Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 30 2010

 

Azulejo em relevo com vidrado monocromático em tons de castanho e mel.

 

Embora não apresente qualquer inscrição no tardoz, pela características e pelas listas do próprio tardoz, pelas dimensões e pela cor do vidrado é muito provavelmente um exemplar produzido pela FLS.

 

Apesar da preponderância de um eixo vertical e do não preenchimento da totalidade do fundo, o design do azulejo evoca na sua estilização a gramática decorativa de William de Morgan (1839-1917) e de William Morris (1834-1896), bem como de outros artistas seus contemporâneos, sendo paradigmático da transição do movimento Arts & Crafts para o estilo Art Nouveau.

 

Iain Zaczek, William Morris (2001).

 

© MAFLS


Março 28 2010

 

Prato com decoração Lilian, estampada sob o vidrado, filete dourado e retoques a preto e dourado, sobre o vidrado.

 

Com este motivo de clara influência oriental conhece-se também um prato para terrina, estampado a preto, sem qualquer decoração adicional sobre o vidrado.

 

 

© MAFLS


Março 26 2010

 

Prato de cozinha com decoração Art Déco aplicada a stencil (chapa recortada), sob o vidrado, e cercadura aplicada a aerógrafo.

 

O preenchimento dos recortes da chapa com tinta poderia ser feito com aerógrafo ou trincha. Neste última caso criava-se um relevo, quer nos rebordos da gravura quer na zona de sobreposição das diferentes camadas de tinta, perfeitamente detectável ao tacto.

 

Além disso, como é visível nesta decoração, a aplicação de tinta com trincha não resultava habitualmente numa pintura homogénea, deixando estrias que são características dessa técnica.

 

 

© MAFLS

 

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 24 2010

 

Pormenor de um antigo painel publicitário da FLS existente nas imediações do edifício da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, reproduzindo azulejos e loiça sanitária.

 

A tabela de preços de revenda Loiças Sanitárias de Sacavém, de Julho de 1938, de que este painel deverá ser contemporâneo, refere três modelos de lavatórios – "Chapa", "Inglez" e "Oval", e ainda quatro formatos especiais – "A.N.T." [Assistência Nacional aos Tuberculosos], "I.S.T." [Instituto Superior Técnico ?], "C.E." [?] e modelo para hospitais.

 

Na mesma tabela, nos acessórios, surgem dois modelos de porta-copo. Sob o número 5, "Porta-copo com copo", a 12$50, e sob o número 21, "Porta-copos com copo (Formato Inglez)", também a 12$50.

 

A porta-esponjas surge sob o número 4, a 15$00, e as prateleiras sob o número 11, "Prateleira do 1.º (Formato liso), 60x17", a 45$00, número 12, "Prateleira do 2.º (Formato liso), 40x17", a 40$00, número 13, "Prateleira do 3.º (Formato liso), 25x15", a 36$00, e número 14, "Prateleira Formato Inglez, 58x15", a 45$00.

 

No final da tabela, entre outros considerandos, refere-se o seguinte:

 

"A nossa loiça sanitária é de faiança vitrificada que, não sendo porosa, não pode absorver aguas nem sujidades.

O seu vidrado não é uma simples capa de vidro que cae ou fendilha com pouco uso, deixando infiltrar os detritos. Perfeitamente identificado com a pasta, torna o artigo impermeavel, dando-lhe a condição sine qua non para que seja efectivamente loiça sanitária."

 

© MAFLS


Março 22 2010

 

Terrina formato Leiria decorada com decalcografia e filete a esmalte, sobre o vidrado.

 

Este modelo não se encontra reproduzido no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950, pelo que, provavelmente, é um modelo posterior a esta data.

 

Na já citada obra A Cerâmica Portuguesa (1935), pronunciou-se assim um dos responsáveis da VA, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), sobre o processo de decalcografia em Portugal e as decalcomanias:

 

"Para tornar possivel e facilitar a exportação, ha necessidade de baixar os direitos das tintas vitrificaveis, e das decalcomanias, que servem para ornamentar a louça. São direitos que pouco rendem ao Estado e que encarecem muito os produtos a exportar, mesmo os que se destinam ás colonias.

 

Não sendo pratico dar qualquer compensação de drawback á industria, devem as alfandegas prescindir dessa receita, para elas insignificante. Acresce que indubitavelmente se trata de materias primas da industria, sobre as quais não devem pesar direitos fortes.

 

 

As decalcomanias poderiam talvez ser impressas em Portugal, e não se deve pôr de parte essa ideia, mandando vir um gravador especializado para criar essa industria no País, onde, pelo concurso dos seus artistas, poderiam essas gravuras tomar vantajosamente uma feição artistica caracteristicamente nacional.

 

A uma fabrica só, não convem porém criar subsidiariamente essa industria.

 

O publico é exigente quanto á variedade de desenhos, e uma fabrica por si não teria capacidade para consumo de grandes series de cada desenho, como só vale a pena a sua impressão.

 

Assim, hoje, cada fabrica tem de adquirir decalques de todos os gostos, e em todas as fabricas estrangeiras.

 

Reputamos essa importação ainda em cerca de 800 contos anualmente.

 

Quanto ás tintas preparadas, outra materia prima da ceramica, não julgo a sua industria comercialmente adaptavel no País, conquanto o seu consumo aumente com a pintura á pistola, aplicação que em parte substitui o emprego de decalques.

 

O consumo nacional de tintas, nunca poderia compensar o capital a empregar em tão dispendiosa industria."

 

 

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Março 20 2010

 

Estatueta equestre, modelada por Armando Mesquita (1907-1982), representando um soldado da Legião de Alorna, em uniforme de 1809. 

