Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 14 2013

 

 

Figura em barro parian (biscuit) representando um fauno.

 

Encontramo-nos perante a primeira peça em barro parian que integrou os catálogos da FLS, a qual surge referenciada pela primeira vez na tabela de Maio de 1960 sob o número 601, com a designação "Fauno tocando flauta", ao preço de 125$00. Segundo uma nota manuscrita constante do exemplar desta tabela existente no CDMJA, esta figura pesa cerca de 365 gramas.

 

Nessa tabela de Maio de 1960, embora a produção em barro parian apenas esteja referenciada sob 44 números, encontram-se catalogadas, de facto, 58 peças, pois muitos desses números correspondem a conjuntos onde cada exemplar distinto surge com o mesmo número mas ostenta ainda numeração complementar diferente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+713 e http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+692).

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência das imagens.

 

 

© MAFLS

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Outubro 13 2013

 

A propósito do recente artigo de MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2013/10/jarra-modelo-n-148-aleluia-aveiro.html#links) sobre as variantes de formato e cor de algumas peças da fábrica Aleluia, de Aveiro, apresentam-se hoje duas jarras em faiança dessa fábrica.

 

Acima surge um exemplar correspondente ao formato 15 com o motivo G, tal como se pode ver no catálogo habitualmente reproduzido por MUONT, o que também acontece no citado artigo, onde se apresenta a variante do formato 148 com este motivo.

 

Esta jarra, com cerca de 37,5 cm. de altura (sublinhe-se que o catálogo Aleluia indica uma altura de 36,5 cm.), foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005. A imagem, reproduzida no respectivo catálogo, é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Como tem vindo a ser referido, tais imagens originais foram registadas em película e posteriormente digitalizadas, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

 

De seguida apresenta-se uma outra variante de cor e formato, com cerca de 25,8 cm. de altura, que pode ser comparada com uma jarra anteriormente aqui apresentada: http://mfls.blogs.sapo.pt/68695.html.

 

O exemplar agora reproduzido corresponde ao modelo 18 O, correspondendo o anterior ao modelo 15 K. Assim sendo, como se pode depreender, estamos perante o formato 18 e a variante decorativa O nesta jarra e o formato 15 e a variante decorativa K na jarra anteriormente apresentada.

 

A interessante conclusão final é que as letras correspondentes às variantes não traduzem simplesmente uma variante de cor, como se poderia pensar comparando apenas estes dois últimos exemplares, mas podem traduzir também um motivo completamente distinto, como se depreende da comparação entre os formatos 15 aqui referidos.

 

No mencionado catálogo Aleluia são ilustradas três jarras formato 18 com outros motivos – B, G, K, completamente diferentes daquele que aqui se apresenta.

 

 

© MAFLS


Outubro 12 2013

 

Realizou-se durante a tarde de hoje, no auditório do Museu de Cerâmica de Sacavém, a primeira reunião aberta da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém, congregando, entre os presentes, coleccionadores, comerciantes, responsáveis do MCS, administradores dos blogs CMP* (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/), MAFLS e MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/), bem como o fotógrafo Eduardo Gageiro (n. 1935).

 

Antes, os participantes tiveram oportunidade de assistir a uma visita guiada pelo próprio fotógrafo à exposição Eduardo Gageiro: Rapaz de Sacavém, Fotógrafo do Mundo, que continuará a estar patente no MCS até 15 de Fevereiro de 2014.

 

Os órgãos sociais da Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém para o biénio 2013-2014 estão assim constituídos:

 

Direcção

Jorge Andrew (presidente), Clive Gilbert (vice-presidente), José Roseiro, João Rebelo Pinto, Miguel Calado.

 

Conselho Fiscal

Vasco Telles da Gama (presidente), Isabel Maria Costa Figueira, Maria João Pinheiro.

 

Mesa da Assembleia Geral

António Augusto Joel (presidente), Emma Gilbert, Luísa Roseiro.

 

O contacto da AALS é: loicadesacavem@gmail.com .

