Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2014

 

Placa em biscuit da Vista Alegre, com cerca de 10,7 x 7,2 x 0,6 cm., comemorativa do centenário do corpo de bombeiros da empresa.

 

Apresenta as legendas "Centenário do Corpo de Bombeiros Privativo da Vista Alegre 1880-1980", no anverso, e "Um Século de Voluntária Devotação ao Irmão Homem", no verso.

 

Na parte inferior do anverso apresenta ainda as inscrições "Des. J. S. (?) Loureiro", à esquerda, e "Esc. C. Calisto [Carlos da Rocha Calisto, 1934-2009]", à direita.

 

 

© MAFLS


Agosto 09 2014

 

Pequena jarra em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 10,8 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão sobre o vidrado.

 

Embora este exemplar ostente a marca correspondente ao período 1947-1968, tal formato foi produzido frequentemente durante o período anterior (1922-1947), sendo até um dos mais característicos dessas décadas.

 

 

© MAFLS


Maio 11 2014

 

Taça em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 14,7 cm. de diâmetro e 7 cm. de altura, ostentando uma das marcas da fábrica atribuídas ao período de 1881 a 1921.

 

A decoração monocromática amarela, coroada por um discreto remate dourado no rebordo, sobrepõe-se ao relevo negativo da parte inferior, que parece evocar algas ou um motivo vegetalista, formando uma peça minimalista de harmonioso efeito e algo evocativa da inspiração oriental.

 


Abril 08 2014

 

Ainda a propósito do formato Asa Triangular (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cci-304854) apresentam-se hoje três peças correspondentes a esse modelo – duas do período 1924-1947, uma cafeteira e um bule, outra, uma leiteira, do final da década de 1990.

 

As duas primeiras, embora surjam num formato que apelaria melhor a uma decoração mais minimalista ou geometrizante, traduzem inequivocamente aquele que seria o gosto pelo figurativismo floral então predominante no público português.

 

Apesar de a decoração já corresponder a uma gramática contemporânea mais contida, e em certa medida até algo minimalista, insere-se ainda num gosto conservador que tendia a centrar a decoração cerâmica nos motivos  florais, pese embora o design claramente contemporâneo, e quase modernista, destes motivos.

 

Esta apetência pela decoração floral era uma característica que também se fazia sentir em Inglaterra, a qual foi clamorosamente sublinhada, talvez devido à sua maior exuberância cromática e inovação composicional, pelo sucesso de vendas das criações de Clarice Cliff (1899-1972) durante as décadas de 1920 e 1930.

 

 

Tal como aquelas que se apresentaram no anterior artigo, as duas primeiras peças integrariam certamente um serviço tête-à-tête para duas pessoas.

 

A cafeteira, que apesar da designação ostenta os orifícios característicos de um bule, mede cerca de 14,4 cm. de altura, enquanto o bule apresenta apenas cerca de 8,7 cm. de altura.

 

As dimensões desta última peça contrastam com as dos bules Asa Triangular destinados aos serviços completos, ou mesmo aos meios-serviços, que apresentam cerca de 13 cm. de altura.

 

Dos formatos originais da década de 1930 conhecem-se chávenas de chá e de café, designadas como "Asa Triangular baixa com asa maciça" na entrada 1524 dos arquivos da VA, que, curiosamente, apresentam dimensões ligeiramente maiores nos conjuntos tête-à-tête do que nos serviços completos.

 

Uma encomenda datada de 1 de junho de 1938, registada nos mesmos arquivos sob o número 32387, refere que o formato da leiteira, criado em 1933, foi também adaptado para cafeteiras número 4 (código numérico correspondente às dimensões da peça).

 

 

Em finais de 1998, a VA anunciou o lançamento do serviço Keisha, comercializado no início do ano seguinte, que retomou o formato Asa Triangular, de que se apresenta acima uma leiteira com cerca de 11,7 cm. altura.

 

Com belíssima decoração geometrizante, a azul cobalto e ouro, de Aïssata Pinto da Costa (datas desconhecidas, filha de Manuel Pinto da Costa [n. 1937], actual presidente de São Tomé e Príncipe; ver uma entrevista de Aïssata aqui: http://www.adelaidedamoah.com/.), este serviço inclui peças de almoço e pequeno-almoço.

