Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 31 2012

 

Azulejo com uma cena campestre aplicada sob o vidrado. Este exemplar apresenta no tardoz a inscrição "SACAVEM 8", em relevo.

 

Atendendo ao recorte das nuvens, esta decoração parece combinar a técnica de estamparia com a pintura manual, bem evidente nos traços que surgem em primeiro plano e na aguada que complementa o contorno dos montes. 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 29 2012

 

Bule formato Porto decorado com o motivo 626, esponjado e pintado à mão, sob o vidrado.

 

Note-se como a letra "R" surge quer na base quer no interior da tampa. Uma hipótese para a aposição de esta letra nas peças da FLS é a de que esta possa corresponder à indicação de refugo.

 

No caso deste exemplar, tal classificação seria consentânea com uma pequena cratera no rebordo do bule, correspondente a uma bolha cuja rebentação terá ocorrido durante o cozimento, e com a deficiente vitrificação da parte superior da tampa. 

 

Agora, como explicar que essa letra já tivesse sido carimbada na pasta antes da vitrificação? Mais, estando a peça já classificada como refugo, para quê cozê-la novamente e, como acontece nalguns outros exemplos conhecidos, proceder ainda à sua decoração sobre o vidrado ou à sua filetagem a dourado? 

 

Veja-se um conjunto de chávena e pires formato Ourique, com este motivo, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/40059.html.

 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 28 2012

 

Grande prato de parede, com cerca de 36,4 cm. de diâmetro, apresentando decoração de F. Macedo (datas desconhecidas) executada em 1934 na Fábrica do Agueiro, em Vila  Nova de Gaia.

 

Sobre esta fábrica, o livro Itinerário da Faiança do Porto e Gaia (2001) refere o seguinte:

 

"Estabelecida em 1919 no sítio do Agueiro, em Mafamude, mas com entrada por Soares dos Reis. Dedicava-se ao fabrico de louça e azulejo. Foi continuada por impulso de José de Almeida Pinheiro, em 1941, sendo conhecida sob a firma Cerâmica Soares dos Reis Lª, embora também use, sobretudo em painéis de azulejo, a antiga firma Fábrica do Agueiro. Manteve-se em laboração, com alguma qualidade e originalidade artística, até 1964."

 

Reproduzidas abaixo encontram-se algumas imagens de um revestimento azulejar ostentando a assinatura da Fábrica do Agueiro. Trata-se de um dos conjuntos públicos mais conhecidos desta empresa. Tendo sido executado em 1931, ornamenta a antiga Praça do Rossio, entretanto rebaptizada Praça da República, em Viseu.

 

 

 

       

 

Como também já havia sido referido anteriormente (ver artigo mencionado abaixo) a fábrica Soares dos Reis foi reestruturada em 1941. Efectivamente, nos dois primeiros artigos de uma escritura datada de 25 de Agosto desse ano pode ler-se o seguinte:

 

" Sob a denominação de Fábrica de Cerâmica Soares dos Reis, Limitada, e com o objectivo de explorar o fabrico de louças de pó de pedra e quaisquer outros tipos ou géneros de cerâmica, podendo, no entanto, dedicar-se a outros ramos de indústria ou comércio que os sócios determinem, constitue-se a presente sociedade [sociedade comercial por cotas de responsabilidade limitada], que durará por tempo ilimitado, a contar desta data, sendo a sua sede e domicílio na Rua Soares dos Reis, 159, da vila e concelho de Gaia.

 

O capital social, que se acha inteiramente realizado em dinheiro, é de 80.000$00, dividido nas seguintes cotas dos sócios: D. Beatriz Magalhãis de Almeida, 47.500$00; António Pereira da Silva, 12.500$00; Fernando Osório Oliveira e Manuel João da Costa, 10.000$00 cada um."

 

Assim, poder-se-á concluir que, muito provavelmente, foi a partir desta data que a popular designação Fábrica do Agueiro passou a deixar de constar das peças produzidas na empresa.

 

Sublinhe-se ainda o curioso facto de o nome de José de Almeida Pinheiro, referido no Itinerário da Faiança do Porto e Gaia, não surgir nesta escritura de 1941, nem como sócio, nem como administrador ou gerente, embora se trate muito provavelmente de um familiar da maior accionista.

 

Veja-se um outro prato desta fábrica, com a designação Soares dos Reis, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/68135.html.

 

 

© MAFLS


Outubro 27 2012

 

Saladeira formato Paris decorada com o motivo Beira estampado a verde, sob o vidrado, e filetagem a dourado.

 

Note-se que esta saladeira não só apresenta o motivo estampado a verde como apresenta a marca B. H. S. & Ca.

 

Considerando como amostragem significativa as peças até aqui apresentadas, parece assim que esta marca surge predominantemente associada à estampagem deste motivo a verde, enquanto a estampagem a azul parece surgir associada com mais frequência às marcas Gilman Lda. e G&Cta.1 (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/37228.html).

