Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 23 2014

 

Apresentam-se hoje dois bules em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia, que, numa tonalidade mais clara, evocam o famoso azul cobalto de Sèvres.

 

Datáveis das décadas de 1930 ou 1940, traduz o primeiro aquele que terá sido o mais modernista dos modelos de chá e café do Candal, embora o perfil da pega da tampa se conheça, com variantes, em peças quer da Manufactura de Faianças das Caldas da Rainha, quer da Vista Alegre, onde tal formato, com asas completamente diferentes, surge sob a designação Samuel.

 

O segundo bule, com o seu humorístico toque na pega da tampa, apresentando um caracol estilizado, será provavelmente mais tardio que o primeiro e traduz um retorno a formas mais conservadoras, com evocação de influências mais classicizantes e neo-barrocas.

 

 

A propósito ainda destes bules, inquestionavelmente enquadráveis no período Art Déco, e do pequeno cinzeiro apresentado abaixo, com cerca de 10 cm. de diâmetro, aproveita-se a oportunidade para sistematizar, sem o estabelecimento de uma cronologia específica, algumas das marcas utilizadas pela Electro-Cerâmica do Candal ao longo da sua existência.

 

O primeiro bule ostenta a marca C1a, o segundo a marca C3c, a qual surge aqui acompanhada de uma referência manuscrita à decoração, comum nas peças da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, mas pouco habitual nas peças do Candal, e o cinzeiro, surpreendentemente, a marca C4, correspondente à PORCEC, a última utilizada no Candal, de que se conhece ainda outra variante com o EC entrelaçado.

 

 

 

Registe-se, novamente, que existe um site dedicado à memória da EC do Candal, instituído pela Candal Park, Centro de Negócios e Empresas, empresa que veio recuperar, ocupar e adaptar as antigas instalações da fábrica: http://www.candalparque.pt/quemsomos.php.

 

Finalmente, recorde-se, mais uma vez, que há também um site consagrado exclusivamente à divulgação e ao coleccionismo de peças do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.

 

                    

C1a                                        C1b                                        C1c                                         C2

 

               

C3a                                        C3b                                        C3c                                         C4

 

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Maio 17 2014

 

No dia em que, simbólica e supostamente, se fecha uma caixa de inanidades e se assiste ao demagógico e propagandístico regozijo oficial, enquanto sobre o país pairam inexoráveis avejões e a maioria dos portugueses sofre a dura realidade quotidiana herdada daquela tecnocrática boceta de Pandora, apresentam-se duas caixas de porcelana de diferentes fábricas e com diferentes formatos.

 

Primeiramente, um exemplar com decoração floral estampada, e complementos a platina, da fábrica Electro-Cerâmica do Candal. Esta caixa, com cerca de 7,6 x 11,9 x 7,6 cm., corresponde ao formato F8 da EC, como se pode comprovar no final do artigo.

 

Tal formato teve uma variante quadrada, que se conhece com decoração alusiva à Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa no ano de 1940 (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/exposi%C3%A7%C3%A3o+do+mundo+portugu%C3%AAs).

 

 

Seguidamente, uma pequena caixa da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, com cerca de 3,9 cm. de altura e 7 cm. de diâmetro, apresentando decoração vegetalista e floral, estilizada ao gosto Art Déco, pintada à mão e com complementos a ouro.

 

Embora estes exemplares sejam os dois, provavelmente, da década de 1940, note-se como a caixa da SP ostenta um motivo claramente modernista na sua representação figurativa.

 

Na marca da Electro-Cerâmica, note-se como surge um segundo logótipo esmaltado sobre o vidrado que foi sobreposto ao logótipo inciso na pasta.

 

     

 

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Maio 03 2014

 

Pequena jarra em porcelana da fábrica Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia, decorada em tom monocromático rosa e apresentando complementos de filetagem a ouro.

 

Com cerca de 17,3 cm. de altura, esta peça corresponde ao formato J.22, como se pode verificar na inscrição, incisa na pasta, reproduzida abaixo.

 

 

Durante o segundo quartel do século XX e a década de 1950, formatos semelhantes a este surgiram também em significativa quantidade na produção vidreira portuguesa.

 

Acima apresenta-se uma jarra em vidro moldado, muito provavelmente produzida numa unidade da Marinha Grande em meados daquele século. Esta simples decoração com uma camada de reflexos alaranjados e irisados é popularmente conhecida como "casca de cebola".

 

 

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Dezembro 14 2013

 

 

Figura em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, de Vila Nova de Gaia, com cerca de 8,5 x 11,2 x 5,8 cm., representando um galgo da raça borzoi. Apresenta na base, incisa, a indicação alfanumérica E-40 e a marca EC Candal impressa sob o vidrado.


