Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Julho 15 2012

 

Prato de cozinha, com cerca de 32,2 cm. de diâmetro, decorado a stencil (chapa recortada) e aerógrafo sob o vidrado. No rebordo, notem-se os três pontos não vidrados correspondentes aos pinos da trempe utilizada para separar as peças no forno. No tardoz existem nove desses pontos, em três grupos triangulares.

 

Seguindo uma tradição que já vinha do século anterior, este motivo 1161 da FLS insere-se na tipologia do motivo floral com rosas, um dos mais populares, em Portugal, para decoração de pratos de cozinha durante o segundo quartel do século XX.

 

Por vezes as rosas poderiam surgir com uma representação mais estilizada, ou associadas a outras flores, como se pode ver num prato das Lages já reproduzido: http://mfls.blogs.sapo.pt/155504.html.

 

Agradece-se a Arlete Amaro, natural de Loriga e descendente de trabalhadores da FLS, a oferta deste exemplar.

 

A ligação entre a FLS e Loriga já havia sido sublinhada por Clive Gilbert (n. 1938), último proprietário da FLS, no seu texto para o catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005:

 

"Apesar de todas estas sedutoras regalias [instituídas por Herbert Gilbert (1878-1962)], a empresa viu-se obrigada a procurar trabalhadores fora da região. A solução foi a importação, na prática, de muitos habitantes da aldeia [hoje, vila] de Loriga, concelho de Seia, Beira Alta. A população desta região essencialmente agrícola era conhecida pela sua saúde de ferro devido à natureza do clima. Foi tal o sucesso que, hoje em dia, ainda existe uma associação dos antigos habitantes de Loriga, e seus descendentes, em Sacavém."

 

A 1 de Junho de 1996 foi celebrado um acordo de geminação entre Loriga (http://pt.wikipedia.org/wiki/Loriga) e Sacavém.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Hoje fui espreitar umas peças destas que tenho e estimo. Olhei para o carimbo e me perguntei porquê um é igual a esse aí, que além de indicar que o fabrico foi na fábrica de sacavém, tem também o nome Man & C. Sabe explicar?
Gosto da história que vem com os objectos. É impressionante como contam tanta coisa!
Será que é a nova introdução de fabrico inserida do mercado inglês?
(PS: a peça é mais leve que outra identica mas sem essa referencia)
Por curiosidade, se conseguir explicar, agradecia. Ficava o «mistério» resolvido ;)
PT a 6 de Janeiro de 2013 às 02:22

Boa noite, mais uma vez, PT.

A designação comercial Gilman corresponde à da família, de origem inglesa, que administrou a FLS depois da família Howorth e antes da família Gilbert.

As memórias de Clive Gilbert, último dono e administrador da FLS, estão a ser publicadas neste espaço.

Saudações!
blogdaruanove a 13 de Janeiro de 2013 às 21:21

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