Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 26 2016

 

Jarra em pasta vermelha, com cerca de 19,1 cm. de altura, ostentando na base a assinatura manuscrita Jeandet.

 

Embora a sua escassa obra conhecida seja tecnicamente interessante e esteticamente muito apelativa, pouco se sabe sobre o ceramista francês Jacques-Gabriel Jeandet (1873-1945), para além do facto de este ter nascido em Mâcon e ter desenvolvido, a partir de 1926, a sua actividade em Lugny.

 

O exemplar que aqui se apresenta ilustra perfeitamente as excelentes capacidades técnicas e os princípios composicionais de Jeandet, através de um craquelé induzido artificialmente, muito ao gosto Art Déco, e da decoração vegetalista, aplicada manual e livremente, em barbotina, sobre esse fundo beige.

 

Complementarmente, foram ainda aplicadas algumas manchas a esmalte branco, em relevo, que sublinham a riqueza e harmonia desta decoração.

 

 

© MAFLS


Dezembro 25 2016

 

Duas jarras em grés produzidas na fábrica francesa Denbac.

 

Em cima, pequeno exemplar com cerca de 12,2 cm. de altura, ostentando o número 32, que corresponde ao formato e à sua catalogação. 

 

Apresenta o característico vidrado microcristalino da empresa escorrendo em três tonalidades sobre uma forma com sinuosas linhas, de inspiração vegetal, ao gosto Art Nouveau.

 

 

Jarra, que poderia também ser usada como base de candeeiro embora não apresente qualquer perfuração para esse fim, com cerca de 28,8 cm. de altura.

 

Ostenta o número 50 e o vidrado microcristalino, predominantemente em tons de verde e azul, que habitualmente se associa aos clássicos escorridos da Denbac.

 

Consulte-se informação sobre a empresa, e vejam-se mais alguns exemplares da produção Denbac, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

 

© MAFLS


Dezembro 24 2016

 

Retomar-se-á este ano, dentro de dois minutos, a tradicional secção natalícia The Twelve Days of Christmas, dedicada à cerâmica estrangeira, ilustrando-se este artigo introdutório com duas peças de distintas fábricas, ou oficinas, que não se encontram identificadas.

 

Em cima, uma jarra em grés com cerca de 17,2 cm. de altura, em baixo, uma taça em faiança com cerca de 7,3 cm. de altura e 23,2 cm. de diâmetro máximo.

 

A jarra, hipoteticamente associada à produção da região francesa de Saint-Uze (http://www.territoire-ceramique.com/exposition-permanente.html), apresenta um princípio de desconstrução da forma encontrado numa peça algo similar (http://www.veniceclayartists.com/pottery-arts-masters/2/) do consagrado ceramista francês Adrien Dalpayrat (1844-1910), aliás na linha de uma abordagem que também havia sido ensaiada, embora de forma mais radical, pelo americano George Ohr (1857-1918).

 

No entanto, as tonalidades aqui patentes não apresentam nem os característicos azuis e verdes, ou o favorito sangue-de-boi, de Dalpayrat nem as cores habitualmente encontradas na generalidade da produção de Saint-Uze (https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/Saintuze.pdf).

 

A decoração da interessante taça reproduzida abaixo apresenta motivo com uma figuração neo-clássica recuperada e reinterpretada em alguma cerâmica do período Art Déco.

 

 

© MAFLS


Janeiro 05 2015

 

 

 

Para encerrar a série The Twelve Days of Christmas de 2014/2015, e no contexto do vigésimo quinto aniversário da queda do Muro de Berlim, apresentam-se algumas peças posteriores ao período delimitado entre o estilo Arts & Crafts e o estilo Art Déco.

 

São peças de produção húngara e soviética, que traduzem um nicho de coleccionismo cerâmico que se tem vindo a desenvolver em torno da produção da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e dos países da Europa Central e de Leste que integravam o denominado bloco comunista.