Na sequência do elogio da velocidade, que o Futurismo associou à indústria, à mecanização e à modernidade, os galgos vieram a epitomizar, durante o período Art Déco, essa ideia aliada ainda à elegância e ao luxo, como se pode constatar nas famosas gravuras de Louis Icart (1880-1950), em geral, e na pintura Natacha (c. 1928), de António Soares (1894-1978), em particular.


A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

As representações realistas de animais não são invulgares na produção da EC do Candal, embora as produções mais interessantes surjam associadas às estilizadas representações monocromáticas, mais ou menos caricaturais, como a que se pode ver mais abaixo e as que se puderam observar nos coelhos, de várias cores, exibidos na exposição acima mencionada.

 

(http://halotuga.blogs.sapo.pt/tag/milou)

 

Este fox terrier em porcelana, com cerca de 5 cm. de altura, não ostenta qualquer marca visível da EC, mas apresenta incisa a numeração E-43, que corresponde ao registo habitual desta fábrica. Curiosamente, apresenta ainda na base, a lápis, o seu preço de venda – 6$00. 

 

Como se sabe, a figura mais célebre de um fox terrier teve origem na banda desenhada, através de Milou, o fiel companheiro de Tintin, personagens estas criadas por Hergé (pseudónimo de Georges Remi, 1907-1983).

 

No final da década de 1940 já haviam sido publicados 14 diferentes álbuns de Tintin, pelo que é possível que esta figura do Candal procurasse associar-se à imagem de sucesso daquela personagem.

 

Aproveita-se ainda a oportunidade para divulgar um espaço, da autoria de uma antiga trabalhadora da fábrica, Maria da Conceição Costa, dedicado exclusivamente às peças do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.

 

          

 

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Setembro 07 2013

 

Pequena jarra, com cerca de 12 cm. de altura e e 9,5 cm. de diâmetro, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, de Vila Nova de Gaia. Na base, para além da marca EC dentro de um losango, apresenta também impressa a indicação J-31, referente ao modelo.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Junho 23 2013

 

Não se havendo encontrado uma peça cerâmica que ilustre os tradicionais símbolos profanos alusivos ao S. João – o alho-porro e os martelinhos, evocam-se hoje essas populares festividades do Porto e de Gaia, mas também de Braga (http://mfls.blogs.sapo.pt/120112.html) e de outras terras do país, apresentando uma pequena figura de criança com cornetim.

 

Modelada em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, e com cerca de 13,2 cm. de altura, ostenta decoração com esmalte policromado e complementos a dourado sobre o vidrado.


Com esta peça encontramo-nos, mais uma vez, perante uma figura que evoca a produção da fábrica alemã Hümmel, como já foi referido anteriormente: http://mfls.blogs.sapo.pt/189591.html, sendo esta uma cópia evidente da figura número 97 da série produzida por essa fábrica, onde apenas o boné surge como pormenor distintivo: http://www.antiquesnavigator.com/index.php?main_page=documents&content=search&c=Hummel+Figurines&s=trumpet+boy&sumbit=Submit.


Note-se, porém, como a pintura desta peça da EEC está à altura da excelente qualidade das peças da fábrica alemã, características que não se encontram em muitas adaptações ou cópias de outras fábricas, nacionais ou estrangeiras.


Aproveita-se a oportunidade para deixar uma ligação ao blog Detalhes Cerâmicos, espaço que desde Maio de 2012 vem divulgando exclusivamente peças da fábrica Electro-Cerâmica do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.



Complementa-se ainda a celebração das festividades de S. João com a reprodução de uma gravura flamenga, apresentando uma mancha impressa de cerca de 11,8 x 25,8 cm., do século XVII.


Gravada em água-forte por Gaspar Bouttats (c. 1625 - c. 1703), esta vista desenhada e executada pelo pintor Ioannis (Jan) Peeters (1624-1677), que também se especializou em representações de marinhas e naufrágios, composições que o consagraram, pretende mostrar a igreja de S. João Baptista, e a paisagem envolvente, alegadamente erigida no local de nascimento do santo.


Originalmente, esta gravura integrava um álbum intitulado Vistas de Jerusalém e seus Arredores.



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Dezembro 23 2012

 

Urso polar em porcelana da Empresa Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia.

 

Esta figura, com cerca de 13,8 x 25,6 x 8,9 cm., quando comparada com todas as outras representações de ursos polares aqui divulgadas (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/polar+bear), é aquela que, apesar da cuidada e detalhada modelação, sugere menos dinamismo.

 

Esta entrada fica registada com particular desejo de Festas Felizes para os autores de MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/).

