Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 01 2013

 

Pequena jarra em faiança da Fábrica do Carvalhinho, com decoração floral pintada à mão sob o vidrado.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Dezembro 23 2012

 

Terrina em faiança, possivelmente manufacturada na Fábrica da Bandeira, em Vila Nova de Gaia.

 

O Itinerário da Faiança do Porto e Gaia (2001) regista uma distinção entre o termo terrina e o termo sopeira, ilustrando este último com um exemplar apresentando o mesmo formato desta "terrina", cuja produção é atribuída à Fábrica da Bandeira. Nessa obra, a distinção fundamental entre os dois termos reside no formato redondo da sopeira e no formato oval da terrina.

 

Esta entrada fica registada com particular desejo de Festas Felizes para o autor de Velharias, que apresentou já uma terrina muito semelhante a esta (http://velhariasdoluis.blogspot.pt/2009/09/o-meu-blogue.html).

 

 

© MAFLS


Dezembro 23 2012

 

 

 

São muitas as dúvidas que surgem no ciberespaço quanto às peças de faiança, sem qualquer marca, decoradas com o motivo vulgarmente designado como País e quanto às suas fábricas de origem. 

 

Recentemente a questão voltou a colocar-se (http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2012/11/miragaia-vs-santo-antonio-de-vale-da.html), tendo sido formulados novos comentários sobre as características que poderão permitir distinguir a produção de Santo António de Vale da Piedade, em V. N. de Gaia,  daquela desenvolvida pela fábrica de Miragaia, no Porto.


A terrina apresentada acima, que não se encontra marcada, poderia levantar semelhantes dúvidas sobre a sua origem, se um artigo anteriormente publicado pela mesma autora, e citado abaixo, não tivesse vindo a referir que este formato, particularmente no que diz respeito às pegas, parece ser originário de Miragaia, visto existir um exemplar semelhante, com marca, no acervo do Museu de Arte Sacra de Arouca.


Quanto à técnica decorativa aqui patente, note-se como a pintura foi executada utilizando um traço manual livre, excepto nas folhas das duas árvores mais altas, que foi executada sobre stencil (chapa recortada).

 

Esta entrada fica registada com particular desejo de Festas Felizes para a autora de Arte, Livros e Velharias, que apresentou já uma terrina, com tampa, muito semelhante a esta (http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2011/08/duas-terrinas-com-pronuncia-do-norte.html).

 

 

 

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Outubro 28 2012

 

Grande prato de parede, com cerca de 36,4 cm. de diâmetro, apresentando decoração de F. Macedo (datas desconhecidas) executada em 1934 na Fábrica do Agueiro, em Vila  Nova de Gaia.

 

Sobre esta fábrica, o livro Itinerário da Faiança do Porto e Gaia (2001) refere o seguinte:

 

"Estabelecida em 1919 no sítio do Agueiro, em Mafamude, mas com entrada por Soares dos Reis. Dedicava-se ao fabrico de louça e azulejo. Foi continuada por impulso de José de Almeida Pinheiro, em 1941, sendo conhecida sob a firma Cerâmica Soares dos Reis Lª, embora também use, sobretudo em painéis de azulejo, a antiga firma Fábrica do Agueiro. Manteve-se em laboração, com alguma qualidade e originalidade artística, até 1964."

 

Reproduzidas abaixo encontram-se algumas imagens de um revestimento azulejar ostentando a assinatura da Fábrica do Agueiro. Trata-se de um dos conjuntos públicos mais conhecidos desta empresa. Tendo sido executado em 1931, ornamenta a antiga Praça do Rossio, entretanto rebaptizada Praça da República, em Viseu.

 

 

 

       

 

Como também já havia sido referido anteriormente (ver artigo mencionado abaixo) a fábrica Soares dos Reis foi reestruturada em 1941. Efectivamente, nos dois primeiros artigos de uma escritura datada de 25 de Agosto desse ano pode ler-se o seguinte:

 

" Sob a denominação de Fábrica de Cerâmica Soares dos Reis, Limitada, e com o objectivo de explorar o fabrico de louças de pó de pedra e quaisquer outros tipos ou géneros de cerâmica, podendo, no entanto, dedicar-se a outros ramos de indústria ou comércio que os sócios determinem, constitue-se a presente sociedade [sociedade comercial por cotas de responsabilidade limitada], que durará por tempo ilimitado, a contar desta data, sendo a sua sede e domicílio na Rua Soares dos Reis, 159, da vila e concelho de Gaia.

