Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 07 2018

 

Jarras em faiança, com cerca de 20,4 cm. e 11,7 cm. de altura, produzidas na fábrica Arfai, Alcobaça.

 

Não apresentando qualquer marca, e provavelmente destinados à exportação, estes dois modelos documentam, já no dealbar do século XXI, um revivalismo da centenária gramática Art Nouveau e a preferência por um vidrado verde semi-mate característico também de alguma produção internacional desenvolvida, à época, nesse estilo, nomeadamente em fábricas como a sueca Gustafsberg e as norte-americanas Rookwood e Teco.

 

Evocativas de certas formas vegetais, mas sugerindo também, inequivocamente, formas fálicas, estas jarras recordam ainda, no que respeita a esta última característica, um modelo, o número 326, produzido, há cerca de cem anos, pela fábrica francesa Rambervillers. 

 

© MAFLS


Dezembro 24 2017

 

Pequeno prato, em porcelana da SPAL, comemorativo do Natal de 2003.

 

 

 © MAFLS


Dezembro 10 2017

 

Jarra modular Double, em faiança e cortiça e com cerca de 32,5 cm. de altura, produzida pela Arfai, de Alcobaça.

 

Fundada em 1992, como simples empresa de comercialização de produtos cerâmicos, a Arfai iniciou em 1995 a sua própria produção. Actualmente afirma-se como uma das indústrias cerâmicas portuguesas que assegura produção decorativa de alta qualidade, a nível da pasta de faiança fina, dos vidrados e revestimentos e do design.

 

As excelentes peças da Arfai, contudo, beneficiariam da opção em reproduzir criações noutra pasta cerâmica mais resistente, como o barro vermelho duro ou o grés, pois a sua faiança fina revela-se demasiado frágil para um manuseamento intenso ou algo mais despreocupado.

 

Apesar dessa limitação técnica, grande parte da sua produção destina-se actualmente à exportação.

 

 

A Arfai tem colaborado com outras empresas do sector, como a Jomazé, na produção dos inúmeros modelos que cria e comercializa.

 

Uma vez que muita da sua produção se destina à exportação, nao é raro encontrar peças da Arfai sem qualquer marca, ou apresentando exclusivamente etiquetas em papel, ou, ainda, marcas de outras empresas estrangeiras, como a que se reproduz abaixo.

 

As interessantes peças da Arfai voltarão a ser reproduzidas neste espaço, mas entretanto pode-se consultar o site da empresa aqui: http://www.arfaiceramics.com/index.php.

 

 

Jarra, com cerca de 17,8 cm. de altura, produzida na Arfai para a marca dinamarquesa Knabstrup Keramik.

 

Esta jarra, integrando uma série denominada Anna (cf. https://knabstrup.com/produkter?series=16#product-grid), existe em diferentes dimensões e em três tons distintos – neste verde mate e ainda em azul claro e em branco, com esmalte brilhante, correspondendo a um modelo inspirado numa peça anteriormente criada pelo escultor e designer Johannes Hansen (1903-1995), director artístico da KK entre 1953 e 1970.

 

A KK foi fundada em 1897 mas acabou por encerrar em 1988. Entretanto, a marca foi recuperada durante o corrente ano de 2017, recorrendo à comercialização de cerâmica produzida em regime de outsourcing.

 

Consulte-se a história da KK aqui: https://knabstrup.com/historie.

 

 

 

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Setembro 23 2017

 

Placa cerâmica, moldada em relevo, em faiança da fábrica Vestal, Alcobaça.

 

Medindo cerca de 17,2 x 16,2 x 1,8 cm., esta placa, integralmente pintada à mão, apresenta a legenda "Para os amigos / a hora / não importa", que se enquadra nos aforismos, adágios e quadras comuns na produção de algumas fábricas portuguesas durante meados do século XX.

 

De acordo com a obra Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio (n. 1965), a Vestal foi fundada em 1947. A ser assim, como se comprova pelo anúncio reproduzido abaixo, e ao contrário do que se afirma nessa obra, a grafia Vistal não esteve em vigor apenas durante o primeiro ano de existência da fábrica.

 

Segundo anúncio publicado no Diário de Notícias de 17 de Maio de 2006, após a declaração de falência os bens da empresa foram colocados à venda, em hasta pública, nesse ano.

 

 

Anúncio, com o monograma do pintor e designer gráfico Fred Kradolfer (1903-1968), publicado no opúsculo As Plantas dos Cinemas e Teatros de Lisboa (1949), oferecido pela casa Larbelo aos seus clientes.

 

Neste opúsculo são publicadas a plantas das seguintes salas, por ordem de apresentação – Cinema Capitólio, no Parque Mayer, Cinema Condes, na Avenida da Liberdade, Eden-Teatro, na Praça dos Restauradores, Cinema Ginásio, na Rua Nova da Trindade, Cinema Odéon, na Rua dos Condes, Cinema Palácio, na Avenida Duque de Ávila, Teatro Politeama, na Rua Eugénio dos Santos, S. Luiz Cine, na Rua António Maria Cardoso, Cinema Tivoli, na Avenida da Liberdade, Teatro da Trindade, na Rua Nova da Trindade, Chiado Terrasse, na Rua António Maria Cardoso, Cinema Lys, na Avenida Almirante Reis, Teatro Apolo, na Rua da Palma, Teatro Avenida, na Avenida da Liberdade, Teatro Maria Victória, no Parque Mayer, Teatro Nacional, na Praça D. Pedro IV, e Teatro Variedades, no Parque Mayer.

