Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Abril 29 2010

 

Pequena tigela, formato Norte, decorada com esmalte aplicado a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada).

 

Note-se, particularmente nas ovais castanhas, a falta de homogeneidade da tinta. O aspecto difuso e não homogéneo do esmalte é característico da pintura a aerógrafo quando apenas se aplica uma camada de tinta, exigindo um aspecto mais homogéneo a sobreposição de diversas camadas.

 

 

© MAFLS


Abril 27 2010

 

Cinzeiro com decoração publicitária sobre o vidrado beige.

 

O primeiro logótipo Tio Pepe foi criado em 1935, no centenário da fundação da empresa, sendo este desenho uma variante datável da década de 1960.

 

A marca Tio Pepe é detida pela Gonzalez Byass, uma companhia que ainda hoje se encontra em actividade (cf. http://gonzalezbyass.com/es/index.htm e http://www.tiopepe.co.uk/home.html), embora já não esteja ligada à comercialização de vinho do Porto.

 

 

© MAFLS


Abril 25 2010

 

Diferente perspectiva de uma decoração a stencil (chapa recortada) em taça saladeira já reproduzida anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/40274.html).

 

A decoração radiante, evocativa da sol, das estrelas, da electricidade, e mesmo das vibrações sonoras e musicais, foi um tema recorrente ao longo do período Art Déco nas mais diversas áreas das artes decorativas e da arquitectura sendo, na cerâmica, comum a várias fábricas europeias e americanas.

 

Conforme referido em artigos anteriores, há notícia de técnicos provenientes da fábrica alemã Schramberg (SMF) terem vindo trabalhar, ocasionalmente ou em definitivo, para a FLS a partir da década de 1920. Terá sido esse o caso do abridor de chapas (stencil) Joseph Clemens (datas desconhecidas), que trabalhou na empresa entre 1926 e 1971.

 

Também de origem alemã eram o chefe forneiro Franz Altenbaumker (datas desconhecidas; trabalhou na FLS entre 1927 e 1936), o pintor sobre vidro Bernard Gusgen (datas desconhecidas; 1924-1927), o pintor sobre biscoito Karl Huber (datas desconhecidas; 1932-1969), o técnico de mosaicos Kortch (datas desconhecidas; 1924-1928) e o pintor sobre biscoito Wilhelm Wagner (datas desconhecidas; 1928-1945). Estes nomes constam de uma lista dactilografada elaborada pela secretaria-geral da fábrica em 5 de Abril de 1971, e actualmente depositada no CDMJA, pelo que é possível que a transcrição onomástica não seja completamente exacta.

 

 

A empresa de faiança Schramberger Majolika Fabrik empregou nas décadas de 1920 e 1930 diversos artistas que imprimiram um cunho de modernidade à sua produção, quer a nível das formas, muitas vezes influenciadas pelas linhas depuradas da Bauhaus, dos Construtivistas, dos Suprematistas e do movimento De Stijl, quer a nível da decoração, como exemplificado por este prato (pode ainda ver-se uma pequena jarra desse período da SMF aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/40059.html).

 

Entre os grandes designers que colaboraram com a fábrica conta-se a artista de origem húngara Eva Zeisel (nascida Eva Amalia Striker, ou Stricker, em 1906), a qual esteve na empresa desde 1928 até 1930, período em que criou mais de 200 formas e decorações para a SMF. Mudando-se para a União Soviética em 1932, colaborou com as célebres fábricas russas Lomonosov e Dulevo, vindo a ser nomeada directora artística da indústria de cerâmica e vidro da URSS em 1935. 

 

No ano seguinte, contudo, acabou por ser presa sob acusação de conspirar contra Estaline (1878-1953) e o Estado. Libertada em 1937, partiu para a Áustria, de aí para Inglaterra, onde casou em segundas núpcias com Hans Zeisel (datas desconhecidas), e posteriormente para os E.U.A., onde chegou em Outubro de 1938. Nesse país as suas competências técnicas e artísticas depressa contribuíram para que obtivesse emprego, vindo o reconhecimento do seu trabalho a proporcionar-lhe colaboração com diversas empresas cerâmicas, como a Castleton, a Hall China e a Red Wing, entre muitas outras. Aclamada ao longo de décadas, Eva Zeisel tem-se mantido activa como designer até à presente data.

 

Lucie Young, Eva Zeisel (2003).

 

Em Portugal o seu trabalho encontra-se representado através do canjirão "Machado", que a Vista Alegre produziu em porcelana a partir de 1938. Embora não se encontre assim creditado nos arquivos da VA (nos verbetes da fábrica, a única anotação manuscrita sobre os dados históricos da peça refere ter sido este modelo dado [sic] por Machado dos A.), o formato corresponde a uma peça criada por Zeisel para a SMF em 1929 ou 1930. Um exemplar deste canjirão da VA, com a inscrição "Recordação de Braga" e uma imagem do Santuário do Sameiro, foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos E.U.A.

