Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Julho 10 2010

 

Terrina com decoração a esmalte azul sobre o vidrado.

 

Embora este exemplar não apresente qualquer marca, nem na pasta nem no vidrado, corresponde ao formato Inglês da FLS, ilustrado no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

Este formato já surgia referenciado no suplemento de 1 de Setembro de 1931 à tabela geral, com os preços de 170$00, branco, 190$00, colorido s/ ouro, e 210$00, colorido com ouro, para os serviços de 49 peças destinados a 6 pessoas. Os serviços de 94 peças, destinados a 12 pessoas, apresentavam os seguintes preços – 330$00, branco, 365$00, colorido s/ ouro, e 405$00, colorido com ouro.

 

Para as pinturas coloridas c/ ouro e "tarja azul sévres" [i. e., azul cobalto], números 170 ou 172, surgiam os preços de 255$00, para o serviço de 6 pessoas, e 490$00, para o serviço de 12 pessoas.

 

 

De acordo com o mesmo suplemento, a composição de um serviço de jantar para 6 pessoas era a seguinte – 1 terrina, 1 prato terrina, 1 prato coberto, 1 saladeira, 1 molheira, 2 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 mostardeira, 1 travessa grande, 2 travessas médias, 1 travessa pequena, 24 pratos (6 de sopa, 18 de guardanapo), 6 pratos de sobremesa e 6 pratos de doce.

 

Já o serviço para 12 pessoas apresentava 2 terrinas, 2 pratos terrinas, 2 conchas, 2 pratos cobertos, 1 saladeira,  1 mostardeira, 4 azeitoneiras, 1 saleiro, 1 molheira, 2 travessas grandes, 2 travessas médias, 2 travessas pequenas, 48 pratos (12 de sopa, 36 de guardanapo), 12 pratos de sobremesa e 12 pratos de doce.

 

Na tabela de Janeiro de 1932, o prato para terrina surge a 13$70, para branco, 15$65, para colorido s/ ouro, e 19$50 para colorido c/ ouro do 1.º lote (0,35x0,27 cm) e a 6$85, 8$80, e 11$75, respectivamente, para o 2.º lote (0,31x0,25 cm). As terrinas surgem, pela mesma ordem, a 25$00, 32$00 e 40$00 para o 1.º lote (2,5 litros), 20$00, 26$00 e 30$00 para o 2.º lote (2 litros), e a 11$50, 15$00 e 20$00 para o 3.º lote (5 decilitros). Como se depreende, este serviço continua a ser referenciado nas tabelas de 1938 e 1949.

 

A terrina reproduzida tem a capacidade de 2 litros, pelo que pertence ao 2.º lote, e custaria 26$00, uma vez que não se encontra decorada com azul cobalto.

 

© MAFLS


Julho 08 2010

Azulejo com decoração aerografada, e retoques manuais a castanho e amarelo, sob o vidrado. No tardoz apresenta em relevo a inscrição " U / SACAVEM / 3 ".

 

Exemplares similares a este azulejo, que  integram a colecção Feliciano David e Graciete Rodrigues (†), foram exibidos na exposição Itinerário pela Produção da Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada em 2000 no Museu de Cerâmica de Sacavém, e podem ser encontrados no catálogo homónimo.

 

Claramente evocativo dos nenúfares que surgem em dezenas das famosas pinturas executadas por Claude Monet (1840-1926) no seu jardim de Giverny, este azulejo não se limita a essa memória do Impressionismo. Com efeito, remete ainda para alguma da influência oriental que esse movimento pictórico recebeu, bem como para as imagens lacustres e ribeirinhas do Simbolismo.

 

Paisagens lacustres e ribeirinhas que, aliás, foram também imagem de marca de muita da notável produção vidreira de Émile Gallé (1846-1904) e dos irmãos Daum (Auguste, 1853-1909, e Antonin, 1864-1930), já no período Art Nouveau.

 

Essa imagem de marca, por sua vez, foi suficientemente duradoura para que diversas fábricas de cerâmica produzissem variantes dessas decorações até princípios da década de 1920, sobressaindo entre elas algumas fábricas escandinavas e a notável fábrica americana Rookwood.

 

Ainda em 1926, sob essa influência e sob a direcção artística de J. Cazaux (datas desconhecidas), a VA produziu para uma talha "Franceza" a belíssima decoração P. P. 464, que poderia perfeitamente ter sido uma indelével imagem do esprit du temps se tivesse sido desenhada 30 anos antes.

