Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Julho 08 2013

 

Jarra decorada em relevo, com cerca de 22 x 32,6 x 12,4 cm., apresentando vidrado quadricolor.

 

Como se pode verificar no catálogo de formatos da FLS anteriormente publicado (http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), o formato desta jarra surge ali referenciado sob o número 2.


O aspecto peculiar desta peça reside não só no seu vidrado inovador mas também no facto de aparecer datada e assinada com as iniciais do/a operário/a que terá procedido ao acabamento desse vidrado. Será ainda curioso notar que, tal como se tem vindo a documentar, há uma certa tendência para que as peças da FLS produzidas nesse ano, particularmente as que apresentam o motivo Quinta, bem como na década de 1950, surjam datadas.


Há notícia de este formato e de o formato número 1 terem sido reproduzidos no período final da produção da FLS, em pasta de grés com vidrado mate.

 

 

© MAFLS

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Setembro 25 2012

 

Jarra pintada à mão sob o vidrado, com uma decoração bastante invulgar na produção da FLS.

 

Este formato corresponde ao número 20, conforme se pode verificar no catálogo de jarras já apresentado – http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html, sendo anteriormente designado como formato Portugália 17.

 

Veja-se ainda um exemplar de jarra formato 21, com este motivo, aqui reproduzido: http://mfls.blogs.sapo.pt/143747.html. Como característica inerente à pintura manual, note-se a variante de cor entre os cardinais de cada peça.

 

 

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Julho 11 2012

 

Jarra, com cerca de 18,8 cm. de altura, apresentando decoração aplicada a ouro sobre o vidrado. Como já foi referido, o azul cobalto que serve de fundo à decoração dourada denominava-se na FLS Azul Sèvres.

 

Este exemplar corresponde ao formato número 72 do catálogo de jarras da FLS anteriormente reproduzido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), um catálogo que documenta as diferentes proporções relativas das peças.

 

 

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Junho 30 2012

 

Jarra em faiança, produzida na fábrica Lusitânia/Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, de Lisboa, com cerca de 30,8 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão sobre o vidrado.

 

O craquelé visível na imagem corresponde ao envelhecimento natural do vidrado e da pasta, decorrente da contracção e distensão desses componentes, e não a uma indução artificial desse efeito.

 

As linhas escurecidas que acentuam o efeito craquelé correspondem também às manchas decorrentes do uso, pois, como se pode observar, não se apresentam distribuídas uniformemente pela superfície da jarra.

 

A representação das flores de grandes dimensões nestas tonalidades remete claramente para a tendência decorativa da cerâmica inglesa das décadas de 1920 e 1930, nomeadamente a que corresponde à desenvolvida por Clarice Cliff (1899-1972) para a Newport Pottery, mas também a que corresponde a uma estilização floral mais complexa desenvolvida por Truda Carter (1890-1958) na Poole Pottery.

 

Vista aérea das instalações da CFCL, em Lisboa, delimitadas pela Avenida João XXI, em primeiro plano, e pela Rua do Arco do Cego, à direita.

 

Os preâmbulos dos relatórios da direcção, balanço e contas da CFCL são geralmente mais extensos que os das suas congéneres e representam um testemunho valioso sobre a situação da indústria cerâmica portuguesa nos períodos a que se referem.

 

Pelas suas características particulares e pela sua quase forma de manifesto, transcreve-se aqui a parte mais significativa do preâmbulo do relatório de 1946, que, em certas passagens, não deixa de apresentar factos curiosos face à actual situação do país.

 

"Não diminuíram as dificuldades com que a nossa indústria vem lutando desde há anos nem as formalidades que a perturbam e oneram. É certo que o transporte das matérias-primas, combustíveis e produtos se tornou mais fácil, mas não cessou ainda a inútil intervenção do Grémio dos Industriais de Cerâmica na requisição de vagões, a qual provoca grandes atrasos nos fornecimentos, graves perturbações nas obras e considerável desvio de mercadorias do caminho de ferro.

 

No que respeita a combustíveis, as dificuldades aumentaram muito e os preços também; por isso muitos dos nossos fornos se mantiveram em marcha reduzida ou tiveram mesmo de parar.

 

Os salários, ordenados e encargos correspondentes aumentaram enormemente e por vezes com condenável efeito retroactivo e sempre sem prévia aprovação dos industriais ou simples consulta, como seria necessário em problema de tal importância."

  

Vista parcial das terraplanagens para a sede da CGD e da chaminé que veio a ser integrada na envolvente do edifício.

 

"É de aceitar e até de louvar todo o esforço tendente a melhorar as condições de vida da população portuguesa, mas, para evitar perturbações e futuras dificuldades, este esforço deveria efectivar-se simultâneamente em todas as actividades e em todo o País, sem exceder nunca as possibilidades normais; por outro lado, não se justifica, e até parece erro, susceptível de causar indesejáveis perturbações na administração pública, que as actividades particulares sejam obrigadas ou se obriguem a pagar, como mínimo, salários superiores ou, pelo menos, sensivelmente superiores aos que o Estado e os corpos administrativos pagam. 

