Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 30 2009

 

Caneca formato Direita, com emblema do Futebol Clube Barreirense (fundado em 1911). Decoração a esmalte policromado e ouro, com filetagem também a ouro.

 

Peça produzida no final da década de 1960 ou início da década seguinte, muito provavelmente em 1970, ano em que o F. C. Barreirense participou nas competições europeias. Conhecem-se canecas representativas de diferentes clubes que, no entanto, apresentam sempre a mesma decalcografia alusiva à prática de diversos desportos.

 

 

A filetagem é o processo em que se colocam linhas decorativas de remate, filetes, nos rebordos de pratos, canecas e outras peças, de uso doméstico ou decorativo.

 

A filetagem pode ser parte integrante e complementar do processo de estampagem, sob o vidrado, como acontecia nas decorações estampadas do século XIX, ou surgir como elemento de remate, sobre o vidrado, a esmalte, ouro ou platina.

 

A filetagem e a decoração a platina foram particularmente características do período Art Déco.

 

 

© MAFLS


Setembro 29 2009

 

Prato fundo com decoração estampada a  castanho, sob o vidrado, e pintura manual policromada, sobre o vidrado.

 

Embora este exemplar seja datável do início do século XX, ou mesmo do final da primeira metade desse século, a técnica de decorar sobre o vidrado as peças estampadas era comum em Inglaterra desde a primeira metade do século XIX, onde se denominava clobbering.

 

Evocativa do prestígio das famílias verde e rosa das porcelanas orientais, a pintura manual aqui ilustrada apresenta, contudo, uma aplicação rápida e descuidada, consequência clara de uma pintura manual semi-industrializada. 

 

O motivo da decoração central derivava também de outros motivos orientais extremamente populares no século XIX (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/23504.html).

 

Veja-se outro exemplo de um frasco de chá produzido na FLS, com decoração orientalizante e clobbering, em http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/31669.html.

 

 

© MAFLS 

publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 28 2009

 

Anúncio de página inteira publicado no volume Portugal, País de Turismo – Anuário do Turismo Português, número quatro, 1956.

 

Aqui se documenta a Figura D. João I, que corresponde ao número 612 /5 da tabela de 1960, onde surge na coluna "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro", ao preço de 1.250$00.

 

Esta estatueta equestre integrava uma série de sete figuras históricas de Portugal e de Inglaterra – Richard Neville, Earl of Warwick; Edward Plantagenet, Prince of Wales; Robert Bruce, King of Scotland; Sir William Wallace; D. João I; Owen Glendower e D. Nuno Álvares Pereira, que não constava ainda da tabela de 1951.

 

A série terá sido desenvolvida entre este último ano e 1956, muito provavelmente em 1955, ano em que o presidente da República Portuguesa, Craveiro Lopes (1894-1964), se deslocou a Inglaterra em visita oficial, visita essa que seria retribuída em 1957, com a deslocação a Portugal da rainha de Inglaterra, Isabel II (n. 1926).

 

Este anúncio documenta ainda a administração conjunta da FLS e da Fábrica do Carvalhinho, em V. N. de Gaia, empresa que havia sido adquirida pela FLS na década de 1930.

 

© MAFLS


Setembro 27 2009

 

Grande escultura de um gato, em faiança com vidrado brilhante transparente, apresentando a inscrição manuscrita a platina: Whit / 29.12.39.

 

As esculturas cerâmicas Art Déco representando animais estilizados tiveram grande projecção e sucesso no mercado a partir da década de 1920, embora na década anterior muitas das criações do famoso escultor Édouard-Marcel Sandoz (1881-1971) para a fábrica de porcelana de Théodore Haviland (Limoges, França; cf. http://www.haviland.fr/) já houvessem celebrizado essa tendência de estilização. 

 

Dois exemplos, um açucareiro e uma leiteira, das diversas criações de E.- M. Sandoz para a fábrica Haviland.

 

Esta escultura com inscrição a platina constitui uma raridade na produção da FLS, visto que o texto de personalização foi inscrito manualmente sobre o vidrado de um exemplar da produção em série e depois levado ao forno na própria fábrica, resultando assim numa peça de encomenda que provavelmente será única.

 

Embora a peça não se encontre numerada, corresponderá ao número 217 da tabela de 1945, Figura de Gato, que custava 70$50 na versão colorida sem ouro, a única que então se anunciava.

 

Na tabela de 1951 esta figura anunciava-se em "côres mates ou coloridos s/ ouro", ao preço de 81$00, não constando já da tabela de 1960.

 

Como se pode verificar, não há registo de produção desta figura com decoração a ouro ou platina.

 

 

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Setembro 26 2009

 

Prato de sopa (fundo) formato Espiga, com decoração de espigas moldadas em relevo e decoração colorida, em verde e azul, a aerógrafo.

