Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 25 2012

©CDMJA/MCS

Reprodução de um folheto que pertenceu a Jorge Pereira Simões, funcionário da FLS durante 24 anos, apresentando marcas da FLS.

Este exemplar foi entretanto doado ao CDMJA, aquando da exposição Porta Aberta às Memórias, realizada em 2008 no MCS.

Note-se a incorrecção de algumas datas indicadas, bem como a ausência de certas marcas, nomeadamente a Gilman Lda.

 

Como se sabe, o sistema de marcação de peças estabelecido pela Vista Alegre permite-nos datar a sua produção de acordo com períodos bem definidos, pois o logótipo da VA é tradicionalmente alterado cada vez que se verifica uma mudança de administração (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/129589.html).

 

Quanto ao sistema de marcação da FLS, generalizou-se a ideia de que a marca Gilman & Cta. se manteve inalterada desde o princípio do século XX até ao princípio da década de 1970, tornando assim quase impossível distinguir, apenas pela consulta da marca, uma peça da década de 1910 de outra peça da década de 1960.

 

Tal método poderia levantar sérias dúvidas a pessoas pouco habituadas a considerar outros factores para a datação de cerâmica que não apenas a marca.

 

Esta é uma questão particularmente importante, se considerarmos que na FLS os motivos Chorão e Estátua, por exemplo, foram produzidos desde o século XIX até praticamente ao encerramento da fábrica.

 

          

G&Cta.1                                                                              G&Cta.2

 

Ora, acontece que a referida marca não se manteve inalterada ao longo de todo aquele período, como se verifica pelas imagens aqui apresentadas.

 

Infelizmente, apesar de se poderem documentar todas as variantes da marca, não é possível estabelecer com segurança um período específico para cada uma delas.

 

No entanto, sem efectuar uma reprodução exaustiva de todas as variantes conhecidas (faltam, por exemplo, marcas com o nome ou número do motivo por cima do círculo, ou as marcas com a abreviatura Dec. aplicadas no motivo Quinta), vejamos quais as diferenças entre elas e os dois grandes períodos a que poderão corresponder.

 

As marcas G&Cta.1 e G&Cta.2 apresentam entre si diferenças a nível do rectângulo da fivela, do número de furos do cinto e do seu remate. São seguramente as mais antigas do grupo aqui apresentado.

 

A marca G&Cta.3 é uma marca de transição para a G&Cta.4, apresentando ainda o formato rectangular da fivela, aqui já simplificada, e o remate do cinto, mas com um sombreado que não surgia nas anteriores.

 

          

G&Cta.3                                                                       G&Cta.4

 

A marca G&Cta.4, bem como a sua variante para exportação G&Cta.4a, já com a fivela arredondada, é a mais recente. Conhece-se marca semelhante aplicada num prato estampado com a data de 1934, a data mais recuada em que foi possível documentá-la.

 

Poder-se-ia, assim, concluir que as primeiras duas marcas correspondem aproximadamente ao período de 1900 a 1930 e as duas restantes ao período de 1930 a 1970.

 

O problema é que a marca G&Cta.1 aparece numa peça da série Bébé (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/19095.html), que apenas começou a ser comercializada a partir de 1945, embora não haja qualquer dúvida que a marca G&Cta.4 estava já generalizada nesse mesmo ano (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/35956.html) e generalizada também já na década de 1930 (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/8186.html)...

 

Apesar de tudo, é possível afirmar com alguma segurança que qualquer peça ostentando as marcas G&Cta.3 e G&Cta.4 não é certamente anterior à década de 1930, e que as marcas G&Cta.1 e G&Cta.2, características do período de 1900 a 1930, apenas foram ocasionalmente aplicadas em peças, com preponderância para aquelas que eram estampadas, produzidas entre 1930 e 1950.

 

Sobre a discrepância relativa ao primeiro ano de utilização da marca Gilman & Cta., 1903 ou 1905, e a data em que surgiu o último logótipo da FLS, veja-se: http://mfls.blogs.sapo.pt/63619.html.

 

G&Cta.4a

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Boa tarde,

Tenho um par de Jarrinhas antigo, com marca de Gilman & Cta. Sacavem que gostaria de saber datar aproximadamente.

Se fosse possível dar-me um endereço de e-mail poderia enviar imagens.

Antecipadamente grato, subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos.

