Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Novembro 15 2015

 

Par de azulejos produzidos pela fábrica Viúva Lamego, em Lisboa, unidade que agora pertence ao grupo Aleluia.

 

Embora este motivo recrie um açafate com flores ao gosto seiscentista e setecentista, a representação floral denuncia uma gramática mais característica do segundo e terceiro quartéis do século XX.

 

Atendendo às iniciais que surgem no canto superior esquerdo do tardoz dos dois azulejos, é possível que este conjunto tenha sido pintado por Artur José (1932-2010), podendo ver-se um prato decorado por este artista aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/189321.html .

 

 

© MAFLS


Outubro 20 2012

 

 

Prato em faiança, pintado à mão sob o vidrado, em 1958, por Artur José (1932-2010).

 

O mestre ceramista Artur José participou em diversas edições do Salão dos Novíssimos, evento promovido a partir de 1959 pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo), que exibia pintura, desenho, gravura, escultura e cerâmica.

 

Nesses certames, a produção então exibida centra-se particulamente nas composições azulejares cujos motivos se aproximam mais da vertente abstraccionista do que da reinterpretação figurativista, de vaga influência barroca e neo-barroca, patente neste exemplar.

 

 

Com efeito, em 1962 exibiu três painéis de azulejo – Fantasia, Fuga e Verão, tendo recebido o prémio Sebastião de Almeida (destinado à cerâmica) pelo segundo, reproduzido acima, um painel com 51 x 72 cm. que se encontrava à venda por 1.200$00. A peça cerâmica mais cara custava 12.000$00 e era da autoria do escultor Abel Baptista dos Santos (1924-2012), que em 1954 havia sido também galardoado pelo SNI.

 

Curiosamente, a peça mais cara desse IV Salão era um óleo de Artur Bual (1926-1999; veja-se uma placa cerâmica que lhe é atribuída aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/148413.html.), com 230 x 162 cm., ao preço de 25.000$00. Isto num salão onde também exibiram a concurso, entre outros, Charters de Almeida (n. 1935), prémio Mestre Manuel Pereira de escultura nesse ano, Maria Irene Vilar (1930-2008), Luís Pinto Coelho (1942-2001) e António Lino (1914-1996).

 

Capa do catálogo do IV Salão dos Independentes, provavelmente criada por Sebastião Rodrigues (1929-1997), autor, entre outras, das capas para os catálogos dos Salões de 1960, 1963 e 1964.

 

Em 1963, no V Salão, em que João [Lopes] Segurado (n. 1920) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com o painel azulejar Homenagem a Garcia Lorca, Artur José exibiu quatro novos painéis cerâmicos – Painel em relevo, Sinfonia-Painel, Ritmo e Fantasia.

 

Já em 1965, no VII Salão, em que Carlos Alberto Martins Alves (datas desconhecidas) recebeu o prémio Sebastião de Almeida com a peça Enquanto Fiz Castelos no Ar, Artur José exibiu apenas um prato e dois painéis cerâmicos.

 

 

© MAFLS


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