Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 01 2014

 

Duas jarras em faiança da Societé Industriellle Savoyarde de Poterie Artistique (SISPA), oficina cerâmica francesa activa entre 1928 e cerca de 1940.

 

Esta oficina, fundada e dirigida pelo multifacetado artista e ceramista Émile Simonod (1893-1977; cf. http://www.dolomieu.fr/histoire/simonod.htm.), sucedeu à Poterie Savoyarde, que Simonod criara, dois anos antes, também em Cognin.

 

A SISPA, cujas peças ostentam, impressa na pasta, quer esta designação quer a assinatura de Simonod, como se pode constatar nas imagens, chegou a contar com dezasseis operários, quatro dos quais decoradores.

 

 

Medindo cerca de 21 cm., de altura, o primeiro, e cerca de 21,7 cm., o segundo, estes exemplares foram executados em pasta de argila clara, embora se conheçam outros em pasta de argila vermelha.

 

Traduzem estas peças uma aproximação muito específica da SISPA, quer no design quer na combinação cromática, à gramática decorativa de estilização floral Art Déco, ostentando ainda os característicos óxidos metálicos desenvolvidos nesta oficina.

 

Veja-se um outro espaço dedicado a Simonod, com o mesmo texto da ligação acima referida mas com fotografias de algumas das suas pinturas, aqui: http://www.groupehistoriqueetcultureldolomois.com/#!emile-simonod-/cje3.

 

          

 

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publicado por blogdaruanove às 20:09

Setembro 01 2014

 

 

Prato de parede, com cerca de 21,4 cm. de diâmetro, apresentando assinatura manuscrita que parece corresponder às iniciais do ceramista francês Alfred Renoleau (1854-1930).

 

Esta peça de aspecto algo sombrio, e com uma imagem talvez pouco atractiva ao primeiro olhar, representa de facto uma interessante evolução no tratamento e exploração das características dos vidrados por parte de Renoleau.

 

A atraente superfície beige mate que se pode observar no tardoz recobre toda a pasta cerâmica branca. Sobre este fino vidrado, muito suave ao toque, foram depois aplicadas outras camadas espessas que conferem ao conjunto o seu aspecto experimental, rugoso e envelhecido, de onde sobressai a silhueta recortada de cervídeo.

 

Um exemplar com estas características específicas apenas pode ser justamente apreciado e percepcionado quando manuseado, o que permite apreender simultaneamente, através do tacto, o contraste entre os diferentes vidrados das suas duas faces.

 

O motivo, que evoca claramente a herança pictórica de grutas como Altamira ou Lascaux, e foi também tratado no período Art Déco por outras fábricas europeias, como a consagrada belga Boch Frères, corresponde certamente à produção final de Renoleau, sendo este acabamento um exemplo da maturidade das suas pesquisas e da sua praxis no vidrado cerâmico.

 

 

Uma superfície rugosa muito semelhante haveria de vir a ser aplicada em alguma cerâmica alemã das décadas de 1950, 1960 e 1970, cujo acabamento vidrado, curiosamente, acabaria por ser conhecido, já este século, através de uma expressão inglesa - fat lava (http://originalfatlava.wordpress.com/scheurich/).

 

Obviamente, esta designação evoca as expressões Etna e Vesuve correspondentes aos vidrados microcristalinos desenvolvidos pela fábrica francesa Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/278871.html), bem como outros tipos de vidrados escorridos oitocentistas.

 

O pequeno exemplar de fat lava ilustrado acima foi produzido pela fábrica alemã ES Keramik, cujas iniciais correspondem a Josef Emons & Söhne, de Rheinbach. Esta empresa foi fundada em 1921, cindiu-se em duas no pós-guerra, e acabou por encerrar em 1974.

 

O principal designer desta fábrica foi Willi Hack (datas desconhecidas), que ali laborou desde 1954 até 1974, sendo Hans Kraemer (datas desconhecidas) o modelador de todas as formas desde 1952 até 1968.

