Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 31 2013

 

Conjunto da série Bébé apresentando uma caricatura, da autoria de Leonel Cardoso (1898-1987), das Irmãs Meireles.

 

Na senda internacional de vários outros grupos vocais femininos da época, as Irmãs Meireles foram das mais célebres vozes da rádio portuguesa e brasileira no período pós-guerra.

 

Este trio português, formado no Brasil e activo entre 1945 e 1950, integrava Cidália, Milita e Rosália. Cidália Meireles (1925-1972) haveria posteriormente de fazer carreira a solo, celebrizando-se também como fadista.

 

O sucesso destes grupos vocais femininos manteve-se ao longo da segunda metade do século XX, registando-se, inclusivé, a existência de um grupo intitulado The Royalettes (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Royalettes), nome agora retomado em Portugal, que teve grande sucesso durante a década de 1960 nos EUA .

 

As Irmãs Meireles 

© http://ilustracaoportuguesa.tumblr.com/post/30167163890/irmas-meireles-1940s

 

No contexto da actual tendência revivalista, Gimba (pseudónimo do músico e compositor Eugénio Lopes, n. 1959) recriou em Portugal um grupo vocal feminino, as Royalettes (http://www.youtube.com/watch?v=pnttIaUa3OI), para o qual produz novos temas através de um registo musical muito próximo do daqueles famosos grupos femininos.

 

Fotografias da peça por Hector Castro, coleccionador e proprietário deste exemplar, a quem se agradece a cedência das imagens.

 

 

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Dezembro 31 2013

 

Fundada em 1798, em França, a fábrica Longwy celebrizou-se nas últimas décadas do século XIX através da decoração a esmalte separado por corda seca e do acabamento craquelé do vidrado.

 

craquelé evocava a antiguidade das envelhecidas peças de faiança e a corda seca o cloisonné das multicoloridas peças orientais em metal. Foi precisamente através das decorações orientalizantes que a fábrica expandiu o seu prestígio, o qual se veio a elevar durante o período Art Déco e atingiu então expressão maior dentro desse estilo.

 

 

A técnica de corda seca celebrizada por Longwy não era, no entanto, exclusiva desta fábrica, que encontrou grande concorrente na quantidade e qualidade do design da fábrica belga Boch Frères / Keramis, também ela expoente maior na produção de cerâmica Art Déco.

 

Na faiança, este tipo de cloisonné caracteriza-se pela decoração com esmalte policromático, em relevo, sendo as cores envolvidas por linhas mate que funcionam como separadores de esmalte durante a cozedura das peças, num processo reminiscente da velha técnica de corda-seca na azulejaria. 

 

A taça, com cerca de 10,4 cm. de altura e 25,7 cm. de diâmetro, e a jarra, com cerca de 28,1 cm. de altura, apresentadas acima ilustram duas das características decorações Art Déco da Longwy.

 

 

Já o vidrado escorrido como aquele que se apresenta na taça agora ilustrada, a qual tem cerca de 12,7 cm. de altura e 14,6 cm. de diâmetro máximo, é mais característico da herança Art Nouveau, não sendo comum na produção da fábrica, que ainda hoje continua a insistir na onerosa técnica de decoração em faiança cloisonné.

 

Vejam-se muitos e interessantes exemplares da produção desta fábrica, que felizmente integram uma notável e criteriosa colecção nacional, no espaço de MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Longwy.

 

Para um conhecimento mais aprofundado da história e também da diversa produção decorativa da fábrica, consulte: http://www.emauxdelongwy.com/emaux.html.

 

          

 

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Dezembro 30 2013

 

Um especial agradecimento e uma vénia muito particular a Ana Cláudia Vicente, do blog Delito de Opinião (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/), que esta semana colocou em destaque o MAFLS.

 

Como curiosidade estatística, refira-se que até ao momento em que esta entrada foi redigida haviam sido registadas, directamente via destaque do DO, 52 entradas nacionais e internacionais no MAFLS.

 

 

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Dezembro 30 2013

 

Jarra em faiança, com cerca de 33,4 cm. de altura, decorada sob o vidrado e com complementos a dourado sobre o vidrado, produzida pela fábrica francesa Keller et Guérin, em Lunéville, no final do século XIX.

 

A designação empresarial Keller et Guérin surgiu em 1892, após a reunificação das fábricas de Lunéville, que havia sido fundada em 1730, e de Saint-Clément, que havia sido fundada cerca de 1758. Na base desta designação está o nome de Sébastien Keller (1750-1829), que havia adquirido a fábrica de Lunéville em 1786.

 

Em 1922 Edouard Fenal (?-1938), dono das faianças de Badonviller, adquiriu a empresa, criando assim um grande conglomerado empresarial na área de cerâmica, que manteve as unidades autónomas, bem como a sua designação diferenciada.

 

Em 1963, contudo, as três unidades fabris foram englobadas numa só empresa, passando a produção a efectuar-se apenas em Saint-Clément a partir de 1991. Entretanto, a empresa havia feito uma OPA sobre as faianças de Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/213547.html) em 1978.

