Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 03 2014

 

 

Um 25 de Abril adiado…

 

Em 1970 a Sacavém lançou na Feira Internacional de Lisboa uma novidade. Tratou-se de um lavatório de embutir sob um tampo de mármore e com um armário por baixo. Para além do efeito estético, este último servia para esconder a canalização.

 

No dia da inauguração, como era hábito, todos os stands estavam atrasados na sua preparação. Um pouco antes da chegada do Almirante Américo Thomaz (1894-1987; presidente, 1958-1974), o Presidente da República na altura, ainda estávamos a tratar dos acabamentos finais. No entanto, e para grande satisfação nossa, quando ele finalmente chegou ao nosso stand demos um grande suspiro de alívio pois, pensávamos nós, estava tudo pronto. Afinal de contas…

 

O Presidente, ao chegar ao stand da Sacavém, olhou para o lavatório e disse: “Olha que interessante, a Gertrudes vai gostar imenso desta ideia”. Claro que fiquei muito satisfeito com este elogio, mas qual não foi o meu espanto quando, logo de seguida, ele se baixou e tentou abrir a porta do armário existente sob o lavatório. É que, afinal de contas, não lhe interessava nada (nem possivelmente à sua esposa Gertrudes) a nossa grande novidade na Feira, o lavatório de embutir, mas sim o armário!

 

Logo após deu-se uma situação que poderia ter tido graves consequências para a Sacavém (neste caso para mim, pois eu estava ali como administrador, representando a empresa) e possivelmente para o país. Ao tentar abrir a porta, o Presidente puxou pela maçaneta que se soltou uma vez que, com a pressa, não a tínhamos fixado devidamente. O Presidente desequilibrou-se e caiu para trás, desamparado, vindo contra mim.

 

Até então, nada de muito grave se passara, mas nós tínhamos ainda em exposição uma linha de lavatórios colocados defronte da tal bancada. Caí também para trás, com o peso do Presidente em cima de mim, e bati com as costas num outro lavatório. Ainda hoje sofro com as sequelas daquele acidente, mas assim acabei por evitar que, possivelmente, o Presidente batesse com a cabeça no lavatório, impedindo que lhe acontecesse o mesmo que ao Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Oliveira Salazar (1889-1970), dois anos antes.

 

Será que involuntária e inadvertidamente adiei um 25 de Abril?!

 

© Clive Gilbert

© MAFLS


Julho 21 2013

 

Procurando complementar as mais recentes e diversas referências que a autora do espaço *CMP (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/search/label/Lu%C3%ADs%20Ferreira%20da%20Silva) vem fazendo à obra de Luís Ferreira da Silva  (n. 1928; http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/ferreira+da+silva), apresenta-se hoje mais uma placa cerâmica, com cerca de 16 x 16 x 2,7 cm., produzida por este ceramista durante a década de 1960 para a fábrica Secla, das Caldas da Rainha.

 

No tardoz apresenta, incisas, a sigla e as iniciais do artista, "FS", a inscrição "Secla / Portugal" e o número "4", que corresponde à decoração, ostentando ainda, a exemplo do que acontece com outro exemplar já aqui apresentado (http://mfls.blogs.sapo.pt/94060.html), quatro suportes em borracha.

 

Recorde-se que diversas placas semelhantes a estas haviam sido exibidas por Ferreira da Silva, em 1960, na sede da The Architectural League of New York, onde, complementarmente, uma montra ao nível da rua lhe foi dedicada em exclusivo.

 

Durante toda a década de 1960 as suas peças, muitas delas únicas, não cessaram de ganhar reconhecimento internacional, sendo essa a altura em que o empresário sueco Ingvar Kamprad (n. 1926), fundador da célebre cadeia IKEA (http://www.ikea.com/ms/pt_PT/about_ikea/the_ikea_way/history/index.html), se tornou no maior coleccionador particular da obra deste notável ceramista.

 

A fim de evitar mal-entendidos sobre dois artistas distintos, mas que têm apelidos iguais e são ambos oriundos da região do Grande Porto, aproveita-se esta oportunidade para reproduzir abaixo a imagem de uma peça de Mário Ferreira da Silva e referir alguma da sua obra.

 

 

Apresentada no número 37, IV série, da revista Panorama, publicada em Março de 1971, esta imagem mostra a peça com que Mário Ferreira da Silva (datas desconhecidas) obteve o Prémio Nacional de Cerâmica de 1969, atribuído no IV Salão Nacional de Arte organizado pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo (S.N.I.).

 

Esta nova consagração da obra de Mário Ferreira da Silva (http://www.mariofsilva.com/biografia.html) seguiu-se à que já havia ocorrido em 1960, quando recebera o prémio Sebastião de Almeida, destinado à cerâmica e atribuído a uma base de candeeiro, no II Salão dos Novíssimos promovido pelo SNI. 

 

No catálogo correspondente ao Salão de 1960, onde apresentou três peças – 24, Base de Candeeiro; 25, Jarra Decorativa; 26, Jarra Decorativa, surge sob o nome Mário Ferreira da Silva, com morada na Rua Domingos de Matos, 644, em Coimbrões, V. N. de Gaia.

 

Já nos catálogos dos Salões de 1962, onde apresentou duas peças – 135, Fantasia I, Jarra, e 136, Fantasia II, Jarrão, e de 1965, onde apresentou quatro peças – 101, Pássaros (faiança), 102, Prato (grés), 103, Base para Candeeiro (grés), e 104, Base para Candeeiro (grés), surge apenas sob o nome Mário Silva, com morada na Rua Gil Eanes, 282, 2.º Esq.º, em Vila Nova de Gaia.

 

 

© MAFLS


Junho 10 2010

 

Pormenor de um painel de azulejos, datado de 1912 e pertencente a uma antiga mercearia, existente no cruzamento da Avenida Visconde de Valmor com a Avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Para além da pintura policromada sob o vidrado, este painel apresenta ainda retoques a dourado sobre o vidrado.

 

No CDMJA existe uma lista dactilografada pela secretaria-geral da FLS, intitulada ESTRANGEIROS QUE ESTIVERAM AO SERVIÇO DA FÁBRICA EM DIVERSOS SECTORES DE TRABALHO e datada de 5 de Abril de 1971, onde são enumerados sete pintores.

 

Surgem aí referenciados Taylor (datas desconhecidas, inglês, pintor sobre vidro), John Dean (datas desconhecidas, inglês, pintor sobre vidro), Jorge Colaço (1868-1942, marroquino, pintor de azulejos), Fabian Tomaz Lagore (datas desconhecidas, espanhol, pintor de azulejos), Bernard Gusgen (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre vidro que trabalhou na fábrica entre 1924 e 1927), Wilhelm Wagner (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre biscoito que trabalhou na fábrica entre 16 de Junho de 1928 e 1945), Karl Huber (datas desconhecidas, alemão, pintor sobre biscoito que trabalhou na fábrica entre 12 de Janeiro de 1932 e 31 de Agosto de 1969).

 

Muito provavelmente, o inglês John Dean aqui listado corresponderá a este A. Dean que assinou o painel.

 

 

© MAFLS


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