Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 28 2012

 

 

 

Motivo central de um painel azulejar de António de Castro Mourinho (1892-1963), executado em 1960 na FLS para os jardins do Palácio de Coina, também conhecido como Torre de Coina ou Palácio do Rei do Lixo, em Coina, concelho do Barreiro.

 

A quinta onde se encontra a torre já existia no século XVIII, tendo a propriedade sido adquirida em finais do século XIX por Manuel Martins Gomes Júnior (1860-1943), que recebeu o cognome de rei do lixo por, durante alguns anos, ter tido o monopólio da recolha do lixo de Lisboa.

 

O edifício existente parece ter sido construído durante o período da I República (1910-1926), na quinta que Gomes Júnior veio a denominar Quinta do Inferno. Depois do seu falecimento, a propriedade passou para o seu genro, tendo sido vendida cerca de 1957 a José Baptista Mota (datas desconhecidas). 

 

Foi no tempo deste último que a propriedade se passou a chamar Quinta de S. Vicente e foi por sua iniciativa que os painéis de inspiração bíblica de António de Castro Mourinho aí foram colocados, como se de um exorcismo aos malefícios da Quinta do Inferno se tratasse.

 

Considerando o estado actual de abandono e degradação do local (cf. http://lugaresesquecidos.com/forum/viewtopic.php?f=13&t=106&start=30), parece que o exorcismo não foi suficiente...

 

Fotografias de Carlos Caria.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 26 2012

 

Pequena tigela formato Norte, do último período da FLS, com decoração a duas cores, aplicadas a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada), sob o vidrado.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 25 2012

 

Chávena de café e pires formato Porto, da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com filetagem dourada e decoração geométrica esmaltada sobre o vidrado. Ambas as peças apresentam a marca SP1.

 

O motivo geométrico triangular aplicado nesta decoração é claramente evocativo de uma famosa litografia construtivista de El Lissitzky (1890-1941), editada em 1919 e reproduzida abaixo, denominada Derrotar os Brancos com a Cunha Vermelha, título que alude ao confronto entre bolcheviques (vermelhos) e mencheviques na URSS.

 

A evocação é ainda mais evidente quando se sabe que esta decoração também foi comercializada pela SP em vermelho (cf. http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.com/2012/01/servico-de-cafe-modelo-cubico-porcelana.html#links), embora neste caso se tratem de chávenas e pires octogonais do formato Cúbico, onde o valor simbólico da intersecção do círculo pelo triângulo está diluído.

 

Este exemplar foi exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, conjuntamente com um bule, uma leiteira, um açucareiro e uma chávena de chá com pires (respectivamente, números 45 e 48 a 51 do catálogo) do mesmo formato e com a mesma decoração, embora as asas destes últimos estejam apenas decoradas com uma filetagem a ouro.

 

 

Conforme já foi referido anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/143462.html), aquela que mais tarde ficou a ser a Sociedade de Porcelanas de Coimbra denominava-se Porcelana de Coimbra quando se constituíu como sociedade anónima de responsabilidade limitada, em 13 de Maio de 1922.

 

A designação Sociedade de Porcelanas, Limitada, foi instituída a 31 de Agosto de 1926, num período em que a situação empresarial e financeira da Porcelana de Coimbra (PC) era já preocupante e a SP lhe sucedeu, com a fábrica na Arregaça.

 

Com efeito, a PC acabou por ser dissolvida em 8 de Julho de 1929, tendo entrado em imediata liquidação, para a qual foram nomeados "com os mais amplos poderes" Faustino Corrito e José Cordeiro Guerra, poderes que incluíam os "de venda ou alienação de bens móveis e imóveis da sociedade particularmente, sem dependência de hasta pública".

 

O activo desta sociedade veio a ser colocado em praça a 17 de Julho desse ano. Ainda a 25 de Outubro de 1929, na sequência deste processo, foi contraído pela SP um empréstimo junto da Caixa Geral de Depósitos, Crédito e Previdência, garantido com hipoteca e penhor mercantil dos antigos bens da Porcelana de Coimbra.

 

Este empréstimo encontrava-se ainda por liquidar a 28 de Junho de 1935, data em que foi substituído o pacto social da SP. A 15 e 27 desse mês havia-se registado a primeira intervenção da Empresa Electro-Cerâmica (EEC), do Candal, e da Vista Alegre, de Ílhavo, no capital social da SP, que era então de 10.000$00 e passou a estar equitativamente dividido por estas duas empresas.

 

Um dos responsáveis pela VA, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953), na sua obra A Cerâmica Portuguesa (1935), que reproduz um discurso proferido em 20 de Dezembro de 1934, refere o seguinte sobre a SP:

 

"6.º Centro – Coimbra – Porcelana – Sociedade de Porcelanas. Produz loiça domestica e artigos electricos. Começou a sua laboração há cerca de 12 anos. Emprega caolino da sua concessão de S. Vicente em Ovar e tem aperfeiçoado principalmente o fabrico de loiça domestica de uso corrente."

 

Conforme também já foi anteriormente referido, a aposta da VA na SP consolidou-se em 1945.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 24 2012

 

Azulejo estampado a castanho, sob o vidrado, apresentando no tardoz apenas o número 4 em relevo.

 

Trata-se, no entanto, de um azulejo com um motivo usado na FLS, nesta e noutras cores, como se pode verificar aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/12046.html.

