Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Setembro 04 2016

 

 

Dois cinzeiros promocionais em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

O primeiro, com cerca de 5,6 cm. de altura, 8,1 cm. de diâmetro na base e 9,1 cm. de diâmetro máximo nos suportes para cigarro, ostenta quatro conjuntos de legendas – "CAIS / DA / FONTE / NOVA", "TELEF. / 22061 / (3 linhas) / APARTADO 13", "AZULEJOS / BRANCOS / E PINTADOS" e "LOUÇAS / DOMÉSTICAS / SANITÁRIAS / E ARTÍSTICAS".

 

O segundo, com cerca de 3,9 cm. de altura, 11,6 cm. de diâmetro na base e 13,1 cm. de diâmetro no rebordo, apresenta um vidrado pouco vulgar na produção da Aleluia e ostenta apenas as legendas que se podem observar na imagem – "Aleluia / Aveiro".

 

Obviamente, nenhum destes exemplares apresenta qualquer marca na base.

© MAFLS


Junho 04 2016

 

Par de azulejos em faiança, com cerca de 10,4 x 10,4 cm., produzidos na fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Estes motivos folclóricos estiveram particularmente em voga na produção da fábrica durante a década de 1950, podendo-se encontrar dois outros exemplos aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html.

 

Tal como ali foi referido – "a recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo."

 

"Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas."

 

© MAFLS


Dezembro 06 2015

 

Pequenas jarras em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

Acima, exemplar com cerca de 5,8 cm. de altura e 6,4 cm. de diâmetro máximo; abaixo, exemplar com cerca de 10 cm. de altura e 7,4 cm. de diâmetro máximo.

 

 

Embora o formato 42 seja, obviamente, mais antigo que o 179, ambas as jarras apresentam combinações cromáticas e tonalidades invulgares na produção da Aleluia.

 

Traduzem estes dois exemplares, os seus motivos e as tonalidades que lhes estão associadas, uma produção claramente característica de um período posterior ao final da II Grande Guerra, mas também anterior à produção modernista e contemporânea que a Aleluia começou a desenvolver a partir da segunda metade da década de 1950. 

 

 

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Agosto 08 2015

 

Pequena jarra, com cerca de 6,1 cm. de altura, em faiança da fábrica Aleluia, de Aveiro. 

 

Como MUONT demonstrou recentemente, este formato inspirou-se num modelo que terá tido origem na consagrada fábrica alemã Rosenthal (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2015/07/jarra-art-deco-com-tres-asas-pequena.html), embora a Vista Alegre também tenha produzido um formato semelhante, com quatro asas, a partir do final da década de 1930.

 

Através desta peça pode comprovar-se como a decoração apresentada, embora em faiança, reproduz fielmente a simples e elegante decoração minimalista patente no modelo em porcelana da Rosenthal.

 

Curioso é constatar que a Aleluia apenas tenha optado por esta réplica do original, correspondente ao formato 273, numa fase mais tardia da sua produção e em dimensões ainda mais reduzidas do que as dos formatos 20 e 21.

 

Esta opção tardia poderá relacionar-se com o domínio de certas técnicas de vidrado que a Aleluia adoptou predominantemente na década de 1950 (http://mfls.blogs.sapo.pt/154322.html), conhecendo-se um cinzeiro com este vidrado e a referência X-261-AA (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/371206.html), que ostenta a marca do cinquentenário da fábrica (1955).

 

 

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Junho 21 2015

 

O programa Perdidos e Achados, do canal SIC Notícias, divulgou ontem uma peça, intitulada Viagem pela Cerâmica Portuguesa, sobre a cerâmica portuguesa, em geral, e sobre a produção das Caldas da Rainha, em particular.

 

Nesta peça televisiva, com 13 minutos e 21 segundos de duração, que ao longo da semana vinha sendo anunciada com o título genérico "A Arte em Cacos", registam-se depoimentos de antigas funcionárias da Secla, de gestores empresariais, de marchands, de curadores, de coleccionadores e de investigadores de cerâmica, entre os quais surge a incontornável autora do blog Cerâmica Modernista em Portugal (http://ceramicamodernistaemportugal.blogspot.pt/), Rita Gomes Ferrão.

 

A propósito da produção de outras notáveis regiões cerâmicas portuguesas, como a região de Aveiro, reproduz-se aqui uma das muitas e excelentes peças que foram comercializadas pela, também incontornável, fábrica Aleluia durante as décadas de 1950 e 1960.

 

Veja-se a reportagem da SIC Notícias aqui: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/perdidoseachados/2015-06-20-Viagem-pela-ceramica-portuguesa.

 

 

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Dezembro 14 2014

Gomil em faiança, com cerca de 29,6 cm. de altura, produzido pela fábrica Aleluia, de Aveiro.

 

A exemplo de outras peças das décadas de 1950 e 1960, como um gomil da fábrica Raul da Bernarda, de Alcobaça, anteriormente aqui reproduzido (http://mfls.blogs.sapo.pt/119411.html), também esta peça remete claramente para elementos composicionais característicos de uma determinada época, quer na obra do pintor e escultor Jean [Hans] Arp (1886-1966; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Arp), quer na obra do escultor Henry Moore (1898-1986; cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Moore). 

 

O acabamento nacarado que reveste parcialmente esta peça ocorre, como já aqui se referiu antes (http://mfls.blogs.sapo.pt/224453.html#comentarios), não apenas na Aleluia mas também na produção cerâmica de outras fábricas portuguesas.

