Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 31 2013

     

 

Prato fundo de cozinha, com cerca de 28,2 cm. de diâmetro, decorado a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada), no centro, e aerógrafo à mão livre, na cercadura.

 

Este exemplar de faiança figurando uma ave exótica, produzido na unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, apresenta um motivo particular do período Art Déco que surge como decoração central em diversas outras peças de fábricas portuguesas.

 

São conhecidas representações de aves exóticas, mais, ou menos, simplificadas, em inúmeros exemplares portugueses de loiça doméstica e decorativa, nomeadamente em peças de porcelana da Electro-Cerâmica, do Candal, da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, e da Vista Alegre, de Ílhavo.

 

A decoração deste prato da CFCL, em particular, evoca claramente o design genérico que Marcel Goupy (1886-1954) criou para os motivos com aves do Service Marquises, produzido em porcelana pela fábrica francesa Théodore Haviland, e do qual se pode ver mais abaixo uma das composições comercializadas.

 

               

 

Marcel Goupy estudou na École Nationale des Arts Décoratifs de Paris, colaborando depois com o famoso empresário comercial Georges Rouard.

 

Já na viragem do século XIX para o século XX as galerias parisienses A La Paix, de Rouard, comercializavam objectos Art Nouveau de grande qualidade – vidros de Gallé (1846-1904), peças únicas de cerâmica, e mobiliário, como se pode verificar no anúncio, datável de cerca de 1901, reproduzido acima.

 

Rivalizando em fama com a célebre Maison de l'Art Nouveau, de Siegfried Bing (1838-1905), a casa Rouard veio a acompanhar l'air du temps, adaptando-se posteriormente, com grande versatilidade e êxito empresarial, à comercialização e promoção de objectos estilo Art Déco.

 

Assumindo as funções de director artístico desta casa, cargo que exerceu até ao seu falecimento, Goupy consagrou-se como designer de motivos Art Déco executados em vidro, desenvolvendo no entanto, também com reconhecido sucesso, designs para outros suportes. 

 

       

 

A porcelana da empresa Haviland foi uma das preferidas pela Casa Real portuguesa durante os finais do século XIX e princípios do século XX, como se pode constatar nas colecções dos Palácios Nacionais e no catálogo da exposição Porcelana Europeia: Reservas do Palácio Nacional da Ajuda (1987).

 

Um dos serviços de jantar mais famosos desta fábrica, que, pela descrição, parece corresponder à entrada 118 do referido catálogo, foi aliás encomendado pela rainha D. Maria Pia (1847-1911; rainha consorte, 1862-1889).

 

Criado pelo consagrado Édouard Dammouse (1850-1903), irmão do ainda mais célebre Albert-Louis Dammouse (1848-1926), este conjunto foi exibido na Exposição Universal de Paris, de 1900, onde obteve um Grand Prix, na Exposição de St. Louis, em 1904, e na exposição de Londres, em 1908.

 

Dois pratos desse serviço podem ser vistos na página 62 do livro Haviland (1988), da autoria de Jean d'Albis (1911-2004), um dos netos de Théodore Haviland (1842-1919).

 

                   

 

A gramática Art Déco, no entanto, apresentou diversas outras aves estilizadas sem recorrer à figuração de aves exóticas, como se pode constatar na jarra ilustrada acima.

 

Executada em faiança pela fábrica francesa Keller et Guérin, esta peça ostenta uma composição estilizada, também aplicada a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada), provavelmente concebida por Georges "Géo" Condé  (1891-1980).

 

Diversos outros designs deste autor têm sido divulgados por MUONT, pelo que para saber mais sobre Géo Condé e as fábricas a que esteve ligado pode visitar: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/G%C3%A9o%20Cond%C3%A9.

 

As aves exóticas, e as composições feéricas que estas proporcionavam, marcaram contudo o imaginário das artes decorativas do período, pelo que abaixo se apresenta ainda uma jarra em vidro cuja figuração e composição têm afinidades com o trabalho de Goupy.

 

 

Esta peça, com cerca de 19,9 cm. de altura e 24,8 cm. de diâmetro, foi executada em vidro fornecido pela fábrica francesa Daum Frères & Cie. e decorada a esmalte na empresa Leune.

