Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 16 2013

© CDMJA/MCS

 

Folha da década de 1950, com desenho para a decoração número 2 do motivo Quinta da FLS, que se encontra depositada nos arquivos do Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso/Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

Como já foi referido anteriormente, o motivo Quinta (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+quinta) apresenta diversas decorações, estando registadas, pelo menos, 25 dessas variantes.

 

Podem ver-se duas peças decoradas com a variante número 2 do motivo Quinta, uma garrafa e um prato de parede, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+quinta+2.

 

A reprodução deste desenho da FLS é uma cortesia do CDMJA/MCS.

 

© MAFLS

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Julho 08 2013

 

Jarra decorada em relevo, com cerca de 22 x 32,6 x 12,4 cm., apresentando vidrado quadricolor.

 

Como se pode verificar no catálogo de formatos da FLS anteriormente publicado (http://mfls.blogs.sapo.pt/123502.html), o formato desta jarra surge ali referenciado sob o número 2.


O aspecto peculiar desta peça reside não só no seu vidrado inovador mas também no facto de aparecer datada e assinada com as iniciais do/a operário/a que terá procedido ao acabamento desse vidrado. Será ainda curioso notar que, tal como se tem vindo a documentar, há uma certa tendência para que as peças da FLS produzidas nesse ano, particularmente as que apresentam o motivo Quinta, bem como na década de 1950, surjam datadas.


Há notícia de este formato e de o formato número 1 terem sido reproduzidos no período final da produção da FLS, em pasta de grés com vidrado mate.

 

 

© MAFLS

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Dezembro 15 2012

 

Painel de azulejos da fábrica Ceres, Coimbra, exibindo uma figura feminina de inspiração neo-realista produzida na oficina de Vasco Berardo (n. 1933) durante a primeira metade da década de 1980.

 

Fundada em 1956, a empresa Ceres começou o seu declínio em finais do século passado, acabando a fábrica por encerrar em 2006. Esta ainda reabriu e retomou a sua produção em 2008, mas a insolvência da empresa veio a ser declarada em Março de 2010.

 

Vejam-se algumas fotografias das suas instalações abandonadas no site colectivo que melhor documenta a degradação do património português: http://www.lugaresesquecidos.com/forum/viewtopic.php?f=12&t=1464.

 

Vasco Berardo celebrizou-se também pela execução de diversos trabalhos no âmbito da medalhística, tendo criado a sua primeira medalha em 1971. Logo no ano seguinte, na sua deslocação ao Brasil por ocasião do sesquicentenário da independência, o destacado coleccionador Marcello Caetano (1906-1980; primeiro-ministro, 1968-1974) escolheu três conjuntos de medalhas alusivas aos signos do zodíaco, executadas por este artista, como presente oficial para as entidades brasileiras.

 

Ironicamente, em 1973 Vasco Berardo veio a ser o autor da medalha comemorativa do terceiro congresso da Oposição Democrática, que contestava o regime do Estado Novo, e posteriormente um dos primeiros artistas a executar uma medalha que celebrava a queda desse regime, ocorrida em 25 de Abril de 1974.

 

   

                                                

 

© MAFLS


Dezembro 01 2012

     

 

Estatueta, em biscuit da Sociedade de Porcelanas, representando uma tricana de Coimbra.

 

Com cerca de 19,8 cm. de altura, esta peça aproxima-se claramente, quer na temática quer na modelação, das diversas estatuetas com trajos regionais produzidas pela Vista Alegre a partir do segundo quartel do século XX.

 

No entanto, os diversos detalhes da delicada modelação, o requebro das ancas e da cintura, e toda a sensação de longilínea elegância que emana desta estatueta, aproximam-na muito mais dos estilizados exemplares femininos modelados na VA durante o período 1947-1968, como a Mulher da Beira Litoral, a Mulher do Douro Litoral, ou a Varina de Lisboa, do que das figuras mais compactas e estáticas do período anterior (1922-1947).

 

É muito provável, aliás, que o modelador das referidas peças da VA tenha sido também o autor desta estatueta. O que não será de modo algum surpreendente, se recordarmos que a VA consolidou a sua posição na administração da SP em 1945, depois de um processo de aquisição que se tinha iniciado dez anos antes.

 

A revista Vista Alegre número 18, de Abril de 2001, apresenta um artigo de oito páginas dedicado ao escultor, modelador e gravador coimbrão Cabral Antunes (1916-1986), onde são apresentadas doze das treze figuras regionais que, em 1956, criou para a VA, incluindo as três mencionadas acima.

 

Comparando os traços característicos daquelas figuras com os desta tricana, facilmente se conclui que Cabral Antunes terá sido certamente o autor desta estatueta em biscuit da SP.

 

Medalha da autoria de Cabral Antunes cunhada em 1978.

