Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém

Outubro 15 2017

 

Pequena jarra, com cerca de 12 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, Vila Nova de Gaia.

 

Este exemplar ilustra uma das combinações decorativas mais comuns da fábrica – secções parcialmente esmaltadas a uma só cor, motivos florais estampados, filetagem a dourado.

 

 

© MAFLS


Setembro 07 2017

 

O Sporting Clube da Vista Alegre acaba de anunciar o novo equipamento para a sua equipa de futebol, que este ano disputará a Primeira Divisão Distrital de Aveiro.

 

Mantendo as suas cores tradicionais, o amarelo e o azul, o equipamento surge com um design inovador e sui generis, da autoria do conceituado designer espanhol Jaime Hayon (n. 1974), que também concebeu para a VA a colecção Folkifunki (http://24.sapo.pt/vida/artigos/animais-e-folclore-portugues-numa-mesa-alegre-a-fantasia-de-um-conceituado-designer-para-empresa-dos-nossos-tetra-avos), e apresenta o actual logótipo da empresa, que foi introduzido em 2008.

 

Vários registos documentam, no entanto, que o equipamento mais antigo exibia apenas um listado vertical azul e branco, como se pode verificar num cinzeiro com jogador, nuns emblemas esmaltados e numa talha comemorativa da conquista do Campeonato da 2.ª Divisão Distrital, Zona Sul, peças existentes no Museu da Vista Alegre, em Ílhavo.

 

Note-se que a colecção FolkifunKi, desenvolvida em 2016, parece evocar muito do colorido e do imaginário da fábrica galega Sargadelos (http://www.sargadelos.com/es/), com a qual Hayon nunca terá colaborado.

 

Já em 2014 os atletas do clube haviam envergado um equipamento concebido por um outro conceituado designer, o brasileiro Brunno Jahara (n. 1979), que criou para a VA o serviço Transatlântica (https://vistaalegre.com/pt/SearchProducts?q=transatl%C3%82ntica&submitSearch=Pesquisar), alegadamente o seu serviço de mesa actualmente mais vendido em todo o mundo, como se pode ver abaixo.

 

Curiosamente, qualquer uma das três propostas, submetidas a votação em 2014, parece querer funcionar como uma montra ambulante publicitando especificamente o próprio serviço, de forma mais explícita do que o actual equipamento.

 

A propósito da denominação do serviço, recorde-se que Mónica Marques (n. 1970) já havia utilizado um trocadilho semelhante no título do seu livro Transa Atlântica (2008).

 

 

A Vista Alegre encontra-se ligada ao futebol desde o século XIX, tendo os descendentes do seu fundador estado associados à organização do primeiro jogo público de que há notícia em Portugal, o qual se realizou em Lisboa no ano de 1889.

 

A criação e manutenção de secções desportivas era uma tradição das diversas fábricas cerâmicas portuguesas de maiores dimensões, entre a quais se contavam a Electro-Cerâmica, do Candal, a Fábrica de Loiça de Sacavém e a própria VA, que já promovia o futebol nas instalações da fábrica desde 1915 e fundou o SCVA em 1952.

 

Nos arquivos da VA existe, aliás, registo de uma curiosa peça, um "Prato para parede", com decoração intitulada "Roulet n.º 1", alusiva ao futebol e produzida em 1939.

 

Trata-se de um prato ostentanto os elementos de uma equipa de futebol dispostos em círculo, com um logótipo no centro, correspondente ao desenho P.1961.

 

De acordo com o verbete 2675, o motivo foi desenhado por Piló (Manuel Pilo da Silva, 1905-1988) e o exemplar correspondente à ilustração desse verbete "Oferecido a Secção Desportiva da «EC» em 2/7/39".

 

Uma interessante documentação lateral da convergência empresarial que se verificava, desde meados dessa década, entre a VA e a Electro-Cerâmica do Candal.

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2017

 

Pequeno bule, com cerca de 8,2 x 13,6 cm. e 9,8 cm. de diâmetro máximo, para jogo de bonecas ou uso infantil, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal, de Vila Nova de Gaia.

 

A decoração floral foi aplicada através de estampagem sobre o vidrado, por decalcomania.

 

 

© MAFLS


Abril 30 2017

 

Jarra em miniatura, com apenas cerca de 6 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Um pequeno, mas significativo, exemplo dos formatos cerâmicos biomórficos que surgiram nas décadas de 1950 e 1960, quer na cerâmica internacional quer na nacional, e apresentam clara relação com obras do pintor e escultor Jean [Hans] Arp (1886-1966; cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Arp), e do escultor Henry Moore (1898-1986; cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Moore).

 

A marca relevada aplicada na pasta não se apresenta com suficiente contraste para poder ser reproduzida.

 

© MAFLS


Fevereiro 25 2017

 

Duas pequenas estatuetas, com cerca de 6,5 cm. de altura, em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Conhecem-se outras versões desta série, com diferentes cores de vestuário e diferentes instrumentos musicais, ostentando nesses instrumentos as duas variantes de metal, ouro e platina, aqui ilustradas.

 

 

 © MAFLS


Janeiro 28 2017

 

Pequena caixa para jóias, em porcelana da Electro-Cerâmica, do Candal, Vila Nova de Gaia, ostentando a legenda "Recordação do Bom Jesus [Braga]"

 

Conhece-se este motivo do santuário, que aqui surge litografado sobre o formato F12, aplicado em outras peças, como paliteiros triangulares e alfineteiras.

