Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 25 2017

Como já foi aqui referido, durante o final do passado mês de Setembro, no Museu de Olaria, em Barcelos, procedeu-se ao lançamento da monografia de Adélio Macedo Correia (n. 1943) intitulada João Macedo Correia (1908-1987), O Legado de Um Ceramista

 

Livro imprescindível para compreender e conhecer a cerâmica de Barcelos durante os primeiros três quartéis do século XX, debruça-se, naturalmente e em particular, sobre a empresa fundada pelo avô do autor, Joaquim Macedo Correia (1871-1948) e sobre o período da administração exercida por seu pai, João Macedo Correia.

 

É uma obra importante, ainda, para perceber também a relação cerâmica existente entre Barcelos e a produção das Caldas da Rainha e de Viana do Castelo, através da revelação de documentos, e correspondência, que até agora permaneciam inéditos.

 

Contribui, também, para dar a conhecer as influências do Modernismo e do estilo Art Déco na produção barcelense, particularmente a partir da década de 1930, quando João Macedo Correia assumiu a administração da Cerâmica Macedo.

 

Neste período, João Macedo Correia  promoveu a criação, e comercialização, de diversas peças decorativas com formato e decoração Art Déco e algumas peças de loiça doméstica claramente decalcadas de modelos da Bauhaus, a exemplo do que aconteceu com a FLS e a VA.

 

© MAFLS


Outubro 07 2017

 

Conjunto em cerâmica vidrada, com cerca de 32,2 x 22,2 x 9,3 cm., representando cinco bananas assentes sobre folhagem. 

 

Não apresenta qualquer marca visível, mas conjuntos semelhantes a estes foram produzidos em diversas oficinas e fábricas portuguesas, particularmente nas regiões de Barcelos e Caldas da Rainha.

 

O livro de Adélio Macedo Correia (n. 1943), João Macedo Correia (1908-1987): O Legado de um Ceramista, recentemente publicado, apresenta um conjunto algo diferente deste, mas com vidrado, colorido, composição e dimensões semelhantes, atribuído à Fábrica de Cerâmica de Joaquim Macedo Correia, em Barcelos.

 

© MAFLS

 


Setembro 25 2017

 

 

Barcelos, o Museu de Olaria, e a Câmara Municipal de Barcelos irão homenagear na próxima quarta-feira, dia 27 de Setembro de 2017, a vida e a obra do notável ceramista João Macedo Correia (1908-1987).

 

Trinta anos depois do seu falecimento, esta homenagem somar-se-á a outras que entretanto lhe foram sendo prestadas ao longo das últimas décadas, inclusive na toponímia municipal, mas terá uma nota particularmente pessoal e emotiva.

 

Um dos seus filhos, Adélio Macedo Correia (n. 1943), terá oportunidade de ver publicada a vasta e minuciosa monografia que entretanto elaborou sobre seu avô e seu pai, sobre a Cerâmica Macedo e sobre a cerâmica barcelense em geral.

 

Esta obra, João Macedo Correia (1908-1907), o legado de um ceramista, será apresentada ao público, pelas 18h00, na Sala Multimédia do Museu de Olaria, em Barcelos.

 

De seguida será inaugurada a exposição "João Macedo Correia: o ceramista visionário", que estará patente, na Sala da Capela do Museu de Olaria, até 11 de Março de 2018.

 

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Julho 29 2017

 

Dois bustos em terracota representando o escritor Guerra Junqueiro (1850-1923).

 

O primeiro, patinado a esmalte e com cerca de 14,5 cm. de altura, foi produzido pela Moderna Industrial Decorativa, Limitada, fundada em Coimbra no ano de 1941, conforme se comprova pela marca reproduzida abaixo.

 

O segundo, com cerca de 13,6 cm. de altura, não apresenta qualquer marca, mas assemelha-se bastante a um busto que é possível ver numa fotografia, não datada mas provavelmente da década de 1930, da montra do estabelecimento da Cerâmica Macedo, de Barcelos, que existiu na Póvoa de Varzim entre 1935 e 1951.

 

 

É provável que, em Portugal, este hábito de celebrar em bustos industriais de terracota a memória de diversos escritores, e outras personalidades, tenha sido introduzido, e consolidado, pelo escultor José Joaquim Teixeira Lopes (1837-1918), através da produção da fábrica das Devezas, de que era co-proprietário.

 

Outros escultores e modeladores terão seguido esta tendência, tais como Rafael (1846-1905) e Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920), Costa Mota, Sobrinho (1877-1956), Avelino Belo (1872-1927), Francisco Elias (1869-1937), os menos conhecidos  Alberto Morais do Vale (1901-1955), João dos Santos Calisto (1905-1946), Francisco Caetano Ferreira (1908-1987), e o próprio João Macedo Correia (1908-1987).