 

Os Établissements Leune, cujos elementos de administração tinham laços de parentesco com a família Daum, laboraram entre os princípios do século XX e a década de 1930, contando com Auguste Heiligenstein (1891-1976) como seu conselheiro artístico em meados da década de 1920.

 

Heiligenstein colaborou entre 1919 e 1923 com Marcel Goupy, tendo eventualmente executado alguns dos designs que este haveria de assinar. A impossibilidade de Heiligenstein assinar os seus próprios trabalhos é uma das razões apontadas para que tivesse cessado a colaboração com Goupy.

 

Como esta jarra bem ilustra, os seus trabalhos para os Établissements Leune quase nunca ostentavam a sua assinatura, antes a da empresa, pelo que tal razão não terá sido necessariamente decisiva para que Heiligenstein cessasse colaboração com Goupy.

 

 

© MAFLS


Março 30 2013

© MCS/CDMJA

 

Fotografia de castiçal com dois braços.

 

A reprodução desta fotografia é uma cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 28 2013

© MCS/CDMJA

 

Página do catálogo de Preços Correntes da Real Fabrica de Louça em Sacavém - Azulejo, de Agosto de 1910, reproduzindo o motivo número 417-B.

 

Veja-se uma versão estampada deste motivo aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/53822.html.

 

Cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 26 2013

 

Tigela formato Norte, do último período da FLS, com decoração a duas cores, aplicadas a aerógrafo sobrestencil (chapa recortada), sob o vidrado.

 

Veja-se este motivo com outras cores aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/135223.html.

 

 

© MAFLS 


Março 24 2013

 

Caneca do último período de produção da FLS, com decoração sobre o vidrado.



© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 23 2013

     


Figura em terracota pintada da fábrica A Nova Decorativa, de Coimbra.


Veja-se outra peça desta fábrica aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/78219.html.



© MAFLS


Março 22 2013

 

Prato raso em faiança, da fábrica inglesa C. & J. Shaw Jun.r, estampado a azul, sob o vidrado, com cinco vistas de locais e monumentos lisboetas.

 

Este motivo, denominado Braganza, foi registado pela firma Hope & Carter a 27 de Abril de 1864, conforme se verifica pelos códigos inseridos no losango.

 

A data é consistente com alguns dos monumentos e locais apresentados – ao centro a estátua de D. José I, no Terreiro do Paço, acima o Teatro D. Maria II, no Rossio, à direita uma fonte do Passeio Público, em baixo o pelourinho, actualmente na Praça do Município, e à esquerda o monumento a Camões, na praça homónima.

 

Com efeito, o monumento a Luís de Camões foi projectado em 1860 e inaugurado apenas em 1867, tendo o Passeio Público começado a desaparecer em 1879 para que em 1886 aquela que hoje se denomina Avenida da Liberdade fosse inaugurada.

 

Para um prato similar e uma explicação dos códigos patentes na marca ver um artigo de Maria Andrade: http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2010/10/prato-ingles-com-motivo-braganza.html.

 

Para além da cor aqui apresentada, conhece-se este motivo numa tonalidade avermelhada.

 

Ainda dentro da temática portuguesa, conhecem-se também motivos alusivos ao Mosteiro da Batalha estampados em diversas peças inglesas – pratos, travessas e terrinas, do século XIX.

 

 

© MAFLS


Março 20 2013

 

   

 

 

Terrina em pasta azul.

 

Este formato já não se encontra ilustrado no catálogo de formatos de loiças domésticas, de Maio de 1950, onde surgem as terrinas Aldeia, Berlim, Coimbra, Estoril, Império, Inglês, D. João V, Oitavado, Paris, Popular e Redondo. 

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 18 2013

 

Tigela formato Norte, do último período de produção da FLS, decorada com esmalte aplicado a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada).



© MAFLS


Março 17 2013

 

Pequena jarra, com cerca de 10,4 cm. de altura, em faiança da fábrica Secla, Caldas da Rainha.

 

Este design corresponde à variante de um original, aplicado numa jarra com outro formato e maiores dimensões, criado cerca de 1955 por Hansi Staël (1913-1961) e reproduzido na página 56 do catálogo da exposição Estúdio Secla: Uma renovação na cerâmica portuguesa, realizada em 1999 no Museu Nacional do Azulejo.

 

          

 

© MAFLS


mais sobre mim
Março 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
13
15

19
21

25
27
29



pesquisar
 
subscrever feeds