 

 

 © MAFLS


Outubro 08 2016

 

Pequena jarra, com cerca de 9,3 cm. de altura, da Sociedade de Porcelanas, Coimbra.

 

Apresentando um invulgar tronco pentagonal, ostenta numa dessas cinco faces decoração vegetal, em relevo moldado, que está sublinhada com delineação a verde, aplicada manualmente.

 

Note-se, ainda, como a referenciação do formato, J29, replica o sistema utilizado na Electro-Cerâmica do Candal (http://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-ccv-309389), de Vila Nova de Gaia, que a partir de 1945, tal como a SP, passaria a integrar definitivamente o grupo Vista Alegre.

 

 

© MAFLS


Novembro 28 2015

 

Conjunto individual de chávena e prato para torradas em porcelana da Electro-Cerâmica do Candal.

 

Correspondendo a uma tendência que se desenvolveu na Europa e nas Américas a partir de finais do século XIX, e se manteve durante a primeira metade do século seguinte, estes conjuntos eram predominantemente destinados a um serviço individual de pequeno-almoço ou lanche.

 

Em Portugal, conjuntos similares, mas com diferentes formatos, foram também produzidos em porcelana quer pela Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, quer pela Vista Alegre.

 

Este conjunto apresenta, no seu prato de torradas, quer no rebordo, quer no relevo interior, sinuosidades características dos curvilíneos formatos Art Nouveau.

 

 

No entanto, uma observação atenta da chávena permite verificar que este exemplar comercializado pela EC replica o famoso formato Jugendstil (em alemão, equivalente ao galicismo Art Nouveau) denominado Donatello, que originalmente havia sido lançado pela fábrica alemã Rosenthal.

 

Acima reproduz-se uma chávena de café dessa fábrica, onde se pode encontrar uma decoração modernista que, ilustrando embora o tradicional prestígio do azul cobalto associado à porcelana, antecipa o minimalismo repetitivo de décadas mais recentes.

 

Ao contrário do que se verifica na conservadora versão floral aplicada no conjunto do Candal, a simplicidade deste motivo traduz bem um renovado espírito geométrico favorecido por algumas escolas pioneiras, como a escocesa Glasgow School of Art, fundada em 1845 mas com o seu apogeu oitocentista a ocorrer na última década desse século, em paralelo com a ascensão do consagrado Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), a austríaca Wiener Secession, fundada em 1897, ou a alemã Bauhaus, fundada já em 1919.

 

 

© MAFLS 


Janeiro 11 2015

 

 

Estavam estas peças reservadas para um trocadilho, fácil, a realizar no Outono deste ano.

 

Mas os acontecimentos desta semana justificam a sua publicação agora, com outro valor metafórico, porque nos querem transformar em coelhos acossados e assustados.

 

A tradicional e assustadora imagem do homem do saco surge aqui transformada na imagem do homem do cajado, que ora o maneja como instrumento para não deixar sair carneiros e ovelhas do rebanho, ora para os reconduzir ao seu seio. Ou ainda para esmagar, de uma só cajadada, mais de um coelho.

 

 

E a maior homenagem que se pode fazer às vítimas dos atentados desta semana, particularmente aos desenhadores e cartoonistas e à sua luta pela diferença e pela liberdade, é não nos deixarmos iludir ou limitar, ainda mais, nas nossas liberdades e garantias individuais, a pretexto de maior prevenção e maior segurança colectiva.

 

Nos últimos anos, a nossa liberdade já foi limitada a pretexto da crise económica e financeira e da alegada necessidade de uma austeridade específica e particular. Na última década, a pretexto de uma maior segurança global – veja-se a facilidade com que actualmente os governos acedem a informação privada dos cidadãos, sem indignação ou contestação, através dos seus telemóveis ou das suas contas nas redes sociais.

 

Homenageiem-se as vítimas, e os valores de liberdade que defendiam, não se criem novos pretextos para atacar ainda mais esses valores.

 

© MSP / Mauricio de Sousa Produções

 

Como o artigo de hoje quase não é sobre cerâmica, nem essa é a prioridade, deixa-se apenas a informação de que a figura do coelho azul é da Electro-Cerâmica do Candal e as argolas de guardanapo são da VA, com marca do período de 1922-1947.

 

Vejam-se variantes cromáticas da peça do Candal aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/31762.html.

 

Bravo, Charlie!

 

 

© MAFLS


Setembro 01 2014

 

Figura de corça ajoelhada, com cerca de 24,7 x 19,8 x 10, 8 cm, em porcelana.

 

Embora não apresente qualquer marca visível, é possível que esta peça tenha sido produzida na Electro-Cerâmica do Candal ou na Sociedade de Porcelanas, de Coimbra, cujos exemplares, mais frequentemente do que acontece na primeira fábrica, por vezes surgem sem qualquer marca ou mesmo sem o simples carimbo S. P. que se pode encontrar nalgumas peças de biscuit.

 

Vejam-se outros exemplares de corças, também com dimensões médias mas em faiança, das unidades de Lisboa e Coimbra da Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, aqui: http://mfls.blogs.sapo.pt/71973.html.

 

© MAFLS


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