Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 15 2017

   Autocolante comemorativo da primeira Festa do Avante!, 1976.

 

No jornal Avante! número 135, de Abril de 1949, publicou-se o seguinte artigo:

 

"FACE AO AGRAVAMENTO DO CUSTO DE VIDA

 Intensifiquemos as lutas de massas

 

As massas trabalhadoras, especialmente a classe operária sabem com larga experiência que é pelas lutas de massas que vêm [sic] satisfeitas as suas reinvidicações mais prementes, que é pelas lutas de massa que conseguem sustar [sic] a exploração desenfreada do patronato e do governo.

 

A história de um passado recente dá-nos conta de inúmeras vitórias das classes trabalhadoras do campo e da cidade, através das lutas parciais por empresa, por rancho, por ramo de indústria e por região.

 

Sabendo que a força do proletariado está na unidade e na acção das massas, os trabalhadores formaram as suas Comissões de Unidade, organizaram e popularizaram os seus cadernos reivindicativos e lançaram-se na luta pela satisfação des-as [sic] reivindicações. Foram as lutas parciais, encabeçadas pelas Comissões de Unidade, que lhes deu a vitória sobre a exploração dos baixos salários, sobre o mercado negro, sobre as faltas de pão e de géneros. Serão ainda e sempre as lutas parciais que abrirão caminho para o levantamento nacional que há-de derrubar o fascismo salazarista, o grande responsável pela miséria do povo português.

 

O agravamento actual do custo de vida (os aumentos já havidos nas rendas de casa e nos transportes, a falta de géneros em mercado livre e as perspectivas do mercado negro com todas as suas consequências) impõe que o proletariado intensifique as lutas reivindicativas nos seus sectores de trabalho, apresentando-se juntos dos patrões e dos dirigentes dos sindicatos respectivos, a fazerem valer os seus direitos e a conseguirem exito nas suas justas reclamações.

 

Assim o compreendem os operários de algumas empresas de Lisboa e arredores, que, por intermédio das suas Comissões de Unidade, estão a levar avante e com exito movimentos reivindicativos.

 

(...)

 

O pessoal de fogo da Fábrica de Louças de Sacavém obteve pela luta um aumento de 3$00 no seu salário.

 

(...)

 

Trabalhadores! Avante na luta pelas vossas reivindicações!"

 

 

© MAFLS

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Março 11 2017

 

Terrina em faiança, com cerca de 13,4 x 18,2 x 27,7 cm., decorada a azul com o motivo habitualmente conhecido como Cantão Popular.

 

Tal como acontece em diversos outros exemplares semelhantes, quer do século XIX quer do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cant%C3%A3o+popular), esta decoração combina motivos aplicados a stencil com pintura manual.

 

Como acontece também em muitos exemplares com esta decoração, particularmente nos mais antigos, esta peça não se encontra marcada. 

 

© MAFLS

 


Março 08 2017

   Autocolante comemorativo dos dois anos de actividade legal das Edições Avante!, 1976.

 

O jornal Avante!, órgão central do Partido Comunista Português, publicou o seu primeiro número a 15 de Fevereiro de 1931. Desde a fundação do P.C.P., a 6 de Março de 1921, havia sido antecedido por dois outros títulos de imprensa – O Comunista, publicado logo em 1921, ainda durante a I República, e O Proletário, publicado em 1929, já em período da Ditadura Nacional, que antecederia o Estado Novo.

 

Publicando-se e distribuindo-se na clandestinidade entre 1931 e 1974, o Avante! apresentou durante esse período diversos artigos, ou curtas notícias, sobre a FLS.

 

Por cortesia do Gabinete de Estudos Sociais do P.C.P., que novamente se agradece, o Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém recebeu cópia de jornais onde alguns desses artigos surgiram, os quais serão aqui transcritos ao longo do corrente mês de Março.

 

No jornal Avante! número 46, de Agosto de 1937, publicou-se o seguinte artigo:

 

"GRAVES ACONTECIMENTOS EM SACAVEM

 

Acaba de se produzir em Sacavem um acontecimento duma gravidade extrema. Em resposta às reclamações dos aprendizes da fabrica de loiça, que pretendiam um aumento de salário há vários meses prometido e exigiam a libertação de dois camaradas injustamente presos, o fascismo pôs em prática as mais violentas medidas contra os operarios e contra todo o povo de Sacavem. Pôs Sacavem em estado de sítio fazendo invadir esta pacífica população [sic] por tropas numerosas da polícia, G.N.R. e polícia da Informa armados de mais de 40 metralhadoras.

