado através da Companhia da Zambézia.

 

Vejam-se outras peças, também com legendas alusivas ao chá, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/ch%C3%A1.

 

 

© MAFLS


Janeiro 28 2017

 

Pequena caixa para jóias, em porcelana da Electro-Cerâmica, do Candal, Vila Nova de Gaia, ostentando a legenda "Recordação do Bom Jesus [Braga]"

 

Conhece-se este motivo do santuário, que aqui surge litografado sobre o formato F12, aplicado em outras peças, como paliteiros triangulares e alfineteiras.

 

 

 © MAFLS


Janeiro 22 2017

 

Conjunto de duas chávenas de café, e pires, em faiança da J.P.M., empresa fundada em 1996 e com sede nas Caldas da Rainha.

 

A conjugação dos formatos e das combinações cromáticas foi concebida pelo artista plástico José de Guimarães (n. 1939), correspondendo a uma gramática bem característica das suas criações tridimensionais.

 

No tardoz, estas peças ostentam os logótipos da Expo'98 e do ICEP (Investimentos, Comércio e Turismo de Portugal), bem como o logótipo que José de Guimarães criou em 1993 para o Turismo de Portugal.

 

 

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Janeiro 14 2017

 

Pequena escultura em barro negro, com cerca de 16,3 cm. de altura, ostentando a assinatura manuscrita Albano (Albano Pinto Carvalho; datas desconhecidas), Bisalhães.

 

Sendo essencialmente utilitária, esta louça conta desde a década de 1980 com Albano Carvalho como um inovador escultor cerâmico que veio trazer interesse suplementar à tradicional produção oleira da região.

 

No âmbito da recente declaração pela Unesco do barro negro de Bisalhães, concelho de Vila Real, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, convém ainda recordar que esta técnica, em que se reduz a oxigenação durante a cozedura, não é exclusiva desta região portuguesa, ocorrendo também em várias outras regiões, como em Nantes, concelho de Chaves, local que durante várias décadas tem fornecido barro para as peças de Bisalhães, Molelos, concelho de Tondela, e Barcelos.

 

Sobre esta louça, uma das mais importantes e completas obras, que apresenta ainda o interesse suplementar de ser bilingue (Português/ Inglês), foi publicada em 2009, intitulando-se A Louça Preta de Bisalhães (Mondrões, Vila Real).

 

 

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Janeiro 08 2017

 

Jarra, ou jarro, em porcelana concebida pelo consagrado arquitecto Álvaro Siza Vieira (n. 1933).

 

Esta peça surgiu no âmbito de um projecto da empresa portuense Sátira, denominado minimalanimal, que foi organizado pelo designer Pedro Sottomayor (n. 1973; cf. http://www.pedrosottomayor.com/).

 

O projecto promoveu no ano 2000 um workshop à distância que resultou na criação de 21 peças em cerâmica, de diversos autores nacionais e internacionais, entre os quais se contam os arquitectos Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura (n. 1952).

 

Produzidas entre 2001 e 2003, estas 21 peças constituem a totalidade da série minimalanimal, que pretendia traduzir o racional (minimal) e o emocional (animal) na aproximação à cerâmica.

 

 

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Janeiro 05 2017

 

Pequena jarra, com cerca de 13,8 cm. de altura, em pasta feldspática.

 

Embora não apresente qualquer marca ou assinatura, quer o motivo quer a técnica decorativa desta peça remetem para o trabalho do consagrado Amalric Walter (1870-1959), que se celebrizou como ceramista, mas também, e principalmente, como escultor e mestre vidreiro na arte da pâte-de-verre (http://www.amalric-walter.net/).

 

O carácter distintivo desta jarra reside na sua pasta. Como se pode verificar na imagem, esta apresentava várias impurezas que, após cozedura, surgiram à superfície. Como é também evidente, a superficie não apresenta o craquelé característico do envelhecimento de vidrado da pasta de faiança, pasta habitualmente associada à produção de Walter na década de 1920.

 

Assim, caso esta peça tenha sido criada por Walter, como é muito provável, poder-se-á especular que estaremos perante uma obra de final da década de 1890 ou princípios da década seguinte, quando o artista, após ter colaborado com a Manufacture de Sèvres, que abandonou para cumprir o serviço militar, manteve um atelier cerâmico independente nesta localidade.

 

Depois de estabelecer um outro atelier de cerâmica e vidro em Paris, Walter passou a colaborar com a célebre fábrica de vidro dos irmãos Daum entre 1903 e 1914.

 

Aliás, como já tivemos oportunidade de verificar aqui (http://mfls.blogs.sapo.pt/51916.html), os motivos em que as árvores e a vegetação se enquadram numa paisagem lacustre, ou fluvial, de inspiração simbolista, surgiram também com frequência na produção da fábrica Daum daquelas décadas.

 

 

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Janeiro 04 2017

 

Pequena jarra em faiança, com cerca de 12,6 cm. de altura e 13,4 de diâmetro máximo, apresentando decoração floral Art Déco pintada manualmente sob o vidrado e craquelé induzido.

 

Este exemplar apresenta as iniciais correspondentes a Jules Tiélès (datas desconhecidas) sobre quem quase nada se sabe, ignorando-se mesmo se se trata um mero retalhista ou de um industrial ou artista cerâmico.

 

Existem peças assinadas com as iniciais JT, e o P dentro do triângulo, produzidas também em porcelana, ostentando algumas delas a marca complementar de Sèvres, embora não se saiba se esta última foi aplicada abusivamente ou se Tiélès adquiria peças de Sèvres que depois decorava ou comercializava.

 

O período de produção para as peças conhecidas parece corresponder ao final do século XIX e às primeiras três ou quatro décadas do século XX.

 

Esta técnica de decoração e pintura sob o vidrado foi também adoptada durante um curto período pela fábrica belga Boch Frères / Keramis, embora tenha sido abandonada devido à falta de homogeneidade cromática, nalgumas cores, que resultava num degradé muito irregular e esteticamente pouco apelativo.

 

No entanto, ao contrário desta, a decoração da Boch Frères / Keramis apresentava geralmente uma prévia estampagem dos motivos para estabelecer os contornos que depois seriam preenchidos com pintura manual: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/258654.html.

 

 

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