Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Janeiro 05 2017

 

Pequena jarra, com cerca de 13,8 cm. de altura, em pasta feldspática.

 

Embora não apresente qualquer marca ou assinatura, quer o motivo quer a técnica decorativa desta peça remetem para o trabalho do consagrado Amalric Walter (1870-1959), que se celebrizou como ceramista, mas também, e principalmente, como escultor e mestre vidreiro na arte da pâte-de-verre (http://www.amalric-walter.net/).

 

O carácter distintivo desta jarra reside na sua pasta. Como se pode verificar na imagem, esta apresentava várias impurezas que, após cozedura, surgiram à superfície. Como é também evidente, a superficie não apresenta o craquelé característico do envelhecimento de vidrado da pasta de faiança, pasta habitualmente associada à produção de Walter na década de 1920.

 

Assim, caso esta peça tenha sido criada por Walter, como é muito provável, poder-se-á especular que estaremos perante uma obra de final da década de 1890 ou princípios da década seguinte, quando o artista, após ter colaborado com a Manufacture de Sèvres, que abandonou para cumprir o serviço militar, manteve um atelier cerâmico independente nesta localidade.

 

Depois de estabelecer um outro atelier de cerâmica e vidro em Paris, Walter passou a colaborar com a célebre fábrica de vidro dos irmãos Daum entre 1903 e 1914.

 

Aliás, como já tivemos oportunidade de verificar aqui (http://mfls.blogs.sapo.pt/51916.html), os motivos em que as árvores e a vegetação se enquadram numa paisagem lacustre, ou fluvial, de inspiração simbolista, surgiram também com frequência na produção da fábrica Daum daquelas décadas.

 

 

© MAFLS


Dezembro 25 2016

 

Duas jarras em grés produzidas na fábrica francesa Denbac.

 

Em cima, pequeno exemplar com cerca de 12,2 cm. de altura, ostentando o número 32, que corresponde ao formato e à sua catalogação. 

 

Apresenta o característico vidrado microcristalino da empresa escorrendo em três tonalidades sobre uma forma com sinuosas linhas, de inspiração vegetal, ao gosto Art Nouveau.

 

 

Jarra, que poderia também ser usada como base de candeeiro embora não apresente qualquer perfuração para esse fim, com cerca de 28,8 cm. de altura.

 

Ostenta o número 50 e o vidrado microcristalino, predominantemente em tons de verde e azul, que habitualmente se associa aos clássicos escorridos da Denbac.

 

Consulte-se informação sobre a empresa, e vejam-se mais alguns exemplares da produção Denbac, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/denbac.

 

 

© MAFLS


Dezembro 24 2016

 

Retomar-se-á este ano, dentro de dois minutos, a tradicional secção natalícia The Twelve Days of Christmas, dedicada à cerâmica estrangeira, ilustrando-se este artigo introdutório com duas peças de distintas fábricas, ou oficinas, que não se encontram identificadas.

 

Em cima, uma jarra em grés com cerca de 17,2 cm. de altura, em baixo, uma taça em faiança com cerca de 7,3 cm. de altura e 23,2 cm. de diâmetro máximo.

 

A jarra, hipoteticamente associada à produção da região francesa de Saint-Uze (http://www.territoire-ceramique.com/exposition-permanente.html), apresenta um princípio de desconstrução da forma encontrado numa peça algo similar (http://www.veniceclayartists.com/pottery-arts-masters/2/) do consagrado ceramista francês Adrien Dalpayrat (1844-1910), aliás na linha de uma abordagem que também havia sido ensaiada, embora de forma mais radical, pelo americano George Ohr (1857-1918).

 

No entanto, as tonalidades aqui patentes não apresentam nem os característicos azuis e verdes, ou o favorito sangue-de-boi, de Dalpayrat nem as cores habitualmente encontradas na generalidade da produção de Saint-Uze (https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/Saintuze.pdf).