 

Compare-se a limpidez desta estampagem com a do azulejo aí reproduzido.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 22 2012

 

Caricatura do rei consorte D. Fernando (1816-1885), realizada por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

 

Esta plaquette, a décima segunda do Album das Glórias (1880-1883 e 1902) foi publicada em Novembro de 1880 com o título O senhor D. Fernando, no texto, e o subtítulo Com-sorte, na gravura (cf. http://purl.pt/14828/2/res-523-a_PDF/res-523-a_PDF_24-C-R0150/res-523-a_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf).

 

Entre outras considerações sobre D. Fernando, o autor desse texto, João Ribaixo (pseudónimo de José Duarte Ramalho Ortigão, 1836-1915), refere:

 

"Quando em 1868 lhe foi offerecido o throno de Hespanha, elle recusou-o, preferindo ficar em Portugal a cultivar o seu jardim e a colligir as suas majolicas.

 

Assim como os emissarios gregos ao penetrarem na tenda d'Achiles o surprehenderam a dedilhar uma lyra, como conta Homero, assim os emissarios da futura Revolução ao penetrarem no Palacio das Necessidades encontrarão o habitante d'aquelle velho convento a pintar um prato."

 

 

No final do texto pode ainda ler-se o seguinte:

 

"Ora o Senhor D. Fernando nunca escalou os cidadãos para perceber como elles trabalham por dentro, e é o primeiro dos operarios da fabrica de Sacavem.

 

Rei pintando louça, elle poderá dizer, sem magoar ninguem, perante a Carta e perante a posteridade, como nas Georgicas dizia Virgilio, tratando modestamente das abelhas:

 

In tenui labor; at tenuis non  gloria."

 

Alguns dos trabalhos executados por D. Fernando em loiça da FLS ainda hoje podem ser apreciados nas colecções do Palácio Nacional da Ajuda e do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

 

Da estreita ligação do monarca, de seu filho D. Luís (1838-1889; rei, 1861-1889) e de seu neto D. Carlos (1863-1908; rei, 1889-1908), à fábrica e ao seu dono, John Stott Howorth (1829-1893), resultaram a atribuição do título de barão a este (1885) e a concessão do título de Real à empresa, a qual poderá ter ocorrido antes dessa data.

 

Logo após a sua morte, D. Fernando foi homenageado pela FLS através de um prato que apresentava a sua fotografia estampada a preto e a inscrição Em Memória. / D. Fernando II.

 

Um exemplar desse prato foi exibido na exposição Porta Aberta às Memórias, segunda edição, realizada no MCS em 2009, e uma imagem do mesmo pode ser vista no catálogo do evento.

 


 

© MAFLS


Fevereiro 20 2012

 

Prato de sobremesa formato Monchique, apresentando um diâmetro de cerca de 20 cm., com decoração aplicada a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada), sob o vidrado. Como se verifica pela marca, trata-se de um exemplar do último período de produção da FLS.

 

Note-se como este motivo Spray Verde com Frutos, precisamente por ser aplicado a spray (aerógrafo) e stencil, apresenta variantes de tonalidade e de sobreposição dos elementos da imagem relativamente ao exemplar do prato de doce anteriormente apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/151329.html).

 

 

© MAFLS


Fevereiro 19 2012

 

 

Azeitoneira em faiança das Louças da Pinheira, Aveiro, com decoração pintada à mão e aplicada a stencil (chapa recortada), ou estampilhada, sob o vidrado.

 

Encontramo-nos perante mais uma reinterpretação popular do  motivo Chorão (Willow), uma das inúmeras variantes que em Portugal se incluem na designação genérica de Cantão Popular.

 

Note-se como, do ponto de vista arquitectónico, o edifício foi aparentemente ocidentalizado e é o único elemento aplicado a chapa recortada ou, o que aqui parece ser o recurso técnico, estampilhado, na decoração.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 18 2012

© CDMJA/MCS

 

Vista parcial do pavilhão da FLS na Exposição Colonial Portuguesa, realizada em 1934 no edifício e nos jardins do Palácio de Cristal, Porto, podendo ver-se dois dos oito painéis azulejares que decoravam o seu exterior.

 

Como se referiu anteriormente, estes painéis são da autoria de António de Castro Mourinho (1892-1963).

 

Abaixo apresenta-se um desenho aguarelado, original que serviu para um painel não fotografado desta série, exibido na exposição Porta Aberta às Memórias, realizada em 2008 no MCS. No segundo volume do catálogo desse evento, por lapso, este desenho também surge datado de 1940-1950.

 

A reprodução da fotografia do pavilhão é uma cortesia do CDMJA/MCS.

 


 

© MAFLS


Fevereiro 16 2012

 

 

 

De acordo com o Diário do Governo, por escritura de 11 de Março de 1946, a FLS procedeu a um novo aumento do capital social, de 2.000.000$00 para 3.000.000$00, estando a subscrição desse capital definida da seguinte forma:

 

"Evelyne Maria Howorth, 1.497.000$00; 

 Rupert Beswicke Howorth, 1.500$00;

 Herbert Gilbert, 1.422.000$00;

 Leland Gilbert, 75.000$00; e

 Laura de Moura Teixeira Gilbert, 4.500$00"

 

Com um total de 1.501.500$00, ficou assim estabelecida a posição maioritária da família Gilbert no capital da FLS. Este aumento de capital havia sido decidido na assembleia geral da empresa realizada em 28 de Dezembro de 1944.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 14 2012

 

Prato fundo (de sopa) com decoração floral estampada sobre o vidrado.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

mais sobre mim
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9

13
15
17

21
23

27
29


pesquisar
 
subscrever feeds