Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Novembro 28 2015

 

Conjunto individual de chávena e prato para torradas em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Correspondendo a uma tendência que se desenvolveu na Europa e nas Américas a partir de finais do século XIX, e se manteve durante a primeira metade do século seguinte, estes conjuntos eram predominantemente destinados a um serviço individual de pequeno-almoço ou lanche.

 

Em Portugal, conjuntos similares, mas com diferentes formatos, foram também produzidos em porcelana quer pela Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, quer pela Vista Alegre.

 

Este conjunto apresenta, no seu prato de torradas, quer no rebordo, quer no relevo interior, sinuosidades características dos curvilíneos formatos Art Nouveau.

 

 

No entanto, uma observação atenta da chávena permite verificar que este exemplar comercializado pela EC replica o famoso formato Jugendstil (em alemão, equivalente ao galicismo Art Nouveau) denominado Donatello, que originalmente havia sido lançado pela fábrica alemã Rosenthal.

 

Acima reproduz-se uma chávena de café dessa fábrica, onde se pode encontrar uma decoração modernista que, ilustrando embora o tradicional prestígio do azul cobalto associado à porcelana, antecipa o minimalismo repetitivo de décadas mais recentes.

 

Ao contrário do que se verifica na conservadora versão floral aplicada no conjunto do Candal, a simplicidade deste motivo traduz bem um renovado espírito geométrico favorecido por algumas escolas pioneiras, como a escocesa Glasgow School of Art, fundada em 1845 mas com o seu apogeu oitocentista a ocorrer na última década desse século, em paralelo com a ascensão do consagrado Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), a austríaca Wiener Secession, fundada em 1897, ou a alemã Bauhaus, fundada já em 1919.

 

 

© MAFLS 


Novembro 15 2015

 

Par de azulejos produzidos pela fábrica Viúva Lamego, em Lisboa, unidade que agora pertence ao grupo Aleluia.

 

Embora este motivo recrie um açafate com flores ao gosto seiscentista e setecentista, a representação floral denuncia uma gramática mais característica do segundo e terceiro quartéis do século XX.

 

Atendendo às iniciais que surgem no canto superior esquerdo do tardoz dos dois azulejos, é possível que este conjunto tenha sido pintado por Artur José (1932-2010), podendo ver-se um prato decorado por este artista aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/189321.html .

 

 

© MAFLS


Novembro 10 2015

 

Prato coberto formato Estoril com decoração minimalista sobre o vidrado.

 

Este notável paradigma dos modelos cerâmicos Art Déco para serviços de mesa corresponde ao formato Casino, que havia sido lançado cerca de 1932 pela fábrica inglesa Royal Doulton.

 

Como também já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+estoril), as terrinas, saladeiras e pratos cobertos formato Estoril não estão referenciadas nas tabelas da FLS para 1932 e 1938, embora surjam no catálogo de 1950. 

 

O motivo, constituído apenas por um círculo e dois triângulos que pretendem sugerir a imagem de um veleiro, surge como uma das combinações minimalistas mais bem conseguidas da FLS, muito embora seja provavelmente de origem estrangeira.

 

 

© MAFLS


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