 

 

© MAFLS

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Outubro 10 2013

 

O vazio desta fachada que, para os mais optimistas e bem-intencionados, poderia significar a remoção provisória de um revestimento azulejar para limpeza e restauro, documenta, afinal, mais um irreversível atentado contra a memória e o património azulejar do país.

 

Resta saber se, por incúria, ignorância, ou dolo intencional, o centenário painel produzido em 1912 na Fábrica de Loiça de Sacavém foi total e irremediavelmente destruído, como garantem alguns testemunhos, ou se terá sido velada, inescrupulosa e malevolamente retirado da fruição pública.

 

Vejam-se os artigos anteriormente publicados neste espaço sobre o desaparecido painel, e aquele que subsistiu, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/a.+dean.

 

Abaixo reproduz-se o artigo publicado sobre este assunto no jornal Diário de Notícias do passado dia 8 de Outubro de 2013, com uma imagem não creditada mas aparentemente retirada de um dos artigos publicados neste espaço.

 

No artigo daquele jornal deve corrigir-se a incorrecta afirmação de que o painel desaparecido denotava uma composição de influência chinesa, quando, entre diversas outras características, o kimono, o penteado e os kanzashi (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/382122.html) comprovam inequivocamente ser esta uma composição reminiscente da tendência japonizante que, no ocidente, marcou a pintura e as artes decorativas das últimas três décadas do século XIX.

 

 

© MAFLS

 


Outubro 08 2013

 

Ultrapassados os constrangimentos legais que impediram a imediata adopção do nome pretendido e a consequente constituição formal, vai a Associação dos Amigos da Loiça de Sacavém promover o seu primeiro encontro aberto.

 

Assim, a AALS convida os/as antigos/as funcionários/as, coleccionadores/as e todos/as os/as interessados/as no património, história e memória da Fábrica de Loiça de Sacavém a associarem-se a esse evento, que decorrerá nas instalações do Museu de Cerâmica de Sacavém, a partir das 15h00 do próximo sábado, dia 12 de outubro de 2013.

 

© MAFLS

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Outubro 06 2013

 

Detalhe da fachada de um edifício da Avenida Pedro Vítor, em Vila Franca de Xira, parcialmente revestida com azulejos da FLS correspondentes ao motivo 14-D.

 

Vejam-se outras variantes de cor deste motivo aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/azulejo+motivo+14.

 

© MAFLS


Outubro 05 2013

 

Bule em faiança, com cerca de 13,5 x 14,5 cm., decorado a aerógrafo e produzido pelas Faianças GAL, de Lisboa.

 

Na base apresenta a inscrição manuscrita Gal 223/39. Poder-se-ia pensar que este último numeral, 39, indicaria o ano de produção, mas de acordo com o Diário do Governo a fábrica apenas subsistiu entre 1935 e 1937 (http://mfls.blogs.sapo.pt/83667.html).

 

Note-se como este formato, indubitavelmente associável ao estilo Art Déco, corresponde mais a uma interpretação cerâmica da tendência de design das décadas de 1920 e 1930 que, particularmente nos EUA, veio a ser incluída na denominação genérica Machine Age Design.

 

Certamente influenciada pelos princípios teóricos do Manifesto Futurista (1909), de Marinetti (1876-1944), que consagrava a velocidade, a mecanização, a tecnologia e a industrialização, e pela subsequente vaga futurista que se desenvolveu na Europa, esta tendência terá sido complementada, nalguns formatos que traduziam uma abordagem mais mecanizada e industrializada dos objectos, pelos princípios teóricos e pelas práticas geometrizantes da Bauhaus e do movimento De Stijl.

 

 

Acima pode ver-se uma jarra produzida na empresa de Paul Millet (1870-1950), já na década de 1930.

 

A aplicação metálica em bronze cromado, que representa uma inovação relativamente às anteriores aplicações classicizantes exclusivamente executadas em bronze, traduz com fidelidade o espírito Machine Age, embora a impressão de estatismo dimanada desta jarra contraste com o dinamismo sugerido pelas formas do bule e pela sua decoração aerografada.

