Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 14 2009

 

No período que antecedeu o lançamento da série Arte Nova, a FLS já ensaiava modelos decorativos que procuravam abandonar a herança Art Déco, denotando uma aproximação à modernidade das artes decorativas escandinavas, norte-americanas e europeias em geral.

 

O papel do SPN (Secretariado de Propaganda Nacional; a partir de 1944, SNI), implementado pelo Estado Novo na década de 1930, através de António Ferro (1895-1956), não deixava, contudo, de se fazer sentir, particularmente numa componente do pós-guerra que apelava às tradições populares.

 

Surgiram assim algumas decorações que faziam clara concessão a essas tendências, como é o caso desta decoração, muito próxima da decoração Quinta que se implementou na década de 1950.

 

A tonalidade verde do óxido de ferro é, aliás, uma evocação do cromatismo do vidrado tradicional, assumindo aqui um aspecto inovador pela sua aplicação salpicada que remete para a pintura abstracta, a drip painting e o tachisme, constrastando com a outra decoração delineada e figurativa da taça.

 

 

No Catálogo de Formatos de Loças Domésticas de Maio de 1950 esta taça surge fotografada com prato e denomina-se como Taça para Caldo 2.º, com prato, embora não seja referida em mais nenhum catálogo conhecido, nem quanto ao formato, nem quanto à decoração.

 

Esta poderá mesmo ser uma variante da decoração Quinta, que normalmente apresenta decoração floral, pintada à mão, quer sobre um fundo negro, quer sobre fundo semelhante a este.

 

Repare-se, contudo, que esta peça não apresenta o carimbo Gilman & Cta. comum a essa série com decoração manual, antes apresentando uma inscrição manuscrita que evidencia produção mais restrita e personalizada através da datação e da assinatura com iniciais. 

 

 

© MAFLS


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