 

 

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Setembro 01 2012

 

Pequenas figuras de esquiadores, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, decoradas com esmalte policromado e complementos a dourado sobre o vidrado.


Estas pequenas figuras, com cerca de 9,2 x 6,8 x 4,6 cm., acabaram por tornar-se características da produção do Candal embora a sua imagem esteja estreitamente ligada a modelos importados, como os da fábrica alemã Hümmel (http://mfls.blogs.sapo.pt/88777.html), e outras fábricas portuguesas, como a VA, tenham comercializado linhas semelhantes.


Destes exemplares apenas o que está decorado a azul apresenta marca estampada sobre o vidrado, tal como se pode ver abaixo, ostentando ambos a referência E8, de formato, e a marca EC impressas na pasta.


Embora se conheçam diversas peças semelhantes a estas, incluindo outras com diferentes cores, como o verde, o seu preço actual tende a ser injustificadamente especulativo e exorbitante, algo que ultimamente tem acontecido com muitas das peças decorativas do Candal, em particular nas lojas e feiras de antiguidades do norte do país. 

 

 

Numa carta manuscrita, datada de 22 de Novembro de 1920 e dirigida a um outro responsável dessa fábrica, carta que se encontra no arquivo particular de Carlos Bobone (n. 1962), o administrador delegado da Vista Alegre, João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953) sublinha: " (...) Temos que ser commerciaes e não afugentar os clientes que tem serviços nossos – Devemo-nos lembrar que a Ceramica de Gaia [Candal] vae fazer serviços. (...)"


Efectivamente, embora tenha começado pelo ramo da porcelana para fins eléctricos e industriais, a Empresa Electro-Cerâmica do Candal não só veio a produzir com sucesso serviços de mesa como também inúmeras outras peças utilitárias e decorativas, particularmente jarras e pequenos bibelots representando animais ou figuras como estas.


Tal como referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/62574.html), esta empresa acabou por integrar-se em definitivo no grupo Vista Alegre a partir do ano de 1945, permanecendo a ele ligada até ao ano de 2001.


Sobre a actual realidade do espaço e do património da EC veja-se: http://www.candalparque.pt/index.html.

 

 

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Março 24 2012

 

Jarra em faiança fina de Viana, da empresa Campos & Filhos, produzida durante a década de 1960. Esta faiança fina é uma pasta feldspática de grés, não porosa, semelhante à porcelana.

 

O formato desta jarra evoca claramente formatos populares desde finais da Idade Média até ao século XVIII, como o de alguns albarellos, os famosos potes de farmácia, distinguindo-se da generalidade da loiça de Viana sua contemporânea pela ausência de qualquer pintura manual (hoje, como então, tradicionalmente apresentando o azul como cor principal) e pela modelação em relevo da pasta.

 

Esta empresa de Viana do Castelo, adquirida em 1948 pela Jerónimo Pereira Campos, Filhos, de Aveiro, tinha o seu centro de produção de loiça doméstica e decorativa na Meadela, mas a CF, mantendo estas instalações e diversificando a sua produção, veio a recuperar e ampliar na outra margem do rio Lima, em Barroselas, uma unidade onde produzia cerâmica de construção e grés, de acordo com a vocação original das suas outras unidades industriais.

 

                    

 

Um aspecto curioso sobre a produção do período de administração da CF é que esta empresa comercializou pires e chávenas de chá e café, monocromáticos e com complemento a ouro, de formatos muito semelhantes a outros produzidos pela Electro-Cerâmica do Candal, formatos esses que foram exibidos na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos EUA.

 

O conjunto de chávena de chá e pires que se reproduz acima representa esse formato, na versão de porcelana da fábrica da Electro-Cerâmica do Candal, de que se conhecem exemplares em diversas cores. Os exemplares conhecidos da CF são em azul ultramarino, numa clara evocação do prestígio da porcelana decorada a azul cobalto e ouro, combinação cromática consagrada na expressão "ouro sobre azul".

 

Do ponto de vista formal, a única diferença significativa entre este exemplar e os exemplares da CF situa-se ao nível do remate da asa – aqui constituído pela aparente união de duas hastes, nos exemplares da CF apresentando uma única forma contínua.

 

Consultem-se aqui mais informações sobre a loiça de Viana: http://www.lrviana.com/ e http://www.youtube.com/watch?v=kV1fFj8jXZc.

 

 

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Janeiro 14 2012

 

Pequenos cinzeiros em porcelana da fábrica Electro-Cerâmica do Candal, Vila Nova de Gaia.

 

Sem mais texto, para não nos distrairmos da pureza das formas e da decoração, estas imagens são dedicadas ao blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.com/) e à sua autora.

 

 

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