Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 31 2010

 

Chávena de chá e pires com decoração floral estilizada, pintada à mão.

 

No rebordo da chávena, à esquerda, note-se como o vidrado defeituoso afectou a decoração aplicada anteriormente sob o vidrado.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Agosto 29 2010

 

Imagens publicadas originalmente na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912, a complementar o artigo Uma Festa Operária.

 

Em ambas se pode observar James Gilman (1854-1921), sendo particularmente notável na imagem de cima a numerosa presença e a importância das operárias na FLS.

 

Na fotografia de baixo, à direita de James Gilman, pode-se ver novamente o mestre geral da fábrica, José de Sousa (datas desconhecidas).

 

 

© MAFLS


Agosto 27 2010

 

Terrina decorada, com o motivo 1082, a esmalte laranja e preto, sobre o vidrado.

 

Este formato já não surge no Catálogo de Formatos de Loiças Domésticas, de Maio de 1950.

 

O registos de decoração existentes no CDMJA apresentam, sob o número 1024, uma decoração sobre pires muito semelhante a esta. Aí se refere, em texto dactilografado: "Para serviços de chá, café, tete-a-tete e jantar, formatos / Avenida, Coimbra, Estoril, Miramar e Granja [acima do pires] / Classe II [sobre o pires] / Fabrica-se em todas as cores e barros [abaixo do pires]". Uma nota posterior, à margem e manuscrita a tinta preta, refere: "Retirado / Aviso 34/46".

 

Reproduzindo-se no referido catálogo de 1950 os formatos de terrinas Coimbra e Estoril, deduz-se que este seja o formato de terrina Avenida, Miramar ou Granja.

 

Apesar da anotação sobre formatos existente nos registos de decoração, veja-se uma chávena de chá e pires com a mesma decoração desta terrina, mas com o formato Sacavém, em: http://mfls.blogs.sapo.pt/10210.html.

 

 

© MAFLS


Agosto 25 2010

 

Imagens publicadas originalmente na revista Ilustração Portuguesa, número 346, de 7 de Outubro de 1912, a complementar o artigo Uma Festa Operária.

 

Na fotografia de cima vê-se a família de James Gilman (1854-1921) caminhando entre uma alameda de palmas ornamentadas com pratos decorativos, cromolitografados com figuras femininas. No desenho da cercadura, notem-se as vinhetas alusivas à diversa produção cerâmica da FLS.

 

Na fotografia de baixo pode-se observar James Gilman, à esquerda,  acompanhado do mestre geral da fábrica, José de Sousa (datas desconhecidas).

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Agosto 23 2010

 

Cinzeiro formato número 490, em pasta beige com escultura de uma raposa e decoração a dourado sobre o vidrado mate. Na base apresenta a inscrição, também a dourado, " 7 – 4 / Lembrança de Casamento / [1]951".

 

Note-se que as letras de inspiração gótica, para a inscrição personalizada, eram já utilizadas para esse fim na década de 1930, conforme se pode observar em: http://mfls.blogs.sapo.pt/8186.html.

 

Veja-se uma variante sem inscrição aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/32906.html.

 

 

© MAFLS


Agosto 21 2010

 

Pormenor do painel Cruzeiro do Sul, de Jorge Colaço (1868-1942), concluído em 5 de Agosto de 1922. Note-se como a nau segue na água um reflexo que evoca a cruz latina, sugerida também pelo próprio Cruzeiro do Sul. Curiosamente, note-se ainda como as estrelas apresentam as seis pontas características da hebraica estrela de David.

 

Situado à direita do observador, este é um dos quatro painéis que ornamentam a fachada principal do actualmente denominado Pavilhão Carlos Lopes, localizado na zona nascente do Parque Eduardo VII, em Lisboa. O revestimento azulejar estende-se também às colunatas e portas interiores, que se encontram agora entaipadas.

 

Em adiantado estado de degradação, o edifício tem, desde há alguns anos, projecto para vir a ser recuperado e adaptado a  Museu Nacional do Desporto.

 

© Google Earth / IGP/DGRF / Tele Atlas / Digital Globe

 

Inicialmente, este edifício foi desenhado pelos arquitectos Guilherme Rebelo de Andrade (1891-1969), Carlos Rebelo de Andrade (1887-1971) e Alfredo Assunção Santos (datas desconhecidas) para funcionar como Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro. Realizada entre 1922 e 1923, esta exposição comemorou o primeiro centenário da independência do Brasil.