 

Já neste século, em 2006, todas as empresas do grupo foram adquiridas pelo grupo Faïence et Cristal de France, passando a designar-se por Terres d'Est (http://www.terresdest.fr/fr/). Actualmente, todas estas empresas integram o grupo Jolies Ceramiques.

 

 

Como se comprova por este exemplar, a empresa Keller et Guérin já se havia notabilizado por harmoniosas e opulentas decorações em formatos tradicionais antes de contar com a colaboração de célebres designers como Ernest Bussière (1863-1913), Geo Condé (1891-1980), Émile Gallé (1846-1904), Edmond Lachenal (1855-1930), e os irmãos Joseph (1876-1961) e Pierre Mougin (1880-1955).

 

A K&G executou também várias e valiosas peças com decoração irisada, ao estilo de Clement Massier (1845-1917), mas foram as extraordinárias criações esculturais de Bussière (http://www.ecole-de-nancy.com/web/index.php?page=ernest-bussiere-2), dentro do estilo Art Nouveau, que vieram a consagrar e consolidar a imagem da fábrica nos grandes museus mundiais da especialidade.

 


Dezembro 29 2013

 

Jarra Portugália 13/1, correspondente ao formato 16 (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), com cerca de 30,5 cm. de altura, apresentando decoração vegetal de inspiração Art Déco.

 

A presente imagem, reproduzindo uma peça do acervo do MCS, consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Dezembro 29 2013

Pequena jarra em faiança, com apenas cerca de 4,3 cm. de altura, apresentando decoração irisada de pinhas e agulhetas de pinheiro, assinada por Jean-Baptiste Gaziello (1871-1957).

 

Gaziello foi discípulo dos mestres da família Massier, particularmente de Clement Massier (1845-1917), que celebrizou esta técnica decorativa, tendo colaborado na empresa entre 1895 e 1905.

 

Posteriormente, durante a década de 1930, trabalhando já como empresário a título pessoal, veio a ocupar as antigas instalações fabris da família Massier em Vallauris, curiosamente situadas não numa rua denominada Massier mas sim Rue Sicard.

 

Este topónimo recorda um dos outros discípulos dos Massier, Jacques Sicard (1865-1923), que no princípio do século havia desenvolvido uma célebre linha cerâmica com o seu nome na fábrica americana Weller (http://mfls.blogs.sapo.pt/213887.html) e posteriormente, após o seu regresso a França, veio a integrar a empresa BACS.

 

 

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Dezembro 28 2013

 

Jarra em faiança, com cerca de 14 cm. de altura, replicando o famoso modelo bordaliano das jarras com rãs.

 

Produzida numa tonalidade que evoca o azul cobalto e se distingue claramente do azul actualmente utilizado nas peças originárias da fábrica Bordallo Pinheiro (http://www.bordallopinheiro.pt/), esta jarra não apresenta qualquer marca para além da indicação Portugal, como se vê abaixo.

 

Provavelmente originária de uma fábrica da região sudoeste das Caldas da Rainha, esta peça comercializa-se a cerca de um quarto do preço das peças que saem das instalações da Bordallo Pinheiro.

 

 

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Dezembro 28 2013

 

Conjunto de três peças assinadas HC, iniciais que correspondem a Henri Chaumeil (1877-1944).

 

Conforme já foi referido no ano passado (http://mfls.blogs.sapo.pt/212282.html), a partir da década de 1920 Henri contou com a colaboração do seu filho Paul (1902-1984) na produção cerâmica da empresa. 

 

A jarra decorada com flores estilizadas ao gosto Art Déco, que tem cerca de 18,2 cm. de altura, ilustra a técnica de corda seca, para separar as cores e destacar o motivo do fundo craquelé, característica que não surgia na peça apresentada anteriormente.

 

 

Por sua vez, o prato reproduzido acima apresenta uma decoração revivalista de inspiração medieval, revivalismo que já vinha do século XIX e posteriormente passou a ser genericamente designado por Historismus nalguns países da Europa central, combinando a aplicação de barbotina na superficie da peça com um intervenção esgrafitada.

 

Curiosamente, a aplicação espiralada da barbotina evoca motivos característicos de alguma decoração cerâmica oriental, criando assim uma inusitada combinação de diferentes influências culturais numa única peça.

 

 

A última peça da produção Chaumeil patente nesta pequena entrada, a taça ilustrada acima, que tem cerca de 8,9 cm. de altura e 18,7 cm. de diâmetro máximo, mostra já um contido e minimalista motivo floral de inspiração Art Déco pintado sobre o craquelé, quase não apresentando qualquer relevo perceptível ao tacto, tal como acontecia com a peça apresentada no ano passado.