 

 

Jarra em pasta de vidro gravada a ácido e pintada a esmalte, produzida em Nancy, França, pela empresa dos irmãos Daum. Última década do século XIX, primeira década do século XX.

 

Uma das características das decorações com paisagens da empresa Daum era a apresentação de árvores cujos ramos ultrapassavam o rebordo da peça, aspecto que não era comum nas peças de Gallé.

 

A partir da última década do século XX o mercado de antiguidades foi inundado com cópias e falsificações das obras destas duas empresas, com maior incidência nas obras de Gallé. Desde então devem tomar-se as maiores precauções na aquisição de peças atribuídas a estas duas fábricas, sendo da maior importância conhecer, tanto quanto possível, a proveniência das mesmas.

 

© MAFLS


Julho 06 2010

 

A partir de amanhã poderá visitar no Museu de Cerâmica de Sacavém, que este ano comemora dez anos de existência, uma nova exposição, desta vez consagrada às fábricas de Loures no contexto da República.

 

Embora alargando as referências às diversas empresas então existentes – Bachofen & Companhia, Companhia Nacional de Moagens, Fábrica das Chitas (Pedro Dias), Fábrica de Cola de Ossos (Viúva Reis & Companhia Lda.), Fábrica de Estamparia da Nova Ponte, Fábrica de Estamparia e Tinturaria de Algodões, Fábrica de Farinhas e Massas, Fábrica de Moagens (Domingos José de Morais & Irmão), Fiação de Estambre (Oliveira Luzes), Fundição de Sacavém de Baixo (Viúva de Caetano José Xavier) e Serração de Madeiras (Ruston, Proctor & Companhia Lda.), esta exposição dará particular destaque a duas empresas cujo património documental integra o acervo do MCS/CDMJA – a Fábrica de Papel da Abelheira e a Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Entre o diverso acervo da FLS a exibir, encontrar-se-ão fotografias, folhas soltas de um catálogo de azulejos, datado de 1910, da Real Fabrica de Louça em Sacavem (cf. imagem abaixo), excertos da correspondência de 1911 referente à entrega de azulejos para a estação dos caminhos de ferro de S. Bento, Porto, folhas litográficas com motivos decorativos, desenhos do livro de chapas, uma tabela de preços para a loiça decorativa, de 1929, e um livro de barros para a fabricação de louça, azulejos e mosaico, referente ao período de 1902 a 1918.

 

© MCS/CDMJA

 

Reprodução de uma folha de um catálogo de azulejos da Real Fabrica de Louça em Sacavem, autorizada pelo MCS/CDMJA, que poderá ser apreciada na exposição.

 

Embora este motivo tenha começado a ser produzido ainda durante a monarquia, conforme se verifica na designação da fábrica e no preço em reis, continuou a ser utilizado durante muitos anos mais, provavelmente bem até ao final da I República (1910-1926).

 

As letras que acompanham a numeração (neste caso, 14-D) referir-se-ão às diferentes variantes cromáticas. Veja-se a imagem de um azulejo com este motivo em: http://mfls.blogs.sapo.pt/40958.html.

 

Enquadrável no estilo Art Nouveau, este motivo remete ainda para certos aspectos do grafismo Arts & Crafts desenvolvido por artistas como William de Morgan (1839-1917) e William Morris (1834-1896).

 

© MAFLS


Julho 04 2010

 

Pequena floreira de parede da Fábrica do Carvalhinho, modelo número 178, com decoração policromada pintada à mão sob o vidrado.

 

Esta peça não consta da tabela não datada que tem vindo a se referida, visto que esta apenas menciona os modelos de loiça decorativa até aos números 130 (Reprodução Faianças Portuguesas) e A77 (Género moderno).

 

Neste tabela surgem referidos, contudo, quatro modelos de floreiras de parede – o número 129, a 12$50, e os números A38, a 15$00, A67, a 20$00, e A68, a 15$00.

 

 

© MAFLS


Julho 02 2010

 

Pequeno azulejo (7,5 x 7,5 cm) com publicidade às calculadoras Monroe estampada sob o vidrado. No tardoz apresenta a inscrição SACAVEM, em relevo, com o S invertido.

 

Este azulejo integra um conjunto publicitário de calendário de folhas amovíveis, muito popular em Portugal durante as décadas de 1940 e 1950 e então inserido numa estrutura metálica de ferro forjado, ou estanho patinado, com ilustrações em cerâmica, cartão ou fotografia.

 

Consultem-se mais informações sobre a empresa Monroe, que apresentou a sua primeira calculadora em 1912 e ainda hoje se encontra activa, em: http://monroe-systems.com/.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

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