Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 24 2016

 

Conjunto de cinzeiro, cigarreira e base para caixa de fósforos, com cerca de 6,2 x 11 x 9,5 cm., em faiança da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia / Lufapo.

 

Veja-se uma outra versão deste formato, da mesma fábrica mas com diferente marca e pintura policromática, aqui: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2014/05/cinzeiro-art-deco-lusitania-lisboa.html .

 

Como os autores de MUONT referem, conhece-se um outro exemplar, que eventualmente corresponderá ao modelo original, produzido pela fábrica inglesa Royal Doulton.

 

 

© MAFLS


Setembro 18 2016

 

Medalha em grés, com cerca 0,8 cm. de altura e 9 cm. de diâmetro, comemorativa dos 58 anos da fundação (25 de Abril de 1921) da fábrica de Valadares (http://archvaladares.com/historia/).

 

Esta fábrica de azulejaria e loiça sanitária, uma das maiores a laborar em Portugal durante a segunda metade do século XX, passou durante os últimos anos por diversos problemas que quase a levaram à falência, mas entretanto retomou a produção e parece estar a recuperar daquela situação periclitante.

 

Registe-se que, embora tal não corresponda hoje à imagem de marca da empresa, a Valadares criou e comercializou cerâmica decorativa durante o segundo quartel do século XX.

 

Como já foi aqui referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/clariano+casquinha+da+costa), um dos melhores modeladores da FLS, Clariano Casquinha da Costa (1929-2013), abandonou esta última fábrica para ingressar na Valadares durante a década de 1960.

 

© MAFLS


Setembro 10 2016

 

Pequena leiteira, com cerca de 7,5 cm. de altura, 6,4  cm. na diagonal inferior e  8,6 cm. na diagonal superior, em porcelana da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra. Apresenta na base, incisos, os números 4, impresso, e 15, manuscrito.

 

Expoente máximo dos modelos Art Déco da SP, este formato, denominado Cúbico, surge habitualmente com decoração geometrizante que, por vezes, pode acentuar ainda mais a desconstrução, minimalista e escultórica, do cubo – um corte na parte superior de um vértice, que fende a pasta virando-a para o exterior e criando o bico, um recorte no vértice oposto, que esculpe e vaza o interior criando a asa.

 

O resultado desta intervenção contida é uma evoção clara de quadrados, círculos e triângulos e a sugestão da sua projecção tridimensional, total ou seccionada, em cubos, esferas e pirâmides.

 

Numa cuidadosa e harmoniosa adaptação ao formato, este exemplar apresenta, contudo, uma ave exótica, motivo bem característico, também, de alguma decoração cerâmica internacional do período Art Déco.

 

 

Como já foi referido anteriormente, em Portugal conhecem-se ainda motivos com aves exóticas na produção cerâmica, decorativa e doméstica, da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, quer da sua unidade de Coimbra quer da unidade de Lisboa, da Electro-Cerâmica, do Candal, e da Vista Alegre, de Ílhavo.

 

Acerca deste género de decoração, consultem-se os três artigos sobre Marcel Goupy (1886-1954) anteriormente aqui publicados: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/marcel+goupy.

 

Vejam-se mais alguns exemplares, com diferentes motivos deste notável formato, nas publicações de MUONT : http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2012/01/servico-de-cafe-modelo-cubico-porcelana.html.

 

Apesar da sua protuberância no bico, que contradiz os princípios subjacentes à patente inglesa 693783 – empilhamento fácil e arrumação compacta sem danos, este modelo da SP será de origem estrangeira e derivará certamente dos famosos Cube Teapots, patenteados cerca de 1922, que foram comercializados por diversas fábricas do Reino Unido, como a Minton ou a Wedgwood, e equiparam navios como o Queen Mary ou o Queen Elizabeth.

 

 

© MAFLS


Setembro 04 2016

 

 

Dois cinzeiros promocionais em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

O primeiro, com cerca de 5,6 cm. de altura, 8,1 cm. de diâmetro na base e 9,1 cm. de diâmetro máximo nos suportes para cigarro, ostenta quatro conjuntos de legendas – "CAIS / DA / FONTE / NOVA", "TELEF. / 22061 / (3 linhas) / APARTADO 13", "AZULEJOS / BRANCOS / E PINTADOS" e "LOUÇAS / DOMÉSTICAS / SANITÁRIAS / E ARTÍSTICAS".

