Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 29 2017

   Autocolante comemorativo da primeira Festa do Avante!, 1976.

 

No jornal Avante! número 326, de Fevereiro de 1963, publicou-se o seguinte artigo:

 

"Levanta-se a luta em Sacavém

 

Sacavém - Nas duas maiores empresas desta vila estão em curso importantes acções reivindicativas.

 

Na Trefilaria, em Janeiro, mais de 200 operários concentraram-se na gerência em apoio duma comissão que foi reclamar aumento geral de salários, há muito prometido. (...)

 

Na Fábrica de Loiça, em princípios de Janeiro, a administração tentou obrigar os operários a assinar um documento para passarem a receber à quinzena; depois da primeira surpresa, o pessoal em todas as secções recusou-se a assinar, sem se impressionar com promessas e ameaças. Dias depois, um grupo de mais de 50 operários concentrou-se no sindicato, reclamando contra a arbitrariedade dos patrões; ficou claramente estabelecido que se os patrões passarem a pagar à quinzena, têm também que pagar os domingos.

 

Animados pela luta contra esta arbitrariedade, os operários da Loiça estão a discutir mais largamente os seus problemas e estão dispostos a lutar unidos contra a exploração, contra as multas e contra a falta de segurança no trabalho, que arruina a saúde de tantos com a silicose."

 

 

© MAFLS

publicado por blogdaruanove às 21:01

Fevereiro 08 2014

 

Conjunto para chá em porcelana da Vista Alegre.

 

Ostentando a marca correspondente ao período 1947-1968, foi certamente produzido já na década de 1960, podendo ter sido criado, ou desenhado, nos finais da década anterior. Conhece-se, no entanto, um anúncio, de página inteira, publicado na revista Panorama, número 5, IV série, de Março de 1963, que apresenta este formato.

 

Com a legenda "Vista Alegre / apresenta / SOLTEIRINHA / [imagem] / a sua última criação", o anúncio, reproduzido abaixo, apresenta um conjunto com este formato, mas com diferente decoração, onde se comprova que, originalmente, este integrava também, para além das três tacinhas, um pequeno prato.

 

Na fotografia pode-se ainda constatar que a reentrância na base do bule permite que este se encaixe por cima da chávena, um conceito pragmático e minimalista, orientalizante, que aqui se associa à modernidade.

 

 

 

 

Curiosamente, quer a designação (que se aplicará ao formato e não à decoração) quer a composição do conjunto, que nem sequer se destina a duas pessoas, como os tête-à-tête popularizados nas décadas de 1920 e 1930, mas apenas a uma, traduzem uma nova mentalidade e uma nova aproximação à vivência do quotidiano feminino.

 

Notem-se as diversas combinações peculiares nos formatos apresentados, características de certas propostas híbridas das décadas de 1950 e 1960, como sejam o conservador bico do bule conjugado com o seu cilíndrico formato modernista, e a asa em verga revestida a fita sintética, e as, aparentemente conservadoras, asas, quer da chávena quer da leiteira, combinadas com o formato menos conservador do corpo principal das peças.

 

Embora estas asas não sejam efectivamente tão conservadoras como parecem, até pelo amplo espaço criado no seu interior, a verdade é que propostas posteriores destas formas cilíndricas, ou mesmo tronco-cónicas, vieram a prescindir de quaisquer asas, tal como já anteriormente tinha acontecido em alguns modelos modernistas derivados das propostas da Bauhaus.

 

A simples decoração listada, no seu minimalismo repetitivo, contribui também para sublinhar a modernidade da proposta deste conjunto.

 

 

© MAFLS


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