Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Março 17 2017

 

Por cortesia de Clive Gibert, que muito se agradece, apresenta-se hoje a fotografia de um conjunto de bule e cafeteira do período final da FLS.

 

Segundo o mesmo, este modelo, com decoração minimalista a preto e branco, destinar-se-ia provavelmente à comercialização exclusiva pela empresa Debenhams (http://www.debenhams.com/#), embora tal pareça nunca ter vindo a acontecer.

 

De qualquer modo, conhece-se este formato com diferentes decorações, como se pode constatar no catálogo da exposição 150 Anos – 150 Peças, Fábrica de Loiça de Sacavém, realizada em 2006 no Museu de Cerâmica de Sacavém.

 

O corpo apresenta evidente semelhança com o do formato Hotel (http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/formato+hotel), centrando-se a modernização das peças nos arcos da pega da tampa e das asas. Também o bico corresponde a um anterior formato, clássico, da FLS e de outras fábricas internacionais.

 

O processo de criação de formatos nas duas últimas décadas da FLS passava frequentemente por um processo colectivo de desenho, construção e reconstrução até ao formato final, dependendo muito mais do atelier do que do exclusivo trabalho individual.

 

Embora Clive Gilbert, na sua capacidade de engenheiro especializado em cerâmica, tenha participado activamente no desenvolvimento de alguns formatos durante as décadas de 1960 e 1970, particularmente de loiça sanitária – onde interveio na criação dos formatos Savoy e Superbus, não recorda se também interveio neste conjunto em particular.

 

 

No entanto, na obra Raul Cunca: O Designer Plural (2014) podemos encontrar duas páginas onde se ilustram as obras desenvolvidas por Raul Cunca (n. 1963) para a FLS e surge este formato.

 

Tais páginas, reproduzidas no seu site (http://raulcunca.com/), referem ainda que este designer colaborou com a FLS entre 1986 e 1988 e reproduzem vários exemplos deste modelo, com distintas decorações.

 

O formato de loiça sanitária Superbus, aliás, é um óptimo exemplo da múltipla colaboração anteriormente referida. Inicialmente concebido por Clariano Casquinha da Costa (1929-2013), o desenho deste conjunto veio posteriormente a ser renovado por Clive Gilbert (n. 1938), que concebeu o lavatório, e pelo modelador Daniel Rodrigues (datas desconhecidas), que concebeu o bidé e a bacia.

 

Finalmente, note-se o logótipo da FLS que, embora surja apenas num autocolante, é distinto de quaisquer outras marcas que se tenham aplicado na loiça.

 

© MAFLS


Outubro 08 2015

 

Pequeno bule, formato Coimbra, com decoração a laranja e dourado, sobre o vidrado, correspondente ao motivo 672.

 

Este motivo, com outras variantes cromáticas e em pastas de outra cor, foi também aplicado no formato Avenida, quer com complementos em ouro (http://mfls.blogs.sapo.pt/48159.html) quer com complementos em platina (http://mfls.blogs.sapo.pt/5167.html).

 

Vejam-se mais alguns bules com este formato, apresentando diferentes decorações, quer aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/bules+formato+coimbra, quer no espaço que MUONT também dedica à investigação comparativa de cerâmica (http://modernaumaoutranemtanto.blogspot.pt/search/label/Formato%20Coimbra).

 

Note-se ainda como, neste exemplar, é bem visível na pega da tampa uma ligeira deformação que evoca o formato inglês denominado Zenith, criado por Ernest Bailey (1911-1987) e comercializado pela empresa Burgess & Leigh, que terá servido de modelo ao formato Avenida da FLS.

 

Fundada em 1862, esta companhia contou com a colaboração de excelentes designers durante o período Art Déco, nomeadamente da consagrada Charlotte Rhead (1885-1947), que ali trabalhou entre 1926 e 1931, criando diversos motivos originais para a série Burleigh Ware, e poderá ter sido a autora de algum dos motivos de inspiração floral que a FLS veio a adaptar.

 

 

© MAFLS


Agosto 23 2014

 

Apresentam-se hoje dois bules em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, em Vila Nova de Gaia, que, numa tonalidade mais clara, evocam o famoso azul cobalto de Sèvres.

 

Datáveis das décadas de 1930 ou 1940, traduz o primeiro aquele que terá sido o mais modernista dos modelos de chá e café do Candal, embora o perfil da pega da tampa se conheça, com variantes, em peças quer da Manufactura de Faianças das Caldas da Rainha, quer da Vista Alegre, onde tal formato, com asas completamente diferentes, surge sob a designação Samuel.