 

A decoração da interessante taça reproduzida abaixo apresenta motivo com uma figuração neo-clássica recuperada e reinterpretada em alguma cerâmica do período Art Déco.

 

 

© MAFLS


Novembro 28 2015

 

Conjunto individual de chávena e prato para torradas em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Correspondendo a uma tendência que se desenvolveu na Europa e nas Américas a partir de finais do século XIX, e se manteve durante a primeira metade do século seguinte, estes conjuntos eram predominantemente destinados a um serviço individual de pequeno-almoço ou lanche.

 

Em Portugal, conjuntos similares, mas com diferentes formatos, foram também produzidos em porcelana quer pela Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, quer pela Vista Alegre.

 

Este conjunto apresenta, no seu prato de torradas, quer no rebordo, quer no relevo interior, sinuosidades características dos curvilíneos formatos Art Nouveau.

 

 

No entanto, uma observação atenta da chávena permite verificar que este exemplar comercializado pela EC replica o famoso formato Jugendstil (em alemão, equivalente ao galicismo Art Nouveau) denominado Donatello, que originalmente havia sido lançado pela fábrica alemã Rosenthal.

 

Acima reproduz-se uma chávena de café dessa fábrica, onde se pode encontrar uma decoração modernista que, ilustrando embora o tradicional prestígio do azul cobalto associado à porcelana, antecipa o minimalismo repetitivo de décadas mais recentes.

 

Ao contrário do que se verifica na conservadora versão floral aplicada no conjunto do Candal, a simplicidade deste motivo traduz bem um renovado espírito geométrico favorecido por algumas escolas pioneiras, como a escocesa Glasgow School of Art, fundada em 1845 mas com o seu apogeu oitocentista a ocorrer na última década desse século, em paralelo com a ascensão do consagrado Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), a austríaca Wiener Secession, fundada em 1897, ou a alemã Bauhaus, fundada já em 1919.

 

 

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Maio 20 2015

 

Durante o próximo fim-de-semana celebra-se, uma vez mais, a centenária tradição oleira de São Pedro do Corval, no alentejano concelho de Reguengos de Monsaraz (http://www.cm-reguengos-monsaraz.pt/pt/Paginas/home.aspx), através da XXI edição da FIOBAR, que terá lugar entre os  dias 22 e 24 de Maio.

 

Por ocasião desta XXI Festa Ibérica realizar-se-ão, também, as Jornadas Ibéricas da Olaria e do Barro, pelo que não deixará de ser oportuno reproduzir aqui duas peças representativas da produção oleira de Portugal e Espanha e acrescentar uma pequena nota etimológica sobre o léxico que lhe está associado.

 

Poder-se-á ter uma ideia da produção específica das inúmeras olarias existentes na freguesia de Corval visitando o site da Junta de Freguesia (http://www.freguesias.pt/portal/destaque.php?cod=071102&id=549), onde se encontra uma lista de vinte e duas ligações.

 

Note-se, no entanto, que apenas estão activas as ligações para a Olaria XarazArte (http://www.xarazarte.pt/), a Olaria Beijinho (http://www.evora.net/olariabeijinho/), a Olaria Carrilho Lopes (http://www.olaria-carrilho.com/), e a Olaria Polido & Filho (http://www.olariapolido.com/).

 

 

Apresenta-se acima um exemplar da característica arte oleira de Nisa, onde a decoração se realiza com pequenos fragmentos de quartzo branco embutidos na pasta vermelha, aqui na versão de empedrado denominada como de apenas uma ida, ou linha.

 

Diversos exemplares desta olaria, cuja decoração evoca algumas técnicas de bordado, podem ser encontrados em Nisa no acervo de um projecto museológico muito adequada e perspicazmente designado como Museu do Bordado e do Barro (http://museubordadoebarro.cm-nisa.pt/pt/clay/).

