Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 31 2014

 

Quadra de azulejos relevados com decoração policromada de inspiração árabe.

 

Embora os exemplares aqui apresentados não ostentem qualquer inscrição no tardoz, sabe-se que este motivo foi produzido pela FLS como se pode verificar numa página do catálogo de Preços Correntes da Real Fabrica de Louça em Sacavém - Azulejo, de Agosto de 1910.

 

Aí surge reproduzido um padrão semelhante a este, com a designação Arabesco e o número 2-Z, apresentando uma variante com fundo azul-turquesa: http://mfls.blogs.sapo.pt/163888.html.

 

 

© MAFLS


Março 30 2014

 

Cesto em faiança, com cerca de 30,4 cm. de diâmetro e 7,6 cm. de altura, apresentando decoração policromada nas flores. Note-se como estas não surgem em todas as intersecções dos círculos.

 

Esta técnica de disposição da pasta cerâmica é popularmente denominada como verguinha, por referência à similar técnica de cestaria e ao vime, ou verga, usado como matéria-prima para essa produção artesanal.

 

Embora não seja exclusiva do nosso país, o que é comprovável em inúmeros exemplares europeus e americanos, tal técnica tem tradições em Portugal, nas Caldas da Rainha, que remontam pelo menos ao século XIX.

 

Como se pode ler no catálogo da exposição 50 Anos de Cerâmica Caldense: 1930-1980, realizada em 1990, esta técnica já surgia na segunda metade daquele século na oficina de Manuel Cipriano Gomes, por alcunha o "Mafra", tradição que foi preservada na fábrica Belo durante as décadas de 1930 e 1940 por uma operária de nome América.

 

Na década de 1980 esta técnica foi recuperada nas Caldas pela fábrica Subtil, cujas peças, contudo, têm tendência a apresentar composições florais mais volumosas e elaboradas do que as que surgem neste exemplar.

 

No catálogo da Expo Caldas 77, sob o número 404,  pode-se ver um cesto da colecção do escultor caldense António Duarte (1912-1998; cf. http://www.cm-caldas-rainha.pt/portal/page/portal/PORTAL_MCR/VISITANTE/MUSEUS/CENTRO_ARTES/ANTONIO_DUARTE.) com formato diferente e menores dimensões, mas produzido com a mesma técnica e apresentando decoração muito semelhante.

 

Curiosamente, as fissuras que aqui se podem observar na pasta entrançada não correspondem a uma queda e quebra, e consequente restauro dos filamentos da peça, mas sim a fracturas que se desenvolveram gradual e naturalmente na pasta.

 

© MAFLS


Março 29 2014

 

Molheira, formato Inglês, com decoração floral policromática estampada por decalcografia.

 

Para além da mancha decorrente da absorção de líquidos e gorduras, note-se como é possível observar, à esquerda, a mancha alargada e angulosa da decalcografia floral.

 

 

© MAFLS

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Março 27 2014

 

Pires, com retoques aplicados a ouro sobre o vidrado, apresentando estampado a verde, sob o vidrado, um motivo de influência oriental.

 

Veja-se uma leiteira, formato Porto, com o mesmo motivo, estampado também na mesma cor, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/64737.html.

 

 

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Março 25 2014

© CDMJA/MCS

 

Folha de finais da década de 1950, com desenhos para três motivos da FLS, que se encontra depositada nos arquivos do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso/Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

A silhueta destas jarras corresponde ao formato 8, que já existia pelo menos desde a década de 1930, e não a qualquer formato Arte Nova desenvolvido na década de 1950.

 

A reprodução desta imagem é uma cortesia do CDMJA/MCS.

 

© MAFLS

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Março 23 2014

 

Grande prato de parede, com cerca de 37,1 cm. de diâmetro, apresentando o motivo 42-B, Na Doca, pintado à mão sob e sobre o vidrado.

 

Na cerâmica portuguesa do terceiro quartel do século XX, muitas destas marinhas onde as figuras humanas surgem em primeiro plano foram certamente influenciadas pela obra, de superior qualidade estética e artística, que Hansi Staël (1913-1961) desenvolveu na fábrica caldense Secla (http://mfls.blogs.sapo.pt/105781.html).

 

Como se pode verificar pelas iniciais manuscritas junto da marca, este prato foi pintado por Nuno Lopes (1920-1974).

 

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Março 22 2014

     

 

Pequenos castiçais, com cerca de 6 cm. de altura cada um, em porcelana pintada à mão.

 

Curiosamente, encontramo-nos perante peças similares produzidas em diferentes fábricas e países. O exemplar da esquerda foi produzido na fábrica Artibus, de Aveiro, enquanto o da direita foi produzido na fábrica alemã Goebel (http://www.porzellanstrasse.de/Roedental.161+M52087573ab0.0.html), que se celebrizou pela produção das pequenas figuras Hümmel (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/h%C3%BCmmel).

 

A marca Goebel patente neste castiçal corresponde ao período 1950-1955.

 

Esta peça permite-nos documentar outras áreas de influência internacional que marcaram a produção da Artibus. Como já vimos anteriormente, a Artibus seguira também o design de fábricas italianas, como a Società Ceramica Italiana di Laveno (http://mfls.blogs.sapo.pt/144303.html).

 

     

 

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Março 21 2014

 

Excerto de uma entrevista concedida ao jornalista José Cabrita Saraiva, e publicada na edição digital do semanário SOL no passado dia 19 de Março de 2014, pelo consagrado fotógrafo Eduardo Gageiro (n. 1935).

