Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 09 2013

                                             

 

Jarra cilíndica com cerca de 22,8 cm. de altura e 11,3 cm. de diâmetro, cujo formato é vulgarmente conhecido como canudo, em porcelana da Vista Alegre.

 

Segundo a tabela de marcas da VA habitualmente divulgada pela empresa, a marca desta peça, reproduzida no final do artigo, corresponderá ao período de 1881 a 1921. 


Esta mesma decoração encontra-se num cântaro com testo e púcaro existente no Museu da Fábrica da Vista Alegre, e datado de 1865, que está reproduzido na página 120 do livro Vista Alegre: Porcelanas (1989), sendo a imagem acompanhada do seguinte texto:


"Decoração em estilo grego. O gosto pela imitação de vasos gregos (considerados na altura etruscos) nasce com a vinda para França de peças dos países conquistados por Napoleão. A fábrica Denuelle expõe vasos "etruscos" na exposição de 1834. Estava lançada a moda".

 

Contudo, os catálogos da fábrica inglesa Wedgwood apresentavam já uma decoração denominada Etruria em finais do século XVIII (podendo ver-se um prato decorado com esse motivo aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/11133.html), e muito do seu famoso jasperware era decorado com motivos de similar inspiração clássica. Aliás, uma das mais consagradas peças da Wedgwood é a jarra denominada Portland (Portland Vase), executada pela primeira vez cerca de 1789, que reproduz um original da antiguidade clássica criado em vidro (http://www.metmuseum.org/Collections/search-the-collections/120002080).

 

Ainda na página 121 do mesmo livro pode ver-se uma jarra existente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, também datada de 1865, que apresenta não só o motivo do friso geométrico patente nesta jarra da VA como também um motivo muito semelhante ao do friso que decora o rebordo do prato da Wedgwood.

 

      

 

Constata-se, assim, que a cor de laranja, antes de ser uma das cores preferidas para a cerâmica do período Art Déco, tinha estado em voga no século XIX, paradoxalmente em pasta de porcelana que pretendia remeter para o glamour histórico das peças em terracota, ou barro vermelho, da antiguidade clássica.

 

Essa preferência pelo laranja pode ainda ser constatada na garrafa e copo da VA, com marca correspondente ao período de 1870 a 1880, ilustrada acima.

 

Estas duas peças integrariam habitualmente um conjunto de acessórios para quarto, que incluiria ainda um jarro e bacia para mãos, caixa para escovas e bacia de quarto. Eventualmente, este conjunto poderia também apresentar arrastadeira e cuspideira, ou escarrador.

 

O conjunto de garrafa e copo poderia ainda ser acompanhado de um pequeno açucareiro.

 

                                            

 

O glamour e apelo do alaranjado da antiguidade clássica é ainda testemunhado nesta jarra, ou garrafa, holandesa de meados do século XIX, produzida pela fábrica de Petrus Regout (1801-1878), mais tarde conhecida como Royal Sphinx (Koninklijke Sphinx), fundada em 1836.

 

O aspecto depurado, e surpreendentemente minimalista avant la lettre, desta peça traduz-se numa elegância sublinhada pela filetagem e pelo vidrado, que apenas reveste a base e a área das três marisas do gargalo, contrastando com o aspecto mate do resto do corpo.

 

Apesar de a peça ser executada em argila vermelha, a presença das marisas remete claramente para a herança funcional e estilística da empresa vidreira que Regout havia fundado em 1827.

 

Sobre o historial da Royal Sphinx veja-se o site oficial da empresa em: http://www.sphinx.nl/AboutSphinx/Geschiedenis.aspx.

 

 

© MAFLS


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