 

Curiosamente, este recurso técnico está intimamente relacionado com a produção vidreira e com um acabamento químico específico, conhecido em inglês como flashing. Através de este processo, mais rápido e menos oneroso, obtem-se uma finíssima camada colorida, ou irisada, sobre a superfície, criando assim um efeito quase semelhante ao do dispendioso vidro oitocentista característico da Boémia, cuja designação se popularizou nos meios vidreiros portugueses como vidro doublé, em que as camadas coloridas sobrepostas eram lapidadas ou gravadas para mostrar as camadas inferiores.

 

 

O irisado da superfície do vidro atingiu a consagração no período e nas peças Art Nouveau, em fábricas como a europeia Loetz ou a americana Tiffany.

 

Uma versão muito característica acabou por se consagrar em Portugal, durante o segundo quartel do século XX, através de um revestimento alaranjado popularmente conhecido como "casca de cebola" (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/286639.html), embora existam também tonalidades que podem variar entre o verde e o azul, consoante a cor de fundo do vidro.

 

Na cerâmica, estes acabamentos, mais irisados do que nacarados, foram também consagrados no período Art Nouveau, em fábricas ou oficinas como a americana Weller (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/weller), a belga Boch Frères / Keramis (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/boch+fr%C3%A8res), as francesas Gaziello (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/jean+gaziello), Massier (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/cl%C3%A9ment+massier) e Rambervillers (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/rambervillers), ou a húngara Zsolnay.

 

A propósito do formato deste gomil, das suas combinações cromáticas e dos movimentos artísticos contemporâneos, vejam-se uma notável jarra da fábrica inglesa Beswick, e também uma outra notável jarra da Aleluia, aqui: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/148829.html.

 

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Junho 28 2014

 

Jarra em faiança da fábrica Aleluia, em Aveiro, com cerca de  24,8 cm. de altura, apresentando decoração marinha com algas em relevo, pintadas à mão, complementadas com bandas horizontais, metalizadas, em tom de cobre.

 

Embora a cerâmica com motivos marinhos fosse uma das imagens de marca da produção bordaliana oitocentista (http://mfls.blogs.sapo.pt/144478.html), e da subsequente produção caldense do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/182216.html), foi certamente a Aleluia uma daquelas fábricas nacionais que, fora dos painéis azulejares, melhor recuperaram e renovaram a utilização desses motivos na cerâmica decorativa do século passado.

 

 

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Janeiro 19 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 14,2 cm. de altura, produzida na fábrica Aleluia, em Aveiro.

 

Para além da marca, pintada à mão, Aleluia Aveiro, esta peça apresenta impresso o número 56 sobre a letra A, pintada a preto, código alfanumérico que corresponde ao formato e ao motivo.

 

Conhecem-se ainda diversas jarras deste formato, com cerca de 6 cm. de altura, ostentando o número 185 e apresentando quer vidrados distintos quer diferentes técnicas decorativas.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Outubro 13 2013

 

A propósito do recente artigo de MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2013/10/jarra-modelo-n-148-aleluia-aveiro.html#links) sobre as variantes de formato e cor de algumas peças da fábrica Aleluia, de Aveiro, apresentam-se hoje duas jarras em faiança dessa fábrica.

 

Acima surge um exemplar correspondente ao formato 15 com o motivo G, tal como se pode ver no catálogo habitualmente reproduzido por MUONT, o que também acontece no citado artigo, onde se apresenta a variante do formato 148 com este motivo.

 

Esta jarra, com cerca de 37,5 cm. de altura (sublinhe-se que o catálogo Aleluia indica uma altura de 36,5 cm.), foi exibida na exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005. A imagem, reproduzida no respectivo catálogo, é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Como tem vindo a ser referido, tais imagens originais foram registadas em película e posteriormente digitalizadas, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

 

De seguida apresenta-se uma outra variante de cor e formato, com cerca de 25,8 cm. de altura, que pode ser comparada com uma jarra anteriormente aqui apresentada: http://mfls.blogs.sapo.pt/68695.html.

 

O exemplar agora reproduzido corresponde ao modelo 18 O, correspondendo o anterior ao modelo 15 K. Assim sendo, como se pode depreender, estamos perante o formato 18 e a variante decorativa O nesta jarra e o formato 15 e a variante decorativa K na jarra anteriormente apresentada.

 

A interessante conclusão final é que as letras correspondentes às variantes não traduzem simplesmente uma variante de cor, como se poderia pensar comparando apenas estes dois últimos exemplares, mas podem traduzir também um motivo completamente distinto, como se depreende da comparação entre os formatos 15 aqui referidos.

 

No mencionado catálogo Aleluia são ilustradas três jarras formato 18 com outros motivos – B, G, K, completamente diferentes daquele que aqui se apresenta.

 

 

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Agosto 18 2013

 

Placa em fainça relevada, com cerca de 16,7 cm. de diâmetro, apresentando a efígie do compositor polaco Chopin (Fryderyk Franciszek Chopin [Choppen no assento de nascimento redigido em Latim], 1810-1849).

 

Embora não apresente qualquer marca visível, esta peça evidencia, na pasta e no vidrado semi-mate, características atribuíveis à fábrica Aleluia, de Aveiro (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/154322.html).

 

Muito provavelmente esta peça terá sido produzida cerca de 1960, por ocasião das comemorações dos 150 anos do nascimento de Chopin, época que corresponde a uma utilização mais frequente deste vidrado na fábrica.

 

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