Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2014

 

Base de candeeiro, do último período de produção da FLS, com vidrado verde brilhante sobre o relevo moldado.

 

Este exemplar vem comprovar que o modelo, embora fosse inicialmente lançado e comercializado como jarra, veio posteriormente a ser adaptado a base de candeeiro na própria FLS, como se pode verificar pelo vidrado que recobre parte do orifício destinado à cablagem.

 

Veja-se uma variante de vidrado em peça semelhante, mas inicialmente comercializada como jarra, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/5103.html.

 

No dia em que completa cinco anos, com cerca de 350.000 visitas e mais de 1280 artigos publicados, mais de duzentos e trinta dos quais dedicados a outras fábricas portuguesas, o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém interrompe aqui a sua publicação periódica.

 

Endereçado às visitas que regularmente recebeu ao longo destes anos, à colaboração de coleccionadores na cedência de imagens das suas peças e partilha de conhecimentos, à prestimosa cooperação, cortesia e profissionalismo dos colaboradores do Museu de Cerâmica de Sacavém e do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso e, particularmente, à amizade e ao contributo memorialístico de Clive Gilbert, fica aqui um profundo agradecimento a todas as pessoas que dedicam ao estudo e coleccionismo da cerâmica portuguesa muito do seu tempo, fazendo jus, assim, à memória de um património que indelevelmente contribui para a consolidação da nossa identidade nacional.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Centro de mesa em porcelana da Vista Alegre, de edição numerada e limitada a 500 exemplares, reproduzindo uma composição do conceituado artista plástico José de Guimarães (n. 1939).

 

O Centro Português de Serigrafia (http://www.cps.pt/) lançou também, recentemente, uma serigrafia com uma variante desta imagem, intitulada Tanta Foi a Tormenta e a Vontade, impressa em papel de algodão feito à mão e com edição limitada a 199 exemplares (http://www.cps.pt/index.php?article=3776&visual=4).

 

 

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Setembro 01 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 15,8 cm. de altura, produzida na fábrica húngara Zsolnay.

 

A fábrica Zsolnay Porcelánmanufaktúra foi estabelecida na localidade de Pécs, em 1853, por Miklós Zsolnay (1800-1880). Posteriormente, durante a colaboração e gestão de seu filho Vilmos (1828-1900), chegado à empresa em 1863, a produção da fábrica veio a obter reconhecimento e consagração internacional, quer pela qualidade formal das suas peças quer pelo aspecto particular dos seus vidrados.

 

Com efeito, em 1886 a fábrica começou a produção de pirogranito, uma cerâmica ornamental colorida, para interiores e exteriores, que incorporava pó de pedra na sua pasta, tal como acontecia com as peças inglesas marcadas granite e com os azulejos de Sacavém, e haveria de marcar a arquitectura e o urbanismo húngaro do período Art Nouveau.

 

Por sua vez, o célebre vidrado metalizado de reflexos irisados, denominado eosin, foi introduzido em 1893, transformando-se rapidamente na imagem de marca da fábrica. Originalmente concebido como um vidrado de reflexos avermelhados, foi posteriormente alterado por forma a apresentar também tonalidades azuladas, esverdeadas e purpúreas com leves reflexos dourados.

 

Foi depois da introdução deste vidrado que a produção da fábrica, cuja superlativização formal e decorativa muito se devia a um gosto mais próximo da influência do Médio Oriente e à tradição das artes decorativas bizantina e persa, começou a derivar para o estilo Art Nouveau.

 

Curiosamente, neste formato, mais ligado a um certo revivalismo clássico do estilo Art Déco, e que ainda se encontra em produção, a variante cromática aqui apresentada parece ser menos vulgar do que a correspondente ao vidrado metalizado eosin de tonalidades douradas e esverdeadas.

 

Veja-se o site oficial da fábrica aqui: http://www.zsolnay.hu/, algumas peças do acervo do museu Zsolnay, de diferentes períodos, aqui: http://www.pbase.com/helenpb/zsolnaymuseum, e magníficos exemplares de uma colecção privada aqui: http://www.pbase.com/helenpb/gyugyi/.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 22:09

Setembro 01 2014

 

Prato decorativo, com cerca de 21,7 cm. de diâmetro, apresentando decoração de inspiração japonesa sob o vidrado.

