Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 19 2017

 

Pequena moldura, para fotografia ou relógio, com cerca de 7,8 x 5,5 x 2,5 cm. e 2,9 cm. de diâmetro na abertura, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

A decoração floral da parte superior, aplicada sobre uma superfície em relevo, traduz uma certa gramática Art Déco que, na cerâmica portuguesa, se prolongou pela década de 1940 e chegou, inclusive, à década seguinte. 

 

A atenção ao pormenor, a delicadeza e a elegância de certa decoração desta fábrica estão bem patentes no detalhe do motivo floral complementar, já sem qualquer influência Art Déco mas também pintado à mão, como toda a outra decoração, aplicado no reverso da moldura.

 

 

Como acontece em peças de muitas outras fábricas, portuguesas e estrangeiras, a sigla junto da marca corresponderá ao/à pintor/a que executou a decoração.

 

Curiosamente, esta sigla de pintor/a, semelhante a um Phi, surge também em algumas peças de uma outra fábrica de Aveiro, a Aleluia – http://mfls.blogs.sapo.pt/arte-em-cacos-350019 .

 

 

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Maio 07 2016

 

Pequena caixa, com cerca de 6,4 cm. de altura e 7,5 cm. de diâmetro máximo, produzida em porcelana pela fábrica Artibus, de Aveiro.

 

Mais um exemplo da alta capacidade técnica e decorativa desta fábrica aveirense, numa peça onde se associa o corpo em biscuit com uma secção esmaltada a azul turquesa, para fazer ressaltar do conjunto a elegância de uma contida e harmoniosa decoração a ouro.

 

Embora não tenha sido exposta, esta peça teve a sua imagem reproduzida no catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005.

 

 

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Junho 28 2015

 

Pequena taça em porcelana, com cerca de 14,6 cm. de diâmetro maior e cerca de 6,1 cm. de altura, produzida na fábrica Artibus, de Aveiro.

 

Notem-se a tendência japonizante na decoração floral e os toques distintivos da sua cuidada produção na faixa dourada interior e nos retoques a esmalte branco em relevo.

 

Esta última característica pode ser encontrada, no princípio do século XX, em diversas peças da FLS estampadas em cromolitografia, momedamente em pratos decorativos, apresentando algumas deles, também, motivos japonizantes (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/gueixa).

 

 

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Abril 19 2014

 

Estatueta em biscuit da fábrica Artibus.

 

Note-se como a madeixa e o posicionamento dos braços parecem ser uma imagem de marca da maioria dos putti produzidos por esta fábrica aveirense (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/144303.html).

 

Estas representações de meninos, cuja tradição remonta sincreticamente às figuras clássicas de Cupido ou Amor, e tiveram particular consagração nas faces de anjinhos pintadas por Rafael (Rafaello Sanzio, 1483-1520), foram favorecidas na modelação estatuária da Artibus, chegando inclusive a surgir em castiçais luxuosamente decorados a esmalte e ouro.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 21:01

Março 22 2014

     

 

Pequenos castiçais, com cerca de 6 cm. de altura cada um, em porcelana pintada à mão.

 

Curiosamente, encontramo-nos perante peças similares produzidas em diferentes fábricas e países. O exemplar da esquerda foi produzido na fábrica Artibus, de Aveiro, enquanto o da direita foi produzido na fábrica alemã Goebel (http://www.porzellanstrasse.de/Roedental.161+M52087573ab0.0.html), que se celebrizou pela produção das pequenas figuras Hümmel (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/h%C3%BCmmel).

 

A marca Goebel patente neste castiçal corresponde ao período 1950-1955.

 

Esta peça permite-nos documentar outras áreas de influência internacional que marcaram a produção da Artibus. Como já vimos anteriormente, a Artibus seguira também o design de fábricas italianas, como a Società Ceramica Italiana di Laveno (http://mfls.blogs.sapo.pt/144303.html).

 

     

 

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Dezembro 22 2013

 

Medalhão oval relevado e recortado, com cerca de 9,3 x 7,8 x 1,3 cm, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

As fissuras na tonalidade azul devem-se ao facto de estar ter sido uma camada cromática aplicada sobre o vidrado.

 

Concebida na tradição das medalhas que se colocavam nos berços para proteger bébés sob a custódia do anjo da guarda (http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/85920.html), esta peça não deixa de recordar uma edição da VA alusiva ao Natal que já aqui foi apresentada (http://mfls.blogs.sapo.pt/142873.html).