 

Por outro lado, apresenta-se abaixo um exemplar ostentando diferentes técnicas, produzido na Alfarería Góngora (http://www.alfareriagongora.com/home.html), fundada em 1846 e localizada em Úbeda, Espanha.

 

Embora hoje em dia a olaria comercialize revestimentos com diversas outras cores, este exemplar ilustra o seu tradicional verde ferruginoso mosqueado e o característico esgrafitado, que aqui surge com um motivo invulgarmente evocativo da gramática Art Nouveau.

 

Para concluir, e a propósito de algumas questões etimológicas, medite-se na provável origem comum, a partir da língua árabe, do vocábulo espanhol alfareros (oleiros), do topónimo português Alfarelos, e do vocábulo italiano albarello (pote de farmácia, canudo, jarra cilíndrica), pese embora a discórdia que ainda prevalece sobre a etimologia deste último (http://it.wikipedia.org/wiki/Albarello).

 

 

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Abril 08 2015

 

Pessoalmente, sinto grande enlevo pelas artes gráficas, em geral, e pela concepção e design de capas, em particular, tal como seria expectável de alguém que criou um blog intitulado Capas & Companhia (http://capasecompanhia.blogs.sapo.pt/) e reproduziu extensivamente capas e documentos gráficos em outros dois, como são o Blog da Rua Nove (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/) e o Rua Onze.Blog (http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/).

 

Ainda hoje me empolga o impressionante grafismo que muitas publicações portuguesas das décadas de 1920, 1930 e 1940 apresentam, como se comprova pelas capas reproduzidas abaixo, tal como me entusiasmam as diferentes variantes tipográficas da letra D criadas por Hugo D'Alte, Dino dos Santos e Joana Correia para a capa dos três primeiros volumes desta série sobre o design português.

 

Mas sabem quantas imagens apresenta o volume II desta série? Cento e dezoito. E sabem quantas destas não reproduzem aquilo que já originalmente era um documento gráfico? Apenas vinte e quatro. É verdade. O interessantíssimo texto de Rui Afonso Santos (n. 1963), sobre as mais diversas áreas de produção do período que decorreu entre 1920 e 1939, é completamente engolfado por noventa e quatro imagens reproduzindo apenas documentos gráficos. 

 

Se alguém interessado neste período não se desse ao trabalho de ler o texto daquele autor, o que seria uma desacertada e infeliz decisão considerando toda a eclética, abrangente e pertinente informação que ali nos é transmitida, e apenas atentasse nas imagens, ficaria com a errónea ideia de que estaria apenas perante um volume essencialmente consagrado às artes gráficas desta época.

 

   Capa, de autor não identificado, para a obra Leomil (1921), de António de Sèves (1895-1970).

 

Esta peculiar predominância de iconografia relacionada com tais documentos dever-se-á indubitavelmente a uma forte razão de estratégia editorial, que no entanto não transparece, e provavelmente será contrabalançada nos dois últimos volumes da série, os quais serão consagrados exclusivamente a uma cronologia ilustrada e comparativa.

 

Contudo, não deixa de ser surpreendente folhear estes três primeiros volumes da série e não descobrir uma única imagem de qualquer peça de ourivesaria ou joalharia portuguesa. Nem uma. E isto, num país com a tradição que Portugal tem nesta área, parece traduzir a inexistência, ou menoridade, de qualquer peça com design meritório nestas décadas. O que obviamente é absurdo.

 

Tal opção editorial é tanto mais estranha quanto se sabe que Rui Afonso Santos conhece e está particularmente sensibilizado para toda a produção desta área, conforme se pode constatar no número 22 da revista Umbigo (http://umbigomagazine.com/um/), à qual concedeu uma entrevista onde declarou – "Se olharmos para a história do design em Portugal, é óbvio que a joalharia é uma parte indispensável."

 

   Capa de António Soares (1894-1978).