 

O segundo, com cerca de 3,9 cm. de altura, 11,6 cm. de diâmetro na base e 13,1 cm. de diâmetro no rebordo, apresenta um vidrado pouco vulgar na produção da Aleluia e ostenta apenas as legendas que se podem observar na imagem – "Aleluia / Aveiro".

 

Obviamente, nenhum destes exemplares apresenta qualquer marca na base.

© MAFLS


Setembro 02 2016

 

Até ao próximo domingo, dia 4 de Setembro de 2016, poderá ainda visitar a exposição "Decorativo, Apenas?" – Júlio Pomar e a Integração das Artes, patente no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa.

 

Num espaço amplo e luminoso, concebido pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira (n. 1933), podem encontrar-se peças do acervo do Atelier-Museu, de outras instituições similares e de coleccionadores privados, que ilustram a criação do artista nos mais diversos suportes, desde a cerâmica, ou o vidro, até ao alumínio, ou a tapeçaria, e nas mais diversas técnicas, como a gravura sobre papel ou o óleo sobre tela.

 

Com curadoria de Catarina Rosendo (n. 1972), este conjunto expositivo propõe-nos também retomar, a partir de uma interrogação do próprio artista, a problemática da menorização, teórica e crítica, das chamadas artes decorativas, questionando ainda a validade desta adjectivação.

 

Considerando as posições que já haviam sido assumidas, no século XIX, pelos artistas do movimento Arts & Crafts e que Raul Lino (1879-1974) retomaria em Portugal no princípio do século XX, esta proposta não deixa de nos levar a reflectir sobre o eventual paradoxo que surge na produção cerâmica de Júlio Pomar durante a década de 1950.

 

 

De facto, numa época em que esteve profundamente ligado ao Neo-Realismo, com os seus paradigmas da arte para o povo, próxima do povo e que do povo emanava, Pomar não executou nem promoveu a criação de múltiplos cerâmicos, como a artista húngara Hansi Staël (1913-1961) condescendeu em criar para a Secla, das Caldas da Rainha (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/hansi+sta%C3%ABl), insistindo na realização de peças únicas, fosse na Cerâmica Bombarralense ou na Secla, fosse ainda nas outras fábricas onde desenvolveu os seus painéis azulejares.

 

O conjunto exposto evoca, na subtileza ou no explícito de uma ou outra imagem, as diversas influências de Pomar nas décadas de 1940 e 1950, que parecem remeter claramente para obras de artistas tão diversos como Pablo Picasso (1881-1973), Jean Lurçat (1892-1966) ou Cândido Portinari (1903-1962).

 

Enquanto princípio de conservação e valorização de acervos cerâmicos, aproveite-se também a oportunidade para comprovar que certas peças danificadas, como a que ilustra o cartaz da exposição e as duas aqui reproduzidas, não se limitam a ter apenas um mero valor histórico ou documental.

 

 

Veja-se ainda um prato de Pomar, datado de 1951, provavelmente executado na Cerâmica Bombarralense e que não se encontra no Atelier-Museu, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/148664.html.

 

A propósito deste exemplar, e apesar do exíguo espaço temporal disponível para a sua hipotética execução nesse ano, note-se que a exposição de Pomar realizada entre 10 e 20 de Janeiro de 1951, na Livraria Portugália, Porto, exibiu uma peça cerâmica, sob o número 73 e ao preço de 350$00, intitulada "Uma sereia".

 

Como nota de interesse bibliográfico e documental, refira-se a edição de um catálogo do evento, o qual deverá estar disponível ainda este mês, ou no próximo mês de Outubro, e onde se corrigirá certamente o deslize de não haver indicação das dimensões das peças.

 

Diga-se, contudo, que parece perpassar sobre este luminoso espaço e esta belíssima exposição a sombra de ter passado largamente despercebida... Aproveitem-se, pois, os dois dias que ainda restam e a entrada gratuita. 

 

O Atelier-Museu está aberto entre as 10H00 e as 18h00.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2016

 

Leiteira, com cerca de 11,4 cm. de altura, apresentando decoração com uma cena galante, correspondente ao motivo 212, aplicada sob o vidrado.

 

Este formato já não se encontra reproduzido no catálogo de formatos de 1950, embora se conheça uma cafeteira formato Ourique, cuja asa é distinta desta, decorada com o mesmo motivo.

 

O exemplar aqui reproduzido ostenta decoração sob o vidrado, o que, para além de evitar um problema recorrente na decoração sobre o vidrado da faiança – o escamado da pintura resultante do uso continuado e da absorção de líquidos pela pasta, indicia que será já uma produção aperfeiçoada da FLS após constatação deste inconveniente.