 

O segundo bule, com o seu humorístico toque na pega da tampa, apresentando um caracol estilizado, será provavelmente mais tardio que o primeiro e traduz um retorno a formas mais conservadoras, com evocação de influências mais classicizantes e neo-barrocas.

 

 

A propósito ainda destes bules, inquestionavelmente enquadráveis no período Art Déco, e do pequeno cinzeiro apresentado abaixo, com cerca de 10 cm. de diâmetro, aproveita-se a oportunidade para sistematizar, sem o estabelecimento de uma cronologia específica, algumas das marcas utilizadas pela Electro-Cerâmica do Candal ao longo da sua existência.

 

O primeiro bule ostenta a marca C1a, o segundo a marca C3c, a qual surge aqui acompanhada de uma referência manuscrita à decoração, comum nas peças da Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, mas pouco habitual nas peças do Candal, e o cinzeiro, surpreendentemente, a marca C4, correspondente à PORCEC, a última utilizada no Candal, de que se conhece ainda outra variante com o EC entrelaçado.

 

 

 

Registe-se, novamente, que existe um site dedicado à memória da EC do Candal, instituído pela Candal Park, Centro de Negócios e Empresas, empresa que veio recuperar, ocupar e adaptar as antigas instalações da fábrica: http://www.candalparque.pt/quemsomos.php.

 

Finalmente, recorde-se, mais uma vez, que há também um site consagrado exclusivamente à divulgação e ao coleccionismo de peças do Candal: http://detalhesceramicos.blogspot.pt/.

 

                    

C1a                                        C1b                                        C1c                                         C2

 

               

C3a                                        C3b                                        C3c                                         C4

 

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Agosto 08 2014

 

Bule formato Lagos, do último período de produção da FLS, apresentando decoração floral sobre o vidrado.

 

Note-se como, num período em que se verificava um certo revivalismo do estilo Art Déco, esta decoração recupera um tratamento algo característico da gramática Art Nouveau, que também teve uma repercussão revivalista em muitas das sinuosas linhas utilizadas no grafismo Pop Art das décadas de 1960 e 1970.

 

 

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Janeiro 10 2014

 

Bule formato Coimbra ostentanto o motivo floral número 733  aplicado sobre o vidrado.

 

Vejam-se outras peças apresentando esta decoração e a folha da FLS com este desenho aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+733.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Novembro 25 2013

 

Bule formato Coimbra com decoração floral pintada à mão sobre o vidrado.

 

A presente imagem consta do catálogo da exposição Portuguese Ceramics in the Art Deco Period, realizada nos EUA em 2005, e é da autoria do fotógrafo João Francisco Vilhena (n. 1965).

 

Note-se que a imagem original foi registada em película e posteriormente digitalizada, o que afectou a sua qualidade e não reflecte as características que uma impressão em papel fotográfico oferece.

 

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Julho 02 2013

 

Bule formato Granja com motivo minimalista de inspiração Art Déco aplicado sobre o vidrado.

 

Veja-se uma variante verde desta decoração, correspondente ao motivo 989, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/tag/motivo+989.

 

 

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Dezembro 22 2012

 

Bule formato Aldeia decorado sobre o vidrado com o motivo 806-A.

 

 

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Outubro 29 2012

 

Bule formato Porto decorado com o motivo 626, esponjado e pintado à mão, sob o vidrado.

 

Note-se como a letra "R" surge quer na base quer no interior da tampa. Uma hipótese para a aposição de esta letra nas peças da FLS é a de que esta possa corresponder à indicação de refugo.

 

No caso deste exemplar, tal classificação seria consentânea com uma pequena cratera no rebordo do bule, correspondente a uma bolha cuja rebentação terá ocorrido durante o cozimento, e com a deficiente vitrificação da parte superior da tampa. 

 

Agora, como explicar que essa letra já tivesse sido carimbada na pasta antes da vitrificação? Mais, estando a peça já classificada como refugo, para quê cozê-la novamente e, como acontece nalguns outros exemplos conhecidos, proceder ainda à sua decoração sobre o vidrado ou à sua filetagem a dourado? 

 

Veja-se um conjunto de chávena e pires formato Ourique, com este motivo, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/40059.html.

 

 

 

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Setembro 29 2012

 

Bule formato Coimbra, com filetagem e decoração pintada à mão sobre um vidrado mate denominado Porto.

 

Um conjunto de chávena e pires, do mesmo formato e com a mesma decoração, já foi anteriormente publicado aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/177050.html.

 

 

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