 

O capital social, que se acha inteiramente realizado em dinheiro, é de 80.000$00, dividido nas seguintes cotas dos sócios: D. Beatriz Magalhãis de Almeida, 47.500$00; António Pereira da Silva, 12.500$00; Fernando Osório Oliveira e Manuel João da Costa, 10.000$00 cada um."

 

Assim, poder-se-á concluir que, muito provavelmente, foi a partir desta data que a popular designação Fábrica do Agueiro passou a deixar de constar das peças produzidas na empresa.

 

Sublinhe-se ainda o curioso facto de o nome de José de Almeida Pinheiro, referido no Itinerário da Faiança do Porto e Gaia, não surgir nesta escritura de 1941, nem como sócio, nem como administrador ou gerente, embora se trate muito provavelmente de um familiar da maior accionista.

 

Veja-se um outro prato desta fábrica, com a designação Soares dos Reis, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/68135.html.

 

 

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Dezembro 11 2011

 

 

Grande prato de parede, com cerca de 36,8 cm. de diâmetro, pintado à mão sob o vidrado e com aplicação de stencil (chapa recortada) na legenda e nos triângulos.

 

Tal como acontece com um exemplar anteriormente reproduzido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/68510.html), esta será já uma peça da Fábrica Cerâmica do Cavaco, Lda.

 

Havendo adoptado a designação Fábrica Cerâmica do Cavaco, Lda. em 1920, como já foi referido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/68510.html), a empresa veio a alterar o seu pacto social em 1931.

 

Através dessa alteração, Júlio Teixeira de Queiroz consolidou a sua posição na gestão técnica da empresa e viu consagrada a obrigatoriedade de a sua assinatura ser necessária para corroborar as assinaturas das sócias, D. Isaura Celeste Ramos de Macedo e D. Ana de Sousa Varela de Queiroz, e lhes conferir validade em quaisquer documentos relacionados com os negócios sociais.

 

Conforme também já foi aqui referido (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/90088.html), em 1 de Agosto de 1936 Luciano Pereira Valente constituiu sociedade com António Augusto Fragateiro Júnior e Manuel Rodrigues Ferreira da Costa para adquirir a fábrica, que ficou com um capital social de 15.000$00, equitativamente repartido pelos sócios.

 

Não tendo sido exibida nos E.U.A., esta peça encontra-se a ilustrar, no entanto, um dos textos do único exemplar conhecido do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005.

 

 

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Março 06 2011

 

Prato em faiança, da Fábrica de Louça das Devezas, em Vila Nova de Gaia, decorado com o motivo Águia, de inequívoca influência japonesa, estampado a cor-de-rosa sob o vidrado.

 

Fundada em 1884 por José Pereira Valente, esta fábrica não deve ser confundida com a Fábrica Cerâmica e de Fundição das Devezas, fundada em 1865 por António Almeida da Costa, embora Pereira Valente tivesse anteriormente trabalhado na empresa de Almeida da Costa.

 

Em 1904 esta empresa passou a adoptar a designação José Pereira Valente, Filhos, sociedade que se veio a dissolver em 1915, aquando da retirada de dois dos quatro herdeiros de José Pereira Valente. Nesse mesmo ano a empresa passou a designar-se Valente & Moreira, com a entrada de um novo accionista, Joaquim Moreira Gandra da Fonseca.

 

Apesar das sucessivas alterações na constituição da sociedade, com a saída de Júlio Pereira Valente, em 1918, e o falecimento de Feliciano Pereira Valente, em 1946, a empresa parece ter sobrevivido até à década de 1960.

 

A família Pereira Valente esteve ainda ligada à Fábrica do Cavaco, pois em 1 de Agosto de 1936 Luciano Pereira Valente constituiu sociedade com António Augusto Fragateiro Júnior e Manuel Rodrigues Ferreira da Costa para adquirir a fábrica, que ficou com um capital social de 15.000$00, equitativamente repartido pelos sócios.

 

Cerca de dois anos depois, em 28 de Novembro de 1938, Luciano Pereira Valente, que desempenhava as funções de gerente técnico, adquiriu a António Augusto Fragateiro Júnior a sua participação nessa empresa.