 

No entanto, muitos destes bustos não apresentam qualquer assinatura na sua versão industrial, pelo que nem sempre é fácil indicar o seu autor, e a verdade é que muitas fábricas e oficinas copiaram obras entre si sem respeitar quaisquer direitos ou creditar a sua autoria.

 

Sabe-se, por exemplo, que a Estatuária Artística de Coimbra, fundada em 1943, reproduziu e comercializou, sem qualquer atribuição de autor, um busto de António de Oliveira Salazar (1889-1970) que João Macedo Correia havia modelado, e comercalizado através da Cerâmica Macedo, na década de 1930.

 

 

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Maio 14 2017

 

Pequeno vaso em terracota, ou cachepot, com cerca de 9,6 cm. de altura, decorado a aerógrafo e esmalte sobre stencil (chapa recortada).

 

Este exemplar, como se comprova pela etiqueta em papel, terá sido executado numa das oficinas cerâmicas de Areias, S. Vicente, em Barcelos, provavelmente durante a década de 1960. 

 

 

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Maio 06 2017

 

Pequena jarra moldada, com cerca de 7 cm. de altura, apresentando decoração floral pintada à mão.

 

Este será um dos poucos exemplares que subsistem da exígua produção realizada, entre 1945 e 1947, na efémera Fábrica de Loiça de Viana. É possível que o molde desta peça tenha sido trazido, da sua fábrica de Barcelos, pelo ceramista e modelador João Macedo Correia (1908-1987), o qual foi o responsável técnico da L. V. no atribulado e curto período da sua existência.

 

A Fábrica de Loiça de Viana, Limitada, foi constituída por escritura datada de 25 de Setembro de 1945, localizando-se a sua sede e estabelecimento fabril no lugar da Senhora da Ajuda, freguesia da Meadela, em Viana do Castelo.

 

O seu capital social era de 330.000$00, distribuído da seguinte forma pelos accionistas – José Jorge Alves de Sousa Cruz, 150.000$00; D. Maria Amélia de Sousa Cruz, 100.000$00; Octávio Pereira da Silva, 50.000$00; Dr. João de Espregueira Mendes, 20.000$00; e José Augusto Rosa de Araújo, 10.000$00.

 

No entanto, à data da constitução, José Jorge Alves de Sousa apenas realizara uma entrega de 100.00$00 e José Augusto Rosa de Araújo uma entrega de 1.000$00, pelo que a caixa social apenas totalizava 279.000$00.

 

A maioria das quotas desta fábrica veio a ser adquirida em 1948 pela empresa Jerónimo Pereira Campos, Filhos, de Aveiro, que já se encontrava estabelecida, desde meados da década de 1930, a sul do rio Lima, em Alvarães.

 

Mantendo as instalações da Meadela, a empresa aveirense passou a comercializar esta sua nova produção, na maioria realizada em pasta de faiança fina, um grés feldspático não poroso, com a marca C. F. Viana.

 

 

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Abril 16 2017

 

Jarra em terracota, com cerca de 21,3 cm. de altura, produzida na Cerâmica Macedo, Barcelos.

 

A decoração floral de inspiração Art Déco foi aplicada a aerógrafo sobre stencil (neste caso, cartão ou chapa recortada) para o amarelo, azul, verde e vermelho, e aplicada livremente para o preto e o fundo beige.

 

Sendo louça com fins decorativos, mas também utilitários, a interessante e extensa produção da Cerâmica Macedo sobreviveu em ínfimas quantidades até aos dias de hoje e, como se verifica neste e na maioria desses reduzidos exemplares, em condições de grande deterioração da pintura.

 

Este problema técnico, que afectou também as grandes fábricas de faiança produtoras de decoração sobre o vidrado, como a FLS, acentuava-se na decoração sobre terracota.

 

Embora a Cerâmica Macedo submetesse as suas peças a um banho impermeabilizante antes de aplicar as tintas, o processo de escamagem acentuava-se na terracota com a passagem do tempo, mesmo sem que as jarras recebessem água no seu interior.

 

 

De acordo com Adélio Macedo Correia (n. 1943), a Fábrica de Cerâmica Joaquim Macedo Correia foi fundada em 1893, em Areias de S. Vicente, embora Joaquim Macedo Correia (1871-1948) provavelmente já viesse a produzir cerâmica desde o início dessa década.

 

Exportando, na década de 1920, para todo o país, incluindo Madeira, e Espanha, a fábrica veio a denominar-se Cerâmica Macedo entre 1930 e 1949, difícil período, que se seguiu ao crash bolsista de 1929 e foi afectado quer pela Guerra Civil de Espanha (1936-1939) quer pela II Guerra Mundial (1939-1945), em que a administração passou a ser exercida pelo filho do fundador, o modelador e escultor cerâmico João Macedo Correia (1908-1987).