 

A indústria de cerâmica tem no País boas tradições e largas possibilidades de desenvolvimento; todavia, não avançou apreciàvelmente nos últimos seis ou sete anos e as perspectivas quanto ao futuro parecem-nos bastante sombrias. Na realidade trata-se de uma indústria pobre e que exige muita mão-de-obra, porquanto os encargos com o pessoal podem calcular-se entre 30 e 50 por cento do preço de venda dos produtos. É fora de dúvida que uma indústria como esta, de pequena cifra de vendas e ocupando numerosa mão-de-obra, não pode, sob pena de se arruinar ou tornar parasitária, pagar salários ou ordenados tão elevados como os das actividades ricas, em que o encargo com o pessoal não conta apreciàvelmente no custo da produção ou nos gastos gerais. A verdade, porém, é que a indústria de cerâmica deve ser hoje a que mais elevados salários está obrigada a pagar ao pessoal não especializado e, quanto a ordenados, está obrigada a pagar, pelo menos, o dobro do que é corrente no País." 

 

Vista do edifício sede da CFCL, na Rua do Arco do Cego, 88, em Lisboa.

 

"O aumento de preços dos produtos para poder fazer face a encargos desta natureza parece-nos erro grave, destinado a provocar muitas desilusões, algumas ruínas e perigosas perturbações. Estamos convencidos de que com os encargos actuais a indústria de cerâmica tem de resignar-se a perder os mercados externos e, em face da actividade que a concorrência estrangeira começa a desenvolver, receamos bem que venha a ser batida, em certos produtos, no mercado interno.

 

É evidente que estas inegáveis realidades têm sido ignoradas ou esquecidas e que existe entre os industriais de cerâmica certo alarme e efectivas preocupações em relação ao futuro; e, como não somos alheios a tais realidades nem a este estado de espírito, julgamos conveniente fixar que não nos cabem culpas ou responsabilidades relativamente aos factos referidos, dado que, como é bem sabido, a nossa companhia tem sido sistemàticamente mantida afastada de todas as funções gremiais dirigentes."

 

As três fotografias reproduzidas acima ilustram aspectos das instalações da CFCL, em Lisboa, nas décadas de 1970 e 1980. A imagem das terraplanagens documenta já uma das fases iniciais das obras para edificação da sede da Caixa Geral de Depósitos que, como já foi referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/71973.html), se iniciaram em 1987.

 

Agradece-se a Carmen Monereo a cedência das mesmas, as quais foram originalmente publicadas no Boletim da CGD, número 246, de Março de 2004.

 

 

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Maio 02 2012

     

     

 

Jarra, com cerca de 19,8 cm. de altura, apresentando decoração aplicada a ouro e prata sobre o vidrado.

 

Este exemplar corresponde ao formato número 20 do catálogo de jarras da FLS anteriormente reproduzido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), estando registado na tabela de Maio de 1951 sob a designação "Jarra Portugália, n.° 17", ao preço de 50$50 para "Côres Mates ou coloridos s/  ouro", 60$50 para "Coloridos c/ ouro" e 121$00 para "Azul Sèvres ou Verde, c/ ouro".

 

O azul cobalto que serve de fundo a esta peça denominava-se na FLS Azul Sèvres, dado ser este um azul que, a partir do início do século XIX, se tornou característico da porcelana dessa célebre fábrica francesa.

 

Veja-se uma jarra do mesmo formato, com diferente decoração, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/140627.html.

 

 

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Março 09 2012

 

Jarra, com cerca de 17 cm. de altura, decorada a dourado sobre um vidrado monocromático cor de baunilha.

 

Esta cor é bastante invulgar na produção da FLS e parece ser característica das décadas de 1950 e 1960. Um conjunto de chávena de café com pires de cor semelhante pode ser visto aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/95790.html.

 

O formato poderá corresponder ao número 19 patente no catálogo de formatos anteriormente apresentado (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), embora a marcação alfa-numérica relevada seja característica dos fomatos da fábrica do Carvalhinho, como se pode comprovar aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/?skip=10&tag=f%C3%A1brica+do+carvalhinho.

 

A hipótese de este ser um formato produzido na fábrica do Carvalhinho não será de desprezar, uma vez que além de as tabelas da FLS apresentarem por vezes algumas peças dessa fábrica, como acontece numa anotação manuscrita ao exemplar da tabela de Novembro de 1945 existente no MCS/CDMJA, a tabela do Carvalhinho anteriormente referida regista o número 19 como um "Pote c/ tampa".

 

Obviamente, não é de excluir que, apesar da filetagem patente no rebordo, este formato se possa incluir nesta última categoria do Carvalhinho e estejamos perante um exemplar incompleto.

 

 

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Dezembro 14 2011

 

Jarra com decoração floral estampada, e complementos pintados à mão, sobre o vidrado.

 

Este exemplar corresponde ao formato número 20 do catálogo de jarras da FLS anteriormente reproduzido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), estando registado na tabela de Maio de 1951 sob a designação "Jarra Portugália, n.° 17", ao preço de 50$50 para "Côres Mates ou coloridos s/  ouro", 60$50 para "Coloridos c/ ouro" e 121$00 para "Azul Sèvres ou Verde, c/ ouro".

 

Na decoração reticular a azul note-se, particularmente à esquerda, a perda de esmalte característica da degradação e envelhecimento da pintura sobre o vidrado.

 

 

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