 

 

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Setembro 01 2013

 

Chávena de café e pires, em porcelana da fábrica Artibus, de Aveiro, ostentando o brasão de armas do navegador Gaspar Corte Real (c. 1450-1501?). O pires apresenta ainda a marca, impressa a azul sobre o vidrado, "Hand Painted" (pintado à mão).

 

Este conjunto terá sido produzido, muito provavelmente, num período próximo das comemorações henriquinas, que decorreram em 1960.

 

A diferença entre as cores do brasão desta chávena e as da medalha que se apresenta abaixo deve-se ao facto de a chávena representar em prata, entretanto escurecida, as cores que na medalha surgem a esmalte branco.

 

A representação em prata é a que segue fidedignamente os preceitos heráldicos para as armas deste navegador.

 

 

Medalha em bronze dourado e esmalte, com o módulo de 50 mm., apresentando o brasão de Gaspar Corte Real. Integra um conjunto de 12 medalhas, evocativas de outros tantos navegadores portugueses, cunhadas e comercializadas na década de 1980.

 

A modelação foi executada por J. P. Abreu Lima (1922-2009) e a cunhagem efectuada pela empresa Gravarte, de Lisboa. Este exemplar corresponde ao número 287 de uma tiragem prevista de 1.000 conjuntos de medalhas, conforme indica a sua numeração à francesa.

 

No entanto, de acordo com o gravador Vasco Costa (n. 1930), fundador da empresa Gravarte/Indugrave (http://gravarte-gravadores.pai.pt/), a tiragem acabou por se limitar a um número próximo dos 300 conjuntos.

 

 

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Junho 10 2012

 

Caixa oval em jasper ware, com cerca de 4,4 x 10,2 x 8,4 cm., da fábrica Artibus, de Aveiro.

 

As particularidades que distinguem esta variante jasper ware da Artibus relativamente ao original desenvolvido pela fábrica inglesa Wedgwood encontram-se nas características da pasta e da decoração em relevo.

 

No caso da Artibus, como no de muitas outras fábricas europeias e americanas que procuraram seguir o modelo inglês, a decoração branca encontra-se modelada directamente na pasta, constituindo um todo com a peça.

 

Na Wedgwood, a decoração branca é inicialmente produzida em separado, sendo depois aplicada sobre o fundo colorido da pasta, o que obviamente lhe confere maior relevo. Ainda na Wedgwood, para cada peça existem dois tipos de pasta – a branca e a colorida (azul, preta, rosa, verde...) que lhe serve de fundo.

 

Neste tipo de peças da Artibus a pasta é totalmente branca no primeiro estádio de produção, recebendo depois uma fina camada colorida que permite destacar, a branco, o motivo central e os seus complementos decorativos.

 

Como se verifica por este exemplar, tal camada colorida é porosa e apresenta tendência para desenvolver manchas, decorrentes do seu manuseamento, resistentes à limpeza com produtos suaves.

 

Note-se ainda que se conhece uma variante desta caixa, com esta mesma técnica, apresentando fundo rosa.

 

 

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Janeiro 22 2012

 

Grupo escultural em porcelana dourada e pintada à mão, da fábrica Artibus, Aveiro, com cerca de 17,7 cm. de altura.

 

Conforme aqui foi referido anteriormente (http://mfls.blogs.sapo.pt/12467.html), a Artibus produziu cerâmicas de alta qualidade, quer quanto à pintura quer quanto à modelação, sendo esta peça paradigmática dessa sua excelente execução.

 

Como se pode verificar abaixo, o logótipo da empresa pretende sugerir o da VA, através da haste levantada no início do A e da consequente sugestão de um pequeno v a anteceder essa letra, certamente não apenas porque alguns dos seus técnicos eram daí oriundos mas também pelo prestígio associado a essa marca.

 

De acordo com o Diário do Governo, a Artibus foi estabelecida por escritura pública de 11 de Abril de 1947, embora o início da sociedade ficasse registado nesse mesmo documento como tendo ocorrido a 1 de Janeiro desse ano.

 

O seu capital social inicial era de 400.000$00, distribuído pelas seguintes quotas: Hernâni Henriques Salgueiro com 150.000$00; José Maria Vilarinho com 150.000$00; e Carlos Alberto Pinto da Mota com 100.000$00.

 

Este último sócio, Carlos Alberto Pinto da Mota, assumiu o cargo de gerente técnico da fábrica.

 

 

     

Frasco de chá, a que falta a tampa, dourado e pintado à mão. 

Esta figura feminina, evocativa dos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), surgia já numa pequena jarra, datável de 1928-1930, decorada por Guido Andlovitz (1900-1971) para a empresa Società Ceramica Italiana di Laveno, como se pode verificar na página 37 do livro Artes Decorativas do Século XX: Art Déco (1990), de Carla Cerutti (n. 1955).

