Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 17 2014

 

Tendo interrompido aquela que, cautelosamente, foi classificada como a sua publicação periódica, o MAFLS não pode deixar de, pontualmente, noticiar iniciativas de interesse maior nas áreas da cerâmica, do seu estudo e da sua divulgação.

 

É este o caso do aparecimento da obra Hansi Staël: Cerâmica, Modernidade e Tradição, da autoria de Rita Gomes Ferrão, autora também do blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/).

 

O lançamento decorrerá no próximo dia 19 de Setembro, pelas 18h00, em simultâneo com a inauguração da exposição homónima que terá lugar na galeria Objectismo, em Lisboa.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2014

 

Base de candeeiro, do último período de produção da FLS, com vidrado verde brilhante sobre o relevo moldado.

 

Este exemplar vem comprovar que o modelo, embora fosse inicialmente lançado e comercializado como jarra, veio posteriormente a ser adaptado a base de candeeiro na própria FLS, como se pode verificar pelo vidrado que recobre parte do orifício destinado à cablagem.

 

Veja-se uma variante de vidrado em peça semelhante, mas inicialmente comercializada como jarra, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/5103.html.

 

No dia em que completa cinco anos, com cerca de 350.000 visitas e mais de 1280 artigos publicados, mais de duzentos e trinta dos quais dedicados a outras fábricas portuguesas, o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém interrompe aqui a sua publicação periódica.

 

Endereçado às visitas que regularmente recebeu ao longo destes anos, à colaboração de coleccionadores na cedência de imagens das suas peças e partilha de conhecimentos, à prestimosa cooperação, cortesia e profissionalismo dos colaboradores do Museu de Cerâmica de Sacavém e do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso e, particularmente, à amizade e ao contributo memorialístico de Clive Gilbert, fica aqui um profundo agradecimento a todas as pessoas que dedicam ao estudo e coleccionismo da cerâmica portuguesa muito do seu tempo, fazendo jus, assim, à memória de um património que indelevelmente contribui para a consolidação da nossa identidade nacional.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Centro de mesa em porcelana da Vista Alegre, de edição numerada e limitada a 500 exemplares, reproduzindo uma composição do conceituado artista plástico José de Guimarães (n. 1939).

 

O Centro Português de Serigrafia (http://www.cps.pt/) lançou também, recentemente, uma serigrafia com uma variante desta imagem, intitulada Tanta Foi a Tormenta e a Vontade, impressa em papel de algodão feito à mão e com edição limitada a 199 exemplares (http://www.cps.pt/index.php?article=3776&visual=4).

 

 

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Setembro 01 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 15,8 cm. de altura, produzida na fábrica húngara Zsolnay.

 

A fábrica Zsolnay Porcelánmanufaktúra foi estabelecida na localidade de Pécs, em 1853, por Miklós Zsolnay (1800-1880). Posteriormente, durante a colaboração e gestão de seu filho Vilmos (1828-1900), chegado à empresa em 1863, a produção da fábrica veio a obter reconhecimento e consagração internacional, quer pela qualidade formal das suas peças quer pelo aspecto particular dos seus vidrados.

 

Com efeito, em 1886 a fábrica começou a produção de pirogranito, uma cerâmica ornamental colorida, para interiores e exteriores, que incorporava pó de pedra na sua pasta, tal como acontecia com as peças inglesas marcadas granite e com os azulejos de Sacavém, e haveria de marcar a arquitectura e o urbanismo húngaro do período Art Nouveau.

 

Por sua vez, o célebre vidrado metalizado de reflexos irisados, denominado eosin, foi introduzido em 1893, transformando-se rapidamente na imagem de marca da fábrica. Originalmente concebido como um vidrado de reflexos avermelhados, foi posteriormente alterado por forma a apresentar também tonalidades azuladas, esverdeadas e purpúreas com leves reflexos dourados.

 

Foi depois da introdução deste vidrado que a produção da fábrica, cuja superlativização formal e decorativa muito se devia a um gosto mais próximo da influência do Médio Oriente e à tradição das artes decorativas bizantina e persa, começou a derivar para o estilo Art Nouveau.

 

Curiosamente, neste formato, mais ligado a um certo revivalismo clássico do estilo Art Déco, e que ainda se encontra em produção, a variante cromática aqui apresentada parece ser menos vulgar do que a correspondente ao vidrado metalizado eosin de tonalidades douradas e esverdeadas.

 

Veja-se o site oficial da fábrica aqui: http://www.zsolnay.hu/, algumas peças do acervo do museu Zsolnay, de diferentes períodos, aqui: http://www.pbase.com/helenpb/zsolnaymuseum, e magníficos exemplares de uma colecção privada aqui: http://www.pbase.com/helenpb/gyugyi/.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 22:09

Setembro 01 2014

 

Prato decorativo, com cerca de 21,7 cm. de diâmetro, apresentando decoração de inspiração japonesa sob o vidrado.

 

A imagem é estampada em policromia, apresentando a  peça, ainda, decoração complementar a dourado, no rebordo, e preto, na filetagem do círculo interior, e ligeiros retoques a esmalte branco sobre o vidrado.

 

Veja-se um outro prato deste período, também com representação de uma gueixa e rebordo da mesma tonalidade, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/prato-decorativo-314547.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2014

 

Duas jarras em faiança da Societé Industriellle Savoyarde de Poterie Artistique (SISPA), oficina cerâmica francesa activa entre 1928 e cerca de 1940.