 

A bicromia da jarra Millet, curiosamente evocativa do clássico colorido dos táxis portugueses, apresenta um verde pouco vulgar na cerâmica, que epitomiza uma das cores preferidas para, através de outros materiais, complementar os cromados da década de 1930.

 

Para saber mais sobre a história da empresa Millet e a sua produção, veja-se o que MUONT publicou: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Paul%20Millet-S%C3%A8vres.

 

A imagem da peça das Faianças GAL consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.


© MAFLS


Outubro 04 2013

 

Anúncio de página inteira publicado no número 22, III série, de Junho de 1961, da revista Panorama, publicação mensal do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI).


Note-se a menção às filiais da FLS no Funchal, inaugurada em finais da década de 1950 e que já havia sido referida anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/136411.html), e em Luanda.


Veja-se um exemplar desta estatueta aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/210356.html, e outros dois anúncios referentes a esta série aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/d.+jo%C3%A3o+i.

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Outubro 02 2013

 

Figura da série Bébé, modelada por Leonel Cardoso (1898-1987), representando um polícia sinaleiro.

 

Com cerca de 12,9 cm. x 13 cm. esta peça integra o acervo do Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

A figura "Polícia" surge referenciada numa adenda manuscrita ao exemplar da tabela de Novembro de 1945 existente no CDMJA, sob o número 512, ao preço de 40$00 para "colorido s/ ouro". Na tabela de Maio de 1951 surge ainda ao mesmo preço, para "Côres Mates ou coloridos s/ouro", não sendo já referenciada na tabela de Maio de 1960.

 

Muito provavelmente este exemplar corresponde a uma das reedições efectuadas em 1989, conforme referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/56396.html), por ocasião da exposição dedicada a Leonel Cardoso no Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Outubro 01 2013

Fotografia de Leland Gilbert publicada em 1950, na brochura comemorativa do centenário da Fábrica de Loiça de Sacavém.

Agradece-se a Hector Castro a cedência desta imagem, obtida a partir de um exemplar dessa publicação.

  

 O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (XIV)

  

Perante a situação descrita no mês anterior, a Sacavém de certo modo teve alguma sorte pois a evolução económica do país a partir dos anos sessenta permitiu à fábrica aguentar a concorrência das novas empresas, quer na área dos materiais de construção, quer na área da loiça de mesa.

 

No entanto, num aspecto mais abrangente, a evolução tecnológica dos processos e a própria tecnologia do fabrico dos vários produtos cerâmicos estavam a sofrer alterações que, em certa medida, poderiam ser consideradas drásticas. Estas mudanças implicavam processos de fabrico totalmente distintos uns dos outros, embora a prensagem fosse comum a todos.

 

Se, por um lado, o fabrico do azulejo e do mosaico continuava a efectuar-se através da prensagem hidráulica, no caso da loiça sanitária a prensagem veio a realizar-se através do sistema isostático, processo bastante complexo que, na altura, veio a sobrecarregar a Divisão Técnica.

 

Com a reforma de meu pai, Leland Gilbert (1907-1979), no início dos anos setenta, ingressou na empresa, como administrador, Fernando Barros, pessoa que até aquele momento tinha colaborado na reorganização da Sacavém através da sua empresa de assistência, a SANA. Embora tenha conseguido alguns resultados positivos, a sua maneira de estar não agradou ao pessoal da empresa e quando veio o 25 de Abril de 1974 ele foi saneado pela Comissão de Trabalhadores.

 

Nessa altura Leland Gilbert sofreu de um aneurisma e teve de ser operado. No entanto, na véspera da intervenção cirúrgica, inesperadamente, o hospital foi ocupado pelos trabalhadores. Consequentemente, foi necessário arranjar outra solução.

 

Através de contactos na Inglaterra foi possível conseguir uma vaga num hospital que aceitou o seu internamento e onde posteriormente a operação decorreu satisfatoriamente. Embora ainda tivesse voltado uma vez a Portugal, meu pai resolveu ficar a viver no Reino Unido até à sua morte, ocorrida em Janeiro de 1979.

 

© Clive Gilbert

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