Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 19 2016

 

O Museu de Cerâmica de Sacavém retomará a partir do próximo dia 22 de Outubro, sábado, pelas 15h00, a série de encontros mensais intitulada "À Conversa com...".

 

A conferência que dará o mote a esta nova conversa intitula-se A Azulejaria de Jorge Rey Colaço e será proferida por Cláudia Emanuel Franco dos Santos, que se encontra a realizar uma tese de doutoramento subordinada ao tema “Jorge Rey Colaço: Biografia, inventário azulejar e problemas de conservação (1868-1942)”.

 

Transcreve-se a nota bio-bibliográfica sobre Jorge Colaço que a autora forneceu ao MCS:

 

"JORGE COLAÇO nasceu em Tânger em 1868 e faleceu em 1942. Fez os estudos artísticos em Madrid e em Paris.

 

Em 1903, já em Lisboa começa a experimentar um novo suporte para as suas pinturas, o azulejo, dado que havia conhecido os Gilman, proprietários da Fábrica de Sacavém, o que lhe permite ensaiar o seu traço sobre um novo suporte. Em data incerta, Colaço vai trabalhar, para a fábrica de Sacavém e aí permanece até 1924. A partir desta data vai trabalhar para a Fábrica Lusitânia em Lisboa, em atelier independente da fábrica, tal como tinha acontecido em Sacavém e aí permanece até 1942.

 

O estudo da obra azulejar que tenho vindo a fazer abrange apenas Portugal, Açores e Madeira e permitiu inventariar cerca de 1000 painéis, em 116 locais diferentes.

 

Colaço pintava azulejo segundo a técnica tradicional, isto é sobre vidrado cru. Pintava também com a técnica da estampilha, da estamparia, da corda seca e terá ainda utilizado a técnica da serigrafia cerâmica, a quem se atribui, sem certeza, ser pioneiro. Pintou sobre chacota texturada, utilizou prateados, dourados, mas principalmente inovou. Colaço pintou painéis sobre vidrado já cozido!

 

Colaço num artigo que ele próprio escreve em 1933, refere ter como base essencial do seu trabalho um lema: Portugal. Pelas razões que o próprio invoca a temática da portugalidade é diversificada, desde cenas históricas, a cenas de carácter militar, cenas etnográficas (rurais e piscatórias), cenas religiosas, episódios da literatura de Camões e de outros autores … um manancial de temáticas a que uma imaginação criativa não ficou alheia.

 

Até ao ano de 1930, a expansão da rede ferroviária originou uma enorme renovação das antigas estações ferroviárias e Colaço foi o primeiro dos escolhidos para esta empreitada o que nos permite contemplar a bela Estação de S. Bento no Porto, com azulejos produzidos na Fábrica de Sacavém."

 

 

Painel azulejar da autoria de Jorge Colaço (1868-1942), ostentando a legenda Ecce Agnus (Eis o Cordeiro [do Senhor]), aplicado na fachada de uma vivenda em Santa Cruz, concelho de Torres Vedras.

 

Apresenta ainda a assinatura manuscrita do artista, bem como indicação do local de manufactura, "Lisboa", e da data de conclusão, "11 / 6 / 925".

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Abril 05 2013

 

Na sequência de uma das publicações do passado fim-de-semana (http://mfls.blogs.sapo.pt/233410.html), algumas questões subsidárias vieram a ser levantadas por visitantes deste espaço.

 

Uma delas prendia-se com a existência, ou não, de variantes do motivo criado por Marcel Goupy (1886-1954) para o Service Marquises que na altura foi apresentado. Como se pode verificar num outro prato reproduzido acima, Goupy apenas manteve inalterável a cercadura, criando diferentes motivos para o tema central do serviço.

 

Sublinhe-se que alguns exemplares deste serviço – um prato (com um motivo central diferente dos dois aqui apresentados), uma chávena com pires, e uma açucareiro, foram exibidos no Pavillon des Artisans Français Contemporains et de la Revue Art et Décoration durante a célebre Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes, realizada em Paris no ano de 1925.

 

Nessa exposição foram ainda exibidos outros serviços de porcelana criados por Goupy, com os motivos Les Provinces de France e Cernay, bem como peças em vidro, esmaltadas segundo desenhos de sua autoria.

 

Reproduz-se abaixo a capa de um dos álbuns, neste caso com vinte postais, editados durante a exposição, podendo ver-se alguns desses postais em: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/tag/exposition+des+arts+d%C3%A9coratifs.

 


Uma outra questão relacionava-se com o efectivo design do serviço Haviland criado por Édouard Dammouse (1850-1903) para a encomenda da rainha D. Maria Pia (1847-1911; rainha consorte, 1862-1889), e exibido na Exposição Universal de Paris, de 1900, na Exposição de St. Louis, em 1904, e na exposição de Londres, em 1908. 


A fotografia de uma terrina desse serviço de 177 peças, publicada no referido catálogo, parece não coincidir com a descrição que a acompanha – "Serviço de jantar, pequeno-almoço, chá e café em porcelana branca, verde-água e dourada com decorações de faixas relevadas de flores e folhas brancas sobre fundo verde.", pois a peça ilustrada aparenta ser apenas branca.


Tal aparência ficará a dever-se a uma selecção cromática menos eficaz na reprodução do original, pelo que para dar uma ideia mais aproximada da referida tonalidade "verde-água" se reproduz abaixo a fotografia publicada na página 62 do livro Haviland (1988), de Jean d'Albis (1911-2004).

 

Relativamente a este serviço, note-se ainda que foi comercializado através da já mencionada galeria parisiense A La Paix, de Georges Rouard, pois de acordo com o mesmo catálogo, Porcelana Europeia: Reservas do Palácio Nacional da Ajuda (1987), as peças surgem marcadas "T H (incisa) / A la Paix — 39 [sic], Avenue de l'Opéra, / Paris (a vermelho)" e os arquivos do Palácio Nacional da Ajuda conservam o respectivo "Orçamento da casa A La Paix, de Paris, referente ao serviço (...) enviado à rainha D. Maria Pia em 1902".




© MAFLS


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