Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Novembro 02 2013

 

Pequena jarra em porcelana da fábrica da Vista Alegre ao gosto Art Déco, com cerca de 12,8 cm. de altura, apresentando marca do período de 1922 a 1947.

 

O verbete nº 1651 do catálogo geral da V.A. regista este formato, “Téjo”, com outra decoração, em cor de rosa, sob a referência P. 1265, aprovada por J. Cazaux a 3 de Maio de 1932. O preço de custo foi de 3$70 e o preço da peça decorada (preço de retalho) era de 11$00.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

© MAFLS


Junho 30 2013

© MCS/CDMJA 

 

Folha, apresentando a decalcografia usada no motivo 605 da FLS, que se encontra depositada nos arquivos do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso/Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Esta decoração foi também usada entre 1922 e 1947 em peças da Vista Alegre, como foi ilustrado através de um conjunto de pires e chávena de chá exibido na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.


A reprodução desta imagem é uma cortesia do CDMJA/MCS. 


© MAFLS


Outubro 14 2012

 

Jarra em faiança, com cerca de 21,8 cm. de altura, da fábrica Faiança Battistini, de Maria de Portugal, apresentando o brasão de Santarém e as datas evocativas dos oitocentos anos da conquista da localidade aos mouros.

 

Maria de Portugal (pseudónimo de Albertina dos Santos Leitão, 1884-1971), discípula e musa de Leopoldo Battistini (1865-1936), surge retratada em vários obras de Battistini datadas das décadas de 1910 e 1920.

 

Depois do breve matrimónio com Clotilde Pinto de Carvalho (c. 1882- ?; matrimónio, 1899-1903?; divórcio definitivo decretado em 1912), Battistini manteve com Maria de Portugal uma relação afectiva que se prolongou por cerca de dezoito anos.  

 

 

Embora a generalidade da bibliografia sobre a fábrica refira que Maria de Portugal apenas assumiu a sua direcção e gestão após o falecimento de Battistini, foi recentemente levantada a hipótese de isso ter acontecido em 1930, hipótese consubstanciada na data e na abreviatura que surgem nesta peça: http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2011/05/pote-da-fabrica-constancia.html.

 

A hipótese de leitura da referida abreviatura foi colocada como sendo "Companhia [de Maria de Portugal]". Contudo, dado que a legibilidade da mesma é contestável, é mais provável que estejamos perante a abreviatura da palavra "composição", a exemplo da inscrição, por extenso, que se encontra num dos painéis do conjunto azulejar pintado em 1940 para o Mercado dos Lavradores, no Funchal, como se pode ver abaixo.

 

 

Fundada em 1836, em Lisboa, como Companhia Fabril de Louça, aquela que viria a ser a fábrica Battistini recebeu em 1842 a designação de Fábrica de Cerâmica Constância, nome que haveria de perdurar até à falência da empresa, ocorrida já neste século.

 

Durante o século XIX, o grande impulsionador da qualidade cerâmica e da celebridade da fábrica foi Wenceslau Cifka (1811-1884), que ali mandou cozer muitas das mais de centena e meia de peças que se lhe conhecem. Nascido na Boémia, Cifka parece ter chegado a  Portugal no contexto do casamento de D. Maria II (1819-1853; rainha, 1834-1853) com D. Fernando (1816-1885), realizado em 1836.

 

Em Portugal, a sua primeira actividade pública mais notória foi a de fotógrafo, surgindo já com um estúdio em Lisboa no ano de 1848 e assumindo  o estatuto de fotógrafo da Casa Real em 1855.

 

A sua ligação à produção cerâmica terá decorrido a partir da década de 1860, muito embora a primeira peça datada e assinada conhecida apenas seja de 1870. Nesta área, o seu percurso foi vertiginoso e as suas qualidades reconhecidas internacionalmente, tendo participado com sucesso na Exposição de Paris de 1878 e, como já foi referido (http://mfls.blogs.sapo.pt/20086.html), na Exposição do Rio de Janeiro de 1879. 

