Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Dezembro 27 2013

 

Fundada em 1825, a fábrica sueca Gustavsberg (cuja grafia original era Gustafsberg) tornou-se particularmente célebre entre as décadas de 1930 e 1960 pela sua produção modernista, pela produção de estúdio e pela série Argenta, criada por Wilhelm Kåge (1889-1960).

 

No entanto, a fábrica produzira já importantes peças decorativas no século XIX. Durante a última década desse século e as primeiras do século XX foram particularmente notáveis as criações do director artístico Josef Ekberg (1877-1945), que favoreceu a decoração de peças com a técnica de sgraffito.

 

Utilizando como base um corpo cerâmico em faiança branca, essa técnica caracteriza-se pela sobreposição de outras camadas monocromáticas (azuis e, com menor frequência, verdes), em tons claros e escuros,  que depois são trabalhadas e parcialmente retiradas para efectuar a decoração. O vidrado era preferencialmente mate, embora se tenham produzido algumas peças com vidrado brilhante.

 

 

Seguiu-se um período em que a decoração insistia particularmente no dourado para complementar o próprio formato das peças, mas na década de 1930, quando Wilhelm Kåge já era director artístico, a fábrica passou a favorecer a técnica da série Argenta, desenvolvida pelo próprio Kåge.

 

Esta técnica caracteriza-se pela utilização de uma  base de vidrado mate, preferencialmente verde de cobre mas também vermelho sangue de boi, a que se sobrepõe a decoração efectuada através de uma fina camada de prata.

 

A empresa Gustavsberg acabou por ser adquirida em 2000 pela companhia alemã Villeroy & Boch (fundada em 1748), que mantém aquela marca.

 

 

A primeira peça apresentada, com cerca de 20,4 cm. de altura, é uma jarra trabalhada com a técnica de sgraffito, ostentando um motivo de bagas e folhagem muito característico do gosto Art Nouveau. Assinada por Josef Ekberg, está datada de 1909.

 

A segunda, também assinada por Ekberg mas datada de 1919 e com cerca de 29,6 cm. de altura, apresenta um esgrafitado que evoca as rosas e flores estilizadas desenvolvidas por C. R. Mackintosh (1868-1928) numa específica e consagrada variante escocesa do estilo Art Nouveau.

 

 

A terceira peça, uma taça assinada já por Wilhelm Kåge, datada de 1928 e com cerca de 10 cm. de altura e 22,5 cm. de diâmetro máximo, apresenta uma decoração de estilo Art Déco, mais geometrizante e feérica, com predominância de dourados que não seriam posteriormente a imagem de marca das cerâmicas desenvolvidas por Kåge.

 

A quarta peça, também uma taça com cerca de 10,3 cm. de altura e 22 cm. de diâmetro máximo, utiliza mais sobriamente os dourados, procurando fazer ressaltar as formas geométricas e escultóricas da sua modelação. Assinada ainda por Ekberg, num período mais tardio das suas criações, quando este já era sexagenário, está datada de 1938.

 

                         

 

A última peça, uma pequena taça da série Argenta concebida por Kåge, com cerca de 8 cm. de altura e 8,8 cm. de diâmetro máximo, é já de uma fase intermédia desta linha, sendo datável da década de 1940 ou 1950.

 

               

 

© MAFLS


Setembro 16 2012

 

Grande jarra, com cerca de 34,4 cm. de altura, apresentando motivos florais pintados à mão em faiança da fábrica Sant'Anna, Lisboa (http://www.santanna.com.pt/).


Pintada em 1928, como se pode verificar abaixo, esta jarra apresenta uma decoração floral que, quer na representação do motivo quer na paleta cromática, se afasta da tradicional imagem de marca da fábrica – a reprodução ou recriação quase mimética de motivos de séculos anteriores.



© MAFLS


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