  

Veja-se outra peça de Renoleau, esta com vidrado escorrido ao gosto orientalizante de finais do século XIX, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/278173.html.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Duas peças da fábrica francesa Société Anonyme des Produits Céramiques de Rambervillers que ilustram diferentes vidrados de diferentes épocas.

 

A primeira, um cinzeiro, ou vide-poche, com cerca de 17 cm. de comprimento, ostenta uma papoila modelada de acordo com a característica gramática sinuosa Art Nouveau.

 

Embora corresponda ao formato 229, que já surge no catálogo de 1906, a peça continuou a surgir nos catálogos de 1920 e 1930, sendo este um exemplar tardio, como se pode comprovar pela pasta vermelha e pela marca, que habitualmente se atribui ao período de 1950 a 1957.

 

 

A figura que representa um cachorro da raça basset, com cerca de 15 x 17,8 x 10,4 cm., ostenta, impressas, a assinatura de Jean-Baptiste-Alphonse Cytère (1861-1941) e a marca Unis-France, correspondente ao período de 1920 a 1931.

 

É esta uma peça que surge pela primeira vez no catálogo de 1920, sob o número 269, e que, quer pelo seu formato quer pelo seu peso, pode ser usada como ampara-livros, embora tal não esteja expressamente indicado no catálogo.

 

Apesar de este exemplar apresentar as supracitadas marcas, o original havia sido modelado pelo consagrado escultor alemão Ludwig Habich (1872-1949), um dos expoentes da renomada comunidade artística de Darmstad, e apresentado numa versão em bronze durante a Exposição Universal de Paris, realizada em 1900, embora se conheçam também versões em grés da fábrica alemã Scharvogel Künsttopferei, de Munique.

 

Os vidrados desta peça não revelam apenas uma aproximação ao original em bronze mas também uma busca de novas tonalidades para sucederem aos reflexos metalizados, como o famoso azul, os verdes e o sang-de-boeuf, da produção inicial da fábrica.

 

Vejam-se outras peças da Rambervillers aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 29,8 cm. de altura, ostentando as iniciais C. M., correspondentes ao consagrado ceramista francês Clément Massier (1845-1917).

 

A oficina de Massier, situada em Golfe-Juan, localidade que pertence à célebre comuna de Vallauris, nos Alpes-Maritimes, foi um notável centro de formação cerâmica (http://www.vallauris-golfe-juan.fr/La-famille-Massier.html?lang=fr).

 

Os Massier foram um família de ceramistas, dos quais, para além de Clément, se celebrizaram ainda seu irmão Delphin (1836-1907) e seu primo Jérôme (1850-1916), que deram continuidade a uma tradição que já vinha do pai dos dois primeiros, Jacques (1806-1871) e do avô deste, Pierre (1707-1748).

 

A partir da última década do século XIX, a obra de Clément celebrizou-se quer pela modelação escultórica das suas peças quer ainda, e principalmente, pelo acabamento irisado dos seus vidrados, aclamados a partir da Exposição Universal de 1889. 

 

     

Acima, à direita, uma jarra da fábrica de Sarreguemines, com cerca de 28,4 cm. de altura, apresentando também retoques a ouro.

Comparando lado a lado estes dois formatos contemporâneos, torna-se bem evidente a acentuada elegância da peça modelada por Massier.

 

A sua oficina tornou-se então um consagrado centro de formação, por onde passaram inúmeros grandes ceramistas como François (1850-1942) e Jacques Sicard (1865-1923; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/213887.html), Jean-Baptiste Gaziello (1871-1957; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/277167.html), ou Jean Barol (1873-1966), os quais divulgaram e criaram variantes do famoso vidrado inicialmente desenvolvido na oficina daquele mestre.

 

Tal vidrado recorda claramente os vidrados microcristalinos de mais algumas fábricas, como a Sarreguemines (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/sarreguemines), e não deixa de remeter para o irisado que haveria de vir a consagrar a produção da famosa fábrica húngara Zsolnay.

 

Esta jarra, embora apresente um aspecto irisado, não teve aplicação daquele afamado vidrado, antes combinou camadas de diferentes tonalidades com a aplicação de ouro, que também foi usado para assinar e marcar a peça, para obter este efeito. 

