Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 14 2014

Gomil em faiança, com cerca de 29,6 cm. de altura, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

A exemplo de outras peças das décadas de 1950 e 1960, como um gomil da fábrica Raul da Bernarda, de Alcobaça, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/119411.html), também esta peça remete claramente para elementos composicionais característicos de uma determinada época, quer na obra do pintor e escultor Jean [Hans] Arp (1886-1966; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Arp), quer na obra do escultor Henry Moore (1898-1986; cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Moore). 

 

O acabamento nacarado que reveste parcialmente esta peça ocorre, como já aqui se referiu antes (http://mfls.blogs.sapo.pt/224453.html#comentarios), não apenas na Aleluia mas também na produção cerâmica de outras fábricas portuguesas.

 

Curiosamente, este recurso técnico está intimamente relacionado com a produção vidreira e com um acabamento químico específico, conhecido em inglês como flashing. Através de este processo, mais rápido e menos oneroso, obtem-se uma finíssima camada colorida, ou irisada, sobre a superfície, criando assim um efeito quase semelhante ao do dispendioso vidro oitocentista característico da Boémia, cuja designação se popularizou nos meios vidreiros portugueses como vidro doublé, em que as camadas coloridas sobrepostas eram lapidadas ou gravadas para mostrar as camadas inferiores.

 

 

O irisado da superfície do vidro atingiu a consagração no período e nas peças Art Nouveau, em fábricas como a europeia Loetz ou a americana Tiffany.

 

Uma versão muito característica acabou por se consagrar em Portugal, durante o segundo quartel do século XX, através de um revestimento alaranjado popularmente conhecido como "casca de cebola" (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/286639.html), embora existam também tonalidades que podem variar entre o verde e o azul, consoante a cor de fundo do vidro.

 

Na cerâmica, estes acabamentos, mais irisados do que nacarados, foram também consagrados no período Art Nouveau, em fábricas ou oficinas como a americana Weller (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/weller), a belga Boch Frères / Keramis (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res), as francesas Gaziello (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello), Massier (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier) e Rambervillers (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers), ou a húngara Zsolnay.

 

A propósito do formato deste gomil, das suas combinações cromáticas e dos movimentos artísticos contemporâneos, vejam-se uma notável jarra da fábrica inglesa Beswick, e também uma outra notável jarra da Aleluia, aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/148829.html.

 

© MAFLS


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