 

A imagem é estampada em policromia, apresentando a  peça, ainda, decoração complementar a dourado, no rebordo, e preto, na filetagem do círculo interior, e ligeiros retoques a esmalte branco sobre o vidrado.

 

Veja-se um outro prato deste período, também com representação de uma gueixa e rebordo da mesma tonalidade, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/prato-decorativo-314547.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Setembro 01 2014

 

Duas jarras em faiança da Societé Industriellle Savoyarde de Poterie Artistique (SISPA), oficina cerâmica francesa activa entre 1928 e cerca de 1940.

 

Esta oficina, fundada e dirigida pelo multifacetado artista e ceramista Émile Simonod (1893-1977; cf. http://www.dolomieu.fr/histoire/simonod.htm.), sucedeu à Poterie Savoyarde, que Simonod criara, dois anos antes, também em Cognin.

 

A SISPA, cujas peças ostentam, impressa na pasta, quer esta designação quer a assinatura de Simonod, como se pode constatar nas imagens, chegou a contar com dezasseis operários, quatro dos quais decoradores.

 

 

Medindo cerca de 21 cm., de altura, o primeiro, e cerca de 21,7 cm., o segundo, estes exemplares foram executados em pasta de argila clara, embora se conheçam outros em pasta de argila vermelha.

 

Traduzem estas peças uma aproximação muito específica da SISPA, quer no design quer na combinação cromática, à gramática decorativa de estilização floral Art Déco, ostentando ainda os característicos óxidos metálicos desenvolvidos nesta oficina.

 

Veja-se um outro espaço dedicado a Simonod, com o mesmo texto da ligação acima referida mas com fotografias de algumas das suas pinturas, aqui: http://www.groupehistoriqueetcultureldolomois.com/#!emile-simonod-/cje3.

 

          

 

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publicado por blogdaruanove às 20:09

Setembro 01 2014

          

 

Estatueta em biscuit da Vista Alegre, com cerca de 17,4 cm. de altura, representando uma alegoria à maternidade.

 

Ostentando a marca correspondente ao período 1947-1968, esta peça não apresenta qualquer assinatura visível. As linhas escultóricas, contudo, apresentam certas características que se aproximam dos traços de algumas obras das artistas plásticas Alice Jorge (1924-2008) e Maria Keil (1914-2012).

 

Veja-se um prato da VA também alusivo à maternidade, e da autoria de Maria Keil, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/174418.html.

 

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Setembro 01 2014

 

 

Prato de parede, com cerca de 21,4 cm. de diâmetro, apresentando assinatura manuscrita que parece corresponder às iniciais do ceramista francês Alfred Renoleau (1854-1930).

 

Esta peça de aspecto algo sombrio, e com uma imagem talvez pouco atractiva ao primeiro olhar, representa de facto uma interessante evolução no tratamento e exploração das características dos vidrados por parte de Renoleau.

 

A atraente superfície beige mate que se pode observar no tardoz recobre toda a pasta cerâmica branca. Sobre este fino vidrado, muito suave ao toque, foram depois aplicadas outras camadas espessas que conferem ao conjunto o seu aspecto experimental, rugoso e envelhecido, de onde sobressai a silhueta recortada de cervídeo.

 

Um exemplar com estas características específicas apenas pode ser justamente apreciado e percepcionado quando manuseado, o que permite apreender simultaneamente, através do tacto, o contraste entre os diferentes vidrados das suas duas faces.

 

O motivo, que evoca claramente a herança pictórica de grutas como Altamira ou Lascaux, e foi também tratado no período Art Déco por outras fábricas europeias, como a consagrada belga Boch Frères, corresponde certamente à produção final de Renoleau, sendo este acabamento um exemplo da maturidade das suas pesquisas e da sua praxis no vidrado cerâmico.

 

 

Uma superfície rugosa muito semelhante haveria de vir a ser aplicada em alguma cerâmica alemã das décadas de 1950, 1960 e 1970, cujo acabamento vidrado, curiosamente, acabaria por ser conhecido, já este século, através de uma expressão inglesa - fat lava (http://originalfatlava.wordpress.com/scheurich/).

 

Obviamente, esta designação evoca as expressões Etna e Vesuve correspondentes aos vidrados microcristalinos desenvolvidos pela fábrica francesa Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/278871.html), bem como outros tipos de vidrados escorridos oitocentistas.