 

Acima, uma peça da fábrica húngara Hollóháza, fundada em 1831, com cerca de 29,8 cm. de altura, abaixo uma peça da fábrica soviética Lomonosov, fundada em 1744, com cerca de 12,8 x 14,8 x 9,4 cm., e no final do artigo uma jarra da fábrica húngara Zsolnay, fundada em 1853, com cerca de 19,8 cm. de altura.

 

 

 

 

A produção cerâmica deste período, desenvolvida aproximadamente entre 1918 (ano em que o Narkompos, o Comissariado do Povo para a Educação Pública, assumiu a administração da fábrica posteriormente denominada Lomonosov) e 1991, caracteriza-se por três fases distintas.

 

As duas primeiras correspondem à produção exclusivamente soviética, que na primeira fase esteve ligada ao Suprematismo e ao Construtivismo e na segunda à intervenção reguladora da arte pelo Estado, instaurada por Estaline (Iossif Vissarionovitch Djugashvili, conhecido como Stalin [aço, de aço], 1879-1953) na década de 1930, intervenção essa que consolidou aquilo que se veio a denominar como Realismo Socialista.

 

O Suprematismo, que preconizava o abstraccionismo geométrico absoluto, supremo, teve como expoentes, entre outros pintores e outras pintoras, Kazimir Malevich (1878-1935) e Nicolai Suetin (1897-1954) e, já numa vertente mais próxima dos conteúdos ideológicos e propagandísticos do Construtivismo, El Lissitzky (1890-1941; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/153365.html).

 

Curiosamente, a VA veio a reproduzir, na década de 1970, por encomenda, um conjunto de chávena de chá e pires, e um bule, com a seguinte inscrição "VA Vista Alegre Portugal / Mottahedeh / © The Museum of Modern Art, New York / Reproduction of a teapot decorated with suprematist designs by Nicolai Suetin and manufactured by the Petrograd Porcelain Factory [Lomonosov], 1923"

 

A terceira fase deste período de cerca de sete décadas corresponde ao pós-guerra e está representada pela produção de todos os países que, depois de 1945, passaram a integrar o bloco comunista.

 

 

 

A figura feminina da fábrica Hollóháza (http://www.hollohazi.hu/), concorrente tardia, na produção de peças decorativas, das mais conhecidas e consagradas empresas húngaras Herend e Zsolnay (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/twelve-days-in-twelve-hours-xii-341795.), traduz uma das tendências comuns a vários estados ditatoriais europeus durante o século XX – a recuperação e revalorização de figuras e imagens associadas a motivos populares e folclóricos.

 

Em Portugal, esta tendência foi dinamizada pela acção do SPN/SNI, e verifica-se que também ocorre, entre outras, na produção da Aleluia, da FLS, da Secla, da SP de Coimbra e da VA.

 

A segunda figura representa um pioneiro da juventude comunista, através de uma peça da fábrica Lomonosov que se destinava apenas ao mercado interno, conforme se comprova pela marca aplicada exclusivamente em cirílico.

 

A fábrica apenas recebeu esta designação em 1925, por ocasião do bicentenário da Academia Russa das Ciências, sendo a marca aqui reproduzida, que foi desenhada por A. A. Yatskevich (1904-1952), aplicada entre 1936 e 2005. A partir deste ano, a fábrica recuperou a designação Imperial Porcelain, passando a apresentar a águia bicéfala imperial na sua marca.

 

Algumas fontes referem que as marcas da Lomonosov estabeleciam uma gradação de qualidade consoante a sua cor – vermelho para a primeira qualidade, azul para a segunda e verde para a terceira. Mas este não é um sistema invariável e sem excepções, pois qualquer peça que apresentasse o complemento IC era sempre considerada de primeira qualidade, independentemente da cor da marca aplicada.

 

Finalmente, a última peça, da fábrica húngara Zsolnay, produzida já em 1982, traduz plenamente a exaltação do trabalho e dos operários, característica do Realismo Socialista.

 

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Janeiro 04 2015

 

Pequena jarra em faiança, com cerca de 10,4 cm. de altura, marcada Volkmar.

 

Nascido nos EUA, mas com ascendência alemã, Charles Volkmar (1841-1914) começou por ser um pintor, essencialmente paisagista, que acabou por se consagrar como notável ceramista.