 

Note-se ainda a sugestão escultórica do formato de inspiração vegetalista, enquadrável no movimento Art Nouveau, que ora remete para o aspecto de um bolbo a rebentar ora para o perfil de algumas florescências.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Jarras em grés produzidas no atelier do ceramista francês Charles Gréber (1853-1935), situado em Beauvais.

 

Acima uma pequena jarra com cerca de 14,6 cm. de altura, abaixo um exemplar de maiores dimensões, já com cerca de 23,4 cm. de altura, apresentando ambas as peças a característica decoração com microcristais escorridos de muita da produção de Gréber.

 

 

Note-se o formato inovador e claramente inspirado em formas vegetais do primeiro exemplar, que se associa à gramática Art Nouveau, e a forma mais conservadora do segundo, que tem um interesse estético acrescido através da intervenção manual nas incisões triangulares inscritas entre os dois círculos.

 

Veja-se uma outra peça de Charles Gréber aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/211758.html.

 

     

 

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Setembro 01 2014

 

Pequena jarra em grés branco, com cerca de 14 cm. de altura, apresentando vidrado verde jade e craquelé induzido artificialmente. Abaixo, grande cachepot com cerca de 23,6 cm. de altura, ostentando pintura manual sob um invulgarmente áspero vidrado semi-mate.

 

Claramente evocativa do vidrado e das tradições cerâmicas orientais a primeira, denota a segunda peça uma influência que se poderá associar ao colorido do lápis-lazúli e às históricas escavações ocorridas no Médio Oriente durante o último quartel do século XIX e o primeiro do seguinte.

 

Particularmente a partir de 1922, com a descoberta do túmulo do faraó Tuthankamon (séc XIV a. C.), desenvolveu-se nas artes decorativas uma obsessiva tendência a evocar tudo o que pudesse estar relacionado com a antiga civilização egípcia, tendência que, em menor escala, já havia ocorrido no início do século XIX a propósito das campanhas napoleónicas.

 

Veja-se também como a técnica do craquelé artificial e o uso do vidrado verde jade eram comuns à produção Art Déco de outras fábricas e oficinas cerâmicas: http://mfls.blogs.sapo.pt/276165.html.

 

 

Estas duas notáveis peças, que revelam claramente as excepcionais capacidades técnicas e artísticas do seu autor, devem-se ao ceramista francês Georges Jaéglé (datas desconhecidas), sobre quem muito pouco se sabe.

 

Há notícia, contudo, de este injustamente esquecido artista cerâmico ter sido discípulo do consagrado Raoul Lachenal (1885-1956; http://mfls.blogs.sapo.pt/212524.html.) e de existirem elogiosas referências à sua obra em publicações de final da década de 1920.

 

Sabe-se também que, depois de ter colaborado com Lachenal, instalou a sua oficina nos arredores de Paris, a sul, em Brétigny-sur-Orge, tendo exibido as suas peças nos XVIeme (1926), XIXeme (1929) e XXeme (1930) Salons des Artistes Décorateurs.

 

Finalmente, note-se ainda como as espirais na base das duas peças demonstram terem estas sido não moldadas mas sim trabalhadas num torno de oleiro.

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 08:09

Setembro 01 2014

 

Duas jarras em grés, com cerca de 16,6 cm. de altura, a primeira, e 22,7 cm, a segunda, produzidas na fábrica francesa Fourmaintraux-Delassus, situada em Desvres (veja-se o site do museu aqui: http://www.desvresmuseum.org/).

 

Note-se como a primeira peça apresenta um formato estilizado que remete para os motivos vegetais e para as florescências, particularmente para as flores do medronheiro, aproximação escultórica muito ao gosto do movimento Art Nouveau que, durante a última década do século XIX e as primeiras duas décadas do seguinte, foi comum a muitas das fábricas europeias e americanas na modelação das suas cerâmicas.

 

 

 

A empresa Fourmaintraux-Delassus desenvolveu entre cerca de 1936 e 1983 particular actividade na criação de peças em grés.