 

" (...) Foi precisamente aqui, na Fábrica de Loiça, que começou a trabalhar. O que fazia?

Andava de secção em secção a distribuir papéis. Depois comecei a escrever à máquina, a preencher facturas. Mas odiava números - e continuo a odiar. Tinha sempre fotografias na gaveta que coloria à mão. Aparecia o chefe atrás de mim e dizia: 'Isto não é uma loja de fotografia, é um escritório!'. Mas não foi assim tão negativo, porque passei a ter um contacto mais intenso com os operários e conheci uma série de artistas.

 

Que também trabalhavam na fábrica?

Sim. Comecei a relacionar-me especialmente com o Armando Mesquita. Era escultor e interessou-se por mim. Eu mostrava-lhe as fotografias, e um dia ele diz-me: 'Tens jeito, mas não percebes nada de composição. Tens de ir ao meu ateliê, que eu dou-te umas lições'. A primeira coisa que fez foi um rectângulo cheio de quadradinhos. 'Isto é a regra de ouro. O motivo principal tem de estar aqui, de preferência do lado direito, porque a vista tem tendência a ir para a direita'. E também foi ele que convenceu o meu pai a comprar-me a primeira máquina.

 

Como foi isso?

O Armando Mesquita chega lá um dia à hora do almoço e diz: 'Ó sr. Gageiro, então o sr. não tem vergonha? O seu filho anda aí a tirar fotografias com máquinas emprestadas!'. O meu pai ficou um bocado chateado e mandou-me saber o preço de uma máquina. Fui à J. C. Alvarez, onde comprava rolos para as máquinas dos outros, e o Amadeu Ferrari, que era pai do Nuno, disse-me: 'Tens aqui uma Rolleicord e uma Rolleiflex. A Rolleicord custa praticamente metade do preço'. E eu: 'Vou dizer ao meu pai quanto é'. 'Leva já a máquina'. Veja como teve confiança num puto de 16 ou 17 anos. E lá venho eu na camioneta da carreira a mudar as velocidades e as aberturas.

 

Lembra-se das primeiras fotografias que fez?

Estreei logo a máquina com retratos do Armando Mesquita. Fiz também uma fotografia muito rebuscada de uma prima minha e mandei-a para o primeiro concurso fotográfico de empregados de escritório do distrito de Lisboa. E não é que ganhei logo três prémios? Foi assim que começou a bola de neve.

 

 

Começou a trabalhar muito cedo. Como foi a sua infância?

Foi uma infância normal, não passei fome, nem pouco mais ou menos, mas os meus pais não tinham tempo para mim. Quem me criou praticamente foi uma tia que morava ali ao pé. Eu passava a vida ao colo dos velhos operários que chegavam ao fim da tarde para beber mais um copo, às vezes muito bêbedos, quase me deixavam cair.

 

Viveu toda a vida em Sacavém?

Nasci exactamente a 50 metros daqui, do lado de lá da estrada. O meu pai tinha uma casa de pasto onde os velhos operários iam com as marmitas para a minha mãe aquecer num fogão enorme. Almoçavam o que tinham trazido e consumiam uma pequena garrafa de vinho, aquilo a que se chamava um pirolito.

 

Passava muito tempo na casa de pasto?

Sim. Quando saía da fábrica ia para lá. Quando era mais crescido o meu pai punha-me no balcão a aviar. Aviava copos de três, como se dizia antigamente, e ao fim-de-semana fazia almoços.

 

Quando entra para os jornais?

Ir para os jornais era muito difícil porque havia uma máfia de maus fotógrafos que não deixavam ninguém entrar. Eram quatro ou cinco que trocavam fotografias entre si e tinham mais poder que os chefes de redacção. Eu tentei, mas não consegui. Entretanto um amigo de infância, o Mário Ventura, que estava no Diário Popular, organizava uns jantares com jornalistas e um dia convida-me para ir. Estavam lá os craques: o Urbano Carrasco, o Dr. Tavares Rodrigues, muitos. Ele apresenta-me e eu manifesto interesse em ir para os jornais. O Dr. Tavares Rodrigues diz-me: 'Apareça no Diário Ilustrado e leve fotografias suas'. Eu levei e ele gostou. 'Se quiser venha já amanhã'. E fui.

 

Que idade tinha?

Uns 20 anos.

 

Deixou o emprego na fábrica?

O meu pai queria bater-me porque eu tinha abandonado um emprego certo. E a minha mãe, coitadinha, dizia-me assim: 'Mas tu não tens necessidade de ser fotógrafo. Podes ser empregado de escritório'. (...) "

 

A entrevista pode ser lida, na íntegra, aqui: http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=101695.

 

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Março 19 2014

 

Grande cachepot em faiança, do acervo do MCS, onde se encontra catalogado sob o número 3009, com cerca de 22,8 cm. de altura e 33 cm. de diâmetro.

 

Esta peça apresenta decoração estilizada que evoca claramente uma nova celebração da civilização egípcia, desencadeada pelas descobertas arqueológicas ocorridas na década de 1920, particularmente a do túmulo do faraó Tuthankamon (séc XIV a. C.).

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Março 17 2014

 

Conjunto de chávena de chá e pires, formato Aldeia, com vidrado monocromático cor de baunilha.

 

Veja-se um outro conjunto monocromático de chávena de chá e pires com este formato, mas em azul, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/chavena-de-cha-e-pires-295984.

 

Veja-se ainda um conjunto monocromático de chávena de café e pires, também com este formato e esta tonalidade, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/95790.html.

 

 

 

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