Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Maio 31 2010

 

Estatueta apeada modelada por Armando Mesquita (1907-1982), representando um soldado de Infantaria 6, em uniforme de 1810.

 

Exemplar do acervo do Museu Municipal Leonel Trindade, Torres Vedras.

 

O Regimento de Infantaria 6, da Guarnição Militar do Porto, esteve empenhado em acções da Guerra Peninsular desde 1808 até 1814, em Portugal, Espanha e França.

 

Assim, participou no bloqueio da Praça de Almeida, entre 16 de Julho e 1 de Outubro de 1808, nas defesas do Porto, entre 26 e 29 de Março de 1809, da Ponte de Amarante, entre 18 de Abril e 2 de Maio do mesmo ano, e da passagem do Tormes, entre 8 e 14 de Novembro de 1812.

 

Interveio também nos combates da ponte de Alcantara, a 10 de Junho de 1809, Redinha, a 12 de Março de 1811, Arroio Molinos, a 28 de Outubro de 1811, Mirabet, a 18 de Maio de 1812, Berlanga, a 10 de Julho de 1812, Matilha, a 16 de Novembro de 1812, Berrueta, a 1 de Julho de 1813, Aniz, a 4 de Julho de 1813, Elizondo, a 5 de Julho de 1813, Urdach, a 8 de Julho e 4 de Agosto de 1813, Porto de Maia, a 25 de Julho de 1813, Lizasso, a 31 de Julho de 1813, Cambo, a 12 de Novembro de 1813, Garriz, a 15 de Fevereiro de 1814, Saint-Palais, a 16 de Fevereiro de 1814, e Aire, a 2 de Março de 1814.

 

Tomou ainda parte nas batalhas do Buçaco, a 27 de Setembro de 1810, Fuentes de Oñoro, a 5 de Março de 1811, Vitoria, a 21 de Junho de 1813, Pirinéus, entre 28 e 30 de Julho de 1913, Nivelle, a 10 de Novembro de 1813, Nive, a 9 de Dezembro de 1813, Orthez, a 27 de Fevereiro de 1814, e Toulouse, a 10 de Abril de 1814.

 

No final da guerra o Regimento de Infantaria 6 regressou ao seu aquartelamento em 15 de Agosto de 1814.

 

As informações referidas acima, bem como a planta reproduzida abaixo, constam da obra Historia da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal [de 1777 a 1834], Tomo IV, Parte II (1876), de Simão José da Luz Soriano (1802-1891).

 

 

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Maio 29 2010

 

 

Pequena jarra em pasta feldspática porosa, com vidrado microcristalino mate e decoração a dourado.

 

Este é um exemplar que, à priori, a maioria dos especialistas e coleccionadores não associaria à produção da FLS. Tal facto deve-se quer à pasta utilizada, uma variante do denominado "barro Parian", quer à decoração mate com microcristais escorridos.

 

Durante a administração de Clive Gilbert desenvolveu-se a decoração com microcristais escorridos, a qual era essencialmente aplicada, em tons de azul, verde, laranja e castanho, em figuras de animais.

 

Precisamente porque essa decoração raramente era aplicada em jarras, porque esta tonalidade matizada é bastante incomum e também porque o vidrado microcristalino da FLS não costuma ser complementado com dourado, encontramo-nos perante uma peça bastante invulgar.

 

 

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Maio 27 2010

 

Prato fundo (de sopa), com decoração policromática estampada a decalcografia sobre o vidrado.

 

 

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Maio 25 2010

 

Azulejo da Fábrica do Carvalhinho com decoração policromada, apresentando no tardoz a inscrição, em relevo, CARVALHINHO / PORTO / 20.

 

Notem-se as estrias, particularmente evidentes nos preenchimentos a verde e azul, que denotam pintura a trincha sobre o stencil ou a chapa.

 

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Maio 23 2010

 

Jarra produzida na Marinha Grande em vidro doublé (termo francês utilizado nessa região para referir o vidro com duas camadas, habitualmente com decoração no interior, designado também cased glass, em inglês), com decoração escorrida a branco, no interior, e  decoração a azul e ouro no exterior.

 

Uma variante desta técnica tornou-se particularmente célebre durante os séculos XVIII e XIX, na Boémia e na Alemanha, com a designação zwischengoldglass, visto encerrar normalmente uma decoração a ouro entre (zwischen) as duas camadas de vidro.

 

A decoração exterior desta jarra é muito semelhante a uma outra, efectuada em cerâmica e atribuída a Álvaro Mendes Alves (1905-1996), reproduzida no catálogo da exposição Dar Sentido à Argila: Os Ateliês de Decoração na Fábrica da Loiça de Sacavém, realizada no MCS em 2007. 

