Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Maio 31 2015

 

A propósito do ano em que decorrem as comemorações do cinquentenário de fundação da SPAL, cuja escritura de constituição foi lavrada a 21 de Julho de 1965, apresentam-se hoje dois pratos da série Watercolors, comercializada a partir de 1981, com decoração floral aplicada sobre o vidrado.

 

Acima, um motivo intitulado Hillside, abaixo um motivo intitulado Trillium (Trillium Grandiflorum).

 

Note-se como este último evoca claramente algumas das composições florais da consagrada pintora norte-americana Georgia O'Keeffe (1887-1986), podendo algumas das suas pinturas com temática semelhante ser vistas aqui: http://www.okeeffemuseum.org/natural-and-still-life-forms.html.

 

Como se verifica pelo texto complementar das marcas reproduzidas abaixo, estes motivos foram criados pela, também norte-americana, artista Mary Lou Goertzen (n. 1929), que originalmente os executou em aguarela.

 

 

Um documentário particularmente intimista sobre Mary Lou, e seu marido Ernie Goertzen (1926-2004), pode ser visto aqui: https://vimeo.com/28994730.

 

A partir dos 40m e 30s pode-se ouvir um relato sobre o contacto inicial estabelecido pela Block China Company, que durante as décadas de 1970 e 1980 encomendava as suas peças a fábricas da Alemanha, Portugal e Suíça, para convencer a artista a reproduzir as suas aguarelas em porcelana.

 

Além disso, pode-se observar também um exemplar de prato com o motivo Trillium, exemplares com diversos outros motivos, os decalques utilizados na produção cerâmica e diferentes formatos deste serviço.

 

Para além de Mary Lou Goertzen, muitos outros artistas e designers, nacionais e estrangeiros, colaboraram com a SPAL, directa ou indirectamente, desde a década de 1960.

 

Alguns deles serão aqui posteriormente referidos, em artigos a publicar durante o mês de Julho. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Maio 20 2015

 

Durante o próximo fim-de-semana celebra-se, uma vez mais, a centenária tradição oleira de São Pedro do Corval, no alentejano concelho de Reguengos de Monsaraz (http://www.cm-reguengos-monsaraz.pt/pt/Paginas/home.aspx), através da XXI edição da FIOBAR, que terá lugar entre os  dias 22 e 24 de Maio.

 

Por ocasião desta XXI Festa Ibérica realizar-se-ão, também, as Jornadas Ibéricas da Olaria e do Barro, pelo que não deixará de ser oportuno reproduzir aqui duas peças representativas da produção oleira de Portugal e Espanha e acrescentar uma pequena nota etimológica sobre o léxico que lhe está associado.

 

Poder-se-á ter uma ideia da produção específica das inúmeras olarias existentes na freguesia de Corval visitando o site da Junta de Freguesia (http://www.freguesias.pt/portal/destaque.php?cod=071102&id=549), onde se encontra uma lista de vinte e duas ligações.

 

Note-se, no entanto, que apenas estão activas as ligações para a Olaria XarazArte (http://www.xarazarte.pt/), a Olaria Beijinho (http://www.evora.net/olariabeijinho/), a Olaria Carrilho Lopes (http://www.olaria-carrilho.com/), e a Olaria Polido & Filho (http://www.olariapolido.com/).

 

 

Apresenta-se acima um exemplar da característica arte oleira de Nisa, onde a decoração se realiza com pequenos fragmentos de quartzo branco embutidos na pasta vermelha, aqui na versão de empedrado denominada como de apenas uma ida, ou linha.

 

Diversos exemplares desta olaria, cuja decoração evoca algumas técnicas de bordado, podem ser encontrados em Nisa no acervo de um projecto museológico muito adequada e perspicazmente designado como Museu do Bordado e do Barro (http://museubordadoebarro.cm-nisa.pt/pt/clay/).

 

Por outro lado, apresenta-se abaixo um exemplar ostentando diferentes técnicas, produzido na Alfarería Góngora (http://www.alfareriagongora.com/home.html), fundada em 1846 e localizada em Úbeda, Espanha.