 

Nos arquivos da VA encontra-se ainda o registo de uma cafeteira, "Primavera", e respectivo serviço complementar, produzida a partir de 1961, cuja autoria é atribuída a "Mme. Stricker" [sic]. O seu perfil não corresponde às formas curvilíneas e arredondadas que predominam nas peças de Eva Zeisel, mas é possível que este serviço seja de sua autoria, pois Zeisel voltou a colaborar com diversas fábricas europeias, entre as quais a Rosenthal, a partir de 1958.

 

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Abril 23 2010

 

Estatueta apeada modelada por Armando Mesquita (1907-1982), representando um cabo da 18.ª Brigada de Ordenanças, em uniforme de 1806. 

 

Na tabela de Maio de 1951 esta peça surge sob o número 411, "Cabo 18.º – Brigada Ordenança", com o preço de 200$00. Na tabela de Maio de 1960 surge com a designação "Cabo 18.ª Brigada Ordenança", com o mesmo preço e uma indicação de 180 gramas de peso, segundo a cópia existente no CDMJA.

 

Exemplar do acervo do Museu Municipal Leonel Trindade, Torres Vedras.

 

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Abril 21 2010

 

Azulejo estampado sob o vidrado, com as inscrições "SACAVEM" e "15" em relevo no tardoz.

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Abril 19 2010

 

Cachepot com decoração floral a decalcografia policromática e filete aplicado a azul, sobre o vidrado.

 

 

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Abril 17 2010

 

Prato estampado sobre o vidrado. A marca Gilman & Cta. também se encontra aplicada sobre o vidrado.

 

Conhece-se um exemplar semelhante a este, com a mesma imagem e os mesmos tipos de letra, em preto, apresentando a data de 15 de Agosto de 1905.

 

Considerando o sentimento anti-clerical que se desenvolveu durante o regime republicano e a lei de 1911, que implementava a separação entre a Igreja e o Estado, é muito  provável que a produção de pratos comemorativos desta festa não tenha sido constante, ou tenha mesmo cessado, ao longo da I República (1910-1926).

 

O culto a Nossa Senhora da Oliveira encontra-se disseminado de norte a sul do país, sendo particularmente ancestral o culto observado em Guimarães, que remonta pelo menos ao século XIV.

  

Em Portugal, associando também o culto da imagem de Nossa Senhora  a uma oliveira, ou olival, registam-se ainda as invocações de Nossa Senhora da Oliva, Nossa Senhora dos Olivais, Nossa Senhora do Olival, Nossa Senhora das Oliveiras e Nossa Senhora da Oliveirinha.

 

Uma das invocações mais recentes no âmbito dos cultos marianos é a de Nossa Senhora da Paz a qual, seguindo a simbologia bíblica, também se apresenta associada à oliveira.

 

 

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Abril 15 2010

 

Tigela, formato Norte, decorada com aerógrafo sobre stencil (chapa recortada).

 

O aspecto desfocado da decoração (resultante de uma pulverização extremamente difusa da tinta verde) reproduz fidedignamente a imagem original deste exemplar, que assim foi comercializado nas décadas de 1970 e 1980.

 

Peças deste género foram vendidas em grande quantidade, e a preços extremamente baixos, na loja da FLS na Avenida da Liberdade, em Lisboa, durante o período de falência da empresa.

 

 

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Abril 13 2010

 

Saladeira triangular, modelada em relevo e pintada à mão sobre o vidrado verde, registada no catálogo de formatos de Maio de 1950 sob a designação Mariscos.

 

Tal como referido anteriormente, este formato é semelhante a um outro produzido pela fábrica inglesa Carlton Ware, sendo também algumas variantes comercializadas por determinadas fábricas em conjunto com talheres que, na sua componente cerâmica, apresentavam motivos complementares à decoração, conforme se pode observar abaixo.

 

O perfil recortado tornou este modelo muito propenso a um grande desgaste do rebordo, pelo que é normal que os diversos exemplares existentes em colecções particulares, e os que ainda hoje surgem no mercado, apresentem inúmeras falhas originadas pelo uso.

 

 

Saladeira em porcelana, de fabrico alemão, apresentando o metal marcado com as siglas da célebre fábrica WMF, Württembergische Metallwarenfabrik (http://www.wmf.com/).

 

 

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Abril 11 2010

  

 

Painéis de azulejos do Mercado Municipal de Vila Franca de Xira, representando cenas da lezíria ribatejana, com particular destaque para os touros e os campinos. 

 

Uma fotografia patente no catálogo da exposição Porta Aberta às Memórias, Segunda Edição (MCS, 2009) mostra uma versão não montada do painel reproduzido acima que apresenta, em segundo plano, diferentes figuras e diferente paisagem, bem como uma cercadura completamente diferente. Apresenta ainda em azulejo, abaixo da imagem, uma legenda com o título A Primeira Lição.

 

  

 

O painel de cima encontra-se assinado A. P. Gomes (Álvaro Pedro Gomes, 1894-1974) e o de baixo, com a data de 1930, A. C. M. (António Castro Mourinho, 1892-1963).

 

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