 

O pequeno exemplar de fat lava ilustrado acima foi produzido pela fábrica alemã ES Keramik, cujas iniciais correspondem a Josef Emons & Söhne, de Rheinbach. Esta empresa foi fundada em 1921, cindiu-se em duas no pós-guerra, e acabou por encerrar em 1974.

 

O principal designer desta fábrica foi Willi Hack (datas desconhecidas), que ali laborou desde 1954 até 1974, sendo Hans Kraemer (datas desconhecidas) o modelador de todas as formas desde 1952 até 1968.

  

Veja-se outra peça de Renoleau, esta com vidrado escorrido ao gosto orientalizante de finais do século XIX, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/278173.html.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Mealheiro em porcelana da Sociedade de Porcelanas, Coimbra, representando uma galinha estilizada alusiva ao aforismo "Grão a grão enche a galinha o papo.

 

Esta imagem não teve qualquer retoque digital para mostrar propositadamente a fractura que resultou do uso da peça enquanto mealheiro, que depois veio a ser aberto pelo método tradicional.

 

Veja-se um outro mealheiro alusivo ao mesmo aforismo, este da FLS, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/25039.html.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Escultura em faiança da unidade de Lisboa da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, com cerca de 23,4 x 16,2 x 6 cm., representando uma girafa.

 

Note-se como a representação das manchas da pele foi executada a aerógrafo.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Duas peças da fábrica francesa Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers que ilustram diferentes vidrados de diferentes épocas.

 

A primeira, um cinzeiro, ou vide-poche, com cerca de 17 cm. de comprimento, ostenta uma papoila modelada de acordo com a característica gramática sinuosa Art Nouveau.

 

Embora corresponda ao formato 229, que já surge no catálogo de 1906, a peça continuou a surgir nos catálogos de 1920 e 1930, sendo este um exemplar tardio, como se pode comprovar pela pasta vermelha e pela marca, que habitualmente se atribui ao período de 1950 a 1957.

 

 

A figura que representa um cachorro da raça basset, com cerca de 15 x 17,8 x 10,4 cm., ostenta, impressas, a assinatura de Jean-Baptiste-Alphonse Cytère (1861-1941) e a marca Unis-France, correspondente ao período de 1920 a 1931.

 

É esta uma peça que surge pela primeira vez no catálogo de 1920, sob o número 269, e que, quer pelo seu formato quer pelo seu peso, pode ser usada como ampara-livros, embora tal não esteja expressamente indicado no catálogo.

 

Apesar de este exemplar apresentar as supracitadas marcas, o original havia sido modelado pelo consagrado escultor alemão Ludwig Habich (1872-1949), um dos expoentes da renomada comunidade artística de Darmstad, e apresentado numa versão em bronze durante a Exposição Universal de Paris, realizada em 1900, embora se conheçam também versões em grés da fábrica alemã Scharvogel Künsttopferei, de Munique.

 

Os vidrados desta peça não revelam apenas uma aproximação ao original em bronze mas também uma busca de novas tonalidades para sucederem aos reflexos metalizados, como o famoso azul, os verdes e o sang-de-boeuf, da produção inicial da fábrica.

 

Vejam-se outras peças da Rambervillers aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Prato decorativo com figura feminina cromolitografada sob o vidrado e complementos a ouro.

 

Embora este exemplar não apresente qualquer marca visível, sabe-se que corresponde ao formato Berlim da Real Fábrica, tal como anteriormente foi documentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+berlim).

 

A comparação deste exemplar com um outro da mesma série, anteriormente apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/prato-decorativo-332507), permite especular sobre a possibilidade de esta ser também uma série alusiva às quatro estações, através das diferentes flores ilustradas.

 

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publicado por blogdaruanove às 13:09

Setembro 01 2014

 

Figura de corça ajoelhada, com cerca de 24,7 x 19,8 x 10, 8 cm, em porcelana.

 

Embora não apresente qualquer marca visível, é possível que esta peça tenha sido produzida na Electro-Cerâmica do Candal ou na Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, cujos exemplares, mais frequentemente do que acontece na primeira fábrica, por vezes surgem sem qualquer marca ou mesmo sem o simples carimbo S. P. que se pode encontrar nalgumas peças de biscuit.