 

Efectuou estudos de pintura em França, tendo ainda vindo a estagiar, durante a década de 1870, com o célebre Théodore Deck (1823-1891; cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/212524.html), e a colaborar na renomada empresa de porcelanas Haviland (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/haviland).

 

Particularmente apreciado pelos seus azulejos e placas cerâmicas, Volkmar criou também outras peças em que a pintura paisagista marcava o seu estilo decorativo. Do ponto de vista empresarial, teve um percurso atribulado, com participação em inúmeras sociedades, que quase sempre implicaram mudanças dos centros de produção e utilização de diferentes fornos cerâmicos.

 

Assim, em 1879 começou por estabelecer um forno em Long Island, tendo-se depois transferido, em 1882, para Bronx, sempre no estado de New York. Em 1888 tranferiu-se uma vez mais, agora para Menlo Park, no vizinho estado de New Jersey. Em 1895 mudou novamente de localização, instalando-se desta vez em Brooklyn.

 

Em 1903, efectuou nova mudança para Metuchen, NJ, onde lançou uma empresa com o seu filho Leon (1879-1959), a qual acabou por ser dissolvida em 1911. Leon passou então a colaborar na recém-constituída Durant Kilns Pottery, empresa que acabou por adquirir em 1924 e manteve, com essa designação, até 1930.

 

Esta pequena jarra ilustra uma simples decoração escorrida, comum a várias outras cerâmicas,  europeias e americanas, do período Art Nouveau, que em Portugal quase sempre está associada à produção de Rafael (1846-1905) e Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) e, de forma mais genérica, à produção das Caldas da Rainha.

 

 

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Janeiro 03 2015

 

Base de candeeiro em porcelana, com cerca de 16,9 cm. de altura, produzida na fábrica alemã Gebrüder Schoenau.

 

Criada em 1864, na Turíngia, como sucessora da fábrica de porcelana Swaine & Co., que havia sido fundada dez anos antes, a empresa foi incorporada entre 1950-1953 na VEB Sonneberger Porzellanwerke, tendo a sua produção cessado em 1974.

 

Esta decoração evoca claramente os princípios futuristas da velocidade e da industrialização, remetendo ainda para os motivos radiantes associados à electricidade e, já na década de 1920, às ondas de rádio e à telefonia.

 

De acordo com diversas fontes, a marca patente neste exemplar terá sido aplicada entre 1924 e 1930.

 

 

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Janeiro 02 2015

 

Jarra em grés, com cerca de 14 cm. de altura, apresentando decoração Art Déco.

 

Fundada em 1699 por Jean-Baptiste Bousquet, em Quimper, França, a fábrica, onde mais de dois séculos depois esta jarra se produziu, adoptou o nome da localidade, ao qual se vieram a a adicionar, mais tarde, as iniciais HB, conjugando uma inicial do apelido do fundador e uma inicial de um dos posteriores donos, Hubaudière.

 

A fábrica celebrizou-se ao longo dos séculos XVIII e XIX pela decoração de inspiração figurativa e regional nas suas peças de faiança, mas atingiu particular notoriedade com a produção de grés Art Déco, de que a jarra apresentada é um exemplo. Registada em 1922, esta série recebeu a denominação Odetta, tendo-se mantido em produção até à década de 1960.

 

As primeiras peças experimentais Quimper HB Odetta apenas começaram a ser executadas em 1923, mas estiveram já largamente representadas em Paris na Exposition des Arts Décoratifs de 1925, onde obtiveram assinalável êxito. Esta exposição é hoje reconhecida como tendo consagrado não só o estilo como também originado a designação Art Déco, a qual foi adoptada por diversos autores a partir da década de 1960.