 

Herdeira da tradição ceramista da região de Desvres, a empresa manteve também a tradição de anteriores instituições produtoras de faiança, como a fábrica La Belle Croix, onde trabalharam, desde o século XIX, Charles Fourmaintraux-Courquin, Charles Fourmaintraux-Houzel e François Fourmaintraux.

 

A sua produção destacou-se na utilização decorativa de microcristais, seguindo uma tradição de finais do século XIX que se estendeu à produção de cerâmica Art Nouveau, aplicando particularmente uma cristalização azul semelhante àquela que era característica da fábrica Pierrefonds (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/pierrefonds).

 

     

 

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publicado por blogdaruanove às 02:09

Janeiro 05 2014

 

 

Fundada em 1790 e encerrada em 2007, a fábrica de Sarreguemines, em França, construíu ao longo dos séculos XIX e XX uma sólida reputação na área da faiança e da majólica. 

 

Na viragem do século XIX para o século XX, a fábrica Sarreguemines produziu alguma cerâmica monocromática, quer com vidrado brilhante simples quer com vidrado brilhante nacarado.

 

Apresentando tons conservadores, como o clássico francês "Rose Pompadour" ou o clássico chinês "Sang de Boeuf", este com o pormenor do vidrado nacarado, a cerâmica era totalmente inovadora nas formas.

 

Também durante os finais do século XIX e os princípios do século XX a cerâmica decorada com microcristais atingiu nesta fábrica grande perfeição e notável equilíbrio estético, suplantando a sua já consagrada produção em faiança ou pasta de argila vermelha.

 

 

 

Como se pode observar na primeira jarra, que tem cerca de 29,6 cm. de altura, o corpo de argila vermelha trabalhado com barbotina traduz já uma clara influência das sinuosidades florais de influência Art Nouveau, embora mantenha alguma da gramática decorativa que se encontrava noutras fábricas, com a próxima Keller et Guérin (http://mfls.blogs.sapo.pt/277249.html).

 

A apresentação de peças industriais com este corpo de argila vermelha é mais característica de fábricas ou oficinas francesas de menores dimensões, como a Longchamp, com as suas terre de fer, ou a SISPA, sendo pouco comum na Sarreguemines.

 

Já a segunda jarra, em grés e com cerca de 39,6 cm. de altura, ostenta um claro motivo japonizante com design atribuído a Victor Kremer (1857-1908; cf. http://www.sarreguemines-museum.com/accueil/calendrier/kremer.asp.), que na década de 1880 trabalhou também na fábrica inglesa Burmantofts, de Leeds.

 

Vejam-se mais algumas peças que ilustram as criações deste ceramista, aqui: http://www.culture.gouv.fr/public/mistral/joconde_fr?ACTION=CHERCHER&FIELD_98=AUTR&VALUE_98=KREMER Victor &DOM=All&REL_SPECIFIC=3.

 

 

Entre as decorações de vidrado microcristalino desenvolvidas pela fábrica Sarreguemines, a partir do final do século XIX, encontravam-se diversas variantes de azul, castanho-dourado e verde, que representavam um corte radical com os vidrados monocromáticos de tons conservadores, como o "Rose Pompadour" e o "Sang-deBoeuf".

 

Demonstrando um aperfeiçoamento do tratamento químico dos vidrados, este acabamento microcristalino e as miríades de tonalidades daí resultantes  traduzem-se numa iridisação das superfícies decorativas que também foi comum à vidraria artística da época, como se pode observar na famosa produção da fábrica europeia Loetz e nas peças Favrile desenvolvidas nos E.U.A. por Louis Comfort Tiffanny (1848-1933).

 

A iridisação verde de cobre patente na peça ilustrada acima, que tem cerca de 10, 9 cm. de altura e 16,2 cm. de diâmetro máximo, revela-se ainda intérprete hodierna de l'air du temps, pois evoca o verde do absinto novo, bebida em voga entre intelectuais e artistas no final do século XIX, e posteriormente proibida em França, e as suas propriedades alucinogéneas.