 

A peça aqui ilustrada pertencerá certamente aos dois primeiros períodos de produção da Fábrica de Louça das Devezas, sendo muito possivelmente do período de 1904-1915.

 

 

 A influência das artes decorativas japonesas que se estendeu à Europa durante o terceiro quartel do século XIX teve também larga expressão na cerâmica.

 

O prato de sobremesa, ou doce, em porcelana não marcada, reproduzido acima é disso exemplo. Pintado à mão, com esmalte em relevo, apresenta decoração muito semelhante àquela que Félix Bracquemond (1833-1914) desenvolveu cerca de 1875 para o famoso Service Parisien, da fábrica francesa Haviland.

 

A representação da maciça solidez do monte Fuji e do seu pico, em segundo plano, projecta por contraste um notável dinamismo à representação da vegetação e da folhagem agitada pelo vento, levando a nossa atenção a centrar-se no movimento da ave de rapina e das suas presas.

 

 

O motivo dinâmico da águia em pleno voo havia já sido consagrado numa famosa xilogravura japonesa do século XIX, mas manteve o seu impacto e simbolismo bem até ao século XX, como se comprova numa gravura de Ohara Shoson (1877-1945).

 

Reproduzida acima, esta imagem criada em 1933 homenageia claramente o seu antecessor e grande mestre da xilogravura japonesa, Utagawa Hiroshige (1797-1858), também conhecido como Ando Hiroshige ou Ichiyūsai Hiroshige.

 

Hiroshige criou diversos conjuntos de gravuras que marcaram a sua arte e consolidaram a sua fama, sendo as séries Famosas Vistas da Capital Oriental (1831), Cinquenta e Três Estações de Tōkaidō (1833-34), Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji (1852-1858) e Cem Vistas de Famosos Lugares em Edo (1856-59; de parcial publicação póstuma) as que mais têm sido aclamadas no âmbito das suas gravuras panorâmicas.

  

 

Foi nesta última série que Hiroshige apresentou em 1858 a gravura Juman-tsubo [a planície Jumantsubo, em], Susaki, Fukagawa, posteriormente adaptada e parcialmente reproduzida pela Fábrica de Louça das Devezas.

 

Diversas gravuras desta série utilizam como recurso estilístico representações de pessoas, animais e objectos em primeiro plano, para destacar a paisagem de fundo, e há até uma outra – [A Ilha de] Mikawa, Kanasugi, Minowa, que apresenta um grou em voo picado.

 

No entanto, a hipnotizante composição e a sugestão de dinamismo que emana de Juman-tsubo consagraram-na como uma das mais representativas imagens de sempre da arte japonesa de xilogravura.

 

 

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Dezembro 04 2010

 

Prato com decoração, pintada à mão e aplicada a stencil (chapa recortada), sob o vidrado.

 

De acordo com o Itinerário da Faiança do Porto e Gaia, publicado pelo Museu Nacional de Soares dos Reis em 2001 e do qual também há uma versão em língua inglesa publicada em 2002, entre as décadas de 1860 e 1870 laborou uma fábrica com a denominação Fábrica do Cavaco, coexistindo com as fábricas do Cavaquinho e do Monte Cavaco, três empresas cujas instalações eram quase contíguas e pertenciam, cada uma delas, a diferentes membros, irmãos, de uma família de apelido Cunha.

 

Atendendo à modelação, à pasta e ao vidrado, o exemplar ilustrado não parece ser do século XIX, pelo que foi provavelmente produzido na fábrica do Monte Cavaco, que existiu até meados do século XX e em 1920 havia já adoptado a designação Fábrica Cerâmica do Cavaco, Lda.

 

 

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Novembro 09 2009

 

Prato estampado com o motivo Estátua. Fábrica de Louça das Devezas, V. N. de Gaia.

 

Tal como em Inglaterra o motivo Estátua não foi exclusivo de uma só empresa cerâmica, também em Portugal o mesmo motivo foi reproduzido por diversas fábricas.

 

Neste prato da Fábrica de Louça das Devezas notem-se as diferenças na estátua e na cercadura, mas também a similaridade de alguns dos detalhes desta estampa com as variantes produzidas na FLS, bem como o facto de o motivo receber exactamente a mesma designação nas duas fábricas.

 

 

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