Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Junho 28 2014

 

Jarra em faiança da fábrica Aleluia, em Aveiro, com cerca de  24,8 cm. de altura, apresentando decoração marinha com algas em relevo, pintadas à mão, complementadas com bandas horizontais, metalizadas, em tom de cobre.

 

Embora a cerâmica com motivos marinhos fosse uma das imagens de marca da produção bordaliana oitocentista (http://mfls.blogs.sapo.pt/144478.html), e da subsequente produção caldense do século XX (http://mfls.blogs.sapo.pt/182216.html), foi certamente a Aleluia uma daquelas fábricas nacionais que, fora dos painéis azulejares, melhor recuperaram e renovaram a utilização desses motivos na cerâmica decorativa do século passado.

 

 

© MAFLS


Agosto 25 2012

 

     

Máscara cerâmica de grandes dimensões, com cerca de 46,8 x 31,4 cm. na base de madeira, assinada com as iniciais "R. H. (L.?)" e datada "49".

 

Conforme já foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/olaria+sanches), estas iniciais surgem associadas à produção da Olaria Sanches, eventualmente entre a década de 1940 e o início da década de 1970.

 

De acordo com as afirmações de João Teodoro Ferreira Pinto Basto (1870-1953) na obra A Cerâmica Portuguesa (1935), a Olaria Sanches já se encontrava activa em 1934 na zona da Luz (Benfica), em Lisboa, embora o autor inclua a empresa na "Ceramica de construção".

 

Este último pormenor não é, contudo, significativo, pois as diversas fábricas da empresa Lusitânia surgem também incluídas nessa classificação, quando se sabe que produziram loiças decorativas e de mesa.

 

 

A gramática desta máscara, e da sua base de apresentação em madeira, aproxima-se daquela que Jorge Barradas (1894-1971) escolheu para alguma da sua cerâmica das décadas de 1940 e 1950, como se pode apreciar pela imagem reproduzida acima.

 

Esta imagem foi publicada na revista Panorama, número 38, de 1949, para ilustrar um artigo sobre a exposição que Barradas havia efectuado pouco antes no estúdio do Palácio Foz, sede do SNI, em Lisboa. O artista já em 1945 tinha exibido as suas cerâmicas naquele espaço, podendo ver-se reproduzidas na revista Panorama, número 27, de 1946, três das peças então apresentadas.

 

Embora em algumas das máscaras de Barradas surjam rostos frontais com preponderância de um rígido eixo vertical, a sua imagem de marca surge associada a um requebro na transição do colo para a face, como se pode ver na peça reproduzida, a qual, na década de 1990, pertencia à colecção do arquitecto Januário Godinho (1910-1990).

 

Na obra de Jorge Barradas, este aspecto que, para além de traduzir uma certa dinâmica corporal, confere maior elegância e graciosidade às suas representações, é quase sempre complementado com o olhar das figuras ligeiramente dirigido para um plano inferior.

 

 

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Agosto 19 2012

 

Prato em faiança da fábrica Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha, decorado com motivos marinhos em relevo – algas, amêijoas, um berbigão, um pequeno búzio, mexilhões e percebes.

 

Característico, como se sabe, da produção oitocentista e novecentista de diversas fábricas caldenses, este tipo de decoração é muitas vezes enriquecido com a adição de diversos peixes e crustáceos.

 

Escrevendo em Os Gatos (seis volumes publicados entre 1889 e 1894; citação efectuada a partir do volume 6, editado em 1992 pelo Círculo de Leitores) sobre a cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) e a visita que efectuou às Caldas da Rainha em 27 de Setembro de 1892, Fialho de Almeida (1857-1911) declarou:

 

"A cerâmica de Bordalo abrange artefactos de louça caseira ou decorativa, azulejos, telha de cores, etc., constituindo a produção usual da fábrica, e obras de escultura, que são na desabrochante curva da vida artística do meu amigo a terceira grande fase monumental do seu talento."

 

 

Com efeito, pratos como este, que foi certamente produzido depois do falecimento de Rafael e seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920), mas seguia modelos executados em vida dos artistas, traduzem a convergência da produção bordaliana face à tradição cerâmica Caldense, a qual vinha na linha dos modelos quinhentistas do ceramista francês Palissy (1510-c.1590). 

 

Fialho de Almeida prosseguiu o seu texto no sentido de destacar não estas peças mais vulgares mas sim as figuras monumentais da Paixão de Cristo, executadas por Rafael para as capelas da mata do Buçaco, e a talha manuelina que foi adquirida nesse ano pelo rei D. Carlos (1863-1908; rei, 1889-1908).

 

Mas a dimensão da genialidade criativa e inovadora de Rafael na cerâmica define-se ainda com a monumental jarra Beethoven, com as figuras de movimento, com as peças únicas dedicadas a homenagear diversas personalidades, com as figuras de escárnio e maldizer produzidas entre o episódio do Ultimato (1890) e a captura (1895) do régulo Gungunhana (c.1850-1906) e com as inúmeras outras peças de cerâmica decorativa que a fábrica executou.

 

Um conjunto de sete pratos da colecção Berardo, utilizando essencialmente variantes da decoração aqui apresentada, pode ser visto no catálogo da exposição O Universo de Rafael Bordalo Pinheiro: da Caricatura à Cerâmica, realizada no Museu do Douro em 2009.

 

 

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Novembro 09 2010

 

Azulejo estampado a verde e castanho sob o vidrado.

No tardoz apresenta a inscrição "SACAVEM" e o número "10", em relevo.

 

Esta curiosa decoração, que ora evoca fibras naturais ora veios minerais, recorda ainda em particular os espécimes portugueses de algas marinhas e fluviais recolhidos num álbum publicado no Porto em finais do século XIX – Á Beira Mar (1889), de Eduardo Sequeira (1861-1914).

 

Abaixo pode ver-se uma das páginas desse álbum com uma das algas fluviais recolhidas no rio Douro.

 

 

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