 

Na tabela de Maio de 1960 esta peça surge sob o número 549/4, "Soldado Legião de Alorna", com o preço de 550$00 e uma indicação de 1.070 gramas de peso, segundo a cópia existente no CDMJA.

 

Exemplar do acervo do Museu Municipal Leonel Trindade, Torres Vedras.

 

Criada em 1796, a Legião de Tropas Ligeiras veio a integrar a Legião Portuguesa em 1808, força que passou a estar ao serviço dos exércitos napoleónicos. Para se distinguir desta, a legião criada no seio do exército anglo-luso denominava-se Leal Legião Portuguesa.

 

Sendo também conhecida como Legião de Alorna devido ao nome e prestígio do seu primeiro comandante, o 3.º Marquês de Alorna (Pedro de Almeida Portugal, 1754-1813), a Legião Portuguesa veio a ser extinta por Napoleão (Napoleão Bonaparte, 1769-1821) em 1813, depois de haver combatido nas frentes da Polónia e da Rússia.

 

 

O célebre general e grão-mestre maçónico Gomes Freire de Andrade (1757-1817) foi também comandante da Legião Portuguesa, e o seu julgamento e execução por traição serviram de pano de fundo para uma dissertação metafórica sobre a repressão e a liberdade, o Estado Novo e os opositores a esse regime, como o general Humberto Delgado (1906-1965), desenvolvida por Luís de Sttau Monteiro (1926-1993) na sua peça de teatro Felizmente Há Luar (1961).

 

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Março 18 2010

 

Pequena jarra Carvalhinho, com pintura à mão e a stencil (chapa recortada).

 

Esta jarrinha surge na tabela de preços não datada que tem vindo a ser referida, sob o número 14, "Jarra lisa", ao preço de 4$00.

 

Durante as décadas de 1940 e 1950 a fábrica do Carvalhinho exportou quantidades apreciáveis da sua produção para os EUA, com particular destaque para os pratos recortados e pintados à mão.

 

Na Califórnia, onde esta faiança com policromia era  popular, a distribuição estava a cargo de importadores distintos dos da costa leste. Deste Estado conhece-se a existência de uma etiqueta autocolante oval, aplicada em peças Carvalhinho, com a seguinte legenda: Imported by / Spanish Treasures / San Juan Capistrano / California.

 

 

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Março 16 2010

 

Saladeira formato Estoril, em pasta azul.

 

Esta saladeira não surge nas tabelas de preços de 1932 e 1938, encontrando-se no entanto referenciada no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas de Maio de 1950, onde surgem reproduzidos doze formatos – Aldeia, Berlim, Coimbra, Estoril, Hotel, Império, Inglês, D. João V, Paris, Redondo, W. [Wagon] Lits e Mariscos.

 

Este último formato, com três lavagantes na base, é igual a um formato produzido pela fábrica inglesa Carlton Ware e semelhante a um formato em porcelana sem indicação de fabrico, mas que surge com remate metálico e talheres marcados WMF, sigla que corresponde à famosa fábrica alemã Württembergische Metallwarenfabrik (http://www.wmf.com/).

 

 

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Março 14 2010

 

Jarra Art Déco com decoração em relevo e pintura a dourado sobre vidrado transparente brilhante.

 

Uma vez que a tabela de Novembro de 1945 menciona este modelo, mas não a decoração a ouro, presume-se que todos os exemplares com este acabamento deverão ser posteriores a esta data.

 

Conforme referido anteriormente, esta jarra surge na tabela de Maio de 1951 sob o número 29 e a designação " Jarra Caçadores, em relevo", ao preço de 95$00, para "Coloridos c/ ouro". Na tabela de Maio de 1960 surge com a designação "Jarra com caçadores em relevo", ao preço 95$00 para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro".

 

Também como anteriormente referido, esta decoração é a mais comum entre todas as que se conhecem – vidrado mate beige, vidrado mate laranja, vidrado mate verde-água, pasta beige com vidrado transparente brilhante e policromia sobre o vidrado, decoração monocromática azul, a aerógrafo, sob o vidrado – e aquela que surge com mais frequência nos antiquários.

 

Não é comum, no entanto, o aparecimento de iniciais manuscritas a ouro na base, neste caso E. B., que  deverão corresponder a quem decorou a jarra.

 

Esta peça foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos E.U.A.

 

 

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Março 12 2010

 

Painéis de azulejos do Mercado Municipal de Vila Franca de Xira, representando um cais de avieiros na lezíria, um pescador e uma varina. O primeiro painel encontra-se assinado com as iniciais A. C. M. (António Castro Mourinho, 1892-1963), Sacavém, estando datado de 1930.

 

Os avieiros e as varinas são exemplos da migração de gentes da zona costeira atlântica para as margens do rio Tejo, pois, como o nome indica, estes grupos são originários, respectivamente, de Vieira de Leiria e de Ovar.

 

Os escritores neo-realistas consagraram a estas gentes e à zona ribeirinha do Tejo algumas das sua páginas mais significativas, tendo Alves Redol (1911-1969) escrito o romance Avieiros em 1942.

 

      

 

No âmbito da recuperação deste edifício, os azulejos foram submetidos a uma acção de inventariação, limpeza e restauro entre os anos de 2000 e 2006.

 

O processo de tratamento,conservação e restauro foi desenvolvido em 2005 e 2006 pelo Instituto Politécnico de Tomar (http://portal.ipt.pt/portal), em colaboração com a fábrica Aleluia, que há alguns anos adquiriu e actualmente administra a também consagrada fábrica, especializada em azulejos, Viúva Lamego (http://www.aleluia.pt/).

 

 

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