 

Não é muito extensa a bibliografia dedicada exclusivamente a Cifka, sendo a obra mais recente o catálogo da exposição Cifka: Obra Cerâmica, realizada em 1993-1994 no Museu Nacional do Azulejo.

 

Capa de catálogo reproduzindo uma tela de Battistini intitulada Amanti (c. 1914).

 

Natural de Jesi, Itália, Leopoldo Battistini chegou a Portugal em 1889 para leccionar na Escola Avelar Brotero, em Coimbra, onde permaneceu até 1903. Nessa cidade veio a criar amizade com diversos intelectuais, escritores e artistas, entre os quais Eugénio de Castro (1869-1944) e Carlos Reis (1863-1940).

 

Transferindo-se para Lisboa em 1903, passou a leccionar na Escola Marquês de Pombal. Depois de quase duas décadas de ensino e bem sucedidas exposições de pintura nesta cidade, Batistini assumiu em 1921, com Viriato Silva (datas desconhecidas), a recuperação e administração da fábrica Constância, que apenas depois do seu falecimento, por homenagem de Maria de Portugal, passou a ostentar o seu nome.

 

Logo nessa década a qualidade da produção cerâmica da fábrica foi, mais uma vez, reconhecida e aclamada além fronteiras, particularmente nas exposições de Milão, realizada em 1927, e de Sevilha, realizada em 1929.

 

Uma vista parcial do pavilhão de Portugal em Sevilha, com revestimentos azulejares executados por Battistini e Viriato Silva, já foi aqui apresentada anteriormente: http://mfls.blogs.sapo.pt/59383.html.

 

No artigo de José Dias Sanches (1903-1972) ali referido, Como se Trabalha em Azulejos, publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932, surge ainda, apesar da exclusividade do título, uma imagem de um monumental "Pote estilo D. João V, de Baptistini e Viriato Silva", que se reproduz abaixo.

 

 

Esta imagem já havia sido apresentada no Diário de Notícias de 11 de Abril de 1929, para ilustrar o seguinte texto:

 

"Na Fabrica Ceramica Constancia, Ltd. esteve ontem exposto, para a Imprensa, o jarrão de faiança artistica que aquela empresa vai enviar ao certame de Sevilha.

Trata-se dum trabalho que honra sobremaneira o nosso país e os seus executantes, srs. Leopoldo Battistini e Viriato Silva.

A notavel peça, que se intitula ' Varões de Portugal ', tem por divisa o seguinte verso dos ' Lusiadas ': ' Aqueles que por obras valorosas se vão das leis [sic] da morte libertando ' e é encimada por um elmo de cavaleiro. O brasão de D. João II, o iniciador da grandes descobertas marítimas, constitui a sua principal peça de heraldica. No jarrão, que tem na base reproduções das três caravelas [sic] que foram á India e, na peanha, uma teoria das esferas armilares, vêem-se ainda brasões de guerreiros e navegadores."

 

Ainda do artigo de José Dias Sanches transcreve-se de seguida um breve trecho, dedicado a Battistini:

 

"Êste artista realizou a continuidade da grande obra de Lucca Della Robbia, na execução de um altar em majolica, representando um milagre de Santo António, em rica policromia. Ultimamente tem pintado notáveis trabalhos, destinguindo-se a reprodução das Tapeçarias de Pastrana, trabalho policrómico de grande valor técnico. Na exposição que efectuou em Milão, em 1927, entre vários trabalhos, avultava o panneaux da Madonna del Fascio em estilo primeira renascença, o qual foi adquirido por Mussolini, e que se encontra actualmente na Igreja de Predapio. As suas últimas produções foram executadas para a Biblioteca Municipal, no Palácio Galveias."

 

Leopoldo Battistini retratado por Carlos Reis.

