Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Fevereiro 21 2015

 

Peça em porcelana, com cerca de 10,6 x 13,8 x 8,2 cm., produzida na fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo.

 

Embora este exemplar apresente a marca correspondente ao período de 1947-1968, sabe-se que o modelo foi aprovado pelo director artístico da VA, J. Cazaux (datas desconhecidas), em Maio de 1942.

 

Um verbete da VA onde se encontra o habitual registo de produção anota a data de criação como sendo 1941 e na secção de dados dados históricos refere ainda o nome C. Han (?) e o preço de 25$00. Estaremos, assim, perante um modelo de outra fábrica que a VA terá adquirido e adaptado para a sua produção, prática que não era nada invulgar, não só na VA e nas empresas cerâmicas portuguesas como nas internacionais.

 

O mesmo verbete classifica esta peça como sendo um "Floreiro" e refere a sua designação como "Golfinho", correspondendo ao desenho P.2124. Regista ainda que o preço de custo de um exemplar branco era de 5$40, de um exemplar pintado e com complementos a ouro de 18$60, ascendendo o preço de venda deste último a 22$00.

 

 

© MAFLS

 

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 08 2015

 

Figura em biscuit, com cerca de 16,2 cm. de altura, produzida na fábrica Sado Internacional, de Setúbal.

 

Mais conhecida pela sua produção de serviços de mesa, chá e café, a empresa, cuja denominação completa era Faianças e Porcelanas Sado Internacional, desenvolveu contudo a concepção de algumas estatuetas e peças decorativas, como se comprova por este exemplar.

 

Esta peça em biscuit remete para uma gramática comum a outras fábricas, portuguesas e europeias, de porcelana, evocando a modelação deste exemplar características muito próximas das de algumas figuras comercializadas pela VA, como as que já aqui se apresentaram: http://mfls.blogs.sapo.pt/142873.html .

 

Embora seja muito provável que tenha sido constituída na década de 1960, não foi possível apurar a data exacta de fundação da empresa, cuja fábrica se localizava na Quinta de Canes, em Setúbal.

 

No entanto, sabe-se que em Novembro de 1972 esta solicitou a execução de um furo de captação de água para as suas instalações, tendo em 1973 comercializado um serviço de mesa em faiança, desenhado por Maria Helena Matos (n. 1924) e José Barros Gomes (datas desconhecidas) e, num contexto tradicional aproveitado por muitas outras empresas cerâmicas, promovido a venda de um prato de Natal. 

 

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, a fábrica passou por um período de grande instabilidade administrativa e financeira, sendo alvo de uma medida legislativa especial, em 1980, que visava "acelerar o processo das indemnizações e (...) assegurar o efectivo exercício do direito de mobilização dos títulos representativos das obrigações emitidas para pagamento das indemnizações (cautelas), designadamente por troca com participações do Estado ou sector empresarial do Estado no capital de sociedades privadas".

 

Assim, através da Resolução 344/80, de 10 de Setembro, a Sado Internacional passou a integrar "uma lista de [104] empresas cuja participação do sector público no respectivo capital social pode ser objecto de troca com as cautelas atribuídas aos indemnizados em pagamento das nacionalizações ou expropriações de bens ou direitos".

 

No final daquela década as dívidas da SI à segurança social ascendiam a dois milhões e duzentos mil contos, situação insustentável que acabou por levar ao seu encerramento no ano de 1990.

 

A marca aqui apresentada é uma das duas conhecidas, sendo a outra, a primordial, constituída pelas iniciais SI inseridas numa oval, sobrepujada por três torres, que está rodeada na base por uma coroa de louros e se encontra ainda ladeada por dois cavalos-marinhos. 

 

 

© MAFLS


Fevereiro 04 2015

Prato raso estampado sob o vidrado, a castanho, com o motivo Congo.

 

Curiosamente, este motivo conjuga três características bem díspares – o nome, de inspiração africana, a paisagem lacustre ou fluvial da reserva, de inspiração romântica europeia, e a decoração floral, de inspiração oriental.

 

Embora tal não esteja assinalado, pelas suas características e peso, a pasta parece corresponder à categoria de pó-de-pedra, habitualmente designada como granito (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/60905.html).

 

A publicação pontual deste artigo surge por ocasião da mais recente reunião da Direcção da AALS, que decorreu no passado fim-de-semana, pretendendo transmitir um particular agradecimento a Clive e Emma Gilbert, pela peça que aqui se apresenta, e a José Carlos Roseiro e Luísa Bivar Roseiro, pela hospitalidade dispensada a todos os membros deste órgão presentes no evento.

 

 

© MAFLS


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