 

Vejam-se outros exemplares de corças, também com dimensões médias mas em faiança, das unidades de Lisboa e Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/71973.html.

 

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Setembro 01 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 29,8 cm. de altura, ostentando as iniciais C. M., correspondentes ao consagrado ceramista francês Clément Massier (1845-1917).

 

A oficina de Massier, situada em Golfe-Juan, localidade que pertence à célebre comuna de Vallauris, nos Alpes-Maritimes, foi um notável centro de formação cerâmica (http://www.vallauris-golfe-juan.fr/La-famille-Massier.html?lang=fr).

 

Os Massier foram um família de ceramistas, dos quais, para além de Clément, se celebrizaram ainda seu irmão Delphin (1836-1907) e seu primo Jérôme (1850-1916), que deram continuidade a uma tradição que já vinha do pai dos dois primeiros, Jacques (1806-1871) e do avô deste, Pierre (1707-1748).

 

A partir da última década do século XIX, a obra de Clément celebrizou-se quer pela modelação escultórica das suas peças quer ainda, e principalmente, pelo acabamento irisado dos seus vidrados, aclamados a partir da Exposição Universal de 1889. 

 

     

Acima, à direita, uma jarra da fábrica de Sarreguemines, com cerca de 28,4 cm. de altura, apresentando também retoques a ouro.

Comparando lado a lado estes dois formatos contemporâneos, torna-se bem evidente a acentuada elegância da peça modelada por Massier.

 

A sua oficina tornou-se então um consagrado centro de formação, por onde passaram inúmeros grandes ceramistas como François (1850-1942) e Jacques Sicard (1865-1923; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/213887.html), Jean-Baptiste Gaziello (1871-1957; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/277167.html), ou Jean Barol (1873-1966), os quais divulgaram e criaram variantes do famoso vidrado inicialmente desenvolvido na oficina daquele mestre.

 

Tal vidrado recorda claramente os vidrados microcristalinos de mais algumas fábricas, como a Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/sarreguemines), e não deixa de remeter para o irisado que haveria de vir a consagrar a produção da famosa fábrica húngara Zsolnay.

 

Esta jarra, embora apresente um aspecto irisado, não teve aplicação daquele afamado vidrado, antes combinou camadas de diferentes tonalidades com a aplicação de ouro, que também foi usado para assinar e marcar a peça, para obter este efeito. 

 

Note-se ainda a sugestão escultórica do formato de inspiração vegetalista, enquadrável no movimento Art Nouveau, que ora remete para o aspecto de um bolbo a rebentar ora para o perfil de algumas florescências.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 12:09

Setembro 01 2014

 

Caixa rectangular em aglomerado de cortiça, com cerca de 6 x 22,4 x 12,7 cm., cuja tampa apresenta embutida uma placa azulejar decorada com uma flor estilizada.

 

Produzida provavelmente no último quartel do século XX, e não ostentando qualquer marca, esta peça exemplifica o uso combinado de dois dos materiais habitualmente associados a Portugal – o azulejo e a cortiça.

 

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Setembro 01 2014

 

Jarras em grés produzidas no atelier do ceramista francês Charles Gréber (1853-1935), situado em Beauvais.

 

Acima uma pequena jarra com cerca de 14,6 cm. de altura, abaixo um exemplar de maiores dimensões, já com cerca de 23,4 cm. de altura, apresentando ambas as peças a característica decoração com microcristais escorridos de muita da produção de Gréber.

 

 

Note-se o formato inovador e claramente inspirado em formas vegetais do primeiro exemplar, que se associa à gramática Art Nouveau, e a forma mais conservadora do segundo, que tem um interesse estético acrescido através da intervenção manual nas incisões triangulares inscritas entre os dois círculos.

 

Veja-se uma outra peça de Charles Gréber aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/211758.html.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 10:09

Setembro 01 2014

 

Prato decorativo apresentando motivo central estampado, rebordo tratado a aerógrafo e filetagem a ouro, que poderá ser alusivo à Primavera.