 

Como já foi anteriormente referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/270350.html), a decoração em silhueta não é exclusiva da FLS nem da produção cerâmica nacional, remontando as suas origens, noutro material, ao século XVIII.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2016

 

Jarra, com cerca de 11,7 cm. de altura, em faiança da fábrica Belo, das Caldas da Rainha.

 

Esta peça ostenta na base as inscrições, incisas, "184/2 / BELO / C. DA RAINHA" e no corpo cilíndrico a legenda, pintada à mão sobre uma faixa desdobrada na diagonal, "VI TORNEIO ABERTO / DE / TENIS DE MESA / DAS / CALDAS DA RAINHA / 29-4-1962".

 

Como se viu anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/61006.html), este tamanho corresponde à dimensão intermédia deste tipo de jarras, que evocam um dos tradicionais formatos orientais dos balões de iluminação (http://mfls.blogs.sapo.pt/17090.html).

 

 

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publicado por blogdaruanove às 13:09

Setembro 01 2016

 

Açucareiro em porcelana, com cerca de 9 cm. de altura, produzido na fábrica SPAL, de Alcobaça.

 

Apresentando uma decoração floral estilizada característica das décadas de 1960 e 1970, e da cultura pop, ostenta na base a marca da distribuidora alemã Krömer-Zolnir, que terá encomendado a sua produção. 

 

 

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publicado por blogdaruanove às 09:01

Setembro 01 2016

 

 

Molheira em faiança, formato Paris (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+paris), sem marca da FLS mas indubitavelmente da sua produção, com as dimensões aproximadas de 8,2 x 21,8 x 14,6 cm.

 

Esta molheira seria complementada com uma concha, que neste exemplo ostenta diferente decoração floral, embora seja também característica do século XIX, deste tipo: http://mfls.blogs.sapo.pt/concha-313780.

 

Entrando hoje no seu oitavo ano de publicação, o espaço MAFLS continuará a divulgar com alguma periodicidade, agora semanal, peças de cerâmica portuguesa.

 

A exemplo dos últimos dois anos, essa apresentação centrar-se-á, predominantemente, na produção de outras fábricas em detrimento daquela que foi desenvolvida pela Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Pontualmente, contudo, serão ainda reproduzidas peças desta fábrica fundada, de acordo com a documentação actualmente conhecida, há cento e sessenta anos.

 

 

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Agosto 27 2016

 

Quadrinho em terracota pintada, com cerca de 12,4 x 12,4 cm. e 1,4 cm. de altura de rebordo, produzido na fábrica Cerâmica Macedo, de Barcelos.

 

Ilustrando um movimento da dança popular denominada Rosa Branca, este motivo insere-se numa representação folclórica que, retomando e adaptando as representações de motivos e costumes nacionais e regionais exaltados pelos românticos desde início do século XIX, se iniciou em Portugal na década de 1920 e teve o seu apogeu entre as décadas de 1930 e 1960.

 

Esta representação tem vindo a ser pontualmente referida neste espaço (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/folclore) e também MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2016/07/jarra-e-azulejo-o-vira-marinha-grande-e.html) a abordou recentemente.

 

É, aliás, a propósito daquela recente publicação que aqui se volta ao assunto, para divulgar o nome de mais uma designer que seguiu esta tendência na Cerâmica Macedo, fábrica barcelense que operou entre 1930 e 1949, nas instalações de Areias, e ainda em Campo de S. José, tendo estas últimas encerrado em 1950.  

 

Segundo Adélio Macedo Correia, filho do ceramista João Macedo Correia (1908-1987) e autor do estudo Cerâmica Macedo, Barcelos, depois de encerrar aqueles espaços seu pai manteve ainda um pequeno estúdio, anexo a sua casa, até meados da década de 1970.

 

Ainda de acordo com Adélio Macedo Correia, foi aí, já na década de 1950, que seu pai começou a produzir, entre outras peças, estes quadrinhos, cujos cerca de trinta diferentes motivos se devem a uma estudante de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, conhecida apenas pelo nome de Maria Inês.

 

Voltaremos a abordar a injustamente esquecida produção da Cerâmica Macedo, a qual chegou a estar representada na Exposição do Mundo Português, em 1940, e teve a sua memória recuperada por ocasião da exposição A Cerâmica Portuguesa no Período Art Déco, realizada em 2005, nos EUA, onde se exibiu uma pequena jarra que será aqui posteriormente reproduzida.

 

 

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