Fernando Tavares
fernando@depoisdasideias.pt
Fernando Tavares a 19 de Dezembro de 2012 às 17:40

Olá. Como muitas outras pessoas também tenho peças da fábrica de sacavém na família. Mas a data de fabrico sempre me intrigou. Diria que quase toda deve datar dos anos 60/70 o mais tardar, mas uma em particular sei que tem de ser anterior porque pertenceu a uma pessoa que faleceu em 52. Fui agora espreitar o carimbo mas está algo sumido. É intrigante. Depois da GILMAN não se entende o que poderá estar gravado. Tem uma única peculiaridade, que é a letra "C" gravada a preto um pouco distanciada do símbolo. Deixo um link por curiosidade. Como o símbolo é o do cinto com a fivela, diria que pertence às louças começadas a serem produzidas em 1905, mas esta deve ter saído do "forno" muito antes de 52 e definitivamente não é posterior. Será que existiu uma outra pequena variação que date melhor a peça? Cumprimentos

https://lh6.googleusercontent.com/-QPjWjMb4MTs/UYph7q0xilI/AAAAAAAAB4U/tfES_pZKpOE/s640/PICT0501.JPG
https://lh6.googleusercontent.com/-iFmgAPB19W4/UYph9YS-NCI/AAAAAAAAB4s/JxMX6UpWILE/s640/PICT0497.JPG

.C. a 8 de Maio de 2013 às 16:15

Ah, entretanto encontrei mais carimbos e vi um que dizia Lda. Ou seja: na altura de fabrico desta peça, a designação era apenas GILMAN Lda. e não Gilman & C. Mas continuo sem a conseguir datar. Vi as fotos no facebook aqui: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.238053926247076.80989.181159495269853&type=1
.C. a 8 de Maio de 2013 às 16:46

Boa noite, .C.

Agradeço a indicação de tal marca, mas, como poderá verificar aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/124517.html , essa foi uma marca retirada deste blog.

Infelizmente, esse espaço do FB é conhecido por reproduzir imagens sem referir a sua origem nem respeitar copyright.

Saudações.

Acho que a marca sumida é esta: http://farm7.static.flickr.com/6060/6271906773_94f8cde019_m.jpg
Cumprs
.C. a 8 de Maio de 2013 às 16:50

Grato por mais essa indicação, mas, uma vez mais mais, a marca corresponde a uma imagem retirada deste blog (http://mfls.blogs.sapo.pt/133987.html).

Saudações.

Boa noite, .C.

De momento não conheço quaisquer outras particularidades que permitam datar as peças da FLS com maior acuidade para além daquelas que tenho vindo a indicar.

Sem mais informação, pela marca e pelo craquelé diria que a sua peça terá sido produzida na primeira metade do século XX.

Saudações.

MAFLS

obrigado pelas respostas. É seguro deduzir que o C é apenas a marca/inicial do responsável pela peça?
Trata-se de louça cavalinho, pelo que não sei até que ponto era necessário marcar a mesma.
Saudações
.C. a 10 de Maio de 2013 às 08:09

Bom dia, .C.

De momento, não é conhecida nenhuma documentação ou informação que permita atribuir, sem qualquer dúvida, a este tipo de marcações e às marcações numéricas, ou alfa-numéricas, impressas na pasta uma função específica.

Saudações.

MAFLS

OK, obrigado. Pode ser que um dia se descubra algum dado novo. Meus parabéns pelo trabalho e pela divulgação no blogue.
.C. a 10 de Maio de 2013 às 16:30

Tenho um serviço de chá que pertenceu aos meus bisavós maternos que terão casado nos princípios do século XX.
O meu pai, neto deles, nasceu em 1926 e sempre viu aquele serviço na casa dos avós.
A marca gravada é semelhante às que colocam aqui, mas não totalmente.
Será que me posso deslocar a algum sítio onde possa mostrar o serviço e obter algumas informações sobre a sua data, etc.?
O serviço é composto por 12 chávenas e pires, bule, leiteira, açucareiro, manteigueira, tigela e 2 pratos grandes. A pintura de cores fortes representa margaridas amarelas e roxas, com ramos verdes. Os contornos, asas e outros pormenores são pretos.
Agradeço a vossa ajuda.
José Godinho
José Godinho a 21 de Junho de 2013 às 14:13

Boa tarde, José Godinho.

Embora este espaço não providencie serviço de consultadoria para avaliação de peças, está aberto a prestar esclarecimentos sobre a produção da FLS em geral. Poderá enviar fotos das peças e das marcas para now.here@sapo.pt e, caso seja possível, ser-lhe-ão veiculadas informações sobre as peças em questão.

