Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 25 2011

 

Figura de urso polar, com cerca de 29,5 cm. de comprimento, em terracota moldada e pintada.

 

Executada em pasta branca e não apresentando qualquer marca, esta é muito provavelmente uma peça portuguesa, produzida possivelmente na região de Alcobaça ou de Coimbra.

 

Apresenta ainda a particularidade de não ostentar qualquer orifício para circulação de ar no forno, o qual deverá ter sido obstruído quando a peça foi pintada. 

 

Assim, sendo uma peça oca e estando a terracota impermeabilizada pela pintura, flutua quando colocada na água.

 

Inserindo-se numa gramática escultórica derivada do famoso urso polar criado por François Pompon (1855-1933; cf. http://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Pompon), este exemplar é, no entanto, claramente diferente desse (cf. o original em pedra de Lens apresentado no site referido atrás e a imagem reproduzida abaixo). 

 

 

Além disso, também não corresponde a nenhum dos dezassete ursos ilustrados na obra de Patrick Malaureille publicada em 1993, Craquelés: Les Animaux en Céramique, 1920-1940, nem aos dois anteriormente aqui reproduzidos: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/urso+polar.

 

A título de curiosidade, comparem–se ainda estas versões de ursos polares com a versão de uma escultura inuit de meados da década de 1990, executada em pedra serpentina pelo artista Kakee Peter (n. 1973; cf. http://www.inuitartsculptures.com/biographies/kakeepeter.htm).

 

Adenda efectuada a 5 de Janeiro de 2011:

 

Como os autores do espaço MUONT tiveram oportunidade de referir e documentar (cf. http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.com/2011/12/urso-polar-de-lejan-vista-alegre.html#links), este modelo corresponde a uma peça assinada Lejan e comercializada também pela Vista Alegre.

 

 

© MAFLS


Dezembro 25 2011

 

Chávenas de café e pires formato Porto, da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com filetagem dourada e decoração geométrica esmaltada sobre o vidrado. Note-se o diferente tratamento decorativo das asas.

 

No serviços de chá e café o nome do formato encontra-se habitualmente manuscrito na base dos bules ou das cafeteiras, acompanhado do código correspondente ao motivo, o qual é normalmente indicado através de duas letras e quatro dígitos.

 

Durante a exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, foram exibidos exemplares dos formatos Angola, com a decoração FB 2029, Belga, com a decoração EB 1314, e Porto.

 

O conjunto de chávenas e pires a que pertencem estes dois exemplares permite-nos documentar três marcas distintas da SP (SP1 a SP3), que se reproduzem abaixo.

 

A marca SP1 terá sido usada nas décadas de 1920 a 1940, a marca SP2 nas décadas de 1930 e 1940, a marca SP3 entre a década de 1940 e o princípio da década de 1970, a marca SP4 a partir desta última década, e a marca SP5 a partir da década de 1990.

 

Curiosamente, o selo branco aposto sobre o título de acções aqui apresentado, com a serpe alada (dragão) e o leão batalhante (rampante) das armas de Coimbra, que surgem também na primeira marca da empresa, ostenta a data de 1923.

 

                    

SP1                                  SP2                                   SP3                                  SP4                                  SP5

  

De acordo com o Diário do Govêrno, a empresa Porcelana de Coimbra constituíu-se como sociedade anónima de responsabilidade limitada em 13 de Maio de 1922, com um capital de 1.600.000$00 dividido por acções de 100$00. Esse capital foi aumentado para 2.500.000$00 em 15 de Setembro do mesmo ano, como se comprova no título de dez acções reproduzido abaixo.

 

O conselho de administração da empresa, nomeado para os primeiros três anos sociais, era composto por três elementos – António dos Santos  Viegas, Estolano Dias Ribeiro e José Manuel Ribeiro, estando as assinaturas destes dois últimos reproduzidas no título de acções.

 

Note-se que, na época, a empresa era designada como Porcelana de Coimbra e não Sociedade de Porcelanas de Coimbra e sublinhe-se que não foi possível consubstanciar documentalmente a afirmação de que a intervenção da VA e da Electro-Cerâmica do Candal na empresa data de 1936 (cf. http://www.candalparque.pt/historia.html).

 

Durante o ano de 1945, conforme referido anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/62574.html), a Sociedade de Porcelanas de Coimbra foi adquirida, em partes iguais, pela Electro-Cerâmica do Candal e pela Vista Alegre, embora a VA controlasse já, também, a Electro-Cerâmica.

 

De acordo com notícias disponíveis na imprensa (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=522578&page=-1), a SP terá encerrado em Dezembro de 2005, depois de um período de vários anos em que a sua capacidade produtiva foi sendo gradual e intencionalmente reduzida.

 

 

© MAFLS


Dezembro 25 2011

 

 

Atendendo à solicitação de alguns visitantes, reproduz-se aqui, com restauro digital, o outro exemplar conhecido de uma série de pratos produzidos em porcelana da Empresa Electro-Cerâmica do Candal (http://mfls.blogs.sapo.pt/62574.html).

 

E ainda bem que tal nos foi solicitado e nos levou a tratar e recuperar esta imagem com alguma atenção, porque aquilo que apressadamente tinha sido referido então como um lavagante europeu (Homarus gammarus, antes genericamente classificado como Cancer gammarus L.), corresponde efectivamente a uma variante de lagostim do rio.

 

Embora fosse interessante que a imagem correspondesse ao nosso famoso, e agora quase extinto, lagostim-de-patas-brancas, ou lagostim do Angueira (Austrapotamobius pallipes; cf. http://www.faunaiberica.org/?page=cangrejo-de-rio), a estrutura deste exemplar parece corresponder a uma outra variante, exógena.

 

Assim, estando representados apenas animais de água doce nos três únicos pratos conhecidos, poder-se-á depreender que toda a série será exclusivamente dedicada à fauna fluvial e lacustre.

 

© MAFLS


Dezembro 25 2011

 

 

Conjunto de cinco figuras natalícias em porcelana da Vista Alegre.

 

Estas figuras foram (são) também comercializadas em biscuit, mas as versões iniciais, em tonalidades pastel evocativas de uma palette característica da fábrica dinamarquesa Royal Copenhagen, são hoje mais raras.

 

Produzidos durante a década de 1970, estes conjuntos foram também exportados para os EUA numa época em que as encomendas da empresa Mottaheded eram já significativas para a VA.

 

Note-se a marca na pasta, correspondente ao período 1968-1971, sob a marca do período 1971-1980.

 

Capa da revista Vista Alegre, número 19, ano 4, Outubro de 2001.

 

É Natal. E como é Natal, publicar-se-ão hoje, excepcionalmente, quatro artigos.

 

Destes, dois pretendem ir ao encontro de algumas questões levantadas por visitantes deste espaço, quer sobre a produção quer sobre a história de duas outras fábricas portuguesas.

 

Até já.

 

 

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