 

Em 1969, na sequência da doação de dezenas de peças por Maria de Portugal, foi inaugurada na escola Marquês de Pombal, em Lisboa, uma sala consagrada a esse acervo de Battistini. Ainda hoje ali podem ser observadas algumas das criações cerâmicas deste autor, nomeadamente a notável jarra Nereida de Harlem, que tão ligada está ao Simbolismo português e à obra homónima (1896) de Eugénio de Castro.

 

Também ali se encontra patente o retrato de Battistini executado por Carlos Reis.

 

Tal como acontece com Cifka, tampouco é muito extensa a bibliografia exclusivamente dedicada a Battistini, destacando-se os opúsculos Harmonia Latina (1936), de Joaquim Leitão (1875-1956), e Leopoldo Battistini: Um Pré-Rafaelita Italiano na Dimensão do seu Classicismo (1992), de Manuel Cadafaz de Matos (n. 1947), e os catálogos das exposições Leopoldo Battistini: Exposição Artística e Documental (1984) e Leopoldo Battistini e l'Accademismo Romantico nella Provincia di Ancona tra ' 800 e ' 900 (1987).

 

A monografia mais completa, e recente, sobre este artista italiano deve-se a Maria Alice de Oliveira Lázaro (datas desconhecidas), que elaborou uma dissertação de mestrado publicada pela Câmara Municipal de Coimbra, em 2002, sob o título Leopoldo Battistini: Realidade e Utopia.

 

 

© MAFLS


Julho 14 2012

 

 

 

Cavalinho da armada D. Sebastião

 

Múltiplo em faiança vidrada, com cerca de 24,8 x 27,8 x 6,1 cm., de uma escultura do artista plástico Costa Pinheiro (António Costa Pinheiro, n. 1932; http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Costa_Pinheiro).

 

No verso da base frontal apresenta a inscrição: [Cerâmicas] RATTON [Lisboa] / [Cerâmicas] S. BERNARDO [Alcobaça].

 

Na frente da base traseira: c. pinheiro / 92-01 / 17/70, e no verso: Cavalinho da armada D. Sebastião.

 

Desta série, com o mesmo formato, conhece-se ainda um outro exemplar com outra pintura, em fundo bordeaux.

 

 

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Abril 18 2012

© MCS/CDMJA 

 

Capa do exemplar existente no CDMJA/MCA da tabela de preços de loiças domésticas editada em Janeiro de 1932.

 

No interior desse exemplar surge a seguinte inscrição, manuscrita: 

 

"As tabelas que haviam da n/ fabrica / eram antiquissimas e eu como tinha uma / feita para mim, pediu-me o meu grande / e saudoso patrão e grande meu amigo / que era o já falecido, Exmo. Senhor / Herbert Gilbert, para fazer uma e dar-lhe / para ele mandar fazer eguaes.

 

Assim as mandou fazer e o primeiro / exemplar ou seja este, veio acompanhado / duma sua nota a oferecer-mo e um / envelope nessa altura com quinhentos / escudos (500$00) o que eu nunca / esperava e lhe agradeci e que em tudo / não esquecerei.

 

José Aníbal da Costa Abreu

 

=1972= (rubrica) "

 

Esta imagem foi utilizada para ilustrar um dos textos do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

A sua reprodução é uma cortesia do Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso.

 

© MAFLS


Outubro 23 2010

 

Pratos decorativos em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, com estampagem policromada, esmalte aerografado, nos rebordos, e retoques e filetagem a dourado, sobre o vidrado.

 

No prato reproduzido acima apresenta-se a imagem de uma truta-salmonada (Salmo trutta L.) e no reproduzido abaixo a imagem de uma variante de barbo (Barbus barbus L.), ambos peixes comuns nas águas fluviais portuguesas (cf. http://www.cartapiscicola.org/).