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 25 2012

 

Pequeno prato, com cerca de 15,7 cm. de diâmetro, apresentando sob o vidrado uma variante do motivo Quinta.

 

Como se pode comprovar observando todos os outros exemplares já reproduzidos (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+quinta), as variantes do motivo Quinta são sempre pintadas à mão.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 23 2012

 

Painel de azulejos existente no antigo edifício do Matadouro Municipal de Sobral de Monte Agraço. Datado de 1940 representa, tal como os restantes, cenas rurais da Estremadura. 

 

A fachada do edifício apresenta quatro painéis figurativos ao alto, assinando A. C. Mourinho (António Castro Mourinho, 1892-1963) este e outro painel, e A. R. Santos (Abel Reis Santos, datas desconhecidas) os restantes dois. Apresenta ainda um painel ao baixo, sobre a entrada, com a legenda "Matadouro Municipal / 1940" e o brasão da "Vila do Sobral do Monte Agraço".

 

Fotografias de Arlindo Lopes.

 

 

© MAFLS


Outubro 21 2012

 

Prato coberto, formato Redondo, com decoração floral pintada à mão, sob o vidrado.

 

Veja-se um prato com a mesma decoração aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/193490.html.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Outubro 20 2012

 

 

Prato em faiança, pintado à mão sob o vidrado, em 1958, por Artur José (1932-2010).

 

O mestre ceramista Artur José participou em diversas edições do Salão dos Novíssimos, evento promovido a partir de 1959 pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo), que exibia pintura, desenho, gravura, escultura e cerâmica.

 

Nesses certames, a produção então exibida centra-se particulamente nas composições azulejares cujos motivos se aproximam mais da vertente abstraccionista do que da reinterpretação figurativista, de vaga influência barroca e neo-barroca, patente neste exemplar.

 

 

Com efeito, em 1962 exibiu três painéis de azulejo – Fantasia, Fuga e Verão, tendo recebido o prémio Sebastião de Almeida (destinado à cerâmica) pelo segundo, reproduzido acima, um painel com 51 x 72 cm. que se encontrava à venda por 1.200$00. A peça cerâmica mais cara custava 12.000$00 e era da autoria do escultor Abel Baptista dos Santos (1924-2012), que em 1954 havia sido também galardoado pelo SNI.

 

Curiosamente, a peça mais cara desse IV Salão era um óleo de Artur Bual (1926-1999; veja-se uma placa cerâmica que lhe é atribuída aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/148413.html.), com 230 x 162 cm., ao preço de 25.000$00. Isto num salão onde também exibiram a concurso, entre outros, Charters de Almeida (n. 1935), prémio Mestre Manuel Pereira de escultura nesse ano, Maria Irene Vilar (1930-2008), Luís Pinto Coelho (1942-2001) e António Lino (1914-1996).

 

Capa do catálogo do IV Salão dos Independentes, provavelmente criada por Sebastião Rodrigues (1929-1997), autor, entre outras, das capas para os catálogos dos Salões de 1960, 1963 e 1964.

 

Em 1963, no V Salão, em que João [Lopes] Segurado (n. 1920) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com o painel azulejar Homenagem a Garcia Lorca, Artur José exibiu quatro novos painéis cerâmicos – Painel em relevo, Sinfonia-Painel, Ritmo e Fantasia.

 

Já em 1965, no VII Salão, em que Carlos Alberto Martins Alves (datas desconhecidas) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com a peça Enquanto Fiz Castelos no Ar, Artur José exibiu apenas um prato e dois painéis cerâmicos.

 

 

© MAFLS


Outubro 19 2012

 

Caixa comemorativa da visita do papa João Paulo II (Karol Józef Wojtyla, 1920-2005) a Portugal, em Maio de 1982, com filetagem, legenda e imagem estampada sobre o vidrado.

 

Veja-se um prato desta série aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/132385.html.

 

 

© MAFLS


Outubro 18 2012

 

Apenas mais uma pequena nota para recordar que a exposição A Arte Nova nos Azulejos em Portugal (http://mfls.blogs.sapo.pt/171382.html) continua aberta ao público no Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Inaugurada no passado dia 18 de Maio, esta exposição estará patente até 31 de Janeiro de 2013. Entre outros azulejos, aí será possível observar um exemplar semelhante a este, também colocado sobre uma placa de acrílico. 

 

Com cerca de 15,4 x 15,4 cm., este azulejo da fábrica inglesa Minton Hollins & Co., apresentando motivo Arte Nova aplicado com a técnica de tube lining (semelhante, no efeito, ao azulejo de aresta), datará do início do século XX.


Vejam-se dois outros exemplares produzidos na Minton Hollins & Co., decorados com a mesma técnica e provenientes de antigas cómodas para lavatório que integravam o mobiliário do encerrado Grande Hotel de Vidago, aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/343928.html.

 

© MAFLS 


mais sobre mim
Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12

16

22
24
26

30


pesquisar
 
subscrever feeds