 

Do mesmo modo, a julgar pela inexistência de qualquer iconografia correlativa nestes três volumes, parece não ter existido nas décadas de 1900 a 1959 qualquer produção ou quaisquer padrões dignos de nota na área dos tecidos, o que também é uma hipótese completamente absurda considerando a tradição têxtil portuguesa.

 

E neste contexto basta recordar, mesmo que a intenção pudesse ser contrastante, uma fotografia de 1915 em que a consagrada Sonia Delaunay (1885-1979) apresenta as suas composições, tapeçarias e propostas criativas tendo como pano de fundo algumas chitas portuguesas, e algumas das suas posteriores declarações:

 

" (...) Chassés par la chaleur torride d'août, Robert Delaunay et moi, conseillés par des amis peintres de Lisbonne, sommes arrivés à Vila do Conde, au nord du Portugal.

 

La lumière n'était pas violente, mais exaltait toutes les couleurs – les maisons multicolores ou d'un blanc éclatant, d'une ligne sobre, des paysans dans des costumes populaires, des tissus, des céramiques aux lignes à la beauté antique d'une pureté étonnante, parmi la foule des boeufs hiératiques à grandes cornes – on a eu l'impression de se trouver dans un pays de rêve."

 

   Tecido estampado aplicado numa encadernação da obra Leviana (1921), de António Ferro (1895-1956).

 

Como se sabe, o design não só pode condicionar a vivência quotidiana como traduzir mentalidades e hábitos culturais. Há simples "objectos do dia-a-dia (cadeiras, livros, cartazes, candeeiros ou jornais)" através dos quais, como afirma José Bártolo, "podemos compreender melhor a história sociocultural do Portugal contemporâneo".

 

Na ourivesaria, l'air du temps das primeiras décadas do século XX pode-se traduzir através de singelos e comezinhos objectos, hoje quase caídos em desuso, como sinetes, monogramas ou argolas de guardanapo. 

 

Os monogramas metálicos recortados, que poderiam personalizar bolsas ou outros objectos, raramente estão marcados devido à sua reduzida dimensão, mas reproduzem-se abaixo cinco exemplares em prata que, com excepção daquele que surge no canto inferior direito, ilustram claramente influências Art Nouveau e Art Déco. Dois desses exemplares, o do centro e o do canto inferior esquerdo, apresentam punção portuguesa anterior a 1938.

 

Este último, com as iniciais M. A., pertenceu ao chefe bombeiro Mário Batista de Almeida (datas desconhecidas), que integrou o Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa (activo em 1936), o Corpo de Bombeiros de Vila Viçosa (activo em 1946), os Bombeiros Voluntários de Algés (activo em 1950) e os Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique (activo em 1972), em Lisboa.

 

 

A produção de peças maiores de ourivesaria portuguesa durante as décadas de 1900 a 1920 foi desenvolvida regularmente por inúmeras empresas de Lisboa, Porto e Gondomar. Certo é que muita dessa produção traduzia ainda a tradição formal e decorativa de séculos anteriores, ou, na melhor das hipóteses, a predominância de um gosto derivado da influência neo-manuelina.

 

Mas durante a década de 1920 encontramos já diversas casas a produzir peças com tardio gosto Art Nouveau em simultâneo com o inovador gosto Art Déco ou um revivalista gosto pela arte egípcia.

 

Em Lisboa notabilizaram-se as casas Ferreira Marques, Filhos, que produziu caixas para pó, espelhos modernos, pulseiras, salvas polidas e serviços para cacau ao gosto Art Déco, Joaquim Lory & C.ª, que comercializou alfinetes de peito com influência egípcia e alfinetes de peito, barretes e pulseiras ao gosto Art Déco, Leitão & Irmão, que desenvolveu a notável Salva das Azeitonas, de tardia influência Art Nouveau, Mariano Costa, que comercializou ainda uma outra Salva das Azeitonas, de influência Art Nouveau, Olinda de Oliveira & C.ª, Limitada, que desenhou alfinetes de peito e pulseiras ao gosto Art Déco, e Pedro Fraga, que comercializou alfinetes de peito também de influência egípcia.