 

Embora hoje em dia a olaria comercialize revestimentos com diversas outras cores, este exemplar ilustra o seu tradicional verde ferruginoso mosqueado e o característico esgrafitado, que aqui surge com um motivo invulgarmente evocativo da gramática Art Nouveau.

 

Para concluir, e a propósito de algumas questões etimológicas, medite-se na provável origem comum, a partir da língua árabe, do vocábulo espanhol alfareros (oleiros), do topónimo português Alfarelos, e do vocábulo italiano albarello (pote de farmácia, canudo, jarra cilíndrica), pese embora a discórdia que ainda prevalece sobre a etimologia deste último (http://it.wikipedia.org/wiki/Albarello).

 

 

© MAFLS


Maio 16 2015

 

Pequeno prato em faiança, com cerca de 18 cm. de diâmetro, apresentando decoração floral policromática pintada à mão sob o vidrado.

 

Embora este formato seja semelhante a alguns dos formatos produzidos pela fábrica portuense da Corticeira e pela fábrica gaiense Soares dos Reis (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/abas+recortadas), as iniciais C. V. não correspondem a qualquer assinatura fabril ou oficinal identificada.

 

Além do mais, não só a execução formal e decorativa se afasta da qualidade destas duas fábricas como as opções cromáticas se afastam, também, da palette habitual das mesmas.

 

Por sua vez, a pasta apresenta-se demasiado granulada, exsudando em demasiada e formando excrescências de aspecto salitroso quando submetida a imersão aquosa prolongada e posterior secagem natural.

 

Saliente-se, no entanto, que a assinatura a castanho vinoso não é invulgar na Soares dos Reis e que a tonalidade azul, aqui aplicada no reticulado, também surgiu nesta fábrica, aplicada em filetagem e ramagem pintadas à mão que complementam frutas executadas a stencil (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/f%C3%A1brica+soares+dos+reis).

 

Uma outra hipótese seria a de a inicial "V" corresponder a Viana do Castelo. No entanto, embora na década de 1940 tenha existido produção de faiança nesta localidade, a marca que se conhece corresponde à designação Louça de Viana e a não a uma hipotética Cerâmica de Viana.

 

 

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Maio 12 2015

 

Pequeno azulejo de friso decorado com motivos geométricos aplicados a stencil (chapa recortada) sob o vidrado, ostentando no tardoz a inscrição SACAVEM em relevo. 

 

Tendo sido depositados no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a 13 de Maio de 2009, os instrumentos de ratificação do Acordo Ortográfico de 1990 e do Segundo Protocolo Modificativo, assinado em 2004 e aprovado em 2008, completa-se hoje o período de transição, de seis anos, para implementação plena do mesmo.

 

Por aqui, a partir de amanhã, continuaremos a parafrasear Fernando Pessoa (1888-1935) – Ah, que prazer ter um Acordo Ortográfico para cumprir e não o fazer!

 

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Maio 03 2015

 

 

Caixa em faiança com cerca de 13,4 x 17,4 cm., vulgarmente designada como caixa boleira, ostentando apenas a letra "L" impressa na pasta.

 

Embora a peça não apresente qualquer outra marca visível, quer a pasta quer o vidrado parecem corresponder à produção da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia durante o período Art Déco.

 

Como se pode comprovar numa publicação de MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2014/08/caixa-quadrangular-lusitania-coimbra.html), este formato foi produzido também em Portugal, pelo menos na unidade de Coimbra da CFCL, eventualmente sob influência original de um modelo alemão, da fábrica Carstens-Gräfenroda, que apresenta uma tampa com diferente remate (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2014/08/caixa-art-deco-aerografada-carstens.html).

 

Embora do ponto de vista ergonómico e funcional o remate esférico da tampa possa ser mais eficaz, a verdade é que a harmonia do conjunto é mais evidente com o remate que surge neste exemplar, e no da CFCL de Coimbra, pelo que será mais provável que o modelo da Carstens-Gräfenroda seja uma adaptação posterior do formato original.

 

Obviamente, não se contesta a hipótese de esse modelo original ser também de origem estrangeira.

 

 

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