 

          

 

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Dezembro 27 2013

 

Mário Tomé (n. 1940), deputado da UDP, abordou a questão da FLS na reunião plenária de 15 de Abril de 1982, entre as duas primeiras intervenções de Zita Seabra (n. 1949) anteriormente transcritas, fazendo as seguintes declarações:

 

"Aproveito a intervenção da Sr.ª Deputada Zita Seabra para me solidarizar com a luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém …

 

Risos do PSD, do CDS e do PPM.

 

O Sr. Sousa Tavares (PSD): – Que grave problema constitucional!

 

O Orador: – … e para protestar, mais uma vez, nesta Câmara, contra a brutalidade das forças repressivas ao serviço deste governo, que tem de ser derrubado, e ao serviço directo dos administradores e do grande patronato.

 

O que se passa na Fábrica de Louça de Sacavém é intolerável para os trabalhadores: são sucessivos processos disciplinares – cerca de 53 –, é a repressão sobre os delegados sindicais, é a descapitalização da empresa, ao desviarem-se os seus capitais para uma outra empresa com novas características de laboração, onde os contratos a prazo são a regra, levando certamente ao despedimento de famílias inteiras que hoje trabalham na Fábrica de Louça de Sacavém.

 

Esta situação é intolerável; a luta dos trabalhadores é justa, é apoiada pela maioria dos trabalhadores portugueses e tem de ter uma solução, que será encontrada na luta dos trabalhadores da Fábrica de Louça de Sacavém, de todos os trabalhadores deste país, e passará, com certeza, pela derrota da administração daquela Fábrica e pelo derrube deste governo."

 

Excertos transcritos do Diário da Assembleia da República, I Série, número 74, de 16 de Abril de 1982.

 

A UDP, juntamente com diversas forças políticas de esquerda – Partido Socialista Revolucionário, Política XXI, e outras, deu origem no ano 2000 ao Bloco de Esquerda (http://www.bloco.org/).

 

 

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Dezembro 27 2013

 

Fundada em 1825, a fábrica sueca Gustavsberg (cuja grafia original era Gustafsberg) tornou-se particularmente célebre entre as décadas de 1930 e 1960 pela sua produção modernista, pela produção de estúdio e pela série Argenta, criada por Wilhelm Kåge (1889-1960).

 

No entanto, a fábrica produzira já importantes peças decorativas no século XIX. Durante a última década desse século e as primeiras do século XX foram particularmente notáveis as criações do director artístico Josef Ekberg (1877-1945), que favoreceu a decoração de peças com a técnica de sgraffito.

 

Utilizando como base um corpo cerâmico em faiança branca, essa técnica caracteriza-se pela sobreposição de outras camadas monocromáticas (azuis e, com menor frequência, verdes), em tons claros e escuros,  que depois são trabalhadas e parcialmente retiradas para efectuar a decoração. O vidrado era preferencialmente mate, embora se tenham produzido algumas peças com vidrado brilhante.

 

 

Seguiu-se um período em que a decoração insistia particularmente no dourado para complementar o próprio formato das peças, mas na década de 1930, quando Wilhelm Kåge já era director artístico, a fábrica passou a favorecer a técnica da série Argenta, desenvolvida pelo próprio Kåge.

 

Esta técnica caracteriza-se pela utilização de uma  base de vidrado mate, preferencialmente verde de cobre mas também vermelho sangue de boi, a que se sobrepõe a decoração efectuada através de uma fina camada de prata.

 

A empresa Gustavsberg acabou por ser adquirida em 2000 pela companhia alemã Villeroy & Boch (fundada em 1748), que mantém aquela marca.

 

 

A primeira peça apresentada, com cerca de 20,4 cm. de altura, é uma jarra trabalhada com a técnica de sgraffito, ostentando um motivo de bagas e folhagem muito característico do gosto Art Nouveau. Assinada por Josef Ekberg, está datada de 1909.

 

A segunda, também assinada por Ekberg mas datada de 1919 e com cerca de 29,6 cm. de altura, apresenta um esgrafitado que evoca as rosas e flores estilizadas desenvolvidas por C. R. Mackintosh (1868-1928) numa específica e consagrada variante escocesa do estilo Art Nouveau.

 

 

A terceira peça, uma taça assinada já por Wilhelm Kåge, datada de 1928 e com cerca de 10 cm. de altura e 22,5 cm. de diâmetro máximo, apresenta uma decoração de estilo Art Déco, mais geometrizante e feérica, com predominância de dourados que não seriam posteriormente a imagem de marca das cerâmicas desenvolvidas por Kåge.

 

A quarta peça, também uma taça com cerca de 10,3 cm. de altura e 22 cm. de diâmetro máximo, utiliza mais sobriamente os dourados, procurando fazer ressaltar as formas geométricas e escultóricas da sua modelação. Assinada ainda por Ekberg, num período mais tardio das suas criações, quando este já era sexagenário, está datada de 1938.

 

                         

 

A última peça, uma pequena taça da série Argenta concebida por Kåge, com cerca de 8 cm. de altura e 8,8 cm. de diâmetro máximo, é já de uma fase intermédia desta linha, sendo datável da década de 1940 ou 1950.

 

               

 

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