 

Como se pode constatar pelo exemplar reproduzido acima, o autodidacta Cabral Antunes foi ainda um notável medalhista, actividade que iniciou em 1963 com uma peça dedicada ao escritor Aquilino Ribeiro (1885-1963).

 

Nessa área, celebrizou-se quer pelas composições figurativistas colectivas de algumas alegorias históricas, como a apresentada acima e a que pode ser vista aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/351622.html, quer pelo figurativismo realista de efígies singulares, como a que pode ser vista aqui: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/292007.html.

 

 

© MAFLS


Novembro 17 2012

 

Jarra em porcelana da Vista Alegre com o logótipo da fábrica de tintas DYRUP. Com cerca de 31,1 cm. de altura, ostenta a marca correspondente ao período de 1947 a 1968.

 

O formato modernista desta jarra, executada em finais da década de 1950, ou princípios da década seguinte, é acentuado pelo pontilhado em relevo, sendo tal característica comum a várias peças de produção alemã, encontrando-se particularmente em alguns exemplares das fábricas Eschenbach (http://www.eschenbachporzellan.com/) e Rosenthal (http://www.rosenthal.de/).

 

Nesta última fábrica, o relevo pontilhado, acompanhado ou não de motivos figurativos, aparece muitas vezes associado às decorações desenvolvidas pelo consagrado designer e ceramista dinamarquês Bjørn Wiinblad (1918-2006; http://www.rosenthal.de/product/studio-line-tableware-magic-flute-sarastro-plate-25-cm-en/.)

 

 

Como se pode constatar neste anúncio da Vista Alegre, publicado na revista Panorama, número 2, III série, de Junho de 1956, este formato já era comercializado nesse ano.

 

O facto de esta peça ter sido encomendada em porcelana, e executada numa fábrica de Ílhavo, apresenta em si uma nota irónica, pois as instalações da DYRUP em Portugal, que ainda hoje se encontram no mesmo local, confinavam a norte com o perímetro da Fábrica de Loiça de Sacavém...

 

A DYRUP, empresa de origem dinamarquesa fundada em 1928 e activa em Portugal desde 1947, foi entretanto adquirida no início do corrente ano de 2012 pela empresa americana PPG (http://www.ppg.com/en/Pages/home.aspx).

 

 

© MAFLS


Outubro 25 2012

 

Pequeno prato, com cerca de 15,7 cm. de diâmetro, apresentando sob o vidrado uma variante do motivo Quinta.

 

Como se pode comprovar observando todos os outros exemplares já reproduzidos (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+quinta), as variantes do motivo Quinta são sempre pintadas à mão.

 

 

© MAFLS

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Outubro 02 2012

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (II)

 

Iniciei os meus estudos em matéria cerâmica no então denominado North Staffordshire Technical College (hoje, North Staffordshire University), em Stoke-on-Trent, em Setembro de 1956.

 

Os cursos estavam divididos entre Barro Branco e Barro Vermelho e, em princípio, tinham a duração de três anos. O ano escolar, por sua vez, estava dividido em dois períodos (de Setembro a Abril, para a teoria, e de Maio a Agosto, para a prática). Neste último período o estudante tratava de arranjar o seu estágio numa fábrica, em Inglaterra ou no estrangeiro, podendo o NSTC encarregar-se disso caso ele não o conseguisse.

 

O primeiro ano foi essencialmente bastante básico, abordando, em termos de Física e Química, matéria tratada no antigo 7.º ano do secundário. Era um ano comum aos estudantes de Barro Branco e de Barro Vermelho.

 

Por sua vez, o segundo ano já era mais especializado em termos da área cerâmica que cada qual tinha escolhido. No meu caso era o Barro Branco, tratando portanto de áreas que lhe estavam directamente ligadas – vidros, corantes, moldes, madres, e outros aspectos técnicos.

 

Finalmente, o terceiro ano era ainda mais especializado e incluía outros aspectos práticos desenvolvidos nas fábricas de Stoke. Lembro-me, por exemplo, que fui o primeiro aluno a produzir uma sanita, do princípio ao fim, na fábrica Royal Doulton. Enchi e despejei o molde, tirei a peça do molde, acabei-a, coloquei-a no secador, vidrei-a, coloquei-a e tirei-a do forno antes de fazer a escolha. Hoje a peça faz parte da colecção do museu da Universidade.

 

No curso, o mais surpreendente era o facto de a matéria continuar a ser exactamente igual há mais de vinte anos. Curiosamente, o Director do Departamento Técnico da FLS era o João de Sousa, filho do Mestre José de Sousa, o primeiro português a ocupar este lugar depois dos ingleses Barlow, pai e filho. O João de Sousa tinha estudado em Stoke nos anos 30, pelo que pude comparar os meus apontamentos com os dele. Eram praticamente iguais!