 

Na época a VA dispunha da cadeia de lojas Casa Alegre, para as quais Aïssata Pinto da Costa concebeu ainda três outras decorações – Adey, Aisha e Oumi, todas elas em cores quentes e com motivos de alegada inspiração africana, que foram comercializadas em faiança.

 

Não se sabendo se devido a um  elevado custo da decoração ou a um fracasso de vendas, o motivo Keisha, o único produzido em porcelana, foi descontinuado a partir de 2004.

 

          

 

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Abril 05 2014

 

Conjunto de leiteira, açucareiro e bule, formato "Asa Triangular", em porcelana da Vista Alegre, Ílhavo, apresentando marcas correspondentes ao período 1924-1947.

 

Os arquivos da VA, relativos a uma leiteira similar a esta registada sob a entrada número 4072 de 1938, referem que este formato foi introduzido em Julho de 1933, embora o arredondado bico desta peça seja distinto daquele original, que era angular.

 

A imagem destes exemplares consta, juntamente com outra imagem de chávenas do mesmo formato, do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, sendo da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Uma leiteira do formato "Asa Triangular" original, com o bico angular e decoração floral foi também exibida nesse evento, surgindo sob o número 154 de catálogo.

 

Esse formato original, com decoração exactamente igual a esta, pode também ser visto no espaço de Maria Andrade: http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2012/04/formas-clarice-cliff-em-porcelana-da.html.

 

Conforme referido no catálogo daquela exposição, e também no espaço acima mencionado, esta leiteira é muito semelhante ao modelo Bizarre Ware Conical Shape introduzido em Inglaterra em 1929 e desenhado pela consagrada Clarice Cliff (1899-1972).

 

Por sua vez, a base do açucareiro evoca claramente a influência da Bauhaus, em particular o famoso design que Marianne Brandt (1893-1983) produziu para bules, taças e cinzeiros, de metal, em meados da década de 1920.

 

Peças com formatos semelhantes constam também do catálogo da Fábrica de Cerâmica de Joaquim Macedo Correia, de Barcelos, sob os números 794, cafeteira, e 797, açucareiro, sendo o desenho das mesmas atribuído a João Macedo Correia (1908-1987).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

Uma diferente fotografia destas peças surgiu em grande destaque na primeira página de jornal Luso-Americano (http://www.lusoamericano.com/), publicado em Newark, New Jersey, E.U.A., algumas semanas antes da inauguração da referida exposição.

 

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Março 02 2014

 

Pratos rasos em faiança, produzidos na Oficina da Formiga, de Ílhavo, com decoração floral aplicada sobre papel recortado (stencil), sob o vidrado.

 

Note-se como o motivo central destes pratos produzidos na década de 1990 é exactamente o mesmo, registando-se apenas uma variação cromática.

 

Já a decoração dos rebordos é distinta, acompanhando as diferentes dimensões das peças – cerca de 21,2 cm. de diâmetro, no prato apresentado acima, e cerca de 27,2 cm. no exemplar apresentado abaixo.

 

 

Como se pode verificar no espaço da OF (http://oficinadaformiga.com/), a empresa, fundada por Jorge Saraiva (cujas iniciais surgem associadas à marca) no ano de 1992, dedica-se essencialmente à produção de réplicas:

 

"As peças da Oficina da Formiga são reproduções fieis dos formatos e motivos de louça utilitária, fabricadas na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX provenientes de diversas unidades industriais nacionais que já encerraram, nomeadamente de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Sacavém, Caldas da Rainha e Gaia."

 

Efectivamente, uma rápida mas atenta observação dos motivos que se podem encontrar nos diversos pratos desta oficina, permite identificar nas peças actualmente comercializadas decorações da FLS (http://mfls.blogs.sapo.pt/158530.html) e da fábrica do Cavaco (http://mfls.blogs.sapo.pt/238099.html), entre outras.

 

No entanto, a empresa tem ensaiado recentemente variantes aos motivos decorativos tradicionais e alternativas às réplicas integrais, nomeadamente através da formulação de convites para residências artísticas.

 

Floreira Archeiro numa montra da loja Vista Alegre do Chiado, em Lisboa.