 

Embora, à primeira vista, esta decoração pareça não ter qualquer influência oriental, note-se como os remates dourados dos rebordos fazem lembrar duas folhas sobrepostas de ginkgo (Ginkgo biloba L.), árvore sagrada para os budistas e conotada no ocidente com a China e o Japão, e a representação dos peixes em grande plano evoca o tratamento gráfico das xilogravuras japonesas.

 

Prato estampado da série Aquarium, desenhada no final do século XIX por William S. Coleman (datas desconhecidas) para a fábrica inglesa Mintons.

 

A Empresa Electro-Cerâmica foi fundada no Candal, Vila Nova de Gaia, por escritura de 28 de Março de 1919, com o capital social de 599.940$00.

 

A 9 de Junho de 1921 esse capital foi aumentado para 3.600.000$00, ficando assim distribuído: Joaquim Pereira Ramos, 496.870$00; Pinto da Fonseca & Irmão, 300.060$00; Joaquim Pinto Leite, Filho & C.ª, 300.060$00; Dr. José Pereira Caldas, 287.370$00; Banco Comercial do Porto, 135.720$00; Banco Aliança, 54.000$00; Alfredo Pinto de Castro e Silva, 18.000$00; Calisto Bueri, 5.400$00; e Dr. Manuel José Coelho, 2.520$00 (Note-se que apesar de o  Diário do Governo indicar o capital de 3.600.000$00, a soma das parcelas totaliza apenas 1.600.000$00).

 

A 27 de Outubro de 1932 foi reduzido para 90.000$00, ficando distribuído por 100.000 acções no valor nominal de 90 centavos. A 23 de Agosto de 1935 a empresa alterou novamente os seus estatutos, mantendo o valor do capital social, embora a administração tenha sido autorizada a aumentá-lo para 900.000$00, quando considerado oportuno.

 

 

A 27 de Janeiro de 1945 a empresa aumentou o seu capital de 900.000$00 para 5.000.000$00, um aumento de 4.100.000$00 que ficou assim distribuído: António Coimbra e Irmão, 20.250$00; Fernando Henrique Braga Vareta, 4.050$00; Luiz Alves de Carvalho, 40.500$00; Álvaro Fernandes Ferreira, 2.070$00; Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, 810$00; Amadeu Martins Pinto, 450$00; António Dias de Carvalho, 8.100$00; Óscar Guisado, 1.260$00; Pacheco, Filhos, Limitada, 94.230$00; José de Vilas Boas, 221.400$00; Moses Amzalak, 30.330$00; e Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, Limitada, 3.676.550$00.

 

A 9 de Abril do mesmo ano, a empresa, já controlada pela Vista Alegre, adquiriu 50% do capital da Sociedade de Porcelanas, Limitada, de Coimbra. Os restantes 50% do capital social da SP, que passou a totalizar 1.000.000$00, foram adquiridos pela VA. Conforme se constata em nova publicação no Diário do Governo, este processo apenas se concluíu a 17 de Junho de 1945.

 

Desta série de pratos conhece-se ainda um outro exemplar apresentando uma imagem de um lavagante europeu (Homarus gammarus, antes genericamente classificado como Cancer gammarus L.), que não se reproduz devido ao seu extremo mau estado.

 

 

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Setembro 02 2010

 

(continuação)

 

"Foi na Fábrica de Louça de Sacavém que o artista [Jorge Colaço] começou a trabalhar em azulejos, e dali saíram os seus panneaux decorativos dos Passos Perdidos da Escola Médica de Lisboa, e em seguida os do Hotel do Bussaco, da Estação dos Caminhos de Ferro no Pôrto, já feitos com um processo de trabalho diferente. A par da sua vida de ceramista, continuou mais tarde a colaborar em jornais de caricaturas, fundando o "Talassa", que começou em 1913, e acabou a 14 de Maio de 1915. Nesta familiar descrição que o mestre nos faz, ressurgiu-nos [sic] os seus últimos trabalhos realizados para a Exposição do Rio de Janeiro, Sevilha, etc. A Ala dos namorados, In Hoc Signo Vinces, e tantos outros. Nas molduras que orlam êstes quadros, domina o baroco [sic], que em Portugal ficou quási inteiramente livre de exagêros. É já tempo de deixar o mestre novamente entregue à sua obra; e por isso, despedimo-nos de aquela figura típica de artista sempre de negro, barbicha quichotesca, grande laço preto a emmoldurar-lhe a expressão."