 

No Porto, onde a influência do gosto neo-manuelino se arrastou, tal como em Lisboa, durante largo período, notabilizaram-se naquela década, particularmente, as casas Miranda & Filhos, com um espelho para toilette de influência Art Déco, e Reis, Filhos, Limitada, com uma esplêndida e monumental caravela de prata e marfim apresentando figuras femininas de influência Art Nouveau, a qual foi encomendada pela [sic] colónia Portuguesa do Rio de Janeiro para ser oferecida ao Hospital da Beneficência Portuguesa da mesma cidade. 

 

 

No plano individual, durante a década de 1920, destacaram-se ainda as obras de dois consagrados artistas.

 

Por um lado, a do renomado escultor João da Silva (1880-1960; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/85920.html), que, entre muitas outras peças, produziu um tinteiro com figura feminina intitulado O Estudo, uma faca  de cortar papel e um alfinete de peito intitulado Anfitrite e Tritão, todos eles magníficos exemplares tardios de ourivesaria escultórica ao gosto Art Nouveau.

 

Por outro, a do aclamado ourives e cinzelador António Maria Ribeiro (1889-1962), com a escultura intitulada A Vaga, uma alegoria, também de influência Art Nouveau, ao vôo entre Portugal e o Brasil protagonizado em 1922 por Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924), o Vaso Monumental, oferecido pela Guarnição Militar do Porto à Guarnição Militar de Madrid, taça que combina uma cena de bacanal, de influência neoclássica, com um formato de inspiração Art Nouveau, e a mais conservadora mas monumental escultura intitulada Altar da Pátria, obra produzida na já citada casa portuense Reis, Filhos, Limitada, que também se encontra no Brasil (cf. http://www.realgabinete.com.br/portalweb/Biblioteca/AcervoArt%C3%ADstico.aspx).

 

Para encerrar este artigo, retornamos a peças mais comezinhas, apresentando-se acima algumas argolas para guardanapo, em prata, todas com punção portuguesa anterior a 1938, e abaixo um pendente em platina, com brilhantes e esmeraldas, ostentando também punção portuguesa anterior a 1938.

 

 

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Dezembro 31 2014

 

Estabelecida em 1899, a empresa americana que produziu esta jarra recebeu o nome dos seus dois fundadores, John Peters (datas desconhecidas) e Adam Reed (datas desconhecidas).

 

A primeira produção em série da fábrica Peters & Reed deu-se com a linha Moss Aztec, uma loiça vidrada no interior mas não no exterior, com um acabamento exterior verde mate que acentuava a decoração moldada e justificava a designação moss (musgo).

 

Seguiram-se-lhe várias outras linhas, já com acabamento vidrado, mate ou brilhante, de entre as quais se devem destacar aquelas que correspondem às decorações Landsun e Chromal.

 

Esta última, produzida nas décadas de 1900 e 1910 e ilustrada pelo exemplo apresentado acima, uma jarra com cerca de 24,6 cm. de altura, sem marca perceptível, é eventualmente a mais interessante da fábrica.

 

Dado que o processo de decoração em relevo não era mecânico, cada uma destas peças acaba por apresentar um aspecto único, claramente evocativo, nos seus melhores exemplos, de alguma pintura impressionista.

 

A fábrica recebeu nova designação em 1921, passando a chamar-se The Zane Pottery Company, que incorporava a abreviatura de Zanesville, localidade do Ohio onde a fábrica se situava. Ao contrário do que acontecia anteriormente, as peças deste período passaram então a ser identificadas através de uma marca impressa na pasta.

 

Em 1941 a Zane Pottery acabou por ser adquirida pela Gonder Pottery, a qual por sua vez encerrou em 1957.