 

O artista brasileiro Fábio Carvalho, cujo blog Porcelana Brasil (http://porcelanabrasil.blogspot.pt/) já tinha sido aqui destacado em Dezembro de 2011 (http://mfls.blogs.sapo.pt/2011/12/15/), foi há alguns anos convidado, conjuntamente com outros artistas brasileiros, pela fábrica Bordallo Pinheiro para conceber uma peça que celebrasse a herança bordaliana. 

 

Na sequência desse convite, de que resultou a peça reproduzida acima, e das exposições que se organizaram no Brasil e em Portugal para expôr as peças de todos os artistas convidados, Fábio Carvalho deslocou-se novamente a Portugal em 2013.

 

Aproveitando essa estadia, a Oficina da Formiga endereçou ao artista um convite para residência artística nas suas instalações, a qual veio a concretizar-se em Dezembro passado.

 

O resultado dos trabalhos desenvolvidos nessa residência, onde as asas de borboleta, evidente alusão ao termo fairy nas suas diversas acepções, colocadas na figura daquele arqueiro que Fábio Carvalho recriou para a Bordallo Pinheiro e tanto evoca D. João VI, voltam a surgir, desta vez na figura de militares brasileiros, pode ser visto no blog da OF: http://oficinadaformiga.com/fabio-carvalho-em-residencia-artistica-na-oficina-da-formiga-%E2%80%A2-fabio-carvalho-in-artistic-residency-at-ofceramics/.

 

     

 

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Fevereiro 08 2014

 

Conjunto para chá em porcelana da Vista Alegre.

 

Ostentando a marca correspondente ao período 1947-1968, foi certamente produzido já na década de 1960, podendo ter sido criado, ou desenhado, nos finais da década anterior. Conhece-se, no entanto, um anúncio, de página inteira, publicado na revista Panorama, número 5, IV série, de Março de 1963, que apresenta este formato.

 

Com a legenda "Vista Alegre / apresenta / SOLTEIRINHA / [imagem] / a sua última criação", o anúncio, reproduzido abaixo, apresenta um conjunto com este formato, mas com diferente decoração, onde se comprova que, originalmente, este integrava também, para além das três tacinhas, um pequeno prato.

 

Na fotografia pode-se ainda constatar que a reentrância na base do bule permite que este se encaixe por cima da chávena, um conceito pragmático e minimalista, orientalizante, que aqui se associa à modernidade.

 

 

 

 

Curiosamente, quer a designação (que se aplicará ao formato e não à decoração) quer a composição do conjunto, que nem sequer se destina a duas pessoas, como os tête-à-tête popularizados nas décadas de 1920 e 1930, mas apenas a uma, traduzem uma nova mentalidade e uma nova aproximação à vivência do quotidiano feminino.

 

Notem-se as diversas combinações peculiares nos formatos apresentados, características de certas propostas híbridas das décadas de 1950 e 1960, como sejam o conservador bico do bule conjugado com o seu cilíndrico formato modernista, e a asa em verga revestida a fita sintética, e as, aparentemente conservadoras, asas, quer da chávena quer da leiteira, combinadas com o formato menos conservador do corpo principal das peças.

 

Embora estas asas não sejam efectivamente tão conservadoras como parecem, até pelo amplo espaço criado no seu interior, a verdade é que propostas posteriores destas formas cilíndricas, ou mesmo tronco-cónicas, vieram a prescindir de quaisquer asas, tal como já anteriormente tinha acontecido em alguns modelos modernistas derivados das propostas da Bauhaus.

 

A simples decoração listada, no seu minimalismo repetitivo, contribui também para sublinhar a modernidade da proposta deste conjunto.

 

 

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Abril 14 2013

 

Placa oval em biscuit, com cerca de 16,4 x 11,9 x 1 cm., representando um barco moliceiro da ria de Aveiro.

 

Encontrando-se aplicada sobre veludo, esta placa não ostenta qualquer marca visível. Sob a popa do moliceiro, contudo, é possível distinguir a assinatura manuscrita C. Calisto (Carlos da Rocha Calisto, 1934-2009).

 

Carlos Calisto foi um dos mestres modeladores da Vista Alegre, onde trabalhou até 1981.

 

Abaixo pode ver-se um pequeno azulejo quadrangular, com cerca de 10,1 cm. de lado, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro, apresentando um motivo similar.

 

     

 

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