Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Agosto 23 2015

 

Díptico de azulejos da fábrica Viúva Lamego, com cerca de 28,6 x 14,3 cm., decorado com um motivo floral assinado mas de autor/a não identificado/a, talvez Maria Emília Silva Araújo (n. 1940), produzido provavelmente em oficina de ceramista durante o último quartel do século XX.

 

Conforme já foi aqui referido, a fábrica Viúva Lamego, fundada no ano de 1849, em Lisboa, integra actualmente o grupo Aleluia, que teve origem na fábrica homónima fundada no ano de 1905, em Aveiro (http://www.aleluia.pt/).

 

© MAFLS


Julho 11 2015

 

Quadra de azulejos, ostentando no tardoz a inscrição LAMEGO e XIII, em relevo, cuja decoração floral foi executada através de uma técnica híbrida – com pintura manual, livre, e pintura sobre stencil (chapa recortada).

 

Note-se como, no padrão decorativo, os módulos não se ajustam perfeitamente entre si, não se devendo isto apenas às diferentes dimensões de cada azulejo – que variam entre os 13,6 e os 13,8 cm., mas principalmente ao facto de a decoração, no limite exterior, começar a diferentes distâncias desse limite. 

 

Note-se ainda como estes exemplares apresentam vários defeitos de pintura, e também de vidrado, sendo o mais evidente aquele que surge no canto inferior direito.

 

Sublinhe-se que o facto de estes exemplares apenas ostentarem o nome Lamego, e não Viúva Lamego, não implica que tenham sido executados em vida do fundador da empresa, António da Costa Lamego (1818-1876), o qual, entre 1849 e 1865, desenvolveu as primitivas instalações da fábrica no famoso edifício, que ainda hoje subsiste, localizado no Largo do Intendente, em Lisboa (http://www.viuvalamego.com/PT/VL).

 

Embora não tenha sido encontrada informação sobre a data do revestimento, a igreja da Misericórdia da Covilhã, fundada em finais do século XVI, apresenta azulejos semelhantes no seu interior.

 

É possível que o revestimento azulejar tenha sido aplicado durante as obras que decorreram no segundo quartel do século XX, quando o tecto da nave foi pintado por António Esteves Lopes (1900-1973).

 

© MAFLS


Junho 13 2015

 

Par de azulejos ostentando uma frase atribuída ao poeta Eugénio de Castro (1869-1944).

 

Pintado à mão e produzido na lisboeta fábrica Sant'Anna, este conjunto ostenta uma legenda característica do período em que o Secretariado de Propaganda Nacional (SPN, 1933-1944; posteriormente, SNI) procurou moldar figurinos revivalistas, de carácter nacionalista e regionalista, para as artes decorativas e até para a arquitectura.

 

Já anos antes, logo na década de 1910, através dos princípios da casa portuguesa preconizada por Raul Lino (1879-1974), era possível encontrar tais inscrições em diversos edifícios que, de modo mais ou menos ortodoxo, seguiam os modelos arquitectónicos defendidos por este consagrado arquitecto.

 

Embora a generalidade destas legendas traduzisse habitualmente aforismos tradicionais, anónimos e de carácter popular, este exemplar procura associar o prestígio de Eugénio de Castro, inicialmente conotado com o simbolismo e mais tarde com um saudosismo de carácter nacionalista, à consolidação de tais inscrições.

 

Em certa medida, as inscrições deste tipo constituem-se como paradigma de uma política de espírito que António Ferro (1895-1956) procurou também introduzir e traduzir nos motivos de diversas lambrilhas produzidas na fábrica Viúva Lamego (http://mfls.blogs.sapo.pt/126700.html).

 

 

© MAFLS

 


Maio 12 2015

 

Pequeno azulejo de friso decorado com motivos geométricos aplicados a stencil (chapa recortada) sob o vidrado, ostentando no tardoz a inscrição SACAVEM em relevo. 