 

Inaugurado em 1923, o conjunto foi entretanto desmontado, transferido para Portugal, e novamente reedificado no local onde hoje se encontra, sendo reinaugurado em 1932, no âmbito da Exposição Industrial Portuguesa. 

 

Devidamente adaptado, recebeu em 1947 o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, onde Portugal se sagrou pela primeira vez campeão do mundo e acabou com a hegemonia de títulos da Inglaterra, que se prolongava desde o Campeonato da Europa de 1926.

 

 

© MAFLS


Agosto 19 2010

 

Prato de cozinha com decoração central aplicada a stencil (chapa recortada) e cercadura aplicada a aerógrafo, sob o vidrado. Este prato mede cerca de 29,2 cm. de diâmetro, pelo que corresponderá ao quarto tamanho.

 

Embora tal não seja evidente na imagem, o vidrado foi aplicado defeituosamente, sem homogeneidade e sem a mesma espessura, facto que acabou por afectar a decoração que se encontra por baixo. A imprecisa delimitação da decoração geométrica verde-rubra assinala algumas das zonas onde o vidrado se encontra defeituoso.

 

 

© MAFLS


Agosto 17 2010

 

Detalhes de painéis de azulejos da estação ferroviária de S. Bento, Porto.

 

Note-se como a saia da figura reproduzida acima, em primeiro plano, evoca, nas flores estilizadas em círculos, o Orfismo e a obra dos pintores Robert (1885-1941) e Sonia Delaunay (1885-1979).

 

Provavelmente trata-se apenas de uma coincidência, embora estes, amigos dos pintores Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918) e Eduardo Viana (1881-1967), tenham permanecido no Minho e em Vila do Conde durante alguns meses do início da primeira Guerra Mundial, período que coincidiu com a conclusão das obras desta estação.

 

 

© MAFLS


Agosto 15 2010

 

"A Mocidade que passa / Garbosa e cheia de graça!". Bilhete postal editado pela Mocidade Portuguesa e circulado em Setembro de 1947. Aguarela original assinada "Leonel" [Cardoso] e datada [1]"939". Ainda em 1939, o autor desenhou uma série de postais reproduzindo trajos portugueses, cujas sucessivas tiragens ultrapassaram os 80.000 exemplares.

 

De entre a vasta obra de Leonel Cardoso (1898-1987) para a FLS, a série Bébé, cuja produção se iniciou em 1945, estabeleceu uma imagem de marca especificamente associada à fábrica, cuja popularidade se manteve ao longo de quase duas décadas. Em menos de cinco anos, Leonel Cardoso criou para esta série mais de cinquenta figuras diferentes, as quais estão assim registadas na tabela de Maio de 1951:

 

 

391 - Figura bébé "Saloio do Ribatejo"; 392 - Figura bébé "Saloia"; 399 - Figura bébé "Alentejano; 400 - Figura bébé "Alentejana" (ceifeira); 401 - Figura bébé "Peixeira" (Lisboa); 402 - Figura bébé "Marujo"; 403 - Figura bébé "Galucho"; 416 - Figura bébé "Guarda Republicano"; 417 - Figura bébé "Criada"; 418 - Figura bébé "Estudante"; 419 - Figura bébé "Tricana"; 420 - Figura bébé "Moço de forcado"; 421 - Figura bébé "Toureiro a pé"; 422 - Figura bébé "Minhota"; 423 - Figura bébé "Homem do Douro"; 424 - Figura bébé "Amola tesouras"; 425 - Figura bébé "Pauliteiro"; 426 - Figura bébé "Homem da Madeira"; 427 - Figura bébé "Mulher da Madeira"; 428 - Figura bébé "Pescador da Nazaré"; 429 - Figura bébé "Mulher da Nazaré"; 430 - Figura bébé "Saloio"; 431 - Figura bébé "Campino a cavalo"; 432 - Figura bébé "Cavaleiro tauromáquico"; 433 - Figura bébé "Homem da Beira"; 434 - Figura bébé "Mulher da Beira (fiandeira)"; 435 - Figura bébé "Cavaleiro hípico"; 436 - Figura bébé "Aluno Colégio Militar"; 437 - Figura "O Fado" (Severa); 444 - Figura bébé "Gaita de foles"; 445 - Figura bébé "Lavadeira"; 446 - Figura bébé "Açoreana"; 447 - Figura bébé "Tocador de harmónio"; 448 - Figura bébé "Zé Pereira"; 449 - Figura bébé "Mulher de Leiria"; 450 - Figura "As três irmãs"; 451 - Figura bébé "Pastor da Serra"; 475 - Figura bébé "Magala a cavalo"; 477 - Figura bébé "Romaria"; 477-A - Figura bébé "Fogueteiro"; 477-B - Figura bébé "Homem dançando"; 477-C - Figura bébé "Mulher dançando"; 477-D - Figura bébé "Homem dançando"; 477-E - Figura bébé "Mulher dançando"; 483 - Carro de bois (Minho); 483-A - Figura bébé "Minhota", para acompanhar o mesmo [todas as figuras anteriores foram criadas, seguramente, até 1947]; 495 - Figura bébé "Toureiro e touro"; 511 - Figura bébé "Futebolista"; 512 - Figura bébé "Polícia"; 521 - Figura bébé "Ardina"; 522 - Figura bébé "Engraxador"; 523 - Figura bébé "Vendedeira de criação"; 532 - Figura bébé "Vendedeira com burro"; 534 - Figura bébé "Moço de forcados e touro"; 542 - Grupo "Três bêbados".