 

Como se viu anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/prato-326867), conhece-se um outro prato do mesmo formato, com igual aplicação cromática no rebordo e motivo central com semelhante tratamento estilístico mas diferentes elementos, o que reforça a ideia de que estaremos perante um conjunto alusivo às quatro estações.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 09:01

Setembro 01 2014

 

Pequena jarra em grés branco, com cerca de 14 cm. de altura, apresentando vidrado verde jade e craquelé induzido artificialmente. Abaixo, grande cachepot com cerca de 23,6 cm. de altura, ostentando pintura manual sob um invulgarmente áspero vidrado semi-mate.

 

Claramente evocativa do vidrado e das tradições cerâmicas orientais a primeira, denota a segunda peça uma influência que se poderá associar ao colorido do lápis-lazúli e às históricas escavações ocorridas no Médio Oriente durante o último quartel do século XIX e o primeiro do seguinte.

 

Particularmente a partir de 1922, com a descoberta do túmulo do faraó Tuthankamon (séc XIV a. C.), desenvolveu-se nas artes decorativas uma obsessiva tendência a evocar tudo o que pudesse estar relacionado com a antiga civilização egípcia, tendência que, em menor escala, já havia ocorrido no início do século XIX a propósito das campanhas napoleónicas.

 

Veja-se também como a técnica do craquelé artificial e o uso do vidrado verde jade eram comuns à produção Art Déco de outras fábricas e oficinas cerâmicas: http://mfls.blogs.sapo.pt/276165.html.

 

 

Estas duas notáveis peças, que revelam claramente as excepcionais capacidades técnicas e artísticas do seu autor, devem-se ao ceramista francês Georges Jaéglé (datas desconhecidas), sobre quem muito pouco se sabe.

 

Há notícia, contudo, de este injustamente esquecido artista cerâmico ter sido discípulo do consagrado Raoul Lachenal (1885-1956; http://mfls.blogs.sapo.pt/212524.html.) e de existirem elogiosas referências à sua obra em publicações de final da década de 1920.

 

Sabe-se também que, depois de ter colaborado com Lachenal, instalou a sua oficina nos arredores de Paris, a sul, em Brétigny-sur-Orge, tendo exibido as suas peças nos XVIeme (1926), XIXeme (1929) e XXeme (1930) Salons des Artistes Décorateurs.

 

Finalmente, note-se ainda como as espirais na base das duas peças demonstram terem estas sido não moldadas mas sim trabalhadas num torno de oleiro.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 08:09

Setembro 01 2014

 

Azulejo com motivos militares e florais aplicados sobre stencil (chapa recortada), produzido, provavelmente no segundo quartel do século XX, pela fábrica Viúva Lamego, de Lisboa. 

 

Este azulejo destinar-se-ia, certamente, a ser colocado no revestimento de edifícios de uma unidade militar não identificada, embora seja possível encontrar na composição o símbolo da arma de Infantaria, duas espingardas entrecruzadas, e um motivo associado à arma de Cavalaria, o carro de combate, que tem como símbolo duas espadas entrecruzadas.

 

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Setembro 01 2014

 

 

Pequena jarra, com cerca de 14 cm. de altura, apresentando decoração floral em relevo, estilizada ao gosto Art Déco, da série Danesby Ware comercializada pela fábrica Denby, situada em Bourne, Inglaterra.

 

O consagrado escultor e modelador cerâmico inglês Donald Gilbert (1901-1961), sobrinho de um dos proprietários da FLS, Herbert Gilbert (1878-1962), e por conseguinte primo de Clive Gilbert (n. 1938), produziu inúmeros modelos para as fábricas Denby, Poole Pottery e Royal Doulton.

 

Para a Denby, sabe-se que, na primeira metade da década de 1930, depois de ter concluído o seu curso no Royal College of Art (http://www.rca.ac.uk/), modelou várias figuras de animais e concebeu uma gama de vidrados e peças, cuja série é popularmente conhecida em inglês como pastel blue ware mas cuja designação oficial é Danesby Ware, onde esta jarra se inclui.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 06:09

Setembro 01 2014

 

Frasco para chá formato Albuquerque, com cerca de 12 x 10,9 x 5,6 cm., em porcelana da Vista Alegre, apresentando decoração monocromática, a azul, Fortaleza.

 

O motivo Fortaleza foi apresentado em diversos formatos, que reproduzem, cada um deles, distintas gravuras baseadas nos desenhos de fortalezas compilados por Duarte d'Armas (1465?-?) naquele que é conhecido por Livro das Fortalezas (c. 1495- c. 1521; 1509-1510?; cf. http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=3909707).

