Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Maio 20 2011

© MCS/CDMJA

 

Capa, com motivos florais de inspiração Arte Nova, do catálogo de Preços Correntes  da Real Fabrica de Louça em Sacavém - Azulejo, de Agosto de 1910.

 

"É este o primeiro catalogo de azulejos do nosso fabrico (...)", refere-se na abertura do texto introdutório, que apresenta ainda um parágrafo sobre as características técnicas dos mesmos:

 

"Ha, todavia, azulejos que não offerecem as garantias precisas. Os nossos azulejos, porém, são feitos de pó de pedra alvissimo, é um azulejo fino, e como tal todos os que são fabricados pelo nosso processo, reunem todos os predicados necessarios para resistencia absoluta, são cobertos d'uma camada vitrea, inteiramente inherente á pedra do azulejo, impossivel de desligar-se, o que não acontece com azulejos d'outro fabrico, que em substituição d'essa camada vitrea, teem esmalte, que poderá com facilidade cahir."

 

A reprodução desta imagem é uma cortesia do CDMJA/MCS.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

São imagens como esta que me fazem pensar que entre a morte / venda por parte da baronesa da sua parcela da fábrica de Sacavém em 1909 e o ano de 1910, se deve ter utilizado a marca Real Fábrica de Sacavém Gilman & C.ª. As peças marcadas com BHS deveram corresponder ao período até 1909 e a marca circular de Gilman e C.ª ao período posterior a 1910. Não faz sentido a fábrica apresentar um catálogo intitulando-se Real em 1910 e usar por volta de 1903/5 a marca circular que apenas faz referência à firma Gilman & C.ª. Muitas das datações têm sido fruto de empirismos que só peças marcadas ou claramente associadas a eventos e locais podem desmistificar. Recordo-me que os meus bisavós casaram em 1910/11 e, entre outros, foi-lhes oferecido um serviço de Sacavém "Mimoso" para 24 pessoas. Todo esse serviço está marcado BHS... e estava-se em 1910/11. Contudo, tudo isto não passam apenas de ideias que construí a partir das leituras que fiz e dos objectos que já me passaram pelas mãos.
Belíssima capa de catálogo, muito ao gosto arte-nova!
Cumprimentos,
Manuel R.
Manuel R. a 7 de Março de 2012 às 03:52

Boa noite, mais uma vez, Manuel R.

Belíssima capa, com efeito, doada nos últimos anos ao CDMJA.

Tais como belíssimas são algumas das ilustrações para a produção da FLS que integram o acervo do arquivo.

Pena é que o também belíssimo espaço do museu não tenha outra dinâmica, apesar da boa vontade, e do desespero, de muitos dos seus técnicos...

Saudações!

É de facto uma pena que o espaço não tenha outra dinâmica expositiva e as verbas disponíveis não sejam maiores. Constantemente aparecem novos objectos que se podem relacionar com o arquivo e com a produção de outras grandes fábricas que laboraram em simultâneo. Alguns dos seus posts fazem ainda alusão a artistas estrangeiros cujos desenhos foram utilizados na FLS e em outras fábricas. Fico contente que tenha um tão bom conhecimento da cerâmica internacional de meados do século XX e o partilhe num espaço público como este.

Manuel
Manuel R. a 7 de Março de 2012 às 23:51

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