 

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publicado por blogdaruanove às 00:01

Dezembro 29 2014

 

Jarra em faiança, com cerca de 27,2 cm. de altura, produzida em Lunévillle pela fábrica Keller et Guérin.

 

Distante da superior qualidade das peças concebidas pelo célebre escultor e ceramista Ernest Bussière (1863-1913), que nos proporcionou algumas das melhores criações cerâmicas da Escola de Nancy (http://www.ecole-de-nancy.com/web/index.php?page=ernest-bussiere-2), esta jarra apresenta decoração floral, de inspiração Art Nouveau, aplicada a aerógrafo sobre stencil (chapa recortada), técnica que a K&G ainda continuou a utilizar nos motivos Art Déco (http://mfls.blogs.sapo.pt/233410.html).

 

Ecoando, no entanto, algum do sentido escultórico que Bussière veio adicionar aos tradicionais formatos cerâmicos da fábrica, encontramos neste exemplar uma modelação em relevo que acentua os seus motivos vegetalistas.

 

Complementarmente, o vidrado recebeu ainda, apenas nas partes relevadas, um acabamento nacarado e, no remate da base e do topo, uma filetagem dourada, detalhes que pretendiam colocar esta peça numa gama cerâmica acima da média.

 

Como é evidente, tais características não aproximam sequer este tipo de produção das exclusivas peças de Bussière, que ilustram a cerâmica francesa Art Nouveau ao seu mais alto nível.

 

Veja-se uma outra jarra da K&G, e leia-se algo mais sobre a empresa, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/277249.html.

 

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Dezembro 28 2014

Prato em faiança esgrafitada, com cerca de 28 cm. de diâmetro, produzido na fábrica sueca Gustafsberg.

 

Este exemplar, datado de 1911, foi concebido pelo consagrado director artístico Josef Ekberg (1877-1945), que favoreceu a técnica de sgraffito e estes tons azulados na maioria das suas peças das décadas de 1900 e 1910.

 

Vejam-se outras referências à Gustavsberg, e mais algumas peças, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/gustavsberg.

 

 

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Dezembro 26 2014

 

Originalmente estabelecida em 1814, com a designação de Hill Pottery, no estado de New Jersey, Estados Unidos, a fábrica apenas adoptou a designação Fulper depois do falecimento do seu fundador, Samuel Hill (?-1858), e da sua subsequente venda.

 

Adquirida por um dos trabalhadores, Abraham Fulper (1815-1881), a empresa passou a adoptar a designação Fulper já na década de 1860. Embora mantivesse a designação, a partir de 1935 a fábrica passou a produzir material e design Stangl, o apelido de um funcionário (Johann Martin Stangl, 1888-1972) admitido em 1910 que entretanto se tornara vice-presidente a partir de 1924 e seu proprietário a partir de 1929. A fábrica Stangl acabou por cessar a sua produção em 1978, quando foi adquirida pela empresa Pfaltzgraf.

 

A produção artística da fábrica Fulper começou na viragem para o século XX, tendo registado grande sucesso até à década de 1930. Recentemente, vários coleccionadores e comerciantes têm vindo a resgatar a memória do design e da qualidade dos vidrados, sublinhando particularmente a mestria da sua componente cristalina.

 

A jarra ilustrada, com cerca de 16,6 x 29,2 cm., exemplifica as variantes de vidrado microcristalino, mate e brilhante, que se podem encontrar numa só peça e o sentido escultórico da produção Fulper, que vagueou entre os estilos Arts & Crafts, Art Nouveau e Art Déco.

 

Este formato foi também comercializado pela fábrica inglesa Denby (http://mfls.blogs.sapo.pt/twelve-days-in-twelve-hours-iv-295024) numa versão com cerca de menos dois centímetros de altura e três de largura, o que poderá indiciar que esta fábrica adoptou o modelo da Fulper.

 

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