 

Esta oficina, fundada e dirigida pelo multifacetado artista e ceramista Émile Simonod (1893-1977; cf. http://www.dolomieu.fr/histoire/simonod.htm.), sucedeu à Poterie Savoyarde, que Simonod criara, dois anos antes, também em Cognin.

 

A SISPA, cujas peças ostentam, impressa na pasta, quer esta designação quer a assinatura de Simonod, como se pode constatar nas imagens, chegou a contar com dezasseis operários, quatro dos quais decoradores.

 

 

Medindo cerca de 21 cm., de altura, o primeiro, e cerca de 21,7 cm., o segundo, estes exemplares foram executados em pasta de argila clara, embora se conheçam outros em pasta de argila vermelha.

 

Traduzem estas peças uma aproximação muito específica da SISPA, quer no design quer na combinação cromática, à gramática decorativa de estilização floral Art Déco, ostentando ainda os característicos óxidos metálicos desenvolvidos nesta oficina.

 

Veja-se um outro espaço dedicado a Simonod, com o mesmo texto da ligação acima referida mas com fotografias de algumas das suas pinturas, aqui: http://www.groupehistoriqueetcultureldolomois.com/#!emile-simonod-/cje3.

 

          

 

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publicado por blogdaruanove às 20:09

Setembro 01 2014

          

 

Estatueta em biscuit da Vista Alegre, com cerca de 17,4 cm. de altura, representando uma alegoria à maternidade.

 

Ostentando a marca correspondente ao período 1947-1968, esta peça não apresenta qualquer assinatura visível. As linhas escultóricas, contudo, apresentam certas características que se aproximam dos traços de algumas obras das artistas plásticas Alice Jorge (1924-2008) e Maria Keil (1914-2012).

 

Veja-se um prato da VA também alusivo à maternidade, e da autoria de Maria Keil, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/174418.html.

 

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Setembro 01 2014

 

 

Prato de parede, com cerca de 21,4 cm. de diâmetro, apresentando assinatura manuscrita que parece corresponder às iniciais do ceramista francês Alfred Renoleau (1854-1930).

 

Esta peça de aspecto algo sombrio, e com uma imagem talvez pouco atractiva ao primeiro olhar, representa de facto uma interessante evolução no tratamento e exploração das características dos vidrados por parte de Renoleau.

 

A atraente superfície beige mate que se pode observar no tardoz recobre toda a pasta cerâmica branca. Sobre este fino vidrado, muito suave ao toque, foram depois aplicadas outras camadas espessas que conferem ao conjunto o seu aspecto experimental, rugoso e envelhecido, de onde sobressai a silhueta recortada de cervídeo.

 

Um exemplar com estas características específicas apenas pode ser justamente apreciado e percepcionado quando manuseado, o que permite apreender simultaneamente, através do tacto, o contraste entre os diferentes vidrados das suas duas faces.

 

O motivo, que evoca claramente a herança pictórica de grutas como Altamira ou Lascaux, e foi também tratado no período Art Déco por outras fábricas europeias, como a consagrada belga Boch Frères, corresponde certamente à produção final de Renoleau, sendo este acabamento um exemplo da maturidade das suas pesquisas e da sua praxis no vidrado cerâmico.

 

 

Uma superfície rugosa muito semelhante haveria de vir a ser aplicada em alguma cerâmica alemã das décadas de 1950, 1960 e 1970, cujo acabamento vidrado, curiosamente, acabaria por ser conhecido, já este século, através de uma expressão inglesa - fat lava (http://originalfatlava.wordpress.com/scheurich/).

 

Obviamente, esta designação evoca as expressões Etna e Vesuve correspondentes aos vidrados microcristalinos desenvolvidos pela fábrica francesa Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/278871.html), bem como outros tipos de vidrados escorridos oitocentistas.

 

O pequeno exemplar de fat lava ilustrado acima foi produzido pela fábrica alemã ES Keramik, cujas iniciais correspondem a Josef Emons & Söhne, de Rheinbach. Esta empresa foi fundada em 1921, cindiu-se em duas no pós-guerra, e acabou por encerrar em 1974.

 

O principal designer desta fábrica foi Willi Hack (datas desconhecidas), que ali laborou desde 1954 até 1974, sendo Hans Kraemer (datas desconhecidas) o modelador de todas as formas desde 1952 até 1968.

  

Veja-se outra peça de Renoleau, esta com vidrado escorrido ao gosto orientalizante de finais do século XIX, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/278173.html.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Mealheiro em porcelana da Sociedade de Porcelanas, Coimbra, representando uma galinha estilizada alusiva ao aforismo "Grão a grão enche a galinha o papo.

 

Esta imagem não teve qualquer retoque digital para mostrar propositadamente a fractura que resultou do uso da peça enquanto mealheiro, que depois veio a ser aberto pelo método tradicional.

 

Veja-se um outro mealheiro alusivo ao mesmo aforismo, este da FLS, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/25039.html.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Escultura em faiança da unidade de Lisboa da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, com cerca de 23,4 x 16,2 x 6 cm., representando uma girafa.

 

Note-se como a representação das manchas da pele foi executada a aerógrafo.

 

 

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