 

Depois de cercarem a fabrica espancaram violentamente os operarios.

 

Foi tão barbara esta violencia que a mãe dum camarada, muito doente, faleceu, vítima da comoção sofrida. Um camarada foi assassinado.

 

O povo de Sacavem, em pêso, vibra de indignação contra estas prepotências do fascismo. E assim, esta luta que, a princípio, se resumia na luta pela melhoria da miseravel situação em que se encontravam os aprendizes, tornou-se com razão a luta de tôdo o povo de Sacavem contra o fascismo barbaro e assassino.

 

Não foi casualmente que a população de Sacavem ao ter conhecimento das dezenas de prisões que se efectuaram na fabrica, tocou os sinos a rebate e compareceu em massa em auxílio da parte agredida. Graças à intervenção rapida e massiva do povo, fôram restituidos à Liberdade 40 trabalhadores que já estavam sob prisão, ficando, no entanto, 25 que já tinham seguido para Lisboa.

 

Todas as pessoas honestas de Sacavem estão ao lado dos operarios e vêem claramente a sua razão.

 

Quem poderá, depois disto, esconder a verdadeira cara de assassino do govêrno de Salazar? Quem acreditará mais na demagogia fascista? Ninguem, certamente.

 

Para todos é claro que o fascismo quere reduzir a população laboriosa de Portugal a simples escravos, sem vontade, e sem direitos de especie alguma. Mas a essa tendencia bestial deve o povo trabalhador opor uma firme resistência organizada e uma vontade inquebravel de luta.

 

O fascismo é o inimigo fundamental de todos os povos.

 

Trabalhadores da fabrica de loiças de Sacavem, não vos submeteis [sic] à canga infamante que vos querem pôr.

 

Se fôsseis agora derrotados, os patrões desencadeariam contra as vossas condições de vida a mais violenta ofensiva.

 

Lutai até arrancar a vitória.

 

Povo de Sacavem. Êste caso não interessa só aos operarios das fábricas, mas a todos nós. Uni-vos todos, e como um só homem, exigi a liberdade dos presos!

 

Não permiti [sic] que tais violências se repitam em Sacavem.

 

Todos juntos lutar;

 

Pela liberdade dos presos!

 

Pela solidariedade às suas familias!

 

Pelo cumprimento das promessas feitas aos homens!"

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 06 2017

 

Pequeno cinzeiro, com cerca de 10,9 cm. de diâmetro, ostentando o símbolo e as iniciais do Partido Comunista Português, que foi fundado há precisamente 96 anos, em 6 de Março de 1921.

 

Vejam-se outras peças da FLS, com este símbolo partidário, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/pcp.

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 05 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 9,8 cm. de altura e 22,9 cm. de diâmetro máximo, produzida em 1977 na ilha de S. Miguel, Açores.

 

Apresenta uma invulgar decoração floral, em relevo, onde predominam tonalidades de rosa e verde, combinação cromática que evoca alguma da iridescente cerâmica Art Nouveau produzida pela fábrica húngara Zsolnay na viragem do século XIX para o século XX.

 

Nesta ilha açoriana subsistem ainda três centros de produção cerâmica – a fábrica Micaelense, na Ribeira Grande, a fábrica Vieira, na Lagoa, fundada em 1862, e ainda um centro oleiro em Vila Franca do Campo, que produz essencialmente cerâmica não vidrada.

 

Ao contrário das restantes, as peças da Cerâmica Micaelense são originalmente produzidas no exterior e posteriormente decoradas e cozidas na fábrica.

 

 

 © MAFLS


Março 03 2017

 

Atingiram-se hoje as quinhentas mil visitas ao espaço Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Para assinalar a efeméride, apresenta-se uma figura de elefante em pasta de loiça sanitária, com cerca de 21,6 x 25,8 x 9,8 cm., ostentando vidrado pérola semi-mate.

 

Esta peça foi originalmente modelada pelo escultor britânico Donald Gilbert (1901-1961) e, tal como já foi mencionado, surge referenciada na tabela de preços de Novembro de 1945 sob o número 183 e a designação "Elefante" ao preço de 141$00 para "Colorido s/ ouro", surgindo ainda nas tabelas de Maio de 1951, ao preço de 162$00 para "Côres Mates ou coloridos s/ ouro", e de Maio de 1960, ao mesmo preço para "Branco colorido s/ ouro".

 

O exemplar desta última tabela existente no CDMJA/MCS regista que o peso da peça é de 930 gramas.

