Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 28 2010

 

Grande cinzeiro decorado com pintura manual e dourado sobre o vidrado.

 

Esta peça foi introduzida depois de 1951 e, embora não se encontre numerada, corresponderá ao número 572, "Cinzeiro formato Chinês", referenciado na tabela de Maio de 1960.

 

Aí surge ao preço de 60$00, para "Branco colorido s/ ouro", e 70$00, para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro". No exemplar desta tabela existente no CDMJA indica-se o peso desta peça como sendo de 675 gramas, peso correspondente ao exemplar aqui reproduzido.

 

Conhecem-se exemplares desta peça com o vestuário em diversos outros tons – azul, verde, e amarelo, e decoração dourada distinta, bem como uma figura feminina complementar desta, que corresponderá ao número 590, com o vestuário em tons de amarelo. 

 

Uma lista dactilografada não datada existente no CDMJA, com uma relação de 86 trabalhos atribuídos a Leonel Cardoso (1898-1987) e apresentando o título manuscrito Relação de Outros Trabalhos [para além da série Bébé], refere esta figura sob o número 45, "Chinez (cinzeiro)", e a figura feminina sob o número 47, "Chineza (cinzeiro)".

 

Tal como acontece com a "Jarra Caçadores em relêvo n.º 4", apesar do custo da sua decoração esta peça aparece com alguma frequência nos antiquários.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 26 2010

 

Chávena de chá e pires com decoração floral aplicada por decalcografia sobre o vidrado.

 

Embora nos encontremos perante uma peça das primeiras décadas do século XX, o formato da asa aproxima-se claramente do design das chávenas inglesas e continentais que já vinham de meados e finais do século XIX. O mesmo acontece com o formato do pires, que apresenta um rebordo muito levantado e pronunciado.

 

Em caso de acidente, esta última característica permitia conservar uma maior quantidade de chá entornado, o qual podia, assim, voltar a ser recolocado na chávena.

 

De facto, um pires com este rebordo faz-nos recuar ainda mais algumas décadas, remetendo-nos para os formatos da porcelana europeia do século XVIII, época em que o chá era um bem precioso e dispendioso e a etiqueta permitia tal gesto.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 24 2010

 

Chávena de chá e pires com decoração floral, aplicada por decalcomania sobre o vidrado, e filetagem a dourado.

 

Peça produzida em pasta de granito.

 

 

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Fevereiro 22 2010

 

Azeitoneira, formato Estoril, em pasta azul.

 

Esta peça não surge nas tabelas de preços de 1932 e 1938, surgindo no entanto referenciada no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas de Maio de 1950.

 

 

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Fevereiro 20 2010

 

Jarra formato 85 com decoração, em sgraffito (esgrafitado), de flores e mariposas.

 

A decoração esgrafitada foi utilizada com certa frequência em diversas decorações da cerâmica industrial europeia e americana do século XX, em particular na cerâmica francesa e escandinava (vejam-se exemplos da fábrica sueca Gustafsberg aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/78448.html) .

 

Não é, no entanto, uma decoração muito comum na FLS nem na produção novecentista das grandes fábricas portuguesas, facto a que não será alheia, em parte, uma tradicional contratação de maior número de  pintores do que modeladores ou escultores, os quais seriam os responsáveis pela aplicação desta técnica, e o consequente custo acrescido da mão-de-obra requerida.

 

Neste exemplar, o desenho foi raspado na cobertura preta, ainda fresca, da peça, de modo a revelar a pasta branca que se encontrava por baixo e a conceder relevo à decoração. Quer o desenho esgrafitado quer o corpo e a base da jarra foram posteriormente recobertos com uma camada de vidrado transparente.

 

(Com agradecimentos a Fernando Ribeiro, pelo tratamento e recorte de uma imagem de baixa resolução.)

 

 

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Fevereiro 18 2010

 

 

O mercado municipal de Vila Franca de Xira oferece-nos um dos conjuntos mais notáveis da produção azulejar, pintada à mão, da FLS. Para além da qualidade pictórica das representações figurativas, contribui para essa impressão global o revestimento da sua fachada com painéis figurativos, de diversas dimensões, estrategicamente colocados.

 

O edifício quadrangular apresenta as entradas implantadas de acordo com os pontos cardeais, sendo cada um dos portões encimado por um painel alusivo às quatro estações do ano. Cada um dos ângulos do mercado é encimado e ladeado por painéis alusivos a actividades da região, a que se sucedem painéis da mesma altura, mas mais estreitos, com a ilustração individual de profissões e ocupações do Ribatejo.

 

Temos assim um conjunto único de vinte e quatro painéis de grandes dimensões, complementados por outros painéis mais pequenos, também figurativos, e por cercaduras e frisos florais, sendo particularmente interessantes os frisos de tardia inspiração Arte Nova colocados abaixo da platibanda, entre cada uma das portas, e nos torreões que encimam as entradas.