 

in Como se Trabalha em Azulejos, artigo publicado no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

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Setembro 02 2010

 

Fotografia de Jorge Colaço (1868-1942), reproduzida no magazine Civilização, número 44, de Fevereiro de 1932.

 

Nesse número, José Dias Sanches (1903-1972) assinou um artigo intitulado Como se Trabalha em Azulejos, onde se referem os trabalhos de Alves de Sá (1878-1872), Jorge Colaço, Leopoldo Battistini (1865-1936), Viriato Silva (datas desconhecidas), Jorge Pinto (1900-1983), Conceição e Silva (datas desconhecidas), Vitória Pereira (datas desconhecidas) e Eduardo Leite (datas desconhecidas), com particular destaque para os três primeiros que, aliás, têm os seus retratos aí reproduzidos.

 

Transcreve-se desse artigo a passagem referente a Jorge Colaço:

 

"Visitemos agora mestre Jorge Colaço. O nosso espírito sente-se deslumbrado ao contemplar os seus quadros, de um azul penetrante e de uma técnica bem diferente da antiga. A nossa insatisfeita curiosidade pretende saber alguma coisa da sua vida. E a sua bonomia atende-a amàvelmente. Discípulo do grande mestre francês Fernand Cormou [1845-1924], estudou em Paris durante seis anos, regressando depois a Marrocos, onde nasceu, e onde se deixou enfeitiçar pelos sports regionais, abandonando os motivos que o podiam sugestionar para a realização dos quadros. Aproximou-se êste artista do nosso país, em virtude de seu pai ser o representante de Portugal em Marrocos.

 

Mais tarde seduziu-se novamente pela pintura, tentando realizar uma exposição no Brasil, o que só mais tarde levou a efeito.

 

Tomada de Lisboa. Painel de azulejos que obteve medalha de ouro na Exposição de Sevilha de 1929. Magazine Civilização, Fevereiro de 1932.

 

Travando conhecimento com Silva Graça [1858-1931], êste propôs-lhe a direcção de um jornal humorístico. Entretanto era eleito presidente da Direcção da Sociedade Nacional de Belas-Artes, alcançando no fim do desempenho de êsse cargo a concessão do terreno para nêle ser edificada a actual sede. Essa concessão obteve-a pondo em prática o seu lápis de humorista. Caindo nas mãos do parlamento, o projecto que autorizava a construção do edifício não conseguia obter despacho favorável. Decidiu-se Jorge Colaço a fazer um requerimento humorístico para o desemperrar.

 

Compôs uma caricatura, que representava um circo romano, encontrando-se no lugar de César o Conselheiro João Franco [1855-1929], e desempenhando o papel de mártir o mestre Jorge Colaço. O instrumento de suplício era o projecto, e os espectadores que se alinhavam nas bancadas, os deputados, que pediam clemência para o mártir. Com o sêlo da praxe, lá seguiu o risonho pedido, que em sessão foi criticado com um sussurro de gargalhadas. E assim conseguiu obter a aprovação. Tendo realizado a sua viagem ao Brasil, em 1908, por eleição dos seus colegas de Lisboa e Pôrto, como delegado artístico à Exposição Nacional, organizada pela República Brasileira, para comemorar a abertura dos portos ao comércio por D. João VI [1767-1826], obteve naquele país êxito memorável."

 

(continua)

 

 

Pavilhão de Portugal na Exposição de Sevilha de 1929.

 

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