 

Algo de ainda mais extraordinário ocorria nos estudos relativos ao cozimento. Aqui, noventa por cento da matéria era dedicada aos fornos intermitentes redondos e apenas o muito pouco que restava aos fornos-túneis, que já eram norma em grande parte das empresas. Quanto aos fornos de rolos para azulejos, que já existiam na Sacavém, nenhuma referência! Quando levantei a questão responderam que ainda não estavam suficientemente testados nem dados como fiáveis! Estou convencido que lá no NSTC ainda nem sequer tinham ouvido falar deles!

 

© Clive Gilbert 

© MAFLS


Setembro 01 2012

 

O INÍCIO DE UMA CARREIRA NA FLS (I)

 

Nunca na minha infância sonhei que algum dia iria trabalhar na indústria cerâmica, embora soubesse que a minha família era dona da Fábrica de Loiça de Sacavém e que o meu avô e o meu pai trabalhavam lá. Só quando acabei o secundário em Londres, sem quaisquer ideias quanto ao meu futuro, é que aceitei ir fazer o curso de cerâmica em Stoke-on-Trent. Isto passou-se em 1956.

 

As primeiras impressões não foram nada boas. As "Potteries", como era conhecida a área da cidade de Stoke-on-Trent (composta por seis vilas – Burslem, Fenton, Hanley, Longton, Stoke e Tunstall), eram o centro da indústria cerâmica de Inglaterra e nessa altura existiam centenas de pequenas e médias empresas todas à volta das grandes cerâmicas, tais como a H&R Johnson, Royal Doulton, Twyfords, Wedgwood, e outras. Todas estas fábricas, particularmente as centenas das mais pequenas que ainda não tinham investido em fornos modernos devido às dificuldades económicas do pós-guerra, debitavam cá para fora uma espessa camada de fumo proveniente dos antigos fornos redondos, bottle ovens, e das chaminés das caldeiras que ainda eram alimentadas a carvão. Nessa época era impossível usar uma camisa branca pois era sabido que pela altura do almoço o colarinho já estaria preto... Só para dar uma ideia, as papelarias e tabacarias locais vendiam uns postais de Stoke-on–Trent apresentando uma imagem totalmente a preto com o título "Stoke-on-Trent by night", havendo outros exactamente iguais mas com o título "Stoke-on-Trent by day"!

 

Ao fim de algum tempo ficávamos habituados não só ao denso fumo como à chuva e ao frio, sendo tudo atenuado pelas amizades que se criavam – ainda em Julho passado me veio visitar um antigo colega de curso que hoje em dia vive na Austrália e eu não via há mais de quarenta anos!

 

© Clive Gilbert 

© MAFLS


Outubro 27 2011

 

Grande prato de parede, com cerca de 29,2 cm. de diâmetro, pintado à mão sob o vidrado com a variante número 19 do motivo Quinta.

 

 

© MAFLS


Julho 30 2011

 

Prato raso em faiança, com cerca de 24,8 cm. de diâmetro, da fábrica Secla, Caldas da Rainha, reproduzindo um desenho original de Hansi Staël (1913-1961).

 

Esta artista húngara veio para Portugal depois da II Grande Guerra, tendo colaborado com a Secla, a partir de 1950, na criação de inúmeras peças. Entre as suas criações para a produção industrial, contam-se os originais que deram origem à série Motivos Portugueses, à qual pertence este exemplar.

 

Desenvolvida entre 1953 e 1956, a série ilustra essencialmente cenas do quotidiano da Nazaré e das regiões rurais próximas das Caldas da Rainha, reproduzidas quer em travessas quer em pratos.

 

Nos pratos, conhecem-se exemplares que variam entre os 10 (em versões adaptadas e simplificadas, como o motivo P. 337, que apresenta um pescador da Nazaré estilizado) e os 37,5 cm. de diâmetro, e nas travessas conhecem-se versões ovais, com 43 cm. de largura, e versões "rectangulares de cantos arredondados", com cerca de 22,8 cm. de largura.

 

O livro A Nova Cerâmica das Caldas (1989), de Alberto Pinto Ribeiro (1921-1989), reproduz dois pratos semelhantes a este. Um na página 77, com indicação de ser o prato original pintado por Hansi Staël, outro na página 111, ao qual é atribuída a data de 1956.

 

Ao contrário do que acontece com este exemplar, é normal a maioria dos pratos apresentarem no verso dois conjuntos de iniciais – as da autora, H. S., e as do/a pintor/a que reproduziu o desenho original.

 

Veja-se uma assinatura original de Hansi Staël em: http://mfls.blogs.sapo.pt/60571.html

 

 

© MAFLS


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