 

 

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Agosto 06 2017

 

Pequeno prato, ou alfineteira, em porcelana da SPAL, Alcobaça, de concavidade acentuada e com cerca de 2,9 cm. de altura e 12,1 cm. de diâmetro, comercializado através da empresa Solafrance.

 

A empresa Solafrance era uma subsidiária da SPAL em França, que esteve registada no Tribunal Comercial de Paris, onde se encontrava a sua sede, entre 25 de Junho de 1969 e 3 de Novembro de 2009, embora a sua dissolução tivesse sido declarada já em 31 de Janeiro de 2005, data em que foi nomeado um liquidatário.

 

Não foi possível encontrar qualquer informação sobre D. Roubin, que, supostamente, terá concebido esta decoração, mas no século XIX existiu também um compositor francês chamado Amédée de Roubin (Victor Marie Paul Amédée de Roubin ?, 1824-1864).

 

 

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Julho 01 2017

 

Caixa em faiança produzida na fábrica Raul da Bernarda, de Alcobaça.

 

Pintada à mão e modelada num tradicional formato de coração, apresenta a legenda  "Amor com / Amor se / paga", característica das frases populares reproduzidas em cerâmica nas décadas de 1940 e 1950, mas que se prolongaram ainda pela década seguinte.

 

 

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Abril 08 2017

 

Duas pequenas placas de suspensão, em relevo, produzidas em faiança pela Elias & Paiva, Alcobaça.

 

Apresentando texto e paisagens executadas com pintura manual livre, documentam uma reduzida opção cromática e ostentam motivos campestres com variantes muito limitadas.

 

 

Este tipo de placas com epigramas, particularmente populares no pós-guerra e nas décadas de 1950 e 1960, assumiram as mais diversas decorações e formatos, sendo comercializadas por diferentes fábricas portuguesas.

 

Note-se como estes epigramas podem ser conotados com uma certa filosofia de vida promovida pelo Estado Novo, reformulada segundo parâmetros supostamente associados à sabedoria popular.

 

O número 401 refere o formato, não a decoração, pois repete-se nos dois exemplares.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 25 2017

 

Taça em faiança, com cerca de 4,8 cm. de altura e 23,2 cm. de diâmetro máximo, e ostentando como motivo central a imagem de um veado, produzida pela fábrica Estatuária Artística de Alcobaça.

 

Como se comprova por este exemplar, a decoração revivalista apresentando animais, reminiscente de alguma produção cerâmica dos séculos XVII e XVIII, não se limitou no século XX à mais conhecida loiça policromática de Coimbra.

 

No caso da E.A.L., não será alheio à existência destes motivos o facto de um dos seus sócios e modeladores ser alegadamente oriundo de Coimbra e, eventualmente, também alguns pintores.

 

As datas habitualmente apontadas para a laboração desta fábrica situam-se entre 1945 e 1949, tendo pouco depois sido declarada a sua falência e ficando as instalações abandonadas até 1953.

 

Neste último ano, o consagrado ceramista José Pedro (datas desconhecidas), que havia saído da O.A.L. para a E.A.L., e posteriormente para a Olajul, no Juncal, retomou a laboração nas instalações da E.A.L., onde a Pedros viria ser fundada, pelo seu filho Silvino Ferreira Pedro (n. 1925), em 1955.

 

De acordo com a obra Faiança de Alcobaça (1997), de Jorge Pereira de Sampaio (n. 1965), de onde foram adaptadas as informações dos dois parágrafos anteriores, a assinatura corresponderá ao pintor Noel Costa (datas desconhecidas), que posteriormente transitou para a Vestal.

 

 

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Dezembro 31 2016

 

Cinzeiro, com cerca de 9,6 x 15,9 x 2,7 cm., em faiança da OAL, Olaria de Alcobaça.

 

Este exemplar documenta uma curiosa conjugação da tradicional decoração floral da loiça de Alcobaça com um inesperado formato modernista.

 

Reminiscente de alguns exemplares modernistas alemães das décadas de 1920 e 1930, este formato teve também algumas variantes produzidas em Portugal, nomeadamente durante o período de administração da Fábrica do Carvalhinho pela Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

 

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Dezembro 11 2016

 

Dois pequenos pratos decorativos em porcelana produzidos pela Porart, Porcelanas Artísticas Portuguesas, na primeira metade da década de 1980.

 

Esta empresa, com sede em Bárrio, Alcobaça, foi fundada em 1978 tendo-se dedicado particularmente às pequenas peças decorativas, na tradição dos bibelots que se popularizaram durante a maior parte do século XX.

 

Produziu, no entanto, loiça de mesa, havendo conhecimenso de diversos serviços de chá e café com decoração complementada a ouro.

 

 

Em primeiro lugar, apresenta-se uma cromolitografia que reproduz uma imagem concebida em 1502 por Albrecht Dürer (1471-1528). 

 

De seguida, uma ilustração alusiva a um dos doze signos do Zodíaco - Aquário, que corresponde às datas que decorrem entre 21 de Janeiro e 19 de Fevereiro.

 

 

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