 

Elefantes com este formato estiveram em produção provavelmente até à década de 1980, sendo esta uma das esculturas de animais mais comercializadas pela FLS. Um exemplar com o mesmo vidrado pode ser visto numa fotografia onde aparece conjuntamente com outras figuras de animais que também tiveram uma produção prolongada no tempo: http://mfls.blogs.sapo.pt/176503.html

 

Dois outros exemplos de diferente vidrado monocromático aplicado em peças com o formato 183 podem ser vistos no espaço de MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Elefante.

 

Sendo esta uma peça do período final da FLS, não apresenta qualquer marca, como acontecia com outros exemplares dessa época produzidos na mesma pasta.

 

© MAFLS 


Fevereiro 25 2017

 

Duas pequenas estatuetas, com cerca de 6,5 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Conhecem-se outras versões desta série, com diferentes cores de vestuário e diferentes instrumentos musicais, ostentando nesses instrumentos as duas variantes de metal, ouro e platina, aqui ilustradas.

 

 

 © MAFLS


Fevereiro 19 2017

 

Dois açucareiros em faiança da fábrica Secla, Caldas da Rainha.

 

Este formato, com o código P.2942, foi concebido cerca de 1970 pelo designer Joaquim Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989), fundador e gerente responsável pela fábrica Secla, para um serviço de café.

 

Exemplares semelhantes estão ilustrados na página 109 do livro A Nova Cerâmica das Caldas (1989), da autoria do mesmo Alberto Pinto Ribeiro, e na página 131 do catálogo da exposição Estúdio Secla: Uma renovação na cerâmica portuguesa, realizada em 1999 no Museu Nacional do Azulejo.

 

 

© MAFLS


Fevereiro 18 2017

© Imagem Associação Turismo de Lisboa

 

Após catorze anos de encerramento, e muitos mais de abandono e desoladora degradação, foi hoje reaberto o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

 

Agora sob a gestão da Associação Turismo de Lisboa (https://www.visitlisboa.com/pt-pt) este edifício com quase cem anos, que representou Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 1922, teve uma recuperação integral que inclui o restauro dos magníficos painéis azulejares executados por Jorge Colaço (1868-1942) na Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

Vejam-se alguns pormenores dos quatro painéis alegóricos – intitulados A Ala dos Namorados, Cruzeiro do Sul, Ourique e Sagres,  aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+internacional+rio+de+janeiro.

 

© MAFLS


Fevereiro 11 2017

 

Dois cinzeiros em faiança da fábrica Cerâmica da Madalena, Limitada, Leiria.

 

Fundada por escritura lavrada em 31 de Julho de 1945, esta empresa tinha um capital inicial de 260.000$00, distribuído pelos seguintes accionistas – José António Lagoa, com 60.000$00, António Ferreira Morgado, Costa & Irmãos, Lda., Luiz de Sousa Carpalhoso, Manuel Carpalhoso Júnior, Manuel da Venda Júnior e Vergílio Hasse de Oliveira, com 30.000$00 cada, e Manuel António Pinto, com 20.000$00.

 

Posteriormente, já no final da década de 1960, esta fábrica veio a ter como accionista a empresa J. Pimenta, S.A.R.L., cujo logótipo está patente nestas peças.

 

O primeiro cinzeiro alude ainda à célebre publicidade gráfica e televisiva que, no início da década de 1970, apresentava o slogan "Pois, pois... J. Pimenta!", promovendo os empreendimentos do construtor civil João Pimenta (c.1925-2015).

 

 

 

Em 1986 a Cerâmica da Madalena, que entretanto já se tinha vindo a especializar na loiça sanitária durante as últimas duas décadas, passou a integrar o grupo espanhol Roca (http://www.pt.roca.com/home/home) e produziu 200.000 peças. No ano seguinte, registava já uma produção de um milhão de peças.

 

Esta empresa de origem catalã havia-se estabelecido em Portugal em 1972, comercializando produtos de aquecimento e banheiras de ferro fundido.

 

Em 1995 consolidou a sua posição no mercado inaugurando uma unidade de produção de banheiras em aço esmaltado, em Águeda, e no ano seguinte construiu uma segunda unidade em Leiria, que começou por produzir 233.000 peças e em 1998 produzia já 1.800.000 peças.

 

No âmbito desta diversificação na área sanitária, em 1999 a  Roca veio ainda a inaugurar, em Cantanhede, uma unidade de produção de torneiras. 

 

 

© MAFLS


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