 

 

É possível que os modelos da série Bébé se tenham inspirado nas populares figuras dos Meninos Gordos de meados do século XIX, largamente reproduzidas em faiança na época. Contudo, é importante notar a semelhança entre os cinco desenhos de Stuart Carvalhais (1887-1961), intitulados Figurinos para Carnaval de Miúdos e  publicados em 1935 na revista Sempre Fixe, e a obra de Leonel Cardoso, que também colaborou na mesma publicação.

 

Aliás, as semelhanças entre os desenhos de Stuart, o postal reproduzido e as peças 401 - Peixeira, 445 - Lavadeira, 447 - Tocador de harmónio e 511 - Futebolista, evidenciam essa provável inspiração de Leonel Cardoso. Note-se, no entanto, que a série não apresenta nenhuma figura da Mocidade Portuguesa.

 

Conforme referido anteriormente, a FLS reproduziu em 1989, por ocasião da exposição dedicada a Leonel Cardoso no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, um conjunto de peças desta série, limitadas a três exemplares para cada figura. De acordo com o catálogo da exposição, essas reproduções correspondem a Guarda Republicano, Toureiro, Manolete [sic], Marujo, Magala, Polícia Sinaleiro, Homem do Harmónio, Jogador de Futebol - Sporting, Ardina, Sopeira, Amola Facas e Tesouras, Fogueteiro, Santo António, Lavadeira de Caneças, Tricana, Homem da Beira, Mulher da Beira, Homem de Trás-os-Montes, Mulher do Minho, Vindimador do Alto Douro, Mulher dos Açores, Homem da Madeira, Mulher da Madeira, O Fado, Os Bêbedos.

 

Entre outros, exemplares destes dois últimos conjuntos – O Fado e Os Bêbedos, pertencentes ao acervo do MCS e evocativos de dois famosos quadros homónimos do pintor José Malhoa (1855-1933), foram exibidos em 2005 nos EUA, durante a exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period. Estes dois conjuntos são também os únicos da série Bébé que ainda são referenciados na tabela de 1960.

 

 

As figuras desta série tornaram-se tão populares nas décadas de 1940 e 1950 que houve oficinas e pequenas fábricas de cerâmica a produzir peças claramente inspiradas nestes modelos, como o mealheiro em barro não-vidrado reproduzido acima. É claro que, observando hoje esta curiosa peça, não podemos deixar de pensar na sua semelhança com as figuras entretanto criadas por Fernando Botero (n. 1932) no seu universo pictórico e escultórico.

 

Relativamente ao tema do bilhete postal, note-se que Leonel Cardoso executou também uma ilustração com a Mocidade Portuguesa em marcha, a qual foi reproduzida numa jarra em vidro da Marinha Grande.

 

 

© MAFLS


Agosto 13 2010

 

Azulejo com decoração geométrica sob o vidrado. No tardoz apresenta as inscrições "SACAVEM / 11", em relevo. 

 

A decoração evoca claramente a influência geometrizante da Bauhaus, surgindo ainda como precursora da Op Art do terceiro quartel do século XX. Neste contexto, remete evidentemente para a obra de artistas como Victor Vasarely (1908-1997), autor da serigrafia reproduzida abaixo.

 

 

ZETT-ZS, serigrafia número 70/150.

Edição da Galeria Denise René, Paris, 1968.

 

© MAFLS


mais sobre mim
Agosto 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
12
14

16
18
20

22
24
26
28

30


pesquisar
 
subscrever feeds