 

Ambas as peças, apesar do diferente formato, apresentam, inclusivé, dimensões aproximadas − cerca de 12 centímetros de altura. A criação da decoração desta jarra em vidro poderá, portanto, ser atribuível a esse pintor e decorador da FLS.

 

Como se documentará posteriormente, Álvaro Mendes Alves terá também contribuído com outras decorações para a indústria vidreira da Marinha Grande.

 

 

Exemplo de um copo da Europa Central, provavelmente do século XIX, com dupla camada de vidro e decoração a esmalte e dourado no exterior.

 

O espaço entre as duas camadas de vidro não foi no entanto preenchido, sendo apenas utilizado para criar sombras e conceder profundidade à decoração principal, em conjunto com o tratamento de foscagem que se aplicou num rectângulo da camada interior, precisamente atrás da paisagem pintada na superfície exterior.

 

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Maio 21 2010

Paliteiro triangular com imagem estampada sobre o vidrado e filetagem a dourado. Numa das faces apresenta a legenda "Recordação de Vidago", a preto.

 

A marca, a verde, encontra-se ilegível mas identificável. 

 

Para outras imagens e um pequeno texto sobre Vidago cf. http://chavesantiga.blogs.sapo.pt/128636.html

 

Bilhete postal circulado em Agosto de 1913.

 

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Maio 19 2010

 

Estatueta apeada modelada por Armando Mesquita (1907-1982), representando um servente de Artilharia 1, em uniforme de 1810.

 

Na tabela de Novembro de 1945 esta peça surge sob o número 412, "Servente Artilharia 1", com o preço de 175$00, para "Colorido s/ ouro".

 

Já na tabela de Maio de 1951 surge a 200$00, para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro" aparecendo ainda na tabela de Maio de 1960 com a designação "Servente Artilharia Um", o mesmo preço para "Vidros cores s/ dec. Branco col. c/ ouro Pint. mod. s/ ouro"e uma indicação de 180 gramas de peso, segundo a cópia existente no CDMJA.

 

Exemplar do acervo do Museu Municipal Leonel Trindade, Torres Vedras.

 

 

Portaria de 13 de Setembro de 1814 que estabeleceu um regime especial para os oficiais inferiores, cabos, serventes (anspeçadas), soldados e tambores mutilados e estropiados durante a Guerra Peninsular.

 

Esta portaria foi publicada no mesmo dia que uma outra com especificações particulares para os soldos e gratificações dos oficiais (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/37928.html).

 

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Maio 17 2010

 

Pato com decoração policromática a esmalte sobre o vidrado.

 

Esta peça surge referenciada na tabela de Novembro de 1945 sob o número 368, "Figura de pato humoristico c/ laço e chapeu", ao preço de 26$50 para "Colorido s/ ouro". É complementada pelos números 368A, "Figura de pato humoristico c/ lenço", ao mesmo preço, e 368B, "Grupo de patos humorísticos", a 44$00.

 

Na tabela de Maio de 1951 estas peças surgem a 30$50, para os números 368 e 368A, e 50$50, para o número 368B, sendo oferecidas em "Côres Mates ou coloridos s/ ouro". Já não constam da tabela de Maio de 1960.

 

    

Página do Álbum de Recordações Disney (1973).                                        Esboços de Gus Goose (1939).

 

Como é óbvio, esta peça remete para os animais falantes e humanizados  dos contos tradicionais, mas evoca particularmente personagens de desenhos animados desenvolvidas por Walt Disney (1901-1966) e seus estúdios, sugerindo um cruzamento entre as primitivas imagens do famoso Pato Donald (Donald Duck, criado em 1934) e seu primo Gansolino (Gus Goose, criado em 1938).

 

Fotografias da peça por Carlos Caria, coleccionador e proprietário deste exemplar.

 

 

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Maio 15 2010

 

Cafeteira decorada com o motivo número 7, de clara influência oriental, estampado a azul escorrido (flow blue) sob o vidrado, e decoração e filetagem a dourado, sobre o vidrado.  

 

Note-se a marca Gilman Lda.

 

 

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Maio 13 2010

 

Azulejo apresentando imagem e legendas estampadas e retoques de pintura manual, a azul, assinado com monograma (A. M. ?; Armando Mesquita ?, 1907-1982) e datado de 1946.

 

No tardoz apresenta, em relevo, a marca "Sacavem 9" e a inscrição, a lápis, "414 / [Mesquita ?] 336 D".

 

 

Este azulejo encontra-se numa moldura em madeira dourada, da época, executada por Polycarpo Sabino, Lda., Vidraceiro, Moldureiro, Espelhador, Biselador, Rua do Telhal, 42-45, Lisboa, conforme etiqueta de inspiração Art Déco aposta no verso.

 

Note-se o curioso tratamento do rosto e do vestuário da figura apresentada no azulejo, um tratamento evocativo da gramática estética dos ícones bizantinos e das imagens da igreja ortodoxa.

 

 

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