   

             

A 31 de Outubro de 1949 uma nova escritura veio alterar significativamente quer o pacto social quer o capital da sociedade, que foi aumentado para 4.400.000$00 e ficou assim distribuído:

 

José Maria Vilarinho, 2.000.000$00; Adélia Teixeira Vilarinho, 100.000$00; Fernando Arcanjo de Sá Marta, 600.000$00; Carlos Alegre Marta, 400.000$000; Eduardo Arcanjo de Sá Marta, 300.000$00; António de Ataíde Marta, 100.000$00; Manuel Alegre Marta, 200.000$00; Augusto Alegre Marta, 100.000$00; Lucílio Garcia, 100.000$00; António Luís Marta, 200.000$00; Maria Alice de Ataíde Marta Proença, 100.000$00; Mário Ferreira da Costa, 100.000$00; Armando Costa, 25.000$00; José Ferreira Correia, 25.000$00; João Fernandes Torrão, 25.000$00; e António Valente da Silva, 25.000$00.

 

Como se verifica por estes dados, José Maria Vilarinho foi o único elemento que transitou da sociedade anterior, ficando a Artibus, a partir de 1949, a ser controlada pelas famílias Vilarinho e Marta.

 

A saída de Carlos Alberto Pinto da Mota foi suprida com a entrada dos novos sócios António Valente da Silva, Armando Costa, João Fernandes Torrão e José Ferreira Correia, que vieram assegurar competências técnicas nos diversos sectores da fábrica.

 

Dos trabalhadores da fábrica registe-se ainda o nome de José Augusto Ferreira dos Santos (n. 1930), que aí trabalhou como oleiro, entre 1948 e 1959, antes de se transferir para a fábrica Aleluia onde permaneceu até 1969, tendo exercido nesta última a actividade de pintor de painéis e de modelador (cf. http://www.prof2000.pt/users/secjeste/ZeAugusto/Antospg31.htm e http://www.cm-aveiro.pt/www/cache/imagens/XPQ5FaAXX29248aGdb9zMjjeZKU.pdf).

  

A Artibus ainda existia em 1988, pois nas actas da C. M. de Aveiro de 8 de Agosto desse ano (http://www.cm-aveiro.pt/www/cache/imagens/XPQ5FaAXX20848aGdb9zMjjeZKU.pdf) refere-se que seriam imputados à empresa 50% dos custos globais (estimados em 42.266.600$00) das infraestruturas da área sul do Canal do Cojo, onde se situavam os terrenos da fábrica.

 

O grupo escultural aqui reproduzido ilustrou um dos artigos do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada em 2005 nos EUA.

 

 

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Outubro 13 2009

 

A produção de Jasper Ware em Portugal cingiu-se, tanto quanto se sabe, a quatro fábricas – Artibus, em Aveiro, Fábrica de Loiça de Sacavém, Sociedade de Porcelanas, em Coimbra, e Vista Alegre, em Ílhavo.

 

De todas as outras fábricas conhecidas, existiria mais uma com capacidade técnica e artística para produzir também peças nessa pasta cerâmica – a Electrocerâmica do Candal, fundada em finais da década de 1910, em Vila Nova de Gaia. Esta veio a ser adquirida em meados do século XX pela Vista Alegre, tal como a Sociedade de Porcelanas (SP), pelo que não seria de todo impossível que, tal como a SP, tivesse produzido peças nesta pasta.

 

A Artibus desenvolveu diversas peças de altíssima qualidade, quer na modelagem, quer na pintura, quer ainda na combinação de processos de tratamento da porcelana, incluindo o biscuit

 

 

Para complementar a peça da FLS apresentada anteriormente (cf. http://mfls.blogs.sapo.pt/1638.html) e ilustrar algumas das variantes conhecidas em Jasper Ware das restantes fábricas portuguesas, reproduzem-se duas peças da Vista Alegre, acima, e uma da Sociedade de Porcelanas.

 

A primeira peça da VA, em azul, apresenta a marca relativa aos anos de 1968-1971 e a segunda, uma caixa com remate metálico, de origem, nos rebordos de encaixe, a marca relativa a 1947-1968.

 

A peça da SP, como se pode observar, foi produzida em 1967 e apresenta a particularidade de combinar pasta azul, vidrada na superfície, com biscuit para a figura de Nossa Senhora.

 

Refira-se, ainda, que a combinação de biscuit com pasta de porcelana branca pintada a esmalte de outra cor ocorreu em diversas peças da Artibus, com notáveis resultados.

 

 

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