 

 

Este frasco de chá, o único desta série, apresenta as duas vistas da então vila de Chaves, incluindo a ponte romana sobre o rio Tâmega e o monte do Alto da Forca. Na tampa ostenta uma representação da torre de menagem, que ainda hoje subsiste.

 

Num dos desenhos de Duarte d'Armas pode ver-se ainda, em segundo plano, na direcção nascente, uma representação do castelo de Monforte de Rio Livre, que surge também em fólios separados naquela obra.

 

 

O castelo de Monforte de Rio Livre, cerca de 1876, em desenho de Manuel de Macedo (Manuel Maria de Macedo, 1839-1915) e gravura de Alberto (Caetano Alberto da Silva, 1843-1924). Imagem publicada na página 93 da revista O Occidente, 1.º ano, volume I, n.º 12, de 15 de Junho de 1878.

 

Parte do texto relativo a esta gravura transcreve-se abaixo:

 

"(...) O nosso desenhador Manuel de Macedo, divagando ha dois annos, em excursão artística, pelas faldas de Monforte, entendeu salvar o velho castello do esquecimento publico, e eis o motivo porque elle veiu na sua decrepitude receber o baptismo da gravura nas paginas do Occidente, rejuvenescendo assim por um momento para a curiosidade dos contemporâneos, já que não lhe é dado renascer para as façanhas militares do nosso tempo.

 

A paizagem que se estende ao sopé da velha fortaleza, é lindissima, celebrada mesmo pela sua amenidade, como é a extensa veiga de Chaves, villa que fica distante alguns kilometros. O horisonte é vasto, soberbo mesmo, e póde dizer-se que do alto do velho castello se offerece aos olhos do viajante um dos panoramas mais pittorescos e interessantes do paiz."

 

 

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Setembro 01 2014

 

Grande cinzeiro ou vide-poche, com cerca de 22,4 cm. de comprimento, em grés da fábrica francesa Denbac.

 

Correspondente ao formato 140, que raramente surge nas colecções privadas ou mesmo nos museus, esta peça ostenta um caracol como motivo principal, motivo comum a várias outras peças Art Nouveau de outras fábricas e que, na Denbac, se conhece ainda no formato 86, um cachepot.

 

 

Pequena jarra, com cerca de 17,7 cm. de altura, apresentando motivos vegetalistas estilizados. Este modelo corresponde ao formato 30.

 

Vejam-se outras peças Denbac, e ligações para informações referentes à fábrica, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 04:09

Setembro 01 2014

 

Azulejo apresentando imagem parcialmente executada a aerógrafo, com um motivo onde o humor se cria a partir do non-sense, na unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia.

 

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Setembro 01 2014

 

Duas jarras em grés, com cerca de 16,6 cm. de altura, a primeira, e 22,7 cm, a segunda, produzidas na fábrica francesa Fourmaintraux-Delassus, situada em Desvres (veja-se o site do museu aqui: http://www.desvresmuseum.org/).

 

Note-se como a primeira peça apresenta um formato estilizado que remete para os motivos vegetais e para as florescências, particularmente para as flores do medronheiro, aproximação escultórica muito ao gosto do movimento Art Nouveau que, durante a última década do século XIX e as primeiras duas décadas do seguinte, foi comum a muitas das fábricas europeias e americanas na modelação das suas cerâmicas.

 

 

 

A empresa Fourmaintraux-Delassus desenvolveu entre cerca de 1936 e 1983 particular actividade na criação de peças em grés.

 

Herdeira da tradição ceramista da região de Desvres, a empresa manteve também a tradição de anteriores instituições produtoras de faiança, como a fábrica La Belle Croix, onde trabalharam, desde o século XIX, Charles Fourmaintraux-Courquin, Charles Fourmaintraux-Houzel e François Fourmaintraux.

 

A sua produção destacou-se na utilização decorativa de microcristais, seguindo uma tradição de finais do século XIX que se estendeu à produção de cerâmica Art Nouveau, aplicando particularmente uma cristalização azul semelhante àquela que era característica da fábrica Pierrefonds (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/pierrefonds).

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 02:09

Setembro 01 2014

 

Tampa de uma terrina, com cerca de 28,8 cm. de largura e de provável fabrico inglês, apresentando o motivo Chorão (Willow Pattern) estampado a azul sob o vidrado.

