Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 01 2013

Fotografia de John Stott Howorth existente no CDMJA.

© CDMJA / MCS

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (VI)

 

Antes de continuar a recordar as minhas primeiras experiências na Sacavém, lembrei-me agora de uma curiosa carta escrita por John Stott Howorth (1829-1893) em resposta a um pedido de emprego de um técnico ou operário cerâmico de Stoke-on-Trent, que passo a transcrever:

 

"4/2/1874

 

Dear Mr. Ellis,

 

Your letter to our late manager Mr. Barlow came duly to hand. I beg to inform you that, for the present, we do not require your services. All our workmen are natives. The English that have come out here have either gone home or have died out here, they could not keep off the drink and we are doing very well without them.

 

Yours sincerely,

 

(signed) John Stott Howorth"

 

ou seja:

 

"4/2/1874

 

Prezado sr. Ellis:

 

Recebemos, em devido tempo, a sua carta dirigida ao nosso falecido encarregado-geral, Sr. Barlow. Aproveito para o informar que, de momento, não necessitamos dos seus serviços. Todos os nossos trabalhadores são portugueses. Os ingleses que para cá vieram ou voltaram para casa ou então morreram por cá, não conseguiam manter-se afastados do álcool e estamos a dar-nos muito bem sem eles.

 

Atenciosamente,

 

Ass. John Stott Howorth"

 

O encarregado-geral John Barlow, que veio de Tunstall, Stoke-on-Trent, esteve à frente da actividade fabril da Sacavém entre 1861 e 1874 tendo morrido em Sacavém em Janeiro de 1874 (um mês portanto antes de esta carta ter sido escrita), sem que conste que tenha sido pelos defeitos que John Stott Howorth aponta aos seus compatriotas...

 

John Barlow está enterrado em Lisboa no Cemitério Inglês, à Estrela, perto da campa do Barão Howorth de Sacavém, seu patrão, e de James Gilman (1854-1921) e seu filho, Ralph Gilman (?-1935), futuros donos da empresa.

 

O proprietário que sucedeu a James e Ralph Gilman, Herbert Gilbert (1878-1962), está enterrado no cemitério de S. Martinho, no Funchal. Havendo casado com Laura de Moura Teixeira (1881-1962), filha do director do Hospital do Funchal, quando trabalhava na firma Blandy Brothers da Madeira, naquele que foi o seu primeiro emprego, converteu-se ao catolicismo pouco tempo antes de morrer, pelo que não foi possível sepultá-lo no cemitério inglês que era de denominação protestante.

 

Mais tarde, no entanto, esta situação alterou-se, pelo que hoje já é possível proceder-se à sepultura de católicos neste espaço.

 

[Agradece-se ao Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso / Museu de Cerâmica de Sacavém a cedência da imagem que ilustra este artigo.]

 

© Clive Gilbert

© MAFLS


Caro Clive Gilbert,
Mais uma vez lhe venho agradecer a informação que aqui disponibiliza sobre a história da Fábrica de Sacavém e das pessoas que a ela estiveram ligadas. A carta é um documento com muito interesse! E a fotografia de John Stott Howorth, pouco conhecida, veio enriquecer o post e este magnífico blogue.
Fico a aguardar novas surpresas...
Cumprimentos
Maria Andrade a 6 de Fevereiro de 2013 às 12:01

Obrigado pelo seu apoio! É sempre estimulante saber que aquilo que escrevemos tem algum interesse!

clive gilbert a 7 de Fevereiro de 2013 às 08:52

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