 

Apesar daquelas adversidades, datam deste período as inovações técnicas na decoração, nomeadamente a utilização do aerógrafo e do stencil, a adopção da gramática Art Déco e ainda a abertura de uma loja na Póvoa de Varzim, em 1935. 

 

Como já foi referido, a Cerâmica Macedo encerrou as suas últimas instalações, no Campo de S. José, Barcelos, em 1950. A loja da Póvoa de Varzim acabou por fechar em 1951.

 

João Macedo Correia, que entretanto, entre 1945 e 1947, dera muito de si e da sua experiência para implementar o projecto e evitar o malogro da efémera Fábrica de Loiça de Viana, ainda continuou em Barcelos a sua produção, de forma artesanal, durante as duas décadas seguintes.

 

 

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Agosto 27 2016

 

Quadrinho em terracota pintada, com cerca de 12,4 x 12,4 cm. e 1,4 cm. de altura de rebordo, produzido na fábrica Cerâmica Macedo, de Barcelos.

 

Ilustrando um movimento da dança popular denominada Rosa Branca, este motivo insere-se numa representação folclórica que, retomando e adaptando as representações de motivos e costumes nacionais e regionais exaltados pelos românticos desde início do século XIX, se iniciou em Portugal na década de 1920 e teve o seu apogeu entre as décadas de 1930 e 1960.

 

Esta representação tem vindo a ser pontualmente referida neste espaço (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/folclore) e também MUONT (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/2016/07/jarra-e-azulejo-o-vira-marinha-grande-e.html) a abordou recentemente.

 

É, aliás, a propósito daquela recente publicação que aqui se volta ao assunto, para divulgar o nome de mais uma designer que seguiu esta tendência na Cerâmica Macedo, fábrica barcelense que operou entre 1930 e 1949, nas instalações de Areias, e ainda em Campo de S. José, tendo estas últimas encerrado em 1950.  

 

Segundo Adélio Macedo Correia, filho do ceramista João Macedo Correia (1908-1987) e autor do estudo Cerâmica Macedo, Barcelos, depois de encerrar aqueles espaços seu pai manteve ainda um pequeno estúdio, anexo a sua casa, até meados da década de 1970.

 

Ainda de acordo com Adélio Macedo Correia, foi aí, já na década de 1950, que seu pai começou a produzir, entre outras peças, estes quadrinhos, cujos cerca de trinta diferentes motivos se devem a uma estudante de pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, conhecida apenas pelo nome de Maria Inês.

 

Voltaremos a abordar a injustamente esquecida produção da Cerâmica Macedo, a qual chegou a estar representada na Exposição do Mundo Português, em 1940, e teve a sua memória recuperada por ocasião da exposição A Cerâmica Portuguesa no Período Art Déco, realizada em 2005, nos EUA, onde se exibiu uma pequena jarra que será aqui posteriormente reproduzida.

 

 

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Abril 05 2014

 

Conjunto de leiteira, açucareiro e bule, formato "Asa Triangular", em porcelana da Vista Alegre, Ílhavo, apresentando marcas correspondentes ao período 1924-1947.

 

Os arquivos da VA, relativos a uma leiteira similar a esta registada sob a entrada número 4072 de 1938, referem que este formato foi introduzido em Julho de 1933, embora o arredondado bico desta peça seja distinto daquele original, que era angular.

 

A imagem destes exemplares consta, juntamente com outra imagem de chávenas do mesmo formato, do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, sendo da autoria da fotógrafa americana Maggie Nimkin (http://www.maggienimkin.com/).

 

Uma leiteira do formato "Asa Triangular" original, com o bico angular e decoração floral foi também exibida nesse evento, surgindo sob o número 154 de catálogo.

 

Esse formato original, com decoração exactamente igual a esta, pode também ser visto no espaço de Maria Andrade: http://artelivrosevelharias.blogspot.pt/2012/04/formas-clarice-cliff-em-porcelana-da.html.

 

Conforme referido no catálogo daquela exposição, e também no espaço acima mencionado, esta leiteira é muito semelhante ao modelo Bizarre Ware Conical Shape introduzido em Inglaterra em 1929 e desenhado pela consagrada Clarice Cliff (1899-1972).

 

Por sua vez, a base do açucareiro evoca claramente a influência da Bauhaus, em particular o famoso design que Marianne Brandt (1893-1983) produziu para bules, taças e cinzeiros, de metal, em meados da década de 1920.

 

Peças com formatos semelhantes constam também do catálogo da Fábrica de Cerâmica de Joaquim Macedo Correia, de Barcelos, sob os números 794, cafeteira, e 797, açucareiro, sendo o desenho das mesmas atribuído a João Macedo Correia (1908-1987).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

Uma diferente fotografia destas peças surgiu em grande destaque na primeira página de jornal Luso-Americano (http://www.lusoamericano.com/), publicado em Newark, New Jersey, E.U.A., algumas semanas antes da inauguração da referida exposição.

 

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