 

Esta peça, apesar do acidente que sofreu, tem uma curiosidade complementar à da reparação efectuada pelo amolador com os arcaicos gatos, que é a de apresentar a seguinte inscrição incisa:

 

"Foi comcertada no dia 1,º de / Agõsto [rasurado] de 1915 por Jose Amulador, / Português"

 

Em homenagem à quase perdida e esquecida arte dos amoladores: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/400501.html.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Placa em biscuit da Vista Alegre, com cerca de 10,7 x 7,2 x 0,6 cm., comemorativa do centenário do corpo de bombeiros da empresa.

 

Apresenta as legendas "Centenário do Corpo de Bombeiros Privativo da Vista Alegre 1880-1980", no anverso, e "Um Século de Voluntária Devotação ao Irmão Homem", no verso.

 

Na parte inferior do anverso apresenta ainda as inscrições "Des. J. S. (?) Loureiro", à esquerda, e "Esc. C. Calisto [Carlos da Rocha Calisto, 1934-2009]", à direita.

 

 

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Setembro 01 2014

 

Conjunto de peças da fábrica belga Boch Frères / Keramis apresentando predominantemente vidrado amarelo.

 

Este amarelo foi muito característico das peças produzidas pela BFK nas décadas de 1920 e 1930, durante o período Art Déco, embora historicamente remeta para uma outra tonalidade conhecida no oriente como amarelo imperial, cor que era tradicionalmente exclusiva dos imperadores da China.

 

 

As duas primeiras peças, uma jarra com flores estilizadas em relevo, correspondente ao formato 1111 e com cerca de 22,3 cm. de altura, e uma base de candeeiro com angulosas linhas geométricas, correspondente ao formato 1027 e com cerca de 17 cm. de altura, ilustram o característico craquelé Art Déco da BFK.

 

A apresentação de um design moldado em relevo na pasta não é, contudo, muito comum na produção da fábrica, a não ser neste período, onde se conhecem mais alguns exemplares com diferentes decorações e formatos.

 

Já estas três jarras, apesar da ocorrência do amarelo, apresentam uma decoração escorrida com esmaltes de diferentes cores, cuja técnica foi mais característica de finais do século XIX e da influência japonizante que então se fez sentir.

 

 

Na época, foi este um recurso técnico comum a várias fábricas ocidentais, sendo em Portugal os exemplos mais consagrados aqueles que se associam à produção cerâmica das Caldas da Rainha, em geral, e à obra de Rafael (1846-1905) e Gustavo (1867-1920) Bordalo Pinheiro, em particular.

 

A marca apresentada abaixo, comum a todas as peças aqui ilustradas, surgindo quer a azul quer a preto, corresponde à jarra com o formato 612, que, com cerca de 16,9 cm. de altura, se encontra à frente das duas outras jarras na fotografia de conjunto apresentada acima.

 

Vejam-se algumas outras peças da BFK, com diferentes vidrados, formatos e pastas cerâmicas, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res.

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Completa hoje o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém cinco anos de publicação.

 

Para assinalar a efeméride publica-se a imagem de uma peça personalizada, decorada a esmalte e ouro, ostentando inscrições referentes a António C. Adão e ao Sport Grupo Sacavenense e a data de 13 de Abril de 1955.

 

Curiosamente, esta peça, que aqui aparece com aspecto de troféu desportivo, encontra-se catalogada sob a designação Centro de Mesa Estilo Manuelino na tabela de Novembro de 1945, onde surge sob o número 262 ao preço de 70$00 para "Colorido s/ ouro" e 88$00 para "Colorido c/ouro".

 

 

 

Esta peça surge também referenciada nas tabelas de Maio de 1951, ao preço de 81$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", de 95$00 para "Coloridos c/ ouro" e 190$00 para "Azul Sèvres ou Verde c/ ouro", e Maio de 1960, com os mesmos preços. 

 

Um exemplar desta última tabela existente nos arquivos do CDMJA refere ainda, através de uma anotação manuscrita, que o peso deste centro de mesa é de 1,165 gramas.

 

Veja-se outra peça, um cinzeiro, com o emblema do SGS aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/226237.html.

 

 

© MAFLS

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