 

Este formato, com o diâmetro de 22 cm., encontra-se anunciado na tabela de 1932 ao preço de 16$00 a dúzia, para pratos fundos ou rasos, brancos, os únicos que então se produziam. Este prato moldado encontra-se ainda ilustrado no catálogo de formatos de 1950.

 

O número 1205, constante do verso, corresponde à decoração.

 

 

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Setembro 25 2009

 

 

Cinzeiro publicitário, de formato não identificado, produzido para a empresa de transportes aéreos Air France (fundada em 1933), na década de 1950 ou década de 1960.

 

O aspecto curioso desta encomenda da Air France é que a FLS acabou por desenvolver um modelo com uma característica técnica, o craquelé artificial tintado sobre fundo branco, que, entre outras, celebrizou a fábrica francesa Longwy.

 

Tal como aconteceu com o cinzeiro da Panair do Brasil anteriormente reproduzido, este formato, sem craquelé e com vidrado de outras cores, foi também utilizado para peças promocionais da própria FLS.

 

 

 

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Setembro 24 2009

 

 

 

Taças, com prato, de serviço de jantar em vidrado brilhante amarelo e vidrado mate cor de marfim.

 

Estas taças encontram-se reproduzidas no catálogo de formatos de loiças domésticas de Maio de 1950, sendo este o formato que a FLS lançou no pós-guerra para substituir um formato Art Déco neo-classicizante, que em breve será aqui reproduzido.

 

  

 

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Setembro 23 2009

 

Grande jarra formato número 21, com cerca de 26,2 cm. de altura e decoração a esmalte sobre o vidrado.

 

Evocando os discos órficos da pintura de Robert (1885-1941) e Sonia Delaunay (1885-1979), com a estilização floral em círculos concêntricos, esta jarra exemplifica perfeitamente a decoração Art Déco interpretada no seu melhor pela FLS.

 

Embora a peça, por si só, fosse essencialmente decorativa, acabou por ter o esmalte degradado pelo simples facto de desempenhar a sua função, recebendo água no interior. Tal não é visível na imagem, mas isto foi suficiente para que pequenas áreas do esmalte tivessem estalado, tivessem escamado e se fossem soltando.

 

 

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Setembro 22 2009

 

 

Grande escultura de um tigre, em grés com vidrado semi-mate de cor marfim. Década de 1960 ou 1970.

 

Embora estas esculturas Art Déco se tenham produzido na FLS a partir da década de 1930, Clive Gilbert, o último proprietário e administrador da fábrica, declarou oportunamente que nas décadas de 1970 e 1980 se procedeu a uma reedição destas peças, em grés e com vidrado mate.

 

As peças tardias, como esta, não apresentam marca da fábrica mas correspondem a uma série de modelos anteriores conhecidos, marcados, e produzidos em faiança, quer com vidrado transparente brilhante quer com revestimento prateado ou vidrado semi-mate.

 

Embora sugira o  perfil de um tigre, devido à largura das mandíbulas, este modelo corresponderá à Figura Leopardo, que aparece referenciada na tabela de preços de 1945 sob os números 184, com o preço de 141$00, para as peças coloridas sem ouro, e 185, acrescida de base em madeira, esta com o custo de 167$00.

 

Este exemplar não apresenta qualquer assinatura visível, mas é muito possível que o original desta peça tenha sido modelado pelo escultor Donald Gilbert (1901-1961), sobrinho de Herbert Gilbert (1878-1962), o qual produziu inúmeros modelos para as fábricas inglesas Denby, Poole Pottery e Royal Doulton

 

Conhece-se uma outra escultura com este formato, também em grés e sem marca, em vidrado mate com diversos tons de castanho.

 

 

 

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Setembro 21 2009

 

Azulejo com estampa, em decalque, sobre o vidrado. No tardoz apresenta a inscrição Sacavém, sob papel que cobre completamente o verso e apresenta o número E546 manuscrito.

 

A produção de azulejaria da FLS destinava-se maioritariamente a revestimento de superfícies exteriores e a revestimento decorativo ou higiénico de interiores.

 

Algumas excepções, no entanto, podem ser encontradas em azulejos avulso que se destinavam exclusivamente a decoração de mobiliário, com diversos exemplares a aparecerem embutidos nos painéis de madeira de aparadores, bengaleiros e louceiros, na viragem do século XIX para o século XX.

 

A fragilidade da decoração estampada deste azulejo, os cantos aparados, as marcas de ganchos no tardoz e o facto de o verso se encontrar completamente revestido a papel sugerem que este exemplar se destinava a desempenhar essas funções decorativas.

 

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publicado por blogdaruanove às 13:09

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