 

 

 

Este vidrado microcristalino nas suas versões azuis, castanho-douradas e verdes foi agrupado e comercializado sob a classificação genérica de Etna, numa óbvia alusão às erupções e ao magma do vulcão homónimo.

 

As três peças ilustradas, cujas alturas variam entre os cerca de 13,8 e os 32 cm., correspondem a esta decoração.

 

Na mesma época, a Sarreguemines comercializou ainda uma outra série inspirada nas imagens vulcânicas e denominada Vesuve, que apresenta também vidrados escorridos mas sem recorrer à componente microcristalina.

 

Vejam-se outros exemplares da produção de Sarreguemines aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/tag/sarreguemines.

 

               


Janeiro 02 2014

 

Pequena jarra em grés com as iniciais AR, correspondentes a Alfred Renoleau (1854-1930), impressas na base.

 

Este ceramista dedicou-se inicialmente à produção de peças em faiança que, no seu melhor, recuperavam, sem desprimor, a composição escultural herdada do célebre estilo Palissy.

 

Posteriormente, influenciado talvez pelas tendência japonizante que resultou das exposições universais do último quartel do século, Renoleau passou a interessar-se pela produção de grès flammés.

 

 

Na produção de grés, executou quer peças esculturalmente modeladas quer peças de formato mais convencional, como a jarra que aqui se apresenta.

 

Esta pequena peça, apenas com cerca de 8 cm. de altura, dimensões que sugerem estarmos perante uma amostra de produção destinada a ser exibida por representantes da fábrica ou caixeiros-viajantes, traduz o elevado grau de perfeição e controle de vidrado multicolorido que Renoleau atingiu na sua obra.

 

Fundada em Angoulême no ano de 1896, a fábrica passou a ser administrada, após a morte do fundador, pelo seu sobrinho e filho adoptivo Joseph Roulett-Renoleau (1886-1956), encontrando-se ainda hoje em funcionamento e na posse dos seus descendentes (http://www.roullet-renoleau.fr/ROULLET_RENOLEAU_WEB/FR/Accueil.awp).

 

 

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Dezembro 31 2013

 

Fundada em 1798, em França, a fábrica Longwy celebrizou-se nas últimas décadas do século XIX através da decoração a esmalte separado por corda seca e do acabamento craquelé do vidrado.

 

craquelé evocava a antiguidade das envelhecidas peças de faiança e a corda seca o cloisonné das multicoloridas peças orientais em metal. Foi precisamente através das decorações orientalizantes que a fábrica expandiu o seu prestígio, o qual se veio a elevar durante o período Art Déco e atingiu então expressão maior dentro desse estilo.

 

 

A técnica de corda seca celebrizada por Longwy não era, no entanto, exclusiva desta fábrica, que encontrou grande concorrente na quantidade e qualidade do design da fábrica belga Boch Frères / Keramis, também ela expoente maior na produção de cerâmica Art Déco.

 

Na faiança, este tipo de cloisonné caracteriza-se pela decoração com esmalte policromático, em relevo, sendo as cores envolvidas por linhas mate que funcionam como separadores de esmalte durante a cozedura das peças, num processo reminiscente da velha técnica de corda-seca na azulejaria. 

 

A taça, com cerca de 10,4 cm. de altura e 25,7 cm. de diâmetro, e a jarra, com cerca de 28,1 cm. de altura, apresentadas acima ilustram duas das características decorações Art Déco da Longwy.

 

 

Já o vidrado escorrido como aquele que se apresenta na taça agora ilustrada, a qual tem cerca de 12,7 cm. de altura e 14,6 cm. de diâmetro máximo, é mais característico da herança Art Nouveau, não sendo comum na produção da fábrica, que ainda hoje continua a insistir na onerosa técnica de decoração em faiança cloisonné.

 

Vejam-se muitos e interessantes exemplares da produção desta fábrica, que felizmente integram uma notável e criteriosa colecção nacional, no espaço de MUONT: http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Longwy.

 

Para um conhecimento mais aprofundado da história e também da diversa produção decorativa da fábrica, consulte: http://www.emauxdelongwy.com/emaux.html.

 

          

 

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