 

Tendo sido depositados no Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a 13 de Maio de 2009, os instrumentos de ratificação do Acordo Ortográfico de 1990 e do Segundo Protocolo Modificativo, assinado em 2004 e aprovado em 2008, completa-se hoje o período de transição, de seis anos, para implementação plena do mesmo.

 

Por aqui, a partir de amanhã, continuaremos a parafrasear Fernando Pessoa (1888-1935) – Ah, que prazer ter um Acordo Ortográfico para cumprir e não o fazer!

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Caixa rectangular em aglomerado de cortiça, com cerca de 6 x 22,4 x 12,7 cm., cuja tampa apresenta embutida uma placa azulejar decorada com uma flor estilizada.

 

Produzida provavelmente no último quartel do século XX, e não ostentando qualquer marca, esta peça exemplifica o uso combinado de dois dos materiais habitualmente associados a Portugal – o azulejo e a cortiça.

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Azulejo com motivos militares e florais aplicados sobre stencil (chapa recortada), produzido, provavelmente no segundo quartel do século XX, pela fábrica Viúva Lamego, de Lisboa. 

 

Este azulejo destinar-se-ia, certamente, a ser colocado no revestimento de edifícios de uma unidade militar não identificada, embora seja possível encontrar na composição o símbolo da arma de Infantaria, duas espingardas entrecruzadas, e um motivo associado à arma de Cavalaria, o carro de combate, que tem como símbolo duas espadas entrecruzadas.

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Azulejo apresentando imagem parcialmente executada a aerógrafo, com um motivo onde o humor se cria a partir do non-sense, na unidade de Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia.

 

© MAFLS

 


Agosto 22 2014

 

No Outono passado cometeu-se mais um dos inúmeros atentados contra o património e a memória (http://mfls.blogs.sapo.pt/269287.html), nestes tristes tempos em que a preservação da identidade nacional parece estar entre as menores das prioridades.

 

Contra o que vem sendo hábito nesta vil tristeza em que vivemos, desta vez parece que, para além do choro sobre o leite derramado, houve coimas e eficazes medidas coercivas para, pelo menos, repôr a memória através da instalação de uma réplica do painel destruído.

 

Não se sabe é se o proprietário foi, de facto, obrigado a suportar os custos da reabilitação do painel original, ou se este chegou mesmo a ser restaurado, como havia sido proposto pelos técnicos camarários.

 

Fica Lisboa, apesar de tudo, com um pastiche a suavizar a memória da dura realidade que continua a ameaçar o património municipal e nacional.

 

Pena é que, a exemplo do que se faz, ou fez, noutras intervenções, como em alguns restauros dos painéis azulejares da estação ferroviária de S. Bento, no Porto, a ninguém tenha ocorrido a ideia de assinalar que este conjunto é uma réplica, nem tenha havido o cuidado de indicar o nome da oficina que a executou. 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:02

Agosto 18 2014

© MCS/CDMJA

 

Página do catálogo de Preços Correntes da Real Fabrica de Louça em Sacavém - Azulejo, de Agosto de 1910, reproduzindo o motivo número 17-A.

 

Este não deve ser confundido com os motivos 404 (http://mfls.blogs.sapo.pt/108105.html e http://mfls.blogs.sapo.pt/53822.html) ou 417 (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/azulejo+motivo+417).

 

Vejam-se alguns exemplares, e suas variantes cromáticas, do motivo 17 aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/azulejo+motivo+17.

 

Cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS


Agosto 10 2014

 

Pequeno azulejo de friso, para remate ou separação de revestimento, com decoração geométrica aplicada a stencil (chapa recortada) sob o vidrado.

 

Com cerca de 15,8 x 4,1 x 0,7 cm. apresenta no tardoz a inscrição "SACAVEM", em relevo.

 

Veja-se uma variante composicional de outro azulejo, também decorado a verde, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/frisos-320377.

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

mais sobre mim
Janeiro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
12

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


pesquisar
 
subscrever feeds