Em alternativa, todos os técnicos do MCS/CDMJA têm tradicionalmente disponibilidade e boa-vontade para lidar com questões relativas à produção da FLS.

Saudações.

MAFLS

Muito obrigado pela vossa resposta. Vou seguir o vosso conselho de fotografar as peças e de as enviar para o e-mail indicado.
Saudações
José Godinho
Jose Godinho a 23 de Junho de 2013 às 22:15

Boa tarde! Desde já os meus parabéns pelo seu blog que para além de excelente me tem ajudado muito a identificar algumas peças que herdei.
A minha questão é a seguinte: Tenho um prato, com o motivo Estátua, que julguei ser Sacavém, mas a marca na base é diferente de todas as que aqui constam. O simbolo é bastante idêntico ao da Gilman mas por cima tem uma corôa e no centro uma cruz (de Portugal?) e por baixo diz Portugal. Será que me poderia ajudar?
Obrigada pela atenção,
Patrícia Loureiro
Patrícia Loureiro a 14 de Fevereiro de 2015 às 18:54

Bom dia, Patrícia Loureiro.

Pela sua descrição, presumo que esse exemplar ostente a marca Massarelos do período CFCL, a qual poderá ser vista aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/189777.html.

Poderá ainda ver um prato de Massarelos com o motivo Statue, do período C&W, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/31519.html.

Saudações.
blogdaruanove a 16 de Fevereiro de 2015 às 00:59

Bom dia!
Muito obrigada pela informação. Ontem após tanto pesquisar o seu blog acabei por encontrar. Mais uma vez parabéns pelo trabalho e também pela atenção.
Cumprimentos,
Patrícia Loureiro
Patrícia Loureiro a 16 de Fevereiro de 2015 às 08:43

Muito boa tarde,

Após pesquisa na internet, no sentido de melhor identificar um serviço de porcelana bastante antigo herdado de familiares, encontrei este blog, que já me prestou alguma ajuda.

Assim, gostaria de saber se poderei enviar fotos de algumas das peças, a fim de poder obter mais alguma informação quanto à sua data e valor aproximado, ou a que entidades me devo dirigir para esse efeito.

Grata desde já pela atenção que possa dar a estas questões.

Ana Sousa
Ana Graça a 12 de Novembro de 2015 às 15:25

Boa tarde, Ana Graça Sousa.

Lamento informar, mais uma vez, que o MAFLS não providencia serviços de avaliação.

Contudo, terei todo o gosto em analisar e comentar as fotografias que queira remeter-me, devendo estas incluir imagem das marcas, caso existam.

Saudações.

MAFLS

Caro Senhor MAFLS,

tenho tentado enviar o e-mail com a as fotos, respondendo para: noreply@blogs.sapo.pt, mas vem sempre devolvido.

Se responder por esta via, não sei como enviar as fotografias.

Antecipadamente grata pela ajuda, envio os melhores cumprimentos.

Ana Graça Sousa
Ana Graça a 19 de Novembro de 2015 às 10:37

Boa tarde, Ana Graça Sousa.

Está a tentar responder para a notificação automática que recebeu do SAPO a qual, como a designação no reply indica, não permite qualquer resposta para esse endereço.

As suas fotos devem ser enviadas para o endereço que surge no blog e no perfil do autor, localizado acima, à esquerda:

now.here@sapo.pt

Saudações.

MAFLS
blogdaruanove a 19 de Novembro de 2015 às 19:53

Boa noite,

Muitos parabéns pelo seu blog e informação disponibilizada. Perguntava-lhe apenas qual o significado da utilização do cinto afivelado na marca da fábrica assim como noutras marcas de cerâmica inglesa?

Muito Obrigada.

Cumprimentos,

Catarina Teixeira
Catarina Teixeira a 4 de Dezembro de 2015 às 23:25

Boa tarde, Catarina Teixeira.

O cinto afivelado das marcas cerâmicas inglesas remete para a heráldica e para o brasão do Reino Unido, evocando o prestígio da vetusta Order of the Garter que ali surge representada através deste símbolo.

O facto de várias fábricas inglesas ostentarem esse símbolo na sua marca não significa, contudo, que fossem fornecedoras das casas reais, ao abrigo do privilégio de royal warrant of appointment.

A família inglesa Howorth, que adquiriu a fábrica de loiça a Manuel Joaquim Afonso, certamente pretendeu associar o prestígio desse símbolo à marca de Sacavém.

Saudações.

MAFLS
blogdaruanove a 6 de Dezembro de 2015 às 16:30

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