 

 

Painel de azulejos assinado por A. P. Gomes (Álvaro Pedro Gomes, 1894-1974), e datado de 15 de Maio de 1930, que integra o conjunto de revestimento exterior do mercado municipal de Vila Franca de Xira.

 

 

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Fevereiro 16 2010

 

Tal como a decoração do prato triangular modelo Arte Nova anteriormente apresentado surgia em várias peças contemporâneas, e em diferentes materiais, também o formato surgia em outros materiais que não a pasta cerâmica.

 

Apresentam-se aqui algumas peças em material plástico produzido pela fábrica UPLA, Fábrica Universal de Plásticos (desde 1997, Grandupla), da Marinha Grande, que evidenciam claras semelhanças entre os pires e o prato triangular da FLS. 

 

Chávenas similares a estas foram também produzidas em cerâmica pela FLS, conforme se pode verificar no volume I do catálogo Porta Aberta às Memórias (2008), publicado pelo MCS para acompanhar a exposição homónima. 

 

Aí se reproduz parte de um serviço de café e chá, com peças de formato idêntico, que pertenceu ao pintor de cerâmica da FLS Nuno Lopes (1920-1974), sendo a autoria do conjunto atribuída a Maria de Lourdes Castro (n. 1934).

 

Nestas peças, notem-se os pormenores de design particularmente adaptados à sua função – o vértice menos arredondado do pires, que permite que este fique ergonómica e eficazmente seguro entre os dedos polegar, indicador e médio, e o recorte das chávenas que permite a sua inclinação total, sem necessidade de, por sua vez, inclinar o pescoço para ingerir completamente o líquido, como acontece com a maioria das chávenas de café.

 

 

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Fevereiro 14 2010

 

 

 

Grande prato da série Arte Nova, com pintura sob o vidrado, decorado por Maria de Lourdes Castro (n. 1934).

 

Esta peça surge na tabela de Maio de 1960 sob a referência A-1 e a designação "Prato triangular grande", ao preço de 100$00 para "colorido s/ ouro", indicando a cópia desta tabela existente no CDMJA que o seu peso é de 970 gramas.

 

A tabela de Maio de 1979, que apenas inclui 18 peças da série Arte Nova, já não refere este prato. 

 

 

Tendo Maria de Lourdes Castro sido aluna do pintor e ceramista Manuel Cargaleiro (n. 1927) na Escola António Arroio, entre 1947 e 1954, poder-se-ia pensar que a decoração desta peça se teria inspirado num desenho de Cargaleiro, reproduzido acima, criado em 1956 para um prato da Vista Alegre.

 

Contudo, este motivo, bem como as suas diversas variantes, era comum a trabalhos de vários artistas seus contemporâneos e encontrava-se disseminado por inúmeros objectos de arte decorativa da época, incluindo carpetes, como se pode verificar abaixo, sendo claramente uma reinterpretação revivalista inspirada em alguns desenhos dos pintores cubistas e do pintor russo Wassily Kandinsky (1866-1944).

 

 

Detalhe de uma carpete Metropolis, criada em França, para os Tapis Balt, pelo multifacetado artista de origem lituana Jacques Borker (n. 1922; confira diversos aspectos da sua obra em http://borkerjacques.fr/).

 

Publicada na revista Meubles et Décors, número 727, de Fevereiro de 1959, esta imagem vem acompanhada da seguinte legenda:

 

"METROPOLIS : Des triangles oranges sont distribués sur la surface bleu de cobalt. Un cerne noir les isole d'un semis de taches bleu ciel. Cette géométrie à échelle réduite s'intègre dans un cadre restreint. Les bleus intenses s'accordent avec des beiges, des gris, du "tabac". Création de Jacques Borker, édition des Tapis Balt."

 

 

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Fevereiro 12 2010

 

Travessa formato Paris com o motivo Beira estampado a verde, sob o vidrado, e filetagem e decoração complementar, a dourado, sobre o vidrado.

 

 

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Fevereiro 10 2010

 

Cinzeiro em pasta beige com escultura de uma raposa e decoração a dourado sobre o vidrado mate.

 

Esta peça surge na tabela de Novembro de 1945 sob o número 490, "Cinzeiro f.to Raposa", ao preço de 32$50 para "Colorido s/ ouro" e 39$00 para "Colorido c/ ouro". A referência é manuscrita, pelo que a peça será de produção posterior a  esta data. Na mesma tabela surge ainda a seguinte indicação, impressa: "As louças cheias a ouro ou prata têm o aumento de 300% sôbre os preços de colorido s/ ouro."

 

Já na tabela de 1951, surge sob a designação "Cinzeiro Raposa" ao preço de 37$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro" e 45$00 para "Coloridos c/ ouro". Na tabela de Maio de 1960 surge com designação "Cinzeiro formato Raposa", ao preço de 37$00 para "Branco colorido s/ ouro", 45$00 para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro", 65$00 para "Pintura Quinta s/ ouro", e 90$00 para "Azul Sèvres com ouro".

 

O exemplar desta última tabela existente no CDMJA refere que o peso da peça é de 200 gramas.

 

 

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