 

A produção Odetta iniciou-se em maior escala a partir de Março de 1926, aproveitando algumas vezes anteriores formatos existentes na produção em faiança. Quando coexistiam formas em faiança e grés, como é o caso desta, a peça em grés recebia um "g" inciso na base, uma vez que as temperaturas de cozedura exigidas pelas duas pastas cerâmicas são diferentes.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 00:01

Janeiro 01 2015

 

Taça em faiança, apresentando um vidrado da série Lapis Ware, com cerca de 20,6 cm. de diâmetro e 11,8 cm. de altura, produzida pela fábrica inglesa Pilkington Tile and Pottery Co.

 

Como se pode constatar pelas inscrições próximas da marca, a forma foi criada por Edward Thomas Radford (activo na empresa entre 1903-1936) e a decoração concebida e pintada à mão por Gwladys Rodgers (activa na empresa entre 1903-1938).

 

Veja-se uma outra peça da Pilkington Royal Lancastrian, e leiam-se algumas informações sobre a diversificada produção da fábrica, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/213164.html.

 

Para informações mais detalhadas sobre a história e a produção PRL, consulte-se o site da Pilkington's Lancastrian Pottery Society: http://www.pilkingtons-lancastrian.co.uk/history.htm, podendo ainda ver-se trinta e quatro peças que integram uma colecção universitária aqui: http://www.ceramics-aberystwyth.com/royal-lancastrian.html.

 

 

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Dezembro 31 2014

 

Estabelecida em 1899, a empresa americana que produziu esta jarra recebeu o nome dos seus dois fundadores, John Peters (datas desconhecidas) e Adam Reed (datas desconhecidas).

 

A primeira produção em série da fábrica Peters & Reed deu-se com a linha Moss Aztec, uma loiça vidrada no interior mas não no exterior, com um acabamento exterior verde mate que acentuava a decoração moldada e justificava a designação moss (musgo).

 

Seguiram-se-lhe várias outras linhas, já com acabamento vidrado, mate ou brilhante, de entre as quais se devem destacar aquelas que correspondem às decorações Landsun e Chromal.

 

Esta última, produzida nas décadas de 1900 e 1910 e ilustrada pelo exemplo apresentado acima, uma jarra com cerca de 24,6 cm. de altura, sem marca perceptível, é eventualmente a mais interessante da fábrica.

 

Dado que o processo de decoração em relevo não era mecânico, cada uma destas peças acaba por apresentar um aspecto único, claramente evocativo, nos seus melhores exemplos, de alguma pintura impressionista.

 

A fábrica recebeu nova designação em 1921, passando a chamar-se The Zane Pottery Company, que incorporava a abreviatura de Zanesville, localidade do Ohio onde a fábrica se situava. Ao contrário do que acontecia anteriormente, as peças deste período passaram então a ser identificadas através de uma marca impressa na pasta.

 

Em 1941 a Zane Pottery acabou por ser adquirida pela Gonder Pottery, a qual por sua vez encerrou em 1957.

 

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publicado por blogdaruanove às 00:01

Dezembro 30 2014

 

Pequena jarra, com cerca de 12,2 cm. de altura, produzida na Manufacture Imperiale et Royale, de Nimy.

 

Esta fábrica belga teve as suas origens em 1789, acabando por encerrar em 1951. A história da empresa é habitualmente dividida em cinco períodos - 1789-1849, 1849-1851, 1851-1890, 1890-1921 e 1921-1951 (veja-se um artigo, em Francês, sobre a história da fábrica, aqui: http://www.vieuxnimy.be/newsite/histoire/Page_histoire.html), correspondendo este último à época em que a fábrica foi adquirida e administrada por uma empresa holandesa de Maastricht, a Koninklijke Sphinx, já aqui referida (http://mfls.blogs.sapo.pt/227609.html).

 

A jarra agora ilustrada remete claramente para a influência das formas depuradas e contidas e para a decoração minimalista, ou limitada ao craquelé do vidrado, da cerâmica oriental, sendo um exemplo das peças europeias que, mesmo durante o período Art Déco, continuaram a seguir essa gramática.

 

Veja-se um outro artigo, em Neerlandês, sobre a história e a produção da MIRN aqui: http://rubriek-keramiek.blogspot.pt